Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Filmes de Rock ‘N’ Roll que vão fazer você cantar, dançar e vibrar


O Podcast desta matéria pode ser ouvida nas plataformas Anchor, Castbox, Deezer, Google Podcast, Spotify e Spreaker.

No início da década de 1950, surgiu nos EUA um gênero musical que era uma mistura de dois outros, o Rhythm and Blues – tocado e apreciado pelos negros – e o Country and Western – este tocado e apreciado pelos brancos. E foi dessa mistura de música negra com música branca que surgiu uma outra que transformaria todo o cenário musical do mundo: o Rock ‘N’ Roll!
Quando apareceu, o Rock ‘N’ Roll não passou desapercebido. Quem escutava, amava ou odiava, não havia meio termo. Entre os que odiavam, estavam os religiosos (que diziam que essa era a “música do diabo”), os racistas (dentre estes, o desprezível grupo Ku-Klux Klan, que espumava de ódio ao ver que vários astros do Rock ‘N’ Roll eram negros e brancos amigos desses mesmos negros) e os puritanos, que viam esse gênero musical como um atentado à moral e aos bons costumes (no Brasil, poucos sabem que o nome Rock ‘N ‘ Roll era uma gíria dos negros estadunidenses que significava fazer amor). Já entre os que amavam estava apenas a juventude do mundo, que viam nessa música, um hino à liberdade e ao amor, duas palavras que passaram a ser muito valorizadas em um tempo no qual a Guerra Fria estava no auge e conflitos armados como a Guerra do Vietnã e golpes militares que instalavam tirânicas e violentas ditaduras (em particular na América do Sul) corriam soltos.
Não foram poucos os que disseram que o Rock ‘N ‘ Roll era apenas uma moda passageira e, desde então, a cada década, algum “profeta do apocalipse musical” prevê que essa música vai durar, no máximo, mais seis meses. Porém, contrariando essas previsões, o Rock ‘N ‘ Roll não só sobreviveu como espalhou-se por todo o planeta, tornou-se a música do século XX e, nestes primeiros anos do século XXI, continua firme e forte, com novos artistas surgindo diariamente e sem dar mostras de perda de força e fôlego.
O cinema logo percebeu o potencial do Rock ‘N’ Roll tanto como negócio quanto como manifestação cultural dos jovens de todas as nacionalidades, cores, raças, credos e sexos. Panorama do Cinema fez, a seguir, uma seleção de filmes de Rock ‘N‘ Roll para os rockeiros e os cinéfilos cantarem, dançarem e vibrarem. Afinal, como foi dito uma vez, “É apenas Rock ‘N ‘ Roll, mas eu gosto”...

Balada Sangrenta (1958)

Danny Fisher (o Rei do Rock, Elvis Presley) é um jovem pobre que vive na cidade de Nova Orleans com sua família, que tem problemas financeiros. Danny tem problemas de relacionamento na escola, o que faz com que se envolva com o marginal de rua Shark (Vic Morrow, de Fuga Alucinada). Danny consegue uma oportunidade como cantor na casa de shows “King Creole”, o que pode resolver seus problemas de dinheiro. Porém, o gangster Maxie Fields (Walter Matthau, de Dois Velhos Rabugentos) quer que Danny trabalhe para ele e, para isso, chantageia o rapaz com um erro que ele cometeu.
Elvis Presley fez mais de 30 filmes para o cinema, sendo que a grande maioria desses filmes eram musicais bobocas e ruins que foram impiedosamente massacrados pela crítica – embora tenham sido sucessos de bilheteria. Balada Sangrenta foi uma rara exceção. Quando o diretor Michael Curtiz (do megaclássico Casablanca) soube que dirigiria um musical de Elvis, não ficou nem um pouco entusiasmado. Porém, ao ler o roteiro (baseado em um livro do autor de best sellers Harold Robbins) e conhecer o Rei pessoalmente, mudou de ideia.
Logo na primeira cena musical percebe-se que este é um filme acima da média. Além de ser um grande cantor, o Garoto de Tupelo (cidade onde cresceu) também tinha qualidades como ator que, infelizmente, nunca foram devidamente desenvolvidas. Balada Sangrenta mostra Elvis no auge de sua forma musical, em números nos quais pode-se ver toda a sua energia rebelde, carisma e talento que fizeram dele o Rei e um mito do Rock ‘N ‘ Roll. Se os seus outros filmes tivessem diretores tão bons quanto Curtiz, roteiros bem escritos e elencos de apoio de qualidade, é bem provável que a carreira cinematográfica de Elvis seria um sucesso ainda maior.

Veja aqui o trailer de Balada Sangrenta (original em inglês):

A Hard Day’s Night (1964)

Os Beatles (John Lennon, guitarra e vocal; Paul McCartney, baixo e vocal; George Harrison, guitarra e vocal; Ringo Starr, bateria e vocal) vão aparecer em um show de televisão que será transmitido ao vivo e precisam comparecer ao estúdio para ensaiar o seu número. Ao longo de um dia típico em suas vidas, eles tem de participar de vários compromissos, correr de fãs histéricas e, ainda por cima, lidar com as confusões causadas pelo avô de Paul (Wilfred Brambell, de A Espada do Valente).
Os Beatles já eram um sucesso sem precedentes na Europa quando foram, no início de 1964, fazer sua primeira excursão pelos EUA. A turnê foi um verdadeiro furacão, pegando os estadunidenses de surpresa e conquistou não só o país como também o resto do mundo e mudou, para sempre, a música popular em toda a parte. Nesse mesmo ano, os Meninos de Liverpool fizeram sua estreia cinematográfica em um filme chamado A Hard Day’s Night (literalmente Uma Noite de Um Dia Duro).
Os críticos da época imaginavam que seria um musical no estilo dos filmes de Elvis Presley. Porém, os Beatles novamente surpreenderam. Dirigido pelo então jovem e talentoso Richard Lester (de Superman II), A Hard Day’s Night mostrou ser uma comédia muito divertida com direção ágil e inovadora, cujas cenas musicais antecipavam os futuros vídeoclips, com os membros da banda a demonstrarem aptidões interpretativas e um roteiro muito bem elaborado por Alun Owen (Armadilha a Sangue Frio) que, para redigir o texto, passou um tempo junto à banda vendo todos os seus traços de personalidade.
Ao se assistir A Hard Day’s Night, é possível entender porque os Beatles causaram um impacto tão grande na cultura mundial e se tornaram tão populares. Junto com as suas canções maravilhosas, o filme é repleto das piadas malucas que os Fab Four gostavam de contar (o humor sempre foi um recurso poderoso), os mais velhos são constantemente ironizados – que, diga-se de passagem, sempre fazem por merecer a ironia - e mostrava um sentimento muito comum entre os jovens daquele tempo: o de deslocamento em um mundo dominado pelos adultos que, na visão da juventude, estragaram este belo planeta.
A Hard Day’s Night foi um estouro de bilheteria, uma produção barata que é, até hoje, um dos filmes mais lucrativos da história em relação ao investimento e também foi indicado aos Oscars de Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora (de autoria do produtor dos Beatles, George Martin). Uma cópia do filme foi colocada dentro de uma cápsula do tempo enterrada na Califórnia para que as pessoas do ano 2964 vejam como eram as coisas mil anos atrás. E podem estar certos que a galera do futuro também vai se surpreender...

Veja aqui o trailer de A Hard Day’s Night (original em inglês):

O Último Concerto de Rock (1978)

Após uma carreira de 16 anos, o grupo de Country-Rock - gênero que mistura esses dois tipos de música - The Band (Robbie Robertson, guitarra e vocal; Rick Danko, baixo e vocal; Richard Manuel, piano; Levon Helm, bateria e vocal; Garth Hudson, órgão e sintetizador), decide se separar e realiza um último show na cidade de San Francisco com vários convidados de renome.
The Band surgiu em 1962 e tornou-se conhecido por ser o grupo de apoio do cantor e compositor Bob Dylan (que, em 2016, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura), quando lançaram-se em uma bem-sucedida carreira própria. Estava tudo muito bom, estava tudo muito bem, até o dia em que os músicos acharam que cada um devia cuidar de sua própria horta.
Então, no melhor estilo da década de 1970, resolveram se separar numa boa e organizaram um concerto de despedida no feriado do Dia de Ação de Graças justamente na cidade em que começaram, San Francisco, e convidaram vários amigos para esse concerto final (chamado The Last Waltz, que, em inglês, significa, literalmente, A Última Valsa, que também é o nome original do filme). E que convidados! Ninguém menos que os guitarristas Eric Clapton e Ron Wood (da banda The Rolling Stones), os cantores Neil Diamond, Van Morrison e Neil Young (ex-membro do grupo Crosby, Stills, Nash & Young), as cantoras Joni Mitchell e Emmylou Harris, o ex-Beatle Ringo Starr, além do amigo e mentor Bob Dylan, entre outros.
O diretor Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street) sempre foi um aficionado por música em geral, e por Rock em particular, tendo já feito vários documentários sobre o tema tais como Shine a Light (2009), no qual documenta a banda The Rolling Stones; e George Harrison: Living in The Material World (2011), feito para a televisão, em que retrata a vida do ex-Beatle George Harrison. Porém, sua primeira incursão sobre o assunto foi em O Último Concerto de Rock.
O filme mostra cenas muito bem filmadas do show – que é emocionante – e as intercala com entrevistas (feitas pelo próprio Scorsese) dos membros do grupo que, além de exporem seus pontos de vistas musicais, contam histórias e curiosidades de sua carreira. Um registro perfeito da época, que fez a cabeça de muita gente e consegue resistir ao tempo.

Veja aqui o trailer de O Último Concerto de Rock (original em inglês):

Stop Making Sense (1984)

Os Talking Heads (David Byrne, violão, guitarra e vocal; Tina Weymouth, baixo e teclados; Jerry Harrison, guitarra e teclados; Chris Franz, bateria) desde o seu surgimento, em 1977, navegavam entre o Pop, o Rock e a música de Vanguarda, o que fez com que obtivessem sucesso imediato tanto de público quanto de crítica. Stop Making Sense é o registro de um show da turnê de mesmo nome no qual apresentaram seus grandes sucessos tais Psycho Killer, Burning Down The House, This Must Be The Place (que fez parte da trilha sonora dos filmes da franquia Wall Street) e Genius of Love (da banda Tom Tom Club, projeto solo da baixista Tina).
O líder da banda, David Byrne (um escocês radicado nos EUA), concebeu a apresentação de um modo minimalista, na qual, em lugar de uma grande produção repleta de efeitos especiais de palco que estava muito em voga na época, optou por cenário simples que, ao longo do show vai sendo montado aos poucos e no qual se destacam jogos de luzes, um telão onde são projetados slides diversos e objetos e vestuários típicos de uma peça de teatro.
Tal qual os Talking Heads, o diretor Jonathan Demme (do clássico O Silêncio dos Inocentes) sempre navegou entre o gosto popular e o vanguardista e acabou por ser a escolha perfeita para a direção do filme. Neste seu primeiro documentário, Demme conseguiu captar de modo preciso toda a energia e vibração do show, além das ideias teatrais de Byrne. Mesmo depois de mais de 30 anos de seu lançamento, Stop Making Sense continua sendo, musicalmente e cinematograficamente, um filme muito moderno, Pop e de vanguarda.

Veja aqui o trailer de Stop Making Sense (original em inglês):

The Doors, o Filme (1991)

Jim Morrison (Val Kilmer, de Batman Eternamente) é um jovem californiano, estudante universitário de cinema que também é poeta e um grande fã de Rock ‘N’ Roll. Após conhecer o tecladista Ray Manzareck (Kyle Maclachlan, da série de TV Twin Peaks), forma com ele a banda The Doors à qual se juntam o baterista John Densmore (Kevin Dillon, da série Entourage), e o guitarrista Robby Krieger (Frank Whaley, de Ironweed) em uma carreira de sucesso, mas polêmica e problemática, cheia de sexo, bebedeiras, drogas, prisões; e que acaba se refletindo em seu relacionamento com a bela Pamela Courson (Meg Ryan, de Cidade dos Anjos).
O diretor Oliver Stone (de Snowden), a princípio, apenas escreveria o roteiro do filme, mas acabou por assumir a direção após os contatos com Martin Scorsese, Brian De Palma (Os Intocáveis) e William Friedkin (O Exorcista) não terem vingado. Val Kilmer foi o escolhido para interpretar Jim Morrison após os nomes de Tom Cruise (franquia Missão Impossível), John Travolta (Pulp Fiction), Johnny Depp (Edward Mão de Tesoura) e Richard Gere (Chicago) terem sido considerados. Já Meg Ryan disputou o papel de Pamela Courson com outras 60 atrizes (inclusive Patricia Arquette, de A Hora do Pesadelo 3).
Oliver Stone teve vários problemas de produção durante as filmagens, dentre estes, desentendimentos com os pais de Jim, de Pamela – que queriam que a filha fosse mostrada “como um anjo” - e com os membros sobreviventes da banda, que acharam o roteiro historicamente impreciso – apesar de terem trabalhado como consultores técnicos do filme. Em uma entrevista, Ray Manzarek criticou Stone por, segundo o músico, o diretor ter exagerado ao retratar o alcoolismo de Morrison.
De fato, muito do que é exibido no filme vem da visão pessoal de Oliver Stone tal como mostrar Jim Morrison como um ícone maior do que a própria vida, mas, apesar disso (ou talvez por causa disso) e com uma direção segura, mantém o fascínio que o cantor sempre despertou no público. O filme recebeu críticas mistas, mas teve boa bilheteria e desfaz algumas lendas como, por exemplo, Morrison ser o único compositor da banda.
A atuação de Val Kilmer foi elogiada e o ator surpreendeu nas cenas musicais com um vocal bastante semelhante ao de Jim. Por seu lado, Kyle Maclachlan disse que, pela primeira vez na vida, agradeceu a sua mãe por ter tido aulas de piano na infância…

Veja aqui o trailer de The Doors, o Filme (original em inglês):

Control, a História de Ian Curtis (2007)

Ian Curtis (Sam Riley de Orgulho e Preconceito e Zumbis – veja a crítica aqui) é um jovem funcionário público da pequena cidade de Macclesfield, no Interior da Inglaterra, que sofre de depressão e epilepsia; é vidrado em arte, poesia e música e casado com a igualmente jovem Debbie Woodruff (Samantha Morton, de Animais Fantásticos e Onde Habitam). Um dia, ambos vão a um show da banda de Punk Rock Sex Pistols e lá conhecem o guitarrista Bernard Summer (James Anthony Pearson, de Pelo Prazer de Matar) e o baixista Peter Hook (Joe Anderson, de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2), que estão montando uma banda de Rock chamada Warsaw. Ian decide juntar-se a eles como vocalista, sendo seguido pelo baterista Stephen Morris (Harry Treadaway, da série de TV Penny Dreadful) e mudam o nome da banda para Joy Division. O grupo inicia sua carreira e, durante uma turnê, Ian conhece a jornalista belga Annik Honoré (a romena Alexandra Maria Lara, de Rush – No Limite da Emoção, e esposa de Sam Riley, na vida real) e inicia um caso amoroso com ela. Debbie descobre tudo e o casamento dos dois entra em crise, ao mesmo tempo que a depressão e a epilepsia de Ian pioram até um desfecho trágico.
Control foi a estreia do diretor holandês Anton Corbijn (de Life: Um Retrato de James Dean), que é um fã devotado do Joy Division desde o final da década de 1970 tendo, inclusive, conhecido os membros da banda pessoalmente. Além do próprio Joy Division, a trilha sonora tem canções das bandas New Order (formada pelos membros sobreviventes do Joy Division), The Velvet Underground, The Buzzcocks, Iggy Pop, David Bowie (veja as suas canções feitas para o cinema aqui), Roxy Music, Kraftwerk, entre outros.
Control foi muito bem recebido pela crítica. No prestigioso Festival de Cannes, o filme conquistou os prêmios C.I.C.A.E. (Menção Especial), Golden Camera (Menção Especial), Label Europa Cinemas e Regards Jeunes. Peter Hook e Stephen Morris gostaram do filme em geral, embora Morris tenha criticado a sua precisão histórica dizendo que “Nem tudo é realmente verdade”. Já Hook criticou a reação da plateia na pré-estreia, que aplaudiu o filme ao final quando, na opinião do músico, “Seria melhor um digno silêncio”.


Veja aqui o trailer de Control, a História de Ian Curtis (original em inglês – HD):

Somos Tão Jovens (2013)

Em 1973, Renato Manfredini (Thiago Mendonça, de 2 Filhos de Francisco) muda-se com sua família do Rio de Janeiro para Brasília. Dois anos depois, sofre de uma rara doença óssea e passa por uma cirurgia que o deixa de cama por um longo período. Durante a convalescença, começa a compor poesias e sonha em tornar-se um astro do Rock. Após a sua recuperação, descobre o movimento Punk, passa a usar o nome artístico de Renato Russo e forma a banda Aborto Elétrico, que dura pouco tempo. Começa a apresentar-se como o Trovador Solitário, interpretando suas próprias canções e, em 1982, forma a banda Legião Urbana, que se tornaria uma das maiores da história do Rock Brasileiro. Nesse meio tempo, descobre o amor com meninas e meninos.
Dirigido pelo experiente Antonio Carlos da Fontoura (A Rainha Diaba), esta história da juventude de Renato Russo foi um campeão de bilheteria no ano de seu lançamento no Brasil – perdeu apenas para O Homem de Ferro 3. Ainda assim, os fãs mais fiéis e exigentes de Renato e do Legião torceram um pouco o nariz para o filme e, por parte da crítica, a recepção foi mista. Em contrapartida, foram muito elogiadas as atuações de Thiago Mendonça, Laila Zaid (telenovela Malhação), e Bianca Comparato (Irmã Dulce), que conquistou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2014.
A trilha sonora, em sua maior parte com canções do Legião Urbana, tem em Thiago Mendonça um surpreendente intérprete, soando de modo muito semelhante a Renato Russo.


Veja aqui o trailer de Somos Tão Jovens (original em português - HD):


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ULTRAPASSAMOS AS 30.000 VISUALIZAÇÕES!!!


Graças a vocês, queridos apoiadores de Panorama do Cinema, chegamos a marca de 30.000 visualizações em nosso espaço. Mais uma vez, agradeço a todos por seu apoio irrestrito! Muito obrigado!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Crítica | Rogue One - Uma História Star Wars


Desde a sua estreia em 4 de maio de 1977, a saga espacial Star Wars (que, na época de seu lançamento no Brasil e em outros países de língua portuguesa, era chamada Guerra nas Estrelas), criada pelo diretor, roteirista e produtor estadunidense George Lucas, tem feito a delícia de fãs, cinéfilos e apreciadores de filmes em geral, além de ter revolucionado e mudado para sempre a história do cinema – algo que foi muito mais do que o seu criador imaginava. Tão estrondoso sucesso foi além da tela grande gerando produtos tais como histórias em quadrinhos, brinquedos, livros, jogos para videogames e também “spin-offs”, isto é, filmes gerados a partir da produção original e cujas histórias estão ligadas direta ou indiretamente a ela. Como exemplos, temos os filmes feitos para a TV dos personagens Ewoks (que apareceram pela primeira vez no sexto episódio da saga, O Retorno de Jedi, em 1983), Caravana da Coragem (1984) e A Batalha de Endor (1985); e a série de desenhos animados Droids (1985-1986), que mostrava as aventuras atrapalhadas dos androides R2-D2 e C-3PO; e para o cinema, temos a animação Star Wars: Clone Wars (2008, que gerou uma série televisiva de mesmo nome) e, o mais novo filme desse universo: Rogue One: Uma História Star Wars.
Cerca de 30 anos após a queda da República Galáctica e a ascensão do Império comandado pelo Lorde Sith Paltine e seu aprendiz, Darth Vader (tal como foi visto no terceiro episódio da saga, A Vingança dos Sith), uma Aliança Rebelde, tendo à frente o senador e vice-rei do planeta Alderaan, Bail Organa (o estadunidense Jimmy Smits, a reprisar o papel que interpretou nos episódios II e III), foi formada para combater esse tirânico governo. Galen Erso (o dinamarquês Mads Mikkelsen, de 007 – Cassino Royale), um antigo fabricante de armas, é recrutado à força pelo almirante Orson Krennic (o australiano Ben Mendelsohn, de Êxodo: Deuses e Reis) para trabalhar na mais nova arma imperial, a Estrela da Morte. A princípio, Galen se recusa na fazer isso, mas cede após ver a esposa ser assassinada. A sua pequena filha, Jyn, foge e é salva pelo rebelde extremista Saw Guerrera (o estadunidense Forest Whitaker, de O Último Rei da Escócia).
Já crescida, Jyn (a inglesa Felicity Jones, de A Teoria de Tudo) é presa por ajudar na fuga de Bohdi Rook (o rapper inglês Riz Ahmed, de O Abutre), um piloto desertor do Império. Eles são salvos por Cassian Andor (o mexicano Diego Luna, de Elysium), um agente rebelde que está sempre acompanhado de K-2SO (o estadunidense Alan Tudyk, de Zootopia), um androide imperial que foi reprogramado. Cassian conduz ambos para o QG da Aliança Rebelde, que pede que resgatem Galen. Jyn e Bohdi concordam e ainda terão ajuda do guerreiro cego, místico e que acredita na Força, Chirrut Imwe (o chinês Donnie Yen, de Blade II), e de seu camarada, Baze Malbus (o também chinês Jiang Wen, de A Fundação de Uma República).
Quando Rogue One foi anunciado muitos dos fãs achavam que seria um pastiche da saga e uma produção barata com o único propósito de arrancar dinheiro deles. Entretanto, para agradável surpresa geral, o filme não só é uma superprodução (custou cerca de U$ 200 milhões), como também é uma história, ao mesmo tempo original e familiar, pois tem ligação direta com o episódio IV, o que deu início a esse mundo maravilhoso criado por Lucas.
Essa semelhança e diferença simultâneas podem ser vistas logo no início quando aparece a famosa frase “Há muito tempo atras, em uma galáxia muito, muito distante...” e, em seguida, o título, mas o famoso letreiro com uma pequena introdução à trama não surge, indo diretamente para a história a ser contada.
Uma outra diferença que acaba se tornando uma boa sacada é mostrar que heróis, algumas vezes, não são tão puros como se costuma pensar, mesmo quando estão a lutar por uma causa nobre. Não raro, agentes de movimentos de rebelião e/ou resistência tem que fazer trabalhos sujos tais como atentados e assassinatos de inimigos, tudo em nome dessa causa...
Vindo da televisão, o diretor galês Gareth Edwards está apenas em seu terceiro filme para o cinema (seus primeiros trabalhos na direção foram o elogiado Monstros, em 2010, e o reboot de Godzilla, em 2014), mas parece um veterano no que diz respeito ao universo de Star Wars. Sua direção é precisa, tanto na direção de atores quanto nas cenas de ação e combates no espaço. Ao vermos estas cenas com as espaçonaves, elas nos fazem imaginar que são como George Lucas teria sonhado quando estava em processo de criação de sua ideia.
Ao longo de Rogue One há diversas referências ao primeiro filme, que inclui a aparição de personagens menores como, por exemplo, os marginais que encrencam com Luke Skywalker no episódio IV, e de personagens fundamentais, como os androides C-3PO e R2-D2, que são rapidamente vistos. Há um verdadeiro clima retrô que pode ser notado nos cenários, em particular no interior da Estrela da Morte. Mas que ninguém se engane: os efeitos especiais são de primeiríssima linha.
Uma outra semelhança com o primeiro filme são a presença de atores em ascensão nos papéis principais com coadjuvantes consagrados. Se no episódio IV havia a presença de Alec Guiness - que foi indicado ao Oscar pela sua interpretação do Jedi Obi-Wan Kenobi - e Peter Cuhing (sobre quem falaremos mais adiante), Rogue One tem Mads Mikkelsen e Forest Whitaker. O dinamaquês confirma sua fama de ator intenso e consegue dar credibilidade ao angustiado e torturado constantemente pelo remorso Galen Erso. Já Saw Guerrera, o personagem de Whitaker, tem presença marcante como um guerreiro fundamentalista e de atitudes extremas.
Do elenco principal, Felicity Jones é quem tem a participação mais apagada. Não é que ela esteja ruim, mas falta em sua atuação mais força para a personalidade e a presença de espírito que a sua personagem, Jyn Erso, exige.
Diego Luna, por seu lado, convence como o agente rebelde Cassian Andor que, se necessário, se utilizará de todos os métodos – lícitos e ilícitos - que estiverem ao seu alcance para que a missão seja bem-sucedida, mas que, nem por isso, deixa de ter consciência.
O androide K-2SO, de Alan Tudik, consegue rivalizar com C-3PO como o mais irritante da galáxia, embora o primeiro tenha um cinismo que o androide interpretado por Anthony Daniels jamais sonhou ter algum dia.
Mas, para mim, o grande personagem do filme, aquele que rouba as cenas em todas as vezes que aparece, é Chirrut Imwe. O guerreiro cego interpretado por Donnie Yen, um astro de filmes de artes marciais, tem as melhores cenas e as melhores falas. Quando George Lucas criou os cavaleiros Jedi, inspirou-se nos monges zen budistas. E Chirrut é, definitivamente, zen, seja em seus mantras (“Eu sou um com a Força. A Força está comigo”), seja nas lutas.
Chirrut Imwe chega a lembrar um aspecto da personagem bíblica Nicodemos, o príncipe dos fariseus que teve um encontro noturno e secreto com Jesus Cristo. Neste episódio do Novo Testamento (que pode ser vista em João 3: 1-21), Nicodemos entendia apenas em parte a missão de Jesus no mundo, mas tinha certeza que o Rabi de Nazaré vinha da parte de Deus. Com Chirrut ocorre algo semelhante: ele compreende apenas parcialmente a Força, mas sabe que ela existe, tem um verdadeiro sentimento religioso por esse poder dos Jedis, o que gera-lhe uma fé inabalável nessa energia que cerca todas as coisas vivas. Não estranhem se, futuramente, Chirrut Imwe ganhar um filme próprio.
O “parça” de Chirrut, Baze Malbus, que, absolutamente não tem as mesmas crenças do seu amigo cego, age como uma mistura de Sancho Pança (do livro clássico Dom Quixote, do escritor espanhol Miguel de Cervantes) com Dr. Leonard McCoy (da saga Star Trek), dando o toque cômico ao filme. Mérito de Jiang Wen.
Ben Mendelsohn faz do almirante Krennic um vilão mau e ganancioso, um papel clássico e até clichê, mas feito com muita competência por esse ator da Austrália, o que dá credibilidade a ambos, personagem e intérprete.
E, pegando um gancho do parágrafo anterior, não poderíamos deixar de falar de dois grandes vilões dessa saga: Darth Vader e Gran Moff Tarkin. A presença do primeiro já era esperada por todos, mas, ao contrário do que muitos acreditavam, o seu intérprete nos episódios II e III, o canadense Hayden Christensen, não aparece no papel, tendo sido substituído por Spencer Wilding (de Victor Frankenstein) e pelo dublê Daniel Naprous (da série de TV Game of Thrones) com a habitual dublagem do grande James Earl Jones (A Grande Esperança Branca). A presença do patriarca da família Skywalker em Rogue One é curta, mas marcante, sendo aquele Darth Vader cruel e impiedoso que todos os cinéfilos do mundo conheceram há 40 anos passados. E os mais detalhistas devem ter notado que, no visor da máscara de Vader, é possível ver, pela primeira vez, as lentes infravermelhas!
Uma coisa que surpreendeu-me muito foi a presença de Gran Moff Tarkin no filme e surpreendeu-me mais ainda ver também a presença do falecido Peter Cushing (O Vampiro da Noite) em lugar de um novo intérprete. Para isso foi usada uma fantástica tecnologia digital para colocar a voz e o rosto de Cushing em seu dublê de corpo, o ator britânico Guy Henry (Harry Potter e As Relíquias da Morte Partes 1 e 2). Essa tecnologia não apenas resgatou um personagem clássico como também aumentou a ligação do novo filme com o filme de 1977.
Da mesma forma, foi utilizada a digitalização do rosto de Carrie Fisher (Os Irmãos Cara-de-Pau) em sua dublê de corpo, a norueguesa Ingvild Deila (de Vingadores: A Era de Ultron), para o papel da jovem Princesa Leia, sendo que a própria Carrie fez a dublagem de voz. Com o recente falecimento da filha de Debbie Reynolds (Cantando na Chuva), cresce muito a emoção da plateia nessa rápida aparição da namorada de Han Solo.
Rogue One vai se tornar um clássico da saga Star Wars? Ainda é muito cedo para dizer, mas sem dúvida, é um grande filme, e uma excelente abertura para as comemorações do 40º aniversário da saga assim como para o episódio VIII que irá estrear em dezembro de 2017.
FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Rogue One: A Star Wars Story
  • Direção: Gareth Edwards
  • Elenco: Felicity Jones (Jyn Erso), Diego Luna (Cassian Andor), Riz Ahmed (Bohdi Rook), Ben Mendelsohn (Almirante Orson Krennic), Forest Whitaker (Saw Guerrera), Mads Mikkelsen (Galen Erso), Alan Tudyk (K-2SO), Spencer Wilding e Daniel Naprous (corpo de Darth Vader), James Earl Jones (voz de Darth Vader), Donnie Yen (Chirrut Imwe), Jiang Wen (Baze Malbus), Guy Henry (corpo de Gran Moff Tarkin), Peter Cushing (voz e rosto digitalizados), Anthony Daniels (C-3PO), Jimmy Smits (Bail Organa), Ingvild Deila (corpo da Princesa Leia Organa), Carrie Fischer (voz da Princesa Leia Organa), Genevieve O’Reilly (Mom Mothma)
  • Música: Michael Giacchino
  • Duração: 133 minutos
  • Ano: 2016
RESUMO DO FILME
Passados 30 anos da queda da República Galáctica, uma Aliança Rebelde surge para lutar contra o Império Galáctico. Um grupo de agentes rebeldes tem a missão de roubar os planos da mais nova arma imperial, a Estrela da Morte.
COTAÇÃO
Ótimo.
Veja aqui o trailer oficial de Rogue One: Uma História Star Wars (Legendado – HD):

Publicado no LinkedIn em 08/01/2017.