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Editorial


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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Morreu o ator Sam Neill

 


Sam Neill em 2024

O mundo do cinema teve hoje uma perda impossível de se repor. Morreu neste mesmo dia, aos 78 anos de idade, o ator norte-irlandês de nacionalidades inglesa e neozelandesa Sam Neill.

 com imensa tristeza que a família de Sam Neill partilha a notícia da sua morte, ocorrida na segunda-feira, 13 de julho, em Sydney, na Austrália. Sam estava rodeado pela família e morreu com a dignidade que sempre caracterizou toda a sua vida. A perda foi súbita e inesperada, mas abençoada pelo fato de Sam se ter mantido livre do câncer. A família gostaria de expressar a sua mais profunda gratidão à equipe do St. Vincent’s Private Hospital pelos cuidados extraordinários prestados”informou a família de Sam Neill num comunicado publicado no Instagram.

Em 2023, Neill revelou ter sido diagnosticado com câncer, que descreveu como um linfoma não Hodgkin “de um tipo feroz e agressivo”. Em abril deste ano, anunciou que estava livre da doença depois de se submeter a terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell).

Neill ficou mundialmente famoso em filmes como Parque dos Dinossauros (1993), de Steven Spielberg; O Piano (1993), de Jane Campion e O Enigma do Horizonte (1997), de Paul Anderson.

Sam Neill, cujo nome verdadeiro era Nigel John Dermot Neill, nasceu em 14 de setembro de 1947 em Omagh, Condado de Tyrone, Irlanda do Norte, filho de pai neozelandês e mãe inglesa, o que fez com que tivesse três nacionalidades.

Em 1954, a família mudou-se para a Nova Zelândia e estabeleceu-se no subúrbio de Cashmere, na cidade de Christchurch. Um ano depois, seus pais e sua irmã mais nova, Juliet, mudaram-se para a cidade natal do pai, Dunedin, enquanto Neill permaneceu em Christchurch frequentando uma escola preparatória. Foi nessa época que começou a chamar a si mesmo de "Sam" porque vários outros meninos também se chamavam Nigel, além de achar esse nome "um pouco efeminado demais para um parquinho da Nova Zelândia". 

Sam estudou na Universidade de Canterbury, mas ainda não estava certo sobre a carreira a seguir, mas sabia que não queria ser militar como o pai. Tentou a faculdade de Direito, mas foi reprovado nas quatro matérias do primeiro ano. Nessa época atuou em várias produções teatrais universitárias, inclusive Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, no papel de Teseu, e também atuou na peça Marat/Sade, de Peter Weiss, no papel de Jacques Roux. Sam disse que essa foi a melhor época de sua vida e que as artes "eram o tecido da cidade".

Sam transferiu-se para a Universidade Victória de Wellington para concluir seu Bacharelado em Artes e atuou em outra peça de Shakespeare, Macbeth, no papel-título. Iniciou sua carreira profissional de ator na companhia teatral Downstage, onde ganhava 25 dólares neozelandeses por semana mais a comida que sobrava da cozinha após a refeição da plateia. 

Seu primeiro trabalho nas telas foi um telefilme neozelandês chamado The City of No, em 1971. Seguiram-se outras produções para a TV e, em 1974, fez sua estreia como diretor no curta-metragem Telephone Etiquette. Sua estreia na tela grande deu-se com Landfall, em 1975. Em 1977, atuou sob a direção do australiano Roger Donaldson (de Sem Saída) no filme Força Selvagem, primeiro filme da Nova Zelândia a ser amplamente exibido no exterior. Em 1979, atuou no drama romântico As Quatro Irmãs junto de Judy Davis (Desconstruindo Harry), que foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes nesse mesmo ano. Dois anos depois, o filme chegou aos EUA, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e ao Oscar de Melhor Figurino e chamou a atenção de Hollywood para Sam Neill.

Em 1981, atuou no filme australiano de ação e guerra Força de Ataque Z ao lado de Mel Gibson (franquia Mad Max) e John Phillip Law (Barbarella) e fez sua estreia hollywoodiana no filme de terror A Profecia III: O Conflito Final no papel do filho do demônio, Damien Thorne. Apesar do filme não ter sido bem recebido pela crítica não ter ido bem nas bilheterias, a partir daí a carreira de Sam deslanchou.

Com a aposentadoria de Roger Moore (série Persuaders) do papel de James Bond, Sam Neill era um dos nomes cotados para viver o papel do agente secreto mais famoso do cinema, mas perdeu a vaga para o ator galês Timothy Dalton (série Penny Dreadful).

Em 1988, veio mais um trabalho em um filme elogiado, Um Grito no Escuro, onde dividiu os créditos com a estadunidense Meryl Streep (A Dama de Ferro) sob a direção do australiano Fred Schepisi (Ferocidade Máxima).

A década de 1990 foi de grande sucesso para Neill. Foi a época de A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), quando atuou ao lado de Sean Connery (franquia James Bond); o vencedor de três Oscars O Piano (1993); Parque dos Dinossauros (1993), provavelmente seu maior sucesso no cinema no papel do Dr. Alan Grant; o terror À Beira da Loucura (1994), do diretor John Carpenter (Fuga de Nova York); outro filme de terror, O Enigma do Horizonte (1997); a minissérie para a TV Merlin (1997) e O Homem Bicentenário (1999), junto de Robin Williams.

A partir do século XXI, embora continuasse bastante ativo no cinema, passou a trabalhar mais na televisão como, por exemplo, na minissérie Doutor Jivago (2002, remake do filme de 1965) e a série Peaky Blinders (2013-2014), no papel do inspetor Chester Campbell.

Antes de falecer, Sam Neill ainda realizou mais dois trabalhos: a aventura Godzilla e Kong: Supernova e a comédia romântica The Last Resort (ainda sem título em português). Ambos estão em processo de pós-produção e com lançamento previsto para 2027. 

Por volta de seus 20 anos de idade, Sam Neill teve um filho que foi entregue para adoção e com quem se reencontrou em 1994. Casou-se duas vezes: primeiro com a atriz neozelandesa Lisa Harrow, que conheceu durante as filmagens de A Profecia III, em 1980. Tiveram um filho e divorciaram-se em 1989. Nesse mesmo ano casou-se com a maquiadora nipônica Noriko Watanabe, com quem teve uma filha e adotou a filha do primeiro casamento de Noriko. Divorciaram-se em 2017.

Sam teve três indicações ao Primetime Emmy (considerado o "Oscar" da TV estadunidense), duas ao Globo de Ouro e venceu o prêmio de Melhor Ator da Australian Academy of Cinema and Television Arts Awards (AACTA Awards), em 1989. Em 1991, foi nomeado Oficial da Ordem do Império Britânico por serviços prestados à área da atuação.  

Sam Neill além de ser um ator muito ativo e prolífico, era um dos profissionais mais queridos da área e deixa um vazio impossível de se preencher. Que descanse em Paz.

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