A Revista Digital da Sétima Arte fundada em 06/02/2016
Bem-Vindos a Panorama do Cinema"
Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).
Editorial
Estamos de Volta!
Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades.
Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts.
Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo".
Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês.
Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza.
Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre.
Boas leituras e boa diversão!
DC Super Hero Girls é uma série em desenho animado de curta-metragem da DC Comics criada em 2019 (que dá sequência a uma série de mesmo nome lançada em 2015) o qual apresenta super-heroínas tais quais a Mulher-Maravilha, Supergirl, Batgirl e Abelha - assim como vilãs como Mulher-Gato, Giganta e Arlequina - como adolescentes que dividem seus deveres escolares e vida social com as tarefas de super-heroínas.
E como todas adolescentes que se prezem, as DC Super Hero Girls curtem roupas da moda, milk shakes, baladas, os gatinhos lindos da escola e, como não podia deixar de ser, cinema! Panorama do Cinema selecionou dois divertidos desenhos das DC Super Hero Girls que passam-se no escurinho da sala de projeção. E elas descobrem que ir ao cinema pode ser um desafio tão duro quanto enfrentar um supervilão!
No ano de 1974, um menino chamado Thaddeus Silvana (Ethan Pugiotto, de Casamento Grego 2) viaja de carro com seu pai, o milionário industrial Sr. Silvana (John Glover, da série Smallville), e seu irmão, Sid (Wayne Ward de Repo Men: Resgate de Órgãos). Durante a viagem, Thaddeus é levado a um tipo de santuário onde vive o mago Shazam (Djimon Hounsou, de Amistad), que está muito velho e deseja passar seus poderes para outra pessoa continuar o combate contra os demônios dos Sete Pecados Capitais. Porém, embora Thaddeus fosse muito inteligente, Shazam percebeu que ele não era digno de receber os poderes, foi enviado de volta e, ao retornar, o carro sofre um acidente que deixa seu pai paralítico.
Billy Batson (Asher Angel, da série Andi Mack) é um garoto que já viveu em vários lares adotivos e é obcecado em encontrar sua mãe biológica, de quem se perdeu quando era criança. Billy ganha mais uma oportunidade de fixar-se em um lar de acolhimento, na Filadélfia, do bondoso Victor Vasquez (Cooper Andrews, de Covil de Ladrões) e sua esposa, a igualmente bondosa Rosa (Marta Milans, de Asher). Lá conhece seus irmãos adotivos, dentre eles, Freddie Freeman (Jack Dylan Grazer, de It: A Coisa) que, devido a uma queda, tem uma perna aleijada sendo obrigado a andar de muleta.
Ao defender Freddie de dois valentões da escola, Billy foge pelo metrô e, de repente, vê-se no santuário do mago Shazam, que o escolheu para receber seus poderes. O mago pede a Billy que repita seu nome e, ao fazê-lo, transforma-se em um homem adulto (Zachary Levi, da série Chuck) com poderes e habilidades de um verdadeiro super-herói. Poderes e habilidades essas que precisará utilizar contra o agora crescido Thaddeus Silvana (Mark Strong, da franquia Kingsman) que, após anos de busca, encontrou o santuário de Shazam e libertou os demônios dos Sete Pecados Capitais.
Vendo o sucesso de super-heróis tais como Batman e Superman, da National Comics (atual DC Comics), a editora Fawcett Publications decidiu entrar no ramo das histórias em quadrinhos (HQs). Em 1939, os editores pediram ao roteirista Bill Parker (1911-1963) e ao desenhista C. C. Beck (1910-1989) que criassem um personagem para a revista que iriam lançar. A princípio, o personagem seria chamado de "Captain Thunder" ("Capitão Trovão"), mas como já havia um personagem com esse nome, decidiram por chamá-lo de Capitão Marvel - Marvel é uma abreviatura de "marvellous", que significa "maravilhoso".
O Capitão Marvel fez sua estreia nas HQs na revista "Whiz Comics", em 1940. O personagem já usava o uniforme que conhecemos hoje: roupa vermelha com o desenho de um relâmpago no peito e uma capa branca curta. Seu rosto foi inspirado no ator Fred MacMurray (Se Meu Apartamento Falasse), popular à época. E também já dizia a palavra mágica SHAZAM, que é formada pelas iniciais de grandes imortais de onde o o alter-ego de Billy Batson ganha os seus poderes:
Salomão: sabedoria
Hécules: força
Atlas: vigor
Zeus: poder
Aquiles: coragem
Mercúrio: velocidade
As histórias do Capitão Marvel inovavam por, pela primeira vez, um super-herói ter uma família (Batman e Superman, entre outros, eram órfãos ou de família desfeita). Billy Batson, que julgava-se sozinho no mundo, descobre que tem um irmã gêmea, Mary, que tem poderes idênticos aos dele. Um amigo, o humilde jornaleiro Freddie Freeman cuja vida o Capitão Marvel salvou, torna-se um tipo de "irmão de criação" de Billy e Mary e também o Capitão Marvel Jr. Há também o tio Dudley, um farsante simpático que chama a si mesmo de Tio Marvel e, por fim, os primos Tenentes Marvel que, vejam só, chamam-se todos Billy Batson (distinguiam-se uns dos outros pelos apelidos de "alto", "das montanhas" e "gordo")! Essa família ficou conhecida como "Família Marvel".
O sucesso do Capitão Marvel foi imediato e esse sucesso nas HQs fez com que, em 1941, suas aventuras fossem levadas para as telas do cinema em um seriado de 12 episódios, muito comum nas décadas de 1930 e 1940 e que fazia a delícia dos espectadores. Em As Aventuras do Capitão Marvel, o herói era interpretado por Tom Tyler (No Tempo das Diligências) e Billy Batson era vivido por Frank Coghlan Jr. (A Casa Infernal).
Cartaz do seriado As Aventuras do Capitão Marvel (1941)
As vendas do gibi do Capitão Marvel subiram tanto que superaram ninguém menos que o do Superman, o que fez a National Comics ficar com a pulga atrás da orelha, tanto que abriu um processo contra a Fawcett Comics alegando que o Mortal Mais Poderoso do Mundo era uma cópia descarada do Homem de Aço, o que soava absurdo tanto naquela época como hoje em dia.
O fato é que o processo arrastou-se por vários anos até que, em 1953, devido a isso assim como às baixas vendas, a Fawcett Comics encerrou a publicação do gibi. Durante vinte anos os fãs do Capitão tiveram que contentar-se com as edições antigas. Em dezembro de 1967, a editora Marvel Comics, capitaneada pelo saudoso Stan Lee (1922-2018), lançou um personagem que chamava-se... Capitão Marvel! Este outro capitão era um alienígena guerreiro do planeta Kree e seu verdadeiro nome era Mar-Vell! Isso se deve ao fato da editora ter comprado os direitos do nome e, logo em seguida, lançou o gibi homônimo.
A DC Comics - novo nome da National Comics - licenciou a família Marvel original em 1972 e, no ano seguinte, lançou a revista Shazam! (no Brasil, foi lançada em 1974 pela antiga editora EBAL), pois não poderia lançar com o nome do herói visto que a concorrente já o fizera, mas colocou um provocativo subtítulo: "O Capitão Marvel original", o que provocou uma ameaça de processo por conta da Marvel Comics.
Edição brasileira da revista Shazam! publicada pela EBAL (1974)
Em 1974, a Filmation, antiga produtora de desenhos animados, séries e filmes, lançou o seriado de TV Shazam!, no qual Billy Batson era vivido por Michael Gray (Bobby Jo and The Good Time Band) e o Capitão Marvel foi interpretado primeiro por Jackson Bostwick (Tron) e, depois, por John Davey (Três Mulheres). A série apresentava um novo personagem, o Mentor (Les Tremayne, de A Guerra dos Mundos), um senhor que acompanhava Billy em suas aventuras. Shazam! durou três temporadas e teve 28 episódios.
Em 1979, os estúdios Hanna-Barbera produziram um filme para a TV chamado Legend of The Superheroes, no qual o Capitão (interpretado por Garrett Craig, da série O Homem do Fundo do Mar) fazia parte da Liga da Justiça junto de heróis como Batman & Robin (o igualmente saudoso Adam West e Burt Ward, do seriado Batman, da década de 1960) e Lanterna Verde (Howard Murphy, da série CHiPs) e enfrentava um horda de vilões na qual estava incluso seu arqui-inimigo Dr. Silvana (Howard Morris, de Splash: Uma Sereia em Minha Vida).
A Filmation voltou a trabalhar com a família Marvel, desta vez em um série em desenho animado chamada Shazam!, que foi exibida em 1981 e 1982 (no Brasil em 1983) com todos os personagens originais. Foi, até então, a representação mais fiel dessa HQ.
Os direitos dos personagens só seriam adquiridos em definitivo em 1991, foram devidamente incorporados ao universo DC e o alter-ego de Billy Batson ainda usava o nome de Capitão Marvel. A partir de 2011, passou a ser chamado apenas de Shazam, nome usado tanto nas HQs quanto nos desenhos animados produzidos desde então. E neste filme? Sim e não, como veremos mais adiante.
O diretor David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam), mais conhecido por filmes de terror como os da franquia Annabelle, fez o seu primeiro filme de super-heróis e não saiu-se mal. Ele conseguiu entrar no espírito das HQs originais e sua direção, ao mesmo tempo leve e dinâmica, conseguiu captar a fantasia e o humor que essas mesmas histórias tem.
Dois bons exemplos desse humor são de duas cenas que mostram as conhecidas obsessões dos adolescentes nos EUA: comprar cerveja na loja de conveniência e assistir um show de striptease. É impossível não rir nesses momentos. Também são hilárias as tentativas de Freddy de tentar "batizar" o super-herói no qual Billy transformou-se.
Um parêntesis sobre Freddy Freeman: como foi visto acima, nas HQs ele era o Capitão Marvel Jr. Assim como seu amigo e "irmão de criação", também tornou-se muito popular e ganhou gibi próprio devido a fatores como ter um uniforme diferente, ter uma palavra mágica diferente ("Capitão Marvel!") e manter a aparência de adolescente.
Para que tenha-se uma ideia de como o Capitão Marvel Jr. era popular, ele tinha fãs ilustres como o Rei do Rock, Elvis Presley (1936-1977), que gostava tanto do alter-ego de Freddy Freeman, que chegou a copiar seu corte de cabelo! Outro fã famoso é o desenhista e ilustrador francês Albert Uderzo (1927- ), o grande criador de Asterix (veja aqui). Antes de desenhar o célebre guerreiro gaulês e sua turma, Uderzo desenhou e publicou na França a sua versão do Capitão Marvel Jr. com razoável sucesso.
Voltando para Shazam!, e mais especificamente ao nome do herói em quem Billy transforma-se, foi uma boa sacada não batizá-lo ainda, pois se o garoto disser que seu nome é SHAZAM, ele volta a ser um menino e, se estiver em situação de perigo, torna-se uma "roubada". E visto que Billy não gostou de nenhuma das sugestões de Freddy, fica mantido o interesse para a sequência (que já está confirmada): qual será o nome escolhido?
O elenco da série de TV Shazam! (1974)
Podem chamar-me de teimoso e cabeçudo, mas, para mim, o alter-ego de Billy Batson era, é, e sempre será CAPITÃO MARVEL, com todo respeito a Brie Larson (O Quarto de Jack) e a personagem que interpreta no filme Capitã Marvel (2019). Confesso que não assisti a esse filme, mas as opiniões que ouvi estavam divididas: a performance de Brie foi elogiada, por outro lado, há aqueles que disseram que a Capitã "é bonita, mas fria".
Alguns críticos queixaram-se da fotografia escura do filme, a cargo de Maxime Alexandre (A Freira). Nas cenas noturnas, a fotografia, de fato, está um pouco escura, mas nada que atrapalhe para assistir a obra. Essa é uma tendência que vem sendo seguida desde o lançamento do mal compreendido Batman vs Superman (2016), mas não chega a ser novidade. O cineasta Tim Burton (Ed Wood) já usava esse recurso em filmes como Batman (1989) e no seu trabalho mais recente, Dumbo (2019). O seriado Titãs (2018- ) e O Mundo Sombrio de Sabrina (2018- ) também seguem essa linha.
Um ponto do filme que achei fraco foi sua trilha sonora, a cargo do inglês Benjamin Wallfisch (It), um apadrinhado do compositor alemão Hans Zimmer (Interestelar). A impressão que tive é que Benjamim estava pouco inspirado, pois não há nenhum trecho que seja fácil de lembrar e identificar só de ouvir.
Em contrapartida, o elenco é o ponto forte do filme, a começar pelo intérprete de Billy, Asher Angel. Ele é um garoto talentoso, simpático, engraçado e consegue passar todas essas características para a platéia. Agradou tanto que o produtores querem fazer a sequência para ontem, antes Asher cresça e corra o risco de perder essas mesmas características.
Zachary Levi já havia demonstrado na TV durante as cinco temporadas do seriado Chuck (2007-2012) e mais recentemente na série A Maravilhosa Sra. Meisel (2017- ) pela qual ganhou neste ano o prêmio Screen Actors Guild de "Melhor Elenco em Série de Comédia", o seu talento tanto de comediante como de ator.
Em Shazam!, dá para perceber que não só ele entrou no espírito do filme como também diverte-se pacas no papel - e nós com ele! Ele está bem à vontade no papel e faz deste super-herói um molecão bagunceiro, do tipo que vive aprontando, mas é tão simpático que fica difícil zangar-se com ele.
Muitas pessoas conhecem Mark Strong Como o agente Merlin nos filmes da franquia Kingsman, por isso surpreenderam-se em vê-lo como vilão - e, diga-se de passagem, um vilão daqueles bem malvados. Porém, não é novidade para Mark, pois já havia interpretado anteriormente o igualmente ótimo vilão Lorde Henry Blackwood em Sherlock Holmes (2009), dirigido por Guy Ritchie (O Agente daU.N.C.L.E. Veja a crítica aqui) e com Robert Downey Jr. (franquia Homemde Ferro) no papel principal. Seja como herói ou como vilão, Mark atua com a mesma convicção.
Jack Dylan Grazer está no mesmo nível de Asher: é igualmente talentoso, simpático e engraçado. Se ele tivesse sido escolhido para o papel de Billy ao invés de Freddie, seria justo e não faria Shazam! cair de qualidade.
Do elenco coadjuvante quem destaca-se e chegar a "roubar" as cenas nas quais aparece, é Faithe Herman (série This is Us) no papel de Darla. Ela é simplesmente uma graçinha e fofa que só, capaz de amolecer o coração mais duro. Tomara que quando crescer ela não perca essa graça e fofura.
Grace Fulton (franquia Annabelle) está correta como Mary, mas, levando-se em conta a importância da personagem nas HQs e na futura sequência, esperava mais.
Já Cooper Andrews e Marta Milans estão bem e convencem como os pais adotivos modernos, amorosos e compreensíveis, mas, quando preciso, dão aquela bronca quando a molecada faz das suas.
A princípio parece que os personagens de Ian Chen (Juntos ParaSempre) e Jovan Armand (Girl Flu) são estereotipados - o chinêsinho nerd viciado em games e o gorducho tímido e calado. Podem até ser, mas isso não é posto de um modo preconceituoso ou depreciativo, mas como representantes de minorias raciais e sociais perseguidas, incompreendidas e tidos como párias. Porém, como Augusto Matraga, brilhante criação do escritor brasileiro Guimarães Rosa (1908-1967), ambos tem sua hora e vez.
Chamar os demônios de Sete Pecados Capitais não está errado, mas, para mim, usar um termo religioso soou um pouco moralista. Seria melhor ter usado a denominação que é dada a eles nas HQs: Os Sete Inimigos Mortais do Homem. É pomposo? É, mas penso ser mais didático para crianças pequenas. Por fim, acho que deveriam ter feito os demônios representarem melhor seus caráteres: preguiça, preguiçoso; cobiça, ganancioso; etc.
Shazam! é diversão pura, mas não deixa de ter mensagens importantes: uma família não se define por laços de sangue, mas por laços de amor; ser diferente não é errado, a tolerância leva a um convívio melhor e, por conseguinte, a um mundo melhor.
E levando-se em conta que atualmente vivemos em uma era das trevas na qual ódio, intolerância, preconceito e ignorância estão, infelizmente, em alta, as mensagens de Shazam! além de importantes, são imprescindíveis.
FICHA TÉCNICA
Título Original:Shazam!
Direção:David F. Sandberg
Elenco:Zachary Levi (Shazam / Capitão Marvel), Asher Angel (Billy Batson), Mark Strong (Dr. Thaddeus Silvana), Djimon Hounsou (Mago Shazam), Jack Dylan Grazer (Freddie Freeman), Grace Fulton (Mary Bromfield), Ian Chen (Eugene Choi), Jovan Armand (Pedro Peña), Faithe Herman (Darla Dudley), Cooper Andrews (Victor Vasquez), Marta Milans (Rosa Vasquez), Adam Brody (Freddie transformado), Michele Borth (Mary transformada), Ross Butler (Eugene transformado), D. J. Coltrona (Pedro transformado), Meagan Good (Darla transformada)
Roteiro: Henry Gayden, Darren Lemke
Música: Benjamin Wallfisch
Fotografia: Maxime Alexandre
Duração:132 minutos
Ano:2019
Lançamento comercial no Brasil: 04/04/2019
RESUMO DO FILME
Após receber os poderes do mago Shazam, Billy Batson transforma-se em um super-herói ao dizer a palavra mágica e deve enfrentar o Dr. Silvana e os demônios dos Sete Pecados Capitais.
COTAÇÃO
✪✪✪✪½
Veja aqui o primeiro episódio da série cinematográfica As Aventuras do Capitão Marvel (legendado):
Veja aqui o trailer oficial de Shazam! (dublado - HD):
Crossover (literalmente cruzamento) é uma técnica literária na qual personagens de mídias diferentes - Histórias em Quadrinhos (HQs), filmes (cinema ou TV), literatura - são transportados de seus respectivos universos para um outro no qual convivem - nem sempre harmoniosamente, diga-se de passagem. O primeiro grande crossover deu-se em 1976 com a HQSuper-Homem vs Homem-Aranha, na qual o Homem de Aço e O Amigão da Vizinhança se uniram para salvar o mundo dos vilões Lex Luthor e Dr. Octopus. A partir daí, vários outros vieram tais como Batman vs Hulk, X-men vs Novos Titãs e, em 1996, talvez o mais famoso de todos, DC vs Marvel, na qual os personagens de ambas as editoras lutam para salvar o universo. Então, um novo universo entrou em cena para modificar os crossovers: a internet. Em 2001, o produtor Sean Schoenke, juntamente com seu filho o também produtor, além de cineasta, roteirista e ator, Aaron Schoenke, tiveram a ideia de criar uma produtora para fazer Fan Films, que são filmes, quase todos de curta-metragem, relacionados a obras existentes como as próprias HQs e filmes como as sagas Star Wars e Star Trek. São uma forma de artistas se expressarem e fazerem filmes que gostam sem fins lucrativos em sua maioria e que ganham cada vez mais espaço na internet. Nascia, então, a produtora Bat in The Sun (Morcego ao Sol, em tradução livre). A estreia deu-se em 2003, com o filme Batman Beyond: Year One (Batman do Futuro: Ano Um), seguindo-se os elogiados Patient J (Paciente J, de 2005, que mostra o Coringa sendo entrevistado por um psicólogo), City of Scars (Cidade das Cicatrizes, 2010) e Seeds of Arkham (Sementes do Arkham, 2011), entre outros. Juntamente com a qualidade artística, esses Fan Films chamaram a atenção pela qualidade de produção e criação, mesmo com poucos recursos. Em 2012, a Bat in The Sun lançou um filme chamado Super Power Beat Down, no qual aparecia um duelo inusitado: uma corrida entre o Batmóvel da série Batman, de 1966, e o Batmóvel do filme de 1989 para o cinema. O filme desse duelo "bombou" no YouTube e tornou-se um sucesso tão grande, que Aaron e seu pai decidiram criar uma série mostrando outros duelos. Inspirados nos crossovers das HQs, os Schoenke fizeram filmes com os personagens da DC Comics enfrentando os da Marvel, combates esses que os fãs, até então só viram em revistas ou em sua imaginação. Personagens de filmes de cinema, TV e video games também foram fonte de inspiração. Surgiram filmes como Batman vs Wolverine, Asa Notuna vs Gambit, Ranger Branco vs Scorpion, Kick Ass vs Casey Jones, Homem de Ferro vs Optimus Prime e muitos outros. O resultado das lutas eram decididos pelos fãs em votação online. Se o resultado fosse muito apertado, surgiam os filmes com finais alternativos. Em Super Power Beat Down, temos a oportunidade de conhecer nomes novos e ainda pouco conhecidos tais como o ator Kevin Porter (série General Hospital), que já interpretou Batman e o Justiceiro; e a atriz e modelo russa radicada nos EUA Tatiana Dekhtyar (Tales of Frankenstein), que já interpretou a Mulher-Maravilha e Dominó. O próprio Aaron Schoenke ocasionalmente aparece como Asa Noturna ou o Coringa. Panorama do Cinema fez uma seleção de vídeos da série Super Power Beat Down produzidos pela Bat in The Sun para que vocês, amantes do cinema, possam ver e apreciar esses Fan Films. Boa diversão!
Veja aqui o vídeo dos Batmobiles Racing (original em inglês - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat Down Gandalf vs Darth Vader (legendado - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat DownSuperman vs Thor (legendado - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat Down Justiceiro vs Capuz Vermelho (dublado - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat DownBatman vs Darth Vader (legendado - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat Down Mulher-Maravilha vs Wolverine (dublado - HD):
Veja aqui o vídeo de Super Power Beat Down Coringa & Arlequina vs Deadpool & Dominó (legendado):
NOTA: Caríssimos Cinéfilos que acompanham Panorama do Cinema, conforme o prometido, aqui está, ainda que atrasadíssima, a crítica do filme Mulher-Maravilha. Nesta segunda década do século XXI, o planeta Terra está a passar por um período no qual está andando para trás quando se fala em direitos humanos e do cidadão. Basta ver a tolerância zero e o ódio com os quais os refugiados e imigrantes são tratados na União Europeia por pessoas como a infame líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen (seguindo o péssimo exemplo dado por seu pai, Jean-Marie Le Pen) e, nos EUA, pelo ainda mais infame presidente Donald Trump.
O Brasil sempre teve o mal hábito de, sob o argumento de parecer e querer ser mais "moderno", copiar tudo o que vem do estrangeiro, o que inclui esta triste tendência de desprezar as minorias e todos aqueles que não se encaixam nos estereótipos branco, ocidental e de cultura judaico-cristã. Podemos citar como exemplo de representantes dessa onda neofascista os deputados federais "pastor" Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (aliás, considerado "o político mais repulsivo do mundo" pelo site de notícias australiano News), com seu ódio manifesto contra negros, homossexuais e esquerdistas. As mulheres também não escapam dessa onda. Além dos políticos acima e outros menos citados, o atual governante do país, Michel Temer, além de ter a legitimidade de seu cargo contestada a todo instante, enfrentar acusações de corrupção e obstrução da justiça e com a popularidade indo pelo ralo, também mostra ser um homem de pensamentos, valores e ideologia antiquados e ultrapassados. Ao assumir definitivamente o governo após o impeachment de Dilma Rousseff, formou seu ministério apenas com homens brancos, sem nenhum negro e nenhuma mulher (recuou após a repercussão negativa). Em um pronunciamento oficial no dia internacional da mulher, ao dizer que o papel das mulheres na economia é serem espertas no orçamento doméstico, "além de cuidar dos afazeres domésticos", reduziu o papel da mulher à mais do que reacionária ideia que mulheres foram feitas para cuidar da casa, marido e filhos. Sua esposa, Marcela, que tem a alcunha de "bela, recatada e do lar" - alcunha essa dada por uma revista de grande circulação e da qual a atual primeira-dama do país nunca mais se livrará - não só reforça essa visão do marido, como é tida como alguém submissa, alienada e sem opinião própria. Por todo esse cenário mostrado, o lançamento do filme Mulher-Maravilha torna-se mais do que oportuno. Porém, antes de falarmos sobre o filme, vamos conhecer um pouco mais da personagem que o originou.
Desde o seu surgimento nos EUA, na década de 1930, as HQs, em particular as de super-heróis, tiveram grande sucesso e, como não podia deixar de ser, geraram polêmica. A principal acusação que se fazia a esse novo tipo de arte era a de "péssima influência sobre as crianças". Em 25 de outubro de 1940, foi publicado na revista Family Circle (Círculo Familiar, em inglês), uma entrevista intitulada "Não ria dos quadrinhos", feita com um professor, psicólogo e inventor chamado William Moulton Marston, na qual, baseado em um artigo de sua autoria, o entrevistado afirmava o potencial educacional das histórias em quadrinhos. Marston era um homem com ideias e conceitos bastante avançados para a sua época: era a favor do movimento sufragista (que lutava pelo direito do voto feminino), achava que as mulheres deveriam ser livres e independentes tanto quanto quisessem e vivia em uma relação poligâmica com duas mulheres, ambas cultas e emancipadas. E, além disso, ajudou a desenvolver o polígrafo - mais conhecido como "detector de mentiras". O artigo de Marston que gerou a sua entrevista, chamou a atenção do editor Max Gaines, das editoras National Periodical of American Publications e All-American Publications que, posteriormente, se juntariam para formar uma nova editora, a DC Comics. Gaines achava que as HQs precisavam ser renovadas e pediu a Marston para criar uma personagem nova e diferente. Para Morston, esse novo herói deveria abraçar o amor e a paz no lugar da violência e da guerra. Diz a lenda que, ao compartilhar as suas idéias com sua esposa, Elizabeth, esta teria dito: "Bom, mas faça-o uma mulher". Marston apresentou a ideia a Gaines, que a aprovou. O escolhido para desenhar a nova personagem foi H. G. Peter, um excelente ilustrador que já havia colaborado para a revista sufragista Modern Woman (Mulher Moderna). Foi pedido a Peter que a nova personagem fosse inspirada nas "pin-ups" desenhadas pelo ilustrador peruano radicado nos EUA, Alberto Vargas, que eram publicadas na revista Esquire.
A primeira história completa da Mulher-Maravilha apareceu em dezembro de 1941 na Sensation Comics, em uma época na qual os super-heróis masculinos, tais como Batman, Lanterna Verde e Superman, dominavam totalmente. As mulheres que apareciam nas histórias geralmente eram mães, irmãs, amigas, colegas de escola e/ou de emprego, namoradas e, no máximo, esposas, todas decididamente caseiras. Porém, a Princesa Amazona impôs-se, fez sucesso e, no ano seguinte, já tinha a sua própria revista. Além de romper a barreira masculina, as histórias da Mulher-Maravilha inovavam por serem menos violentas (a violência era usada somente em auto-defesa ou em defesa de outrem) e por ensinarem às crianças que a crença da superioridade masculina e o preconceito contra as mulheres era algo errado e que o poder do amor vence todo o mal. Morston chegou a dizer que "A Mulher-Maravilha é a propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deve, creio eu, governar o mundo". A obsessão de Moulston em descobrir segredos das pessoas o levou à invenção do detector de mentiras, como vimos anteriormente. Essa mesma obsessão foi levada para a HQ da Mulher-Maravilha com a sua famosa corda mágica dourada que, quando amarrada em uma pessoa, a obriga a dizer a verdade. Mas, acabou por gerar uma polêmica inesperada: esse "laço da verdade" seria, nas entrelinhas, uma referência ao "bondage", um fetiche sadomasoquista no qual o parceiro é amarrado (Morston era um adepto dessa prática). Para aqueles que ficaram curiosos, cenas de "bondage" podem ser vistas no filme Cinquenta Tons de Cinza (2015).
Ao longo do tempo, as histórias da Mulher-Maravilha foram sofrendo alterações: após o final da II Guerra Mundial e ao longo da década de 1950, a Princesa Diana deixou de ser um símbolo feminista para ser mais "feminina", preocupando-se com os apuros em que seu namorado se metia. No final da década de 1960, época de muitas mudanças sociais e de comportamento, a Mulher-Maravilha passou a ter uma imagem mais realista, com suas histórias bastante influenciadas por seriados policiais muito em voga naquela época.
Mulher-Maravilha conta a história de Diana (a israelense Gal Gadot, de Batman vs Superman: A Origem da Justiça), filha de Hipólita (a dinamarquesa Connie Nielsen, de Gladiador), rainha das amazonas, as lendárias mulheres-guerreiras da mitologia grega que estavam sob o comando da General Antíope (Robin Wright, da série House of Cards). Em um passado distante, elas ajudaram Zeus, o rei dos Deuses do Olimpo, a combater e derrotar o sangrento deus da guerra, Ares (o inglês David Thewllis, da franquia Harry Potter). Após a batalha, as amazonas retiram-se para a linda Ilha Paraíso onde vivem isoladas, mas em paz e harmonia. Contrariando o desejo de Hipólita, Diana foi treinada por Antíope para ser uma grande guerreira. Um dia, Diana viu um avião perseguido e abatido por um navio de guerra. Nesse avião estava Steve Trevor (o estadunidense Chris Pine, de Horas Decisivas), capitão da força aérea dos EUA e espião que fugia das forças armadas alemãs. Diana salvou a vida de Trevor e soube por ele da "Guerra para acabar com todas as guerras" (que, posteriormente, ficaria conhecida como a I Guerra Mundial), um violento conflito que envolveu o mundo inteiro. Diana desconfiou que Ares estava por trás do conflito e decidiu voltar com Steve para Londres, Inglaterra, para deter o deus da guerra.
A atriz Lynda Carter como Mulher-Maravilha no seriado dos anos 70
Muitas pessoas foram assistir Mulher-Maravilha achando que, além de um filme de uma super-heroína, veriam também um manifesto feminista, mas surpreenderam-se com o resultado. O filme, de fato, mostra e denuncia o cinismo, o machismo e o preconceito dos homens contra as mulheres no início do século XX (e que, infelizmente, insistem em continuar nesta segunda década do século XXI), mas não o faz de forma panfletária do tipo "mulheres de valor" contra os "porcos machistas". Nesse aspecto o filme As Sufragistas consegue ser bem mais engajado. Mesmo o seriado de televisivo da década de 1970 estrelado por pela ex-Miss Mundo EUA Lynda Carter (que, diga-se de passagem, fazia jus ao nome, e continua assim até hoje) era bem mais adepto do feminismo (embora com uma vertente cômica) do que este filme. Na década de 1980, figuras femininas de grande destaque como, por exemplo, a ex-Primeira-Ministra britânica Margareth Thatcher, extrapolaram ao pregarem a ideia que, ao igualarem-se ao homens, as mulheres tornavam-se superiores a eles. Mulher-Maravilha, definitivamente, não prega essa ideologia. O que filme mostra de um modo equilibrado é que as mulheres podem estar em um mesmo patamar e um mesmo nível que os homens em todos os aspectos sem se rebaixarem ou terem que apelar para um feminismo radical usando a inteligência e o bom humor para obterem a igualdade. E esse aspecto mostrado de modo bem sucedido deve-se a três mulheres que são figuras-chaves nesta obra: as atrizes Robin Wright e Gal Gadot e a diretora Patty Jenkins. Patti Jenkins já havia chamado a atenção, em 2001, como diretora e roteirista do premiado curta-metragem Velocity Rules, que definia como uma mistura de Pedro Almodóvar (Volver) com filme de super-heróis. Foi o bastante para Hollywood chamá-la para a direção de Monster - Desejo Assassino (2003), para o qual também escreveu o roteiro. Monster foi aclamado por crítica e público, deu a Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria) o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz, e a Patty o prêmio de Melhor Primeiro Filme do Independent Spirit Award, um dos mais importantes festivais do cinema independente no mundo. Patty só voltaria a dirigir um filme de longa metragem em 2011, chamado Five, um projeto para a televisão com mulheres atuando, dirigindo e escrevendo roteiro de cinco histórias sobre o impacto do câncer de mama na vida das pessoas. A demora deveu-se ao fato que Patty engravidou e queria estar perto de seu bebê. Por isso, nesse período concentrou seu trabalho na TV dirigindo séries como Entourage (veja a crítica do filme de 2015 aqui), Caindo na Real, The Killing - Além de Um Crime e Betrayal. Porém, ninguém perdeu por esperar. O trabalho de Patty na direção de Mulher-Maravilha é excelente, com uma segurança e firmeza raramente vistas. As cenas de ação - em especial a da batalha das amazonas contra as tropas alemãs (para mim, a melhor do filme) - são espetaculares e empolgantes e, na direção de atores, tem um trabalho de igual excelência. E, graças aos deuses do Olimpo, já tem presença garantida na direção de Mulher-Maravilha 2, com lançamento previsto para 2019. Há muito tempo que Robin Wright deixou de ser a esposa de Sean Penn (Caminhos Violentos) e não me refiro apenas ao divórcio do casal, mas também de um certo modo ficar à sombra do ex-marido - cujo talento, diga-se de passagem, é incontestável. Robin é igualmente talentosa e demonstra isso ao longo de Mulher-Maravilha unindo a beleza madura a uma personalidade marcante o que faz da General Antíope uma grande personagem, ponto de ter seu retorno garantido em Liga da Justiça. Muitos fãs da Mulher-Maravilha torceram o nariz quando foi anunciado oficialmente que era Gal Gadot quem interpretaria a sua heroína preferida (o nome da vez para o papel era o da bela Megan Fox, de Garota Infernal), uma atriz cujo trabalho mais relevante até então era na franquia Velozes e Furiosos. Qualquer dúvida que poderia haver foi devidamente dissipada a partir do mal compreendido filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016). Gal, mostrou ser merecedora do papel com muita presença de espírito e aqueles que não acreditavam na sua capacidade foram obrigados a dar o braço a torcer (mas, neste caso em particular, não se importaram e o fazer). Gal mantém o alto nível de Batman vs Superman em Mulher-Maravilha e norecém-lançado Liga da Justiça, sendo ao mesmo tempo feminina, forte, inteligente e bem humorada. Quem é que não gostaria de ter uma mulher assim ao seu lado? A escolha para a intérprete da Princesa Amazona não poderia ter sido melhor! Chris Pine, novamente faz um bom trabalho de atuação ao interpretar Steve Trevor. Aliás, sua performance melhora a cada filme, podendo, futuramente, ambicionar papeis mais desafiadores. O único problema é o risco que ele corre de ficar marcado por um único tipo de papel: o de militar, mais especificamente o de capitão, como já aconteceu na saga Star Trek e em Horas Decisivas. O escocês Ewen Bremner (T2 Trainspotting), o francês Said Taghmaoui (Trapaça) e o estadunidense Eugene Brave Rock (Enterrem Meu Coração na Curva do Rio) convencem como a equipe de apoio a Steve Trevor - em particular Ewen, como um atirador alcoólatra com transtorno de estresse pós-traumático. Aliás, foi uma boa sacada fazer desse três um time internacional, pois atrai espectadores de vários países além de ser uma demonstração de tolerância neste mundo atual no qual estrangeiros e minorias são vistos com desconfiança e discriminados como nunca. É claro que os heróis não seriam os heróis sem os vilões e, em Mulher-Maravilha, eles são igualmente convincentes. A fleuma britânica (que, no Brasil, é chamada de "nariz empinado") de Davis Thewllis faz de Ares um vilão digno de enfrentar Diana. Com sua interpretação da Dra. Veneno, a atriz espanhola Elena Anaya (Fale Com Ela) mostra que sua conquista do Prêmio Goya (o Oscar da Espanha) de Melhor Atriz pelo filme A Pele Que Habito (2011), dirigido pelo seu conterrâneo cineasta Pedro Almodóvar, não foi por mero acaso. O filho do grande cineasta John Houton (Os Vivos e Os Mortos), Danny Houston (Libertador), manda bem como o general alemão Erich Luddendorff, mas mostra uma falha no texto - em geral bem escrito - criado pelo roteirista Allan Hienberg (série Tal Mãe, Tal Filha): o general está "nazista demais". "Como assim?", pode perguntar alguém. A história passa-se durante a I Guerra Mundial e o flagelo nazista surgiu depois, na década de 1930, culminando na II Guerra Mundial. Um pouco de pesquisa histórica teria ajudado... A fotografia de Matthew Jensen (Quarteto Fantástico) está boa, mas um pouco clara demais. Talvez isso seja devido às críticas da fotografia escura de Batman vs. Superman e, provavelmente, Matthew não quisesse receber as mesmas críticas. A trilha sonora composta por Rupert Gregson-Williams (A Lenda de Tarzan) segue o padrão de produções semelhantes. Se não é particularmente memorável, tampouco desaponta. Mulher-Maravilha confirma e supera todas as expectativas que haviam. O filme pode não ser feminista, mas, sem dúvida, é de empoderamento feminino, com tudo de bom que essa definição traz. É um símbolo de esperança em um planeta cada vez mais caótico. Diana Prince é aquela heroína pela qual o mundo aguardava, tal como dizia, profeticamente, a letra da música-tema do seriado de TV (de autoria de Norman Gimbel e Charles Fox e com tradução livre feita por mim):
Elenco:Gal Gadot (Mulher-Maravilha / Diana Prince), Chris Pine (Steve Trevor), Robin Wright (General Antíope), Connie Nielsen (Rainha Hipólita), David Thewllis (Sir Patrick Morgan / Ares), Danny Houston (Erich Luddendorff), Elena Anaya (Isabel Maru / Doutora Veneno), Ewen Bremner (Charlie), Said Taghmaoui (Samir), Eugene Brave Rock (Chefe Napi)
Música:Rupert Gregson-Williams
Fotografia: Matthew Jensen
Roteiro: Allan Heinberg
Duração:141 minutos
Ano:2017
RESUMO DO FILME
Diana é a princesa de Themyscira, também conhecida como ilha-paraíso, e lar das lendárias guerreiras Amazonas. Um dia, Diana salva da morte o espião estadunidense Steve Trevor, que fugia das tropas alemãs, seus inimigos durante a I Guerra Mundial. Diana está convencida que essa guerra foi causado pelo deus da guerra, Ares, e decide retornar junto com Steve para deter o mesmo Ares e por um fim à esse conflito devastador.
COTAÇÃO ✪✪✪✪ ½
Veja aqui o trailer oficial de Mulher-Maravilha (legendado - HD):
Veja aqui a música-tema na abertura do seriado da década de 1970 (original em inglês - HD):