Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Richard Gere sobre Hebron, na Palestina: "É como a segregação racial nos velhos tempos no sul dos EUA"


Além de uma carreira de sucesso no cinema, o ator estadunidense Richard Gere (de Uma Linda Mulher) é também conhecido pelo seu ativismo político e humanitário tendo, entre outras causas, apoiado o movimento pela independência do Tibet (Gere é budista e tem encontros frequentes com o líder espiritual tibetano, o Dalai Lama), campanhas pela AIDS e ecológicas.

No final de março passado, Gere esteve em Israel para promover seu filme Norman: confie em mim, um drama político independente dirigido pelo israelense Joseph Cedar (de Nota de Rodapé). A convite da organização não-governamental Rompendo o Silêncio, Gere foi à cidade de Hebron, na Palestina para conhecer a situação dos palestinos que lá vivem e sua relação com os colonos e soldados israelenses. A visita do ator foi transmitida pela rede local Canal 2.

Richard Gere e seus acompanhantes foram parados pelos soldados que pediram seus passaportes. A seguir, Gere conversou com alguns habitantes que lhe mostraram uma rua, chamada Shuhada, onde antes era um efervescente ponto de comércio e hoje está às moscas. O exército tampou e selou as portas das casas que dão para essa mesma rua. Além disso, os palestinos estão proibidos de circularem nesse local, enquanto os colonos podem circular livremente, principalmente quando vão à sinagoga.

Os colonos costumam apedrejar os palestinos e a ofende-los tendo a complacência das tropas de Israel. Em Hebron vivem cerca de 160.000 palestinos, enquanto os colonos são cerca de 800.

Ao testemunhar toda esta situação lamentável e degradante, Richard Gere disse:

"É como o período de de segregação racial nos velhos tempos no sul dos EUA. Os negros sabiam onde podiam ir: podiam beber dessa fonte, não podiam ir ali, não podiam ir comer nesse lugar. Não podia cruzar por aqui, a menos que queira levar uma bala na cabeça ou ser linchado". 

Durante a visita, um colono em um carro quase atropelou propositalmente o guia palestino, o que fez Gere comentar: "Há realmente uma energia sombria aqui".

Veja o vídeo da visita de Richard Gere à Hebron (original em inglês e hebraico - HD):


Veja o trailer oficial de Norman: confie em mim (legendado - HD):


Publicado no LinkedIn em 05/07/2017.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Um Gato de Rua Chamado Bob | Película sobre James Bowen e seu gato ganha o prêmio de Melhor Filme Britânico


O escritor e músico inglês James Bowen e seu gato cor de laranja, Bob, cujas vidas são contadas no livro Um Gato de Rua Chamado Bob, não se cansam de surpreender e de fazer história. Seu feito mais recente foi o de conquistar, por meio da película que adaptou o Best Seller, o prêmio de Melhor Filme Britânico da National Film Awards UK, organização que premia as melhores produções e profissionais da Sétima Arte da Grã-Bretanha.

O filme tem a direção de Roger Spotiswoode (007 - O Amanhã Nunca Morre) e conta com Luke Treadaway (Ataque ao Prédio), no papel de James Bowen; e Ruta Gedmintas (The Strain: Noite Absoluta), como Betty, namorada de James (e namorada de Luke na vida real), no elenco. 

Essa vitória torna-se ainda mais surpreendente e expressiva por ter superado o grande favorito ao prêmio: o drama social e político Eu, Daniel Blake, do diretor Ken Loach (Kes), que, em 2016, conquistou nada menos que a Palma de Ouro do prestigioso Festival de Cannes. O filme de Loach teve que contentar-se com "apenas" com o prêmio de Melhor Drama.

Um Gato de Rua Chamado Bob fez sua estreia oficial em 4 de novembro de 2016, na Inglaterra. No Brasil, por algum motivo que continua ignorado, ainda não estreiou nos cinema - a previsão é para 24 de agosto próximo.

Esta produção tem sido, de modo geral, bem recebida pela crítica e público (que inclui a esposa do Príncipe William, a Duquesa Kate Middleton - na foto acima - que esteve na Première Mundial) e, em breve, Panorama do Cinema também fará a crítica do filme de James e Bob. Aguardem!

Veja aqui o trailer oficial de Um Gato de Rua Chamado Bob (legendado - HD):


Publicado no LinkedIn em 27/06/2017.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Legado | Jonathan Demme, o Cineasta do Incomum


Faleceu, em 26 de abril último, na cidade de Nova York, o diretor estadunidense Jonathan Demme, devido a um câncer de esôfago, doença da qual sofria já há algum tempo. Cineasta respeitado, conquistou, em 1991, o Oscar de Melhor Diretor com o filme O Silêncio dos Inocentes.

Robert Jonathan Demme nasceu em 22 de fevereiro de 1944, nos EUA, na pequena comunidade de Baldwin, no estado de Nova York (não confundir com a cidade), filho de um executivo de relações públicas e uma dona-de-casa. No início de sua adolescência, mudou-se com a família para Miami, onde cursou o Ensino Médio local e, depois, a Universidade da Flórida, onde estudou jornalismo. Escrevia críticas de filmes no jornal da faculdade e chamou a atenção do produtor de filmes Joseph E. Levine (Uma Ponte Longe Demais), que o contratou como redator publicitário.

Em 1971, Demme conheceu o cineasta, produtor e roteirista Roger Corman (A Queda da Casa de Usher), o rei dos filmes B, que já havia revelado talentos como Peter Bogdanovich (A Última Sessão de Cinema), Francis Ford Coppola (saga O Poderoso Chefão) e Jack Nicholson (Um Estranho no Ninho). Jonathan começou a trabalhar como roteirista para Corman, que acabou por se tornar seu mentor cinematográfico.

Seu primeiro trabalho para Corman foi nesse mesmo ano com o roteiro de Angels Hard as They Come, um filme de motoqueiros que era levemente baseado no clássico Rashomon, do cineasta japonês Akira Kurosawa (Dersu Uzala). No ano seguinte, escreveu o roteiro de The Hot Box e, em 1973, foi o autor da história do filme Black Mama, White Mama, um Blaxploitation (produções voltadas para o público negro) estrelado por Pam Grier (Jackie Brown). O filme chamou a atenção por, de forma pioneira, tratar de temas como o empoderamento das mulheres e do "Black Power" (literalmente "Poder Negro", movimento político criado pelo partido político Panteras Negras).

A estréia de Jonathan Demme na direção deu-se em 1974 com o filme Celas em Chamas, um filme do gênero "mulheres na prisão", com muita nudez, sexo e violência, bastante popular na época - principalmente entre os adolescentes. A seguir, vieram mais duas direções em outras típicas produções B de Corman: o filme de gansters Loucura da Mamãe (1975, sequência de A Mulher da Metralhadora, feito no ano anterior) e Pelos Meus Direitos (1976), estrelado por Peter Fonda (Sem Destino), que conta a história de um pequeno fazendeiro que usa táticas e métodos de guerrilha para combater latifundiários corruptos.

Os temas incomuns tratados nesses filmes B por Demme - alguns até mesmo considerados de vanguarda - fez com que, em 1977, ele tivesse a sua primeira chance em um grande estúdio de Hollywood. A Paramout Pictures chamou-o para dirigir a comédia Nas Ondas do Rádio, que conta a história de amigos que são usuários fanáticos de rádio-amador, outro tema pouco comum. O filme fracassou nas bilheterias, mas foi bem recebido pelos críticos, dentre estes, Pauline Kael, do jornal The New York Times, considerada extremamente exigente e azeda, que comparou Demme ao cineasta francês Jean Renoir (Semente do Ódio).

Em 1979, dirigiu o suspense O Abraço da Morte, no qual fez uma ponta como um passageiro de um trem. No ano seguinte, dirigiu a comédia Melvin e Howard, que conta a história de um operário sem sorte que, um dia, dá uma carona a um desconhecido que afirma ser o milionário recluso Howard Hughes. Desta vez, o sucesso de público veio com o de crítica e o filme foi premiado com os Oscars de Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante (para Mary Steenburgen, da franquia De Volta Para o Futuro), enquanto Demme conquistou o prêmio de Melhor Diretor do New York Critics Circle.

Jonathan voltou a dirigir um filme para o cinema somente em 1984, no drama romântico Armas e Amores, estrelado pelo casal - nas telas e na vida real - Goldie Hawn (Clube das Desquitadas) e Kurt Russel (Os Oito Odiados). Demme teve divergências com Hawn e Russel. Ambos queriam que fosse um filme mais leve, enquanto o diretor queria fazer um trabalho mais sério. O resultado foi um filme irregular mas, ainda assim, valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Christine Lahti (do seriado de TV Lista Negra).

Essa pequena frustração foi compensada com o sucesso, nesse mesmo ano, de Stop Making Sense, um inovativo documentário no qual Demme registrou o show minimalista e vibrante da banda de Rock The Talking Heads (veja aqui). O filme mostrava o entrosamento perfeito entre arte popular e de vanguarda, duas características que o diretor e a banda tinham em comum. Sucesso absoluto de público e crítica que conquistou o prêmio de Melhor Documentário do National Society of Film Critics.


Poster do filme Filadélfia

Aliás, Jonathan Demme sempre foi um fanático por música, Além dos Talking Heads, dirigiu três documentários sobre o músico de Country-Rock canadense Neil Young, que muito apreciava; um sobre o astro pop estadunidense Justin Timberlake, além de vídeos clips de artistas como a banda Pós-Punk New Order e o cantor Bruce Springsteen. É claro que um filme sobre Rock 'N' Roll não podia faltar em sua filmografia: em 2015, dirigiu Rick and The Flash: De Volta Para Casa uma comédia dramática tendo Meryl Streep (A Dama de Ferro) no papel principal e com roteiro de Diablo Cody (Juno).

A década de 1980 viu ainda duas grandes comédias dirigidas por Demme sobre mulheres muito agitadas e de personalidades marcantes: o primeiro é Totalmente Selvagem (1986), na qual Melanie Griffith (A Fogueira das Vaidades) leva à loucura o yuppie Jeff Daniels (A Rosa Púrpura do Cairo) e faz Ray Liotta (Sin City 2: A Dama Fatal), o ex-marido presidiário, ficar repleto de ciúmes.O filme recebeu três indicações para o Globo de Ouro, sendo  de Melhores Ator e Atriz em Musical ou Comédia para Daniels e Griffith e Melhor Ator Coadjuvante para Liotta e ganhou um status de Cult Movie.

O segundo é De Caso Com a Máfia (1988), em que um agente do FBI (Matthew Modine, de Short Cuts - Cenas da Vida) apaixona-se pela bela viúva (Michelle Pfeiffer, de Sombras da Noite) de um chefão da Máfia (Alec Baldwin, da franquia Missão Impossível), que foi assassinado por um rival (Dean Stockwell, da série Jag - Ases Invencíveis). Stockwell foi indicado o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e Michelle para o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical ou Comédia.

O início da década de 1990 trouxe a consagração para Jonathan Demme. Somente ele poderia dirigir um tema tão inusitado, sombrio e pesado como o canibalismo que compõe a adaptação do romance do escritor Thomas Harris, O Silêncio dos Inocentes (1991).

A princípio, a resposta do público foi modesta, mas, à medida que os comentários boca-a-boca aumentavam, progressivamente aumentavam as filas do cinema. Atualmente, são poucos os que nunca ouviram falar da historia da agente do FBI Clarice Starling (interpretada por Jodie Foster, de Taxi Driver) que vai a um manicômio pedir ajuda ao insano e canibal psiquiatra Hannibal Lecter (interpretado por Anthony Hopkins, da franquia Thor) para capturar um serial killer.

Foi nesse filme que ficou consagrada uma técnica simples muito utilizada por Demme em seus filmes, de grande impacto ensinada por Roger Corman (que faz um pequeno papel no filme como chefe do FBI): os close-ups dramáticos dos personagens olhando diretamente mente para a câmera em momentos cruciais dos filmes. Nas cenas em que Lecter analisa Clarice psicologicamente, é impossível não sentir um calafrio na espinha com o olhar ao mesmo tempo fixo, frio, e aterrador do psicopata. "Mantenha os olhos do público estimulados", dizia o mestre ao seu discípulo, que aprendeu bem a lição.

Na cerimônia do Oscar, O Silêncio dos Inocentes superou as expectativas e conquistou cinco Oscars, justamente os chamados "cinco grandes": Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado. Um feito que, até então, somente dois outros filmes alcançaram: Aconteceu Naquela Noite (1934) e Um Estranho no Ninho (1975). Não se podia desejar mais.

Alçado ao patamar do primeiro time de Hollywood, Demme usou sua recém-adquirida influência para realizar um projeto que há um bom tempo vinha acalentando: um filme sobre AIDS, homossexualismo e homofobia - novamente temas pouco comuns. O resultado foi Filadélfia, lançado em 1993. O filme contava a história de um advogado (Tom Hanks, de Forrest Gump) que foi despedido da firma onde trabalhava quando descobriram que ele era portador do vírus HIV e que contrata outro advogado (Denzel Washington, de Malcolm X) para processar a empresa.

Em um tempo no qual a AIDS era ainda tratada com sensacionalismo pela imprensa, com preconceito pelas pessoas (que viam essa doença como "peste gay") e com Hollywood seguindo essas tendências, Filadélfia foi um divisor de águas e tratou do assunto tal como deve ser: com seriedade, mas sem cair no pieguismo, e mostrando a comunidade LGBT - que, apesar de importantes conquistas sociais, ainda  era vista no cinema de forma estereotipada - com a dignidade e o respeito devidos.

Filadélfia foi muito recebido por crítica e público e conquistou, entre outros prêmios, os Oscars e os Globos de Ouro de Melhor Ator para Hanks, e Melhor Canção para Streets of Philadelphia, composta e interpretada pelo cantor estadunidense Bruce Springsteen (cujo vídeo foi dirigido por Jonathan em conjunto com seu sobrinho, Ted Demme, morto prematuramente, em 2002).

 Poster do documentário Man From Plains

A seguir, veio o filme de horror Bem-Amada (1998), estrelado por Oprah Winfrey (A Cor Púrpura) e Danny Glover (franquia Máquina Mortífera), baseado no romance de mesmo nome da escritora vencedora do Prêmio Nobel Toni Morrison, que conta a história de um ex-escravo que é assombrado por um poltergeist ao mesmo tempo em que recebe a visita da reencarnação da sua filha, a quem tinha matado para quem não se tornasse uma escrava. Mais uma vez Demme mostrava a sua preferência pelos temas incomuns. O filme foi bem recebido pela crítica, mas foi mal de bilheteria.

Em 2002, foi a vez de O Segredo de Charlie, uma refilmagem do clássico Charada (1963), estrelado por Mark Whalberg (Boogie Nights) e com participação do grande cantor francês Charles Aznavour. Se Bem-Amada foi considerado um meio-fracasso, O Segredo de Charlie foi um fiasco completo: nem público nem crítica gostaram.

Sob o Domínio do Mal, em 2004, com Denzel Washington e Meryl Streep no elenco, foi uma refilmagem do suspense de mesmo nome, de 1962, com o cantor Frank Sinatra (A Um Passo da Eternidade) e a atriz Janet Leigh (Psicose) nos papéis principais. O filme foi muito bem recebido, deu novo fôlego a Demme e uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Meryl Streep.

Em 2008, veio O Casamento de Rachel, que conta a história de uma dependente química (Anne Hathaway, de Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge) que sai de sua clínica de reabilitação por alguns dias para ir ao casamento de sua irmã (Rosemarie DeWitt, de La La Land) e que carrega consigo muitos conflitos pessoais e familiares, que inclui, além do uso de drogas, o alcoolismo e assassinato. E nesse cenário bizarro, ainda aparece uma mulata brasileira sambando!

Novamente, Demme apelou para métodos nada comuns: ao invés das usuais câmeras de filmar, foram usadas aparelhos portáteis semelhantes às camcorders, câmeras de vídeo muito populares na década de 1980. Com isso, as filmagens duraram apenas 33 dias e resultou no que Jonathan definiu como "O mais belo filme caseiro já feito".

A crítica aclamou o filme, que foi considerado o melhor trabalho do diretor desde O Silêncio dos Inocentes e ainda valeu a Anne Hathaway sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

Em 2013, Demme voltou a surpreender com o filme The Master Buider. Nesta adaptação da peça Solness, o Contrutor; do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (Casa de Bonecas), foi escalado um elenco do chamado "baixo clero" de Hollywood - em fama, não em talento - em que destacam-se Wallace Shawn (de A Era do Rádio, também autor do roteiro e com uma excepcional atuação) e Julie Hagerty (franquia Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu). Outro trabalho fora do comum e bastante elogiado.

Jonathan Demme era muito envolvido em ativismo político. Entre os seus trabalhos de maior destaque estão o vídeo da canção Sun City, de 1985, dirigido em conjunto com os diretores Lol Creme e Kevin Godley, para o grupo Artists United Against Apartheid, que protestava contra o odioso regime racista que, na época, vigorava na África do Sul, e mais dois documentários: The Agronomist (2003), sobre o defensor dos direitos humanos do Haiti, Jean Dominique, e Man From Plains (2007), sobre o ex-presidente dos EUA e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Jimmy Carter, e que conquistou os Prêmios PRESCI, EIUC e Biografilm do Festival de Veneza.

Jonathan Demme também trabalhou bastante na televisão. Dentre os trabalhos realizados para a telinha, destacam-se um episódio do seriado de TV Columbo, em 1978; entre 1980 e 1986 dirigiu três episódios do prestigioso programa humorístico Saturday Night Live. Em 2017, dirigiu um episódio da série Shots Fired, estrelado por Richard Dreyfuss (Contatos Imediatos do Terceiro Grau) e Helen Hunt (Melhor Impossível). Foi o seu último trabalho que, em uma triste coincidência, foi transmitido no dia de sua morte.

Jonathan Demme sempre teve um profundo senso de concienciosidade e comunidade, sempre tendo um profundo cuidado com que colocava e mostrava em seus filmes. Em uma entrevista concedida em 2004, disse que "Esse é um dos melhores aspectos do trabalho e também sinto que é parte da minha responsabilidade como cineasta. Você deve lembrar que o comportamento que você visualiza na tela será testemunhado por milhares ou milhões de pessoas e, em última análise, dirá alguma coisa sobre nós como espécie".

Assim era Jonathan Demme, o cineasta para quem o incomum não era algo destinado aos párias ou os desprezados pela sociedade conservadora, capitalista e neoliberal na qual vivemos atualmente, mas uma característica que todos partilhamos e que faz parte de nossa humanidade. Que ele descanse em paz.

Veja aqui o trailer de Stop Making Sense (original em inglês):

Veja aqui o trailer de O Silêncio dos Inocentes (original em inglês - HD):

Veja aqui o trailer de O Casamento de Rachel (original em inglês -HD):




Publicado no LinkedIn em 22/05/2017.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Dica de Cinema | A Revolução em Imagens


Panorama do Cinema vem com mais uma Dica de Cinema, que indica bons filmes a bons preços.

A nossa dica de hoje vai para o evento A Revolução em Imagens, que tem início em 3 de maio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema é a Revolução Russa que, neste ano, completa seu centenário. Além seminários e exposição, vai ocorrer as Quartas Vermelhas, sessões de filmes que ocorrem as quartas-feiras com temática Socialista. Dentre as películas há os clássicos Outubro e O Encouraçado Potemkin, do cineasta russo Serguei EisensteinReds, do ator e diretor estadunidense Warren Beatty; e Eles Não Usam Black-Tie, do cineasta brasileiro Leon Hirzman, baseado na peça teatral escrita pelo ator Gianfrancesco Guarnieri.

As sessões tem lugar no Auditório da Decania no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFRJ, às 14 hrs. O endereço é Avenida Pasteur 250, fundos, Urca, Campus da Praia Vermelha, Rio de Janeiro - RJ. A entrada é franca.

Veja aqui o trailer de Encouraçado Potemkin (legendas em inglês - HD):

Veja aqui o trailer de Reds (original em inglês):

Veja aqui o trailer de Eles Não Usam Black-Tie (original em português):



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Filmes de Rock ‘N’ Roll que vão fazer você cantar, dançar e vibrar


O Podcast desta matéria pode ser ouvida nas plataformas Anchor, Castbox, Deezer, Google Podcast, Spotify e Spreaker.

No início da década de 1950, surgiu nos EUA um gênero musical que era uma mistura de dois outros, o Rhythm and Blues – tocado e apreciado pelos negros – e o Country and Western – este tocado e apreciado pelos brancos. E foi dessa mistura de música negra com música branca que surgiu uma outra que transformaria todo o cenário musical do mundo: o Rock ‘N’ Roll!
Quando apareceu, o Rock ‘N’ Roll não passou desapercebido. Quem escutava, amava ou odiava, não havia meio termo. Entre os que odiavam, estavam os religiosos (que diziam que essa era a “música do diabo”), os racistas (dentre estes, o desprezível grupo Ku-Klux Klan, que espumava de ódio ao ver que vários astros do Rock ‘N’ Roll eram negros e brancos amigos desses mesmos negros) e os puritanos, que viam esse gênero musical como um atentado à moral e aos bons costumes (no Brasil, poucos sabem que o nome Rock ‘N ‘ Roll era uma gíria dos negros estadunidenses que significava fazer amor). Já entre os que amavam estava apenas a juventude do mundo, que viam nessa música, um hino à liberdade e ao amor, duas palavras que passaram a ser muito valorizadas em um tempo no qual a Guerra Fria estava no auge e conflitos armados como a Guerra do Vietnã e golpes militares que instalavam tirânicas e violentas ditaduras (em particular na América do Sul) corriam soltos.
Não foram poucos os que disseram que o Rock ‘N ‘ Roll era apenas uma moda passageira e, desde então, a cada década, algum “profeta do apocalipse musical” prevê que essa música vai durar, no máximo, mais seis meses. Porém, contrariando essas previsões, o Rock ‘N ‘ Roll não só sobreviveu como espalhou-se por todo o planeta, tornou-se a música do século XX e, nestes primeiros anos do século XXI, continua firme e forte, com novos artistas surgindo diariamente e sem dar mostras de perda de força e fôlego.
O cinema logo percebeu o potencial do Rock ‘N’ Roll tanto como negócio quanto como manifestação cultural dos jovens de todas as nacionalidades, cores, raças, credos e sexos. Panorama do Cinema fez, a seguir, uma seleção de filmes de Rock ‘N‘ Roll para os rockeiros e os cinéfilos cantarem, dançarem e vibrarem. Afinal, como foi dito uma vez, “É apenas Rock ‘N ‘ Roll, mas eu gosto”...

Balada Sangrenta (1958)

Danny Fisher (o Rei do Rock, Elvis Presley) é um jovem pobre que vive na cidade de Nova Orleans com sua família, que tem problemas financeiros. Danny tem problemas de relacionamento na escola, o que faz com que se envolva com o marginal de rua Shark (Vic Morrow, de Fuga Alucinada). Danny consegue uma oportunidade como cantor na casa de shows “King Creole”, o que pode resolver seus problemas de dinheiro. Porém, o gangster Maxie Fields (Walter Matthau, de Dois Velhos Rabugentos) quer que Danny trabalhe para ele e, para isso, chantageia o rapaz com um erro que ele cometeu.
Elvis Presley fez mais de 30 filmes para o cinema, sendo que a grande maioria desses filmes eram musicais bobocas e ruins que foram impiedosamente massacrados pela crítica – embora tenham sido sucessos de bilheteria. Balada Sangrenta foi uma rara exceção. Quando o diretor Michael Curtiz (do megaclássico Casablanca) soube que dirigiria um musical de Elvis, não ficou nem um pouco entusiasmado. Porém, ao ler o roteiro (baseado em um livro do autor de best sellers Harold Robbins) e conhecer o Rei pessoalmente, mudou de ideia.
Logo na primeira cena musical percebe-se que este é um filme acima da média. Além de ser um grande cantor, o Garoto de Tupelo (cidade onde cresceu) também tinha qualidades como ator que, infelizmente, nunca foram devidamente desenvolvidas. Balada Sangrenta mostra Elvis no auge de sua forma musical, em números nos quais pode-se ver toda a sua energia rebelde, carisma e talento que fizeram dele o Rei e um mito do Rock ‘N ‘ Roll. Se os seus outros filmes tivessem diretores tão bons quanto Curtiz, roteiros bem escritos e elencos de apoio de qualidade, é bem provável que a carreira cinematográfica de Elvis seria um sucesso ainda maior.

Veja aqui o trailer de Balada Sangrenta (original em inglês):

A Hard Day’s Night (1964)

Os Beatles (John Lennon, guitarra e vocal; Paul McCartney, baixo e vocal; George Harrison, guitarra e vocal; Ringo Starr, bateria e vocal) vão aparecer em um show de televisão que será transmitido ao vivo e precisam comparecer ao estúdio para ensaiar o seu número. Ao longo de um dia típico em suas vidas, eles tem de participar de vários compromissos, correr de fãs histéricas e, ainda por cima, lidar com as confusões causadas pelo avô de Paul (Wilfred Brambell, de A Espada do Valente).
Os Beatles já eram um sucesso sem precedentes na Europa quando foram, no início de 1964, fazer sua primeira excursão pelos EUA. A turnê foi um verdadeiro furacão, pegando os estadunidenses de surpresa e conquistou não só o país como também o resto do mundo e mudou, para sempre, a música popular em toda a parte. Nesse mesmo ano, os Meninos de Liverpool fizeram sua estreia cinematográfica em um filme chamado A Hard Day’s Night (literalmente Uma Noite de Um Dia Duro).
Os críticos da época imaginavam que seria um musical no estilo dos filmes de Elvis Presley. Porém, os Beatles novamente surpreenderam. Dirigido pelo então jovem e talentoso Richard Lester (de Superman II), A Hard Day’s Night mostrou ser uma comédia muito divertida com direção ágil e inovadora, cujas cenas musicais antecipavam os futuros vídeoclips, com os membros da banda a demonstrarem aptidões interpretativas e um roteiro muito bem elaborado por Alun Owen (Armadilha a Sangue Frio) que, para redigir o texto, passou um tempo junto à banda vendo todos os seus traços de personalidade.
Ao se assistir A Hard Day’s Night, é possível entender porque os Beatles causaram um impacto tão grande na cultura mundial e se tornaram tão populares. Junto com as suas canções maravilhosas, o filme é repleto das piadas malucas que os Fab Four gostavam de contar (o humor sempre foi um recurso poderoso), os mais velhos são constantemente ironizados – que, diga-se de passagem, sempre fazem por merecer a ironia - e mostrava um sentimento muito comum entre os jovens daquele tempo: o de deslocamento em um mundo dominado pelos adultos que, na visão da juventude, estragaram este belo planeta.
A Hard Day’s Night foi um estouro de bilheteria, uma produção barata que é, até hoje, um dos filmes mais lucrativos da história em relação ao investimento e também foi indicado aos Oscars de Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora (de autoria do produtor dos Beatles, George Martin). Uma cópia do filme foi colocada dentro de uma cápsula do tempo enterrada na Califórnia para que as pessoas do ano 2964 vejam como eram as coisas mil anos atrás. E podem estar certos que a galera do futuro também vai se surpreender...

Veja aqui o trailer de A Hard Day’s Night (original em inglês):

O Último Concerto de Rock (1978)

Após uma carreira de 16 anos, o grupo de Country-Rock - gênero que mistura esses dois tipos de música - The Band (Robbie Robertson, guitarra e vocal; Rick Danko, baixo e vocal; Richard Manuel, piano; Levon Helm, bateria e vocal; Garth Hudson, órgão e sintetizador), decide se separar e realiza um último show na cidade de San Francisco com vários convidados de renome.
The Band surgiu em 1962 e tornou-se conhecido por ser o grupo de apoio do cantor e compositor Bob Dylan (que, em 2016, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura), quando lançaram-se em uma bem-sucedida carreira própria. Estava tudo muito bom, estava tudo muito bem, até o dia em que os músicos acharam que cada um devia cuidar de sua própria horta.
Então, no melhor estilo da década de 1970, resolveram se separar numa boa e organizaram um concerto de despedida no feriado do Dia de Ação de Graças justamente na cidade em que começaram, San Francisco, e convidaram vários amigos para esse concerto final (chamado The Last Waltz, que, em inglês, significa, literalmente, A Última Valsa, que também é o nome original do filme). E que convidados! Ninguém menos que os guitarristas Eric Clapton e Ron Wood (da banda The Rolling Stones), os cantores Neil Diamond, Van Morrison e Neil Young (ex-membro do grupo Crosby, Stills, Nash & Young), as cantoras Joni Mitchell e Emmylou Harris, o ex-Beatle Ringo Starr, além do amigo e mentor Bob Dylan, entre outros.
O diretor Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street) sempre foi um aficionado por música em geral, e por Rock em particular, tendo já feito vários documentários sobre o tema tais como Shine a Light (2009), no qual documenta a banda The Rolling Stones; e George Harrison: Living in The Material World (2011), feito para a televisão, em que retrata a vida do ex-Beatle George Harrison. Porém, sua primeira incursão sobre o assunto foi em O Último Concerto de Rock.
O filme mostra cenas muito bem filmadas do show – que é emocionante – e as intercala com entrevistas (feitas pelo próprio Scorsese) dos membros do grupo que, além de exporem seus pontos de vistas musicais, contam histórias e curiosidades de sua carreira. Um registro perfeito da época, que fez a cabeça de muita gente e consegue resistir ao tempo.

Veja aqui o trailer de O Último Concerto de Rock (original em inglês):

Stop Making Sense (1984)

Os Talking Heads (David Byrne, violão, guitarra e vocal; Tina Weymouth, baixo e teclados; Jerry Harrison, guitarra e teclados; Chris Franz, bateria) desde o seu surgimento, em 1977, navegavam entre o Pop, o Rock e a música de Vanguarda, o que fez com que obtivessem sucesso imediato tanto de público quanto de crítica. Stop Making Sense é o registro de um show da turnê de mesmo nome no qual apresentaram seus grandes sucessos tais Psycho Killer, Burning Down The House, This Must Be The Place (que fez parte da trilha sonora dos filmes da franquia Wall Street) e Genius of Love (da banda Tom Tom Club, projeto solo da baixista Tina).
O líder da banda, David Byrne (um escocês radicado nos EUA), concebeu a apresentação de um modo minimalista, na qual, em lugar de uma grande produção repleta de efeitos especiais de palco que estava muito em voga na época, optou por cenário simples que, ao longo do show vai sendo montado aos poucos e no qual se destacam jogos de luzes, um telão onde são projetados slides diversos e objetos e vestuários típicos de uma peça de teatro.
Tal qual os Talking Heads, o diretor Jonathan Demme (do clássico O Silêncio dos Inocentes) sempre navegou entre o gosto popular e o vanguardista e acabou por ser a escolha perfeita para a direção do filme. Neste seu primeiro documentário, Demme conseguiu captar de modo preciso toda a energia e vibração do show, além das ideias teatrais de Byrne. Mesmo depois de mais de 30 anos de seu lançamento, Stop Making Sense continua sendo, musicalmente e cinematograficamente, um filme muito moderno, Pop e de vanguarda.

Veja aqui o trailer de Stop Making Sense (original em inglês):

The Doors, o Filme (1991)

Jim Morrison (Val Kilmer, de Batman Eternamente) é um jovem californiano, estudante universitário de cinema que também é poeta e um grande fã de Rock ‘N’ Roll. Após conhecer o tecladista Ray Manzareck (Kyle Maclachlan, da série de TV Twin Peaks), forma com ele a banda The Doors à qual se juntam o baterista John Densmore (Kevin Dillon, da série Entourage), e o guitarrista Robby Krieger (Frank Whaley, de Ironweed) em uma carreira de sucesso, mas polêmica e problemática, cheia de sexo, bebedeiras, drogas, prisões; e que acaba se refletindo em seu relacionamento com a bela Pamela Courson (Meg Ryan, de Cidade dos Anjos).
O diretor Oliver Stone (de Snowden), a princípio, apenas escreveria o roteiro do filme, mas acabou por assumir a direção após os contatos com Martin Scorsese, Brian De Palma (Os Intocáveis) e William Friedkin (O Exorcista) não terem vingado. Val Kilmer foi o escolhido para interpretar Jim Morrison após os nomes de Tom Cruise (franquia Missão Impossível), John Travolta (Pulp Fiction), Johnny Depp (Edward Mão de Tesoura) e Richard Gere (Chicago) terem sido considerados. Já Meg Ryan disputou o papel de Pamela Courson com outras 60 atrizes (inclusive Patricia Arquette, de A Hora do Pesadelo 3).
Oliver Stone teve vários problemas de produção durante as filmagens, dentre estes, desentendimentos com os pais de Jim, de Pamela – que queriam que a filha fosse mostrada “como um anjo” - e com os membros sobreviventes da banda, que acharam o roteiro historicamente impreciso – apesar de terem trabalhado como consultores técnicos do filme. Em uma entrevista, Ray Manzarek criticou Stone por, segundo o músico, o diretor ter exagerado ao retratar o alcoolismo de Morrison.
De fato, muito do que é exibido no filme vem da visão pessoal de Oliver Stone tal como mostrar Jim Morrison como um ícone maior do que a própria vida, mas, apesar disso (ou talvez por causa disso) e com uma direção segura, mantém o fascínio que o cantor sempre despertou no público. O filme recebeu críticas mistas, mas teve boa bilheteria e desfaz algumas lendas como, por exemplo, Morrison ser o único compositor da banda.
A atuação de Val Kilmer foi elogiada e o ator surpreendeu nas cenas musicais com um vocal bastante semelhante ao de Jim. Por seu lado, Kyle Maclachlan disse que, pela primeira vez na vida, agradeceu a sua mãe por ter tido aulas de piano na infância…

Veja aqui o trailer de The Doors, o Filme (original em inglês):

Control, a História de Ian Curtis (2007)

Ian Curtis (Sam Riley de Orgulho e Preconceito e Zumbis – veja a crítica aqui) é um jovem funcionário público da pequena cidade de Macclesfield, no Interior da Inglaterra, que sofre de depressão e epilepsia; é vidrado em arte, poesia e música e casado com a igualmente jovem Debbie Woodruff (Samantha Morton, de Animais Fantásticos e Onde Habitam). Um dia, ambos vão a um show da banda de Punk Rock Sex Pistols e lá conhecem o guitarrista Bernard Summer (James Anthony Pearson, de Pelo Prazer de Matar) e o baixista Peter Hook (Joe Anderson, de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2), que estão montando uma banda de Rock chamada Warsaw. Ian decide juntar-se a eles como vocalista, sendo seguido pelo baterista Stephen Morris (Harry Treadaway, da série de TV Penny Dreadful) e mudam o nome da banda para Joy Division. O grupo inicia sua carreira e, durante uma turnê, Ian conhece a jornalista belga Annik Honoré (a romena Alexandra Maria Lara, de Rush – No Limite da Emoção, e esposa de Sam Riley, na vida real) e inicia um caso amoroso com ela. Debbie descobre tudo e o casamento dos dois entra em crise, ao mesmo tempo que a depressão e a epilepsia de Ian pioram até um desfecho trágico.
Control foi a estreia do diretor holandês Anton Corbijn (de Life: Um Retrato de James Dean), que é um fã devotado do Joy Division desde o final da década de 1970 tendo, inclusive, conhecido os membros da banda pessoalmente. Além do próprio Joy Division, a trilha sonora tem canções das bandas New Order (formada pelos membros sobreviventes do Joy Division), The Velvet Underground, The Buzzcocks, Iggy Pop, David Bowie (veja as suas canções feitas para o cinema aqui), Roxy Music, Kraftwerk, entre outros.
Control foi muito bem recebido pela crítica. No prestigioso Festival de Cannes, o filme conquistou os prêmios C.I.C.A.E. (Menção Especial), Golden Camera (Menção Especial), Label Europa Cinemas e Regards Jeunes. Peter Hook e Stephen Morris gostaram do filme em geral, embora Morris tenha criticado a sua precisão histórica dizendo que “Nem tudo é realmente verdade”. Já Hook criticou a reação da plateia na pré-estreia, que aplaudiu o filme ao final quando, na opinião do músico, “Seria melhor um digno silêncio”.


Veja aqui o trailer de Control, a História de Ian Curtis (original em inglês – HD):

Somos Tão Jovens (2013)

Em 1973, Renato Manfredini (Thiago Mendonça, de 2 Filhos de Francisco) muda-se com sua família do Rio de Janeiro para Brasília. Dois anos depois, sofre de uma rara doença óssea e passa por uma cirurgia que o deixa de cama por um longo período. Durante a convalescença, começa a compor poesias e sonha em tornar-se um astro do Rock. Após a sua recuperação, descobre o movimento Punk, passa a usar o nome artístico de Renato Russo e forma a banda Aborto Elétrico, que dura pouco tempo. Começa a apresentar-se como o Trovador Solitário, interpretando suas próprias canções e, em 1982, forma a banda Legião Urbana, que se tornaria uma das maiores da história do Rock Brasileiro. Nesse meio tempo, descobre o amor com meninas e meninos.
Dirigido pelo experiente Antonio Carlos da Fontoura (A Rainha Diaba), esta história da juventude de Renato Russo foi um campeão de bilheteria no ano de seu lançamento no Brasil – perdeu apenas para O Homem de Ferro 3. Ainda assim, os fãs mais fiéis e exigentes de Renato e do Legião torceram um pouco o nariz para o filme e, por parte da crítica, a recepção foi mista. Em contrapartida, foram muito elogiadas as atuações de Thiago Mendonça, Laila Zaid (telenovela Malhação), e Bianca Comparato (Irmã Dulce), que conquistou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2014.
A trilha sonora, em sua maior parte com canções do Legião Urbana, tem em Thiago Mendonça um surpreendente intérprete, soando de modo muito semelhante a Renato Russo.


Veja aqui o trailer de Somos Tão Jovens (original em português - HD):