Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Crítica: Pantera Negra | O Poder Negro Afrofuturista


Atualizado em 13/06/2021

OSCAR 2019: venceu nas categorias melhor trilha sonora,  figurino e design de produção.

Como todos sabem, a década de 1960 foi uma época de grandes e decisivas mudanças no mundo. Dentre essas mudanças estava a igualdade de direitos civis aos negros nos EUA. Esse movimento tinha duas vertentes: uma, liderada pelo pastor batista e vencedor do Prêmio Nobel da Paz Martin Luther King (1929-1968), que, inspirado pela Bíblia Sagrada e pelas ideias do líder político e espiritual indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), tinha como método de luta a não-violência e o amor ao próximo.

A outra vertente era liderada pelo líder muçulmano Al Hajj Malik Al-Shabazz, que passou à história como Malcolm X (1925-1965). Essa vertente criticava os métodos de Luther King - considerados passivos - e defendia a violência e o uso de armas como método de autodefesa, mas não de ataque.

O ano de 1966 foi particularmente agitado para o Movimento Negro. Foi nesse ano que Stockley Carmichael, um militante negro radical, ao ser preso pela 27ª vez, deu a seguinte declaração:

"Estamos gritando liberdade há seis anos. O que vamos começar a dizer agora é: Poder Negro".

Nesse mesmo ano, inspirado por Malcolm X e pelo maoísmo - vertente chinesa do comunismo baseada nas ideias do revolucionário Mao Tsé-Tung (1893-1976) - os ativistas Huey Newton e Bobby Seale fundaram o Partido dos Panteras Negras

Os Panteras Negras ficaram conhecidos pelos seus confrontos com a polícia (o diretor do FBI, o famoso John Edgar Hoover, chegou a dizer que os panteras eram "A maior ameaça à segurança interna do país"), mas também pelos seus programas sociais comunitários como, por exemplo, clínicas de saúde. Um de seus membros mais conhecidos era a ativista Angela Davis (1944- ) sobre quem há o interessante documentário Libertem Angela Davis (2012).

Os Panteras Negras tiveram seu auge no início da década de 1970, quando houve o julgamento de Angela Davis, e, depois, começou a declinar até o partido ser extinto em 1982. Em 1989, foi fundado o Novo Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, que os antigos panteras chamam de "ilegítimo".

No mesmo ano de 1966, o escritor Stan Lee e o desenhista Jack Kirby criaram o super-herói negro Pantera Negra. Lee, até hoje, jura que a escolha do nome do personagem nada tinha a ver com o partido e que foi uma "estranha coincidência". 

Há aqueles que afirmam que a origem do nome teria sido por influência do maior futebolista português em todos os tempos, Eusébio (1942-2014), artilheiro e melhor jogador da Copa do Mundo de 1966, e que também era conhecido justamente pela alcunha de "O Pantera Negra".

O Pantera Negra não foi o primeiro super-herói negro. Já haviam aparecido personagens assim desde a década de 1940, mas sem superpoderes, sempre muito caricatos e nunca como protagonistas. O Rei de Wakanda inovava por ser radicalmente o oposto de seus antecessores.

Pantera Negra inicia contando a história do Reino de Wakanda, na África, onde, há milhares de anos atrás, caiu um meteorito repleto de vibranium, um metal duríssimo, durante uma guerra tribal. Ao final do conflito, todas as tribos, exceto uma, reconhecem o guerreiro chamado de Pantera Negra como seu rei.

O vibranium ajuda no grande desenvolvimento de Wakanda, que, devido às infindáveis guerras que ocorriam ao seu redor e ao modo como o povo negro era tratado pelas outras raças, isola-se do resto do planeta que pensa que o reino é um país pobre do Terceiro Mundo como tantos outros.

No século XX, em 1992, o rei T'Chaka (John Kani, de Coriolano) vai aos EUA encontrar-se com seu irmão, N'Jobu a quem acusa de ter vendido vibranium ao contrabandista de armas sul-africano Ulysses Klaue (Andy Serkis, da franquia Planeta dos Macacos). As acusações são confirmadas por um espião.

Após a morte de T'Chaka, seu filho, T'Challa (Chadwick Boseman, de Get On Up: A História de James Brown), torna-se o rei de Wakanda. Nesse meio tempo Klaue e Erik "Killmonger" Stevens (Michael B. Jordan, de Creed - Nascido Para Lutar), um ex-agente da CIA, roubam um artefato wakandiano de um museu e viajam para a Coréia do Sul para tentar vender o produto do roubo para Everett K. Ross (Martin Freeman, da série Sherlock), um agente da CIA. Klaue é preso por T'Challa, mas é libertado por Erik. Ross é gravemente ferido e T'Challa o leva para Wakanda para curá-lo.

T'Challa interroga Zuri (Forrest Whitaker, de Rogue One - Uma História Star Wars. Veja a crítica aqui), um antigo servo de seu pai, sobre N'Jobu. Zuri conta que N'Jobu planejava vender tecnologia de Wakanda para os afrodescendentes ao redor do mundo para iniciar uma guerra contra seus opressores. Erik aparece, revela ser o filho de N'Jobu, desafia e vence T'Challa pelo trono de Wakanda e torna-se o novo rei.  T'Challa deve retomar seu trono para evitar Erik de realizar o plano de seu pai.

Pantera Negra retoma com força o movimento do cinema totalmente produzido e interpretado por artistas negros iniciado na década de 1970, nos EUA, que ficou conhecido como Blaxploitation (sobre o qual Panorama do Cinema falará futuramente) e que o cinema francês já vem realizando já há algum tempo como pode ser visto em duas produções realizadas em 2017: Château-Paris (veja a crítica aqui) e Uma Temporada na França (veja aqui).

Pantera Negra difere-se desses filmes franceses pelo fato de ser uma superprodução de um personagem de histórias em quadrinhos (HQ), mas assemelha-se ao mesmos por conter críticas sociais e políticas  sobre como são vistas e tratadas as comunidades negras, africanas, afro-americanas e/ou afrodescendentes, o que inclui a onda de imigrantes-refugiados que vão para a Europa - e, em escala menor, os próprios EUA - em busca de salvação e de uma nova vida tal como pode ser visto no já citado Uma Temporada em Paris e, também, em outro filme francês, Samba (2015, veja aqui), estrelado pelo ator Omar Sy (Intocáveis).

Em um sentido mais amplo, o termo afro-americano também pode ser utilizado por comunidades negras de outros países do continente como, por exemplo, o Brasil, embora aqui sejam preferidos os termos afro-brasileiro, negro ou, ultimamente, preto.

É importante dizer que, de uns anos para cá, também vem ocorrendo o fenômeno de onda de imigrantes-refugiados em terras brasileiras - que, assim como nos EUA, ocorre em escala menor em relação a Europa. Esse fenômeno pode ser visto na Grande São Paulo, principalmente na capital e na região do ABCD; e, recentemente, no estado de Roraima com a chegada de refugiados vindos da Venezuela.

As críticas sociais e políticas feitas em Pantera Negra refletem os dias atuais, pois vão desde o racismo e a intolerância até o extremismo político, o que inclui a interferência dos EUA em assuntos internos de outras nações. Aliás, esse é um tipo de crítica cada vez mais comum em filmes estadunidenses e, particularmente e curiosamente, em filmes de super-heróis como, por exemplo, o mal compreendido Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016). Porém, o que mais chama atenção é o conflito dos dois tipos de ideologia que dividem o Poder Negro até hoje: a de Martin Luther King (representada por T'Challa) e a de Malcolm X (representada por Killmonger, mas de modo distorcido).

É impossível não notar a estética Afrofuturista de Pantera Negra. Para aqueles que não sabem, o Afrofuturismo é uma estética cultural e filosófica de ciência, história e arte surgida na década de 1990 (com raízes na década de 1950) que combina elementos de ficção-científica, ficção histórica, arte africana - que inclui a arte da diáspora africana -, Afrocentrismo (ideologia dedicada ao estudo da história africana) e realismo mágico com cosmologia não-ocidental. O Afrofuturismo está presente em todo filme como nos cenários, figurinos, veículos, nas histórias contadas, sem falar na maravilhosa trilha sonora composta pelo sueco Ludwig Goranson.

O cineasta Ryan Coogler é um dos nomes mais recentes da nova safra de diretores negros juntamente com seu amigo Steven Caple Jr. (Creed II). Coogler fez sua estreia na direção em 2013 com o filme independente Fruitvale Station: A Última Parada, que foi o grande vencedor do Festival de Sundance daquele ano tendo conquistado os prêmio de melhor filme do júri e do público. Essa produção também marcou sua primeira colaboração com Michael B. Jordan. 

Pantera Negra é apenas o terceiro trabalho de Coogler, mas parece ser o trigésimo, pela segurança demonstrada tanto nas cenas de ação quanto na direção de elenco. Sua direção faz o filme fluir tão bem que nem parece que tem mais de duas horas de duração. Pelo que demonstra até aqui, Coogler tem tudo para ser um dos grandes cineastas dos próximos anos.

A fotografia de Rachel Morrison (Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississipi) mostra a África não como um local de miséria e violência, como é normalmente visto pelo Ocidente, mas como um lugar belíssimo, de flora e fauna exuberantes, de cultura rica e fascinante.

Uma das grandes sacadas de Pantera Negra é o sotaque "wakandiano" (que acaba por se perder na dublagem em português) de vários personagens que lembra muito o de países africanos de língua inglesa tais como Gana, Nigéria, Quênia e África do Sul, o que contribuiu para que o filme tivesse grande aceitação no continente.

Porém, Pantera Negra não teria tido tanto sucesso se não fosse pelo seu competentíssimo elenco.

De minha parte, não consigo ver outro ator que não Chadwick Boseman para o papel-título, que lhe coube como uma luva. Sua interpretação passa todas as características que se espera desse tipo de personagem: bondoso, forte, nobre, generoso, inteligente e bem humorado.

Michael B. Jordan mostra porque é considerado um ator-sensação em Hollywood. Com a mesma convicção que fez de Adonis Creed um grande herói, faz de "Killmonger" um grande vilão. O Oscar será uma questão de tempo para este grande intérprete.

Nakia mostra que está à altura de T'Challa tanto como noiva quanto como companheira de lutas. Sem dominação ou submissão. Desde a sua vitória no Oscar de melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão (2013), Lupita Nyong'o não para de fazer sucesso com direito, inclusive, de participar da saga Star Wars - que terá seu próximo episódio lançado no final de 2019. O céu é o limite para ela.

Angela Bassett, Forrest Whitaker, Martin Freeman e Andy Serkis são os chamados coadjuvantes de luxo, que acrescentam experiência e brilho à produção, sendo que Serkis mostra que não é apenas um intérpretes de personagens virtuais tais como Golum (sagas O Senhor dos Anéis e O Hobbit) e Capitão Haddock (As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne). Seu talento supera essas limitações.

Para mim, uma coadjuvante que destaca-se em Pantera Negra é Letitia Wright (Jogador Nº 1), que faz da sua personagem, Shuri, uma versão feminina, afro e adolescente (embora a atriz esteja atualmente com 25 anos) do armeiro do serviço secreto britânico da franquia James Bond 007,  Q (interpretado primeiro pelo saudoso Desmond Llewelyn e, atualmente, por Ben Wishaw). Além disso, ela é uma simpatia!

Na recente cerimônia do Oscar, Pantera Negra foi indicado a sete prêmios, incluindo o de melhor filme (perdeu para Green Book: O Guia), um feito inédito para um filme de super-heróis, e conquistou três (cuja relação está no início do texto). Sempre há aqueles que contestam a premiação de cinema mais famosa do mundo, mas, ainda assim e independente da quantia de prêmios conquistadas, foram vitórias justas.

Pantera Negra é um daqueles filmes que marca uma época. E nesta era das trevas que vivemos atualmente - com ascenção de governos de extrema-direita, preconceitos raciais e de gênero, e intolerância religiosa - torna-se um filme importante pela transmissão de valores bons, nobres e tolerantes, que estão cada vez mais raros em uma sociedade que torna-se mais materialista e fascista a cada dia que passa. É também um filme que transmite esperança, um sentimento que nunca devemos deixar de ter. E tudo isso vai muito além da cor da pele.

ESTE TEXTO É RESPEITOSAMENTE DEDICADO ÀS MEMÓRIAS DA VEREADORA MARIELLE FRANCO (1979-2018), DO JOVEM PEDRO HENRIQUE GONZAGA (2000-2019) E DO ATOR CHADWICK BOSEMAN (1977-2020)

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Black Panther
  • Direção: Ryan Coogler
  • Elenco: Chadwick Boseman (T'Challa / Pantera Negra), Michael B. Jordan (N'Jadaka / Erik "Killmonger" Stevens), Lupita Nyong'o (Nakia), Letitia Wright (Shuri), Martin Freeman (Everett K. Ross), Angela Bassett (Ramonda), Forrest Whitaker (Zuri), Andy Serkis (Ulysses Klaue), Danai Gurira (Okoye)
  • RoteiroJoe Robert Cole, Ryan Coogler
  • Música: Ludwig Goranson
  • Fotografia: Rachel Morrison
  • Duração: 134 minutos
  • Ano: 2018
  • Lançamento comercial no Brasil: 15/02/2018

          RESUMO DO FILME

Após a morte do rei T'Chaka, seu filho, o príncipe T'Challa, o sucede como soberano de Wakanda. Paralelamente, um traficante de armas e gangster estrangeiro rouba um precioso minério do país ao mesmo tempo que um ex-agente da CIA quer vingar-se de T'Challa.
 
COTAÇÃO
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Veja aqui o trailer oficial de Pantera Negra (legendado - HD):


Publicado no AdoroCinema em 26/04/2019 e no LinkedIn em 13/06/2021.

domingo, 5 de junho de 2016

O Legado de Muhammad Ali no Cinema


Foi com uma imensa tristeza que o mundo recebeu a notícia da morte por problemas respiratórios do boxeador estadunidense Muhammad Ali, considerado por muitos especialistas e fãs de boxe como o maior pugilista de todos os tempos.

Nascido em 17 de janeiro de 1942 na cidade de Louisville, estado de Kentucky, nos EUA, com nome de Cassius Marcellus Clay Jr., Ali começou a lutar desde cedo e, em 1960, com apenas 18 anos de idade, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma. Em 1964 sagrou-se campeão mundial dos pesos-pesados pela primeira vez ao derrotar Sonny Liston e, logo em seguida, anunciou publicamente sua conversão ao Islamismo (por influência do líder negro Malcolm X) e a mudança de seu nome para Muhammad Ali.

Ali recusou-se a servir o exército estadunidense durante a Guerra do Vietnã e, em 1967, foi proibido de lutar. Em protesto, o pugilista atirou sua medalha de ouro no rio. Voltou a lutar somente em 1970, quando recuperou seu título, mas, em seguida, o perdeu para o pugilista Joe Frazier naquela que foi chamada "A Luta do Século".

Após vencer a revanche contra Frazier, lutou contra Ken Norton e foi novamente derrotado, mas, assim como ocorreu contra Frazier, também venceu a revanche contra Norton que, um pouco antes havia perdido seu título para o fenômeno George Foreman. A luta pelo título entre Ali e Foreman realizada em 1974, no Zaire (atual República Democrática do Congo), na qual Ali conquistou pela segunda vez o título mundial entrou para a história tanto do boxe quanto do esporte mundial.

Em 1978, o boxeador Leon Spinks tirou o cinturão de campeão de Ali. Nesse mesmo ano, em nova revanche, Ali derrotou Spinks e conquistou o título mundial pela terceira vez. Muhammad Ali encerrou sua carrira profissional em 1981 com um cartel de 61 lutas, sendo 56 vitórias (37 por nocaute) e apenas 5 derrotas. 

Ali foi o primeiro esportista a fazer largo uso de marketing pessoal, uma novidade na época. Frases como "voar como uma borboleta e picar como uma abelha" e "Eu sou o lutador mais forte e mais bonito" e, principalmente, "Eu sou o maior" foram usadas para autopromoção e lhe renderam tantos admiradores quanto críticos. Ali sempre usou a polêmica a seu favor.

Antes mesmo de se tornar campeão mundial, Ali já chamava a atenção de Hollywood e convites para o cinema logo vieram. Em 1962, participou do filme Réquiem Para Um Lutador, dirigido por Ralph Nelson (de Charly) e com roteiro de Rod Serling (seriado Além da Imaginação), no qual atuou junto com Anthony Quinn (Zorba, o Grego), Jackie Gleason (Desafio à Corrupção) e Mickey Rooney (O Corcel Negro). Neste filme ainda usava o nome de Cassius Clay.

Poster do filme The Greatest (1977)

Em 1977, Ali atuou no filme The Greatest, película autobiográfica com roteiro de sua própria autoria que retrata sua vida desde o início de sua carreira até a luta contra Foreman, dirigido a quatro mãos por Tom Gries (100 Rifles) e Monte Hellman (Caminho Para o Nada) e que tinha em seu elenco nomes como Ernest Borgnine (Marty), Robert Duvall (saga O Poderoso Chefão), Ben Johnson (Louca Escapada), James Earl Jones (A Grande Esperança Branca) e Paul Winfield (Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan). A canção-tema do filme, The Greatest Love of All, seria regravada anos depois pela cantora Whitney Houston com grande sucesso. A crítica recebeu o filme friamente, mas o fãs de Ali garantiram a bilheteria.

Na televisão, Ali teve participação em séries como Vegas e O Toque de Um Anjo. Em 1977, teve sua própria série de desenho animado chamado I Am The Greatest: The Adventures of Muhammad Ali com 13 episódios feitos. No Brasil, o desenho foi exibido pela Rede Globo e chamou-se apenas Muhammad Ali.

Em 1979, atuou na minissérie Road to Freedom, dirigida pelo húngaro Ján Kádar (A Pequena Loja da Rua Principal) e baseada no livro do escritor Howard Fast, na qual interpretou o papel de Gideon Jackson, um ex-escravo que lutou na Guerra Civil Americana e que se tornou senador apesar da oposição de latifundiários e do odioso grupo racista Ku-Klux Klan. No elenco, destacavam-se os nomes do ator, cantor e ativista Kris Kristorffeson (franquia Blade) e da atriz Gracie Zabriskie (série Twin Peaks).

Muhammad Ali também estrelou os elogiados documentários Um Fenômeno Chamado Cassius Clay (1970), feito durante o exílio do campeão no período em que estava proibido de lutar; Facing Ali (2009), um curioso documentário sobre dez adversários de Ali (incluindo Frazier, Foreman, Norton e Spinks); When Ali Came to Ireland (2012), que conta a primeira vez em que Ali esteve na Irlanda quando lutou contra o pugilista estadunidense Alvin Lewis; The Trials of Muhammad Ali (2013), que retrata o período da conversão de Ali ao Islamismo e a sua recusa em lutar na Guerra do Vietnã; Eu Sou Ali: A História de Muhammad Ali (2014), que conta a história d' "O Maior" com imagens inéditas de seu acervo pessoal.

Poster do filme Quando Éramos Reis (1996)

De todos os documentários o que mais se destaca, sem dúvida, é Quando Éramos Reis, que fala da histórica e legendária luta de Muhammad Ali contra George Foreman no Zaire e que conquistou o Oscar de Melhor Documentário, em 1996 e o prêmio de Melhor Direção do Festival de Sundance (dedicado ao cinema independente) nesse mesmo ano. 
 
Dentre os atores que interpretaram Muhammad Ali no cinema, o grande destaque é para Will Smith (Homens de Preto), que interpretou o campeão no filme Ali (2001), dirigido por Michael Mann (Miami Vice). Por sua atuação, Smith foi indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Para 2016, está previsto o lançamento de mais um filme sobre um episódio da vida de Muhammad Ali: The Bleeder (ainda sem título em português), que conta a vida do boxeador Chuck Wepner (interpretado pelo ator estadunidense Liev Schreiber, de Spotlight - Segredos Revelados) que, em 1975, desafiou Ali pela disputa do título mundial. A direção é do canadense Philippe Falardeau (Uma Boa Mentira) e o papel de Muhammad Ali será interpretado pelo ator e rapper Pooch Hall (da série The Game).

Entre as outras formas de mídia e cultura popular que Ali participou estão livros (que inclui sua autobiografia The Greatest: My Own Story, de 2015), músicas (com destaque para a canção The Black Superman (Muhammad Ali), de Johnny Wakelin), video games e histórias em quadrinhos, em que se destaca Superman vs Muhammad Ali (1978), na qual "O Maior" faz o Homem de Aço beijar a lona!

Para a geração atual deve ser um pouco difícil entender a importância de uma personalidade como Muhammad Ali, visto que seus membros nasceram já depois do campeão ter encerrado sua carreira. Apesar da fama de arrogante, Ali não lutou somente contra seus adversários no ringue, mas também contra o racismo, a intolerância religiosa, a guerra, a violência, a hipocrisia da sociedade, a pobreza e, nos últimos anos de sua vida, contra a doença do Mal Parkinson. Tanto nas vitórias quanto na derrotas sempre permaneceu em pé, sem nunca perder sua dignidade e seu orgulho.

Muhammad Ali podia ser um fanfarrão, mas em uma coisa estava certo: nunca houve um lutador - tanto no boxe como na vida - igual a ele. E, provavelmente, nunca mais haverá. Que Alá receba Seu filho Muhammad Ali em Seus braços.

Veja aqui o trailer oficial do filme The Greatest (original em inglês):



Veja aqui um episódio do desenho animado I Am The Greatest: The Adventures of Muhammad Ali (original em inglês):



Veja aqui o trailer oficial do documentário Quando Éramos Reis (original em inglês):



Publicado no LinkedIn em 05/06/2016.