A Revista Digital da Sétima Arte fundada em 06/02/2016
Bem-Vindos a Panorama do Cinema"
Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).
Editorial
Estamos de Volta!
Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades.
Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts.
Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo".
Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês.
Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza.
Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre.
Boas leituras e boa diversão!
Finalmente foram lançados o primeiro poster oficial (imagem acima) e o primeiro trailer oficial do filme Um Gato de Rua Chamado Bob e também mais fotos da produção.
Com direção de Roger Spottiswoode (Pare, Senão Mamãe Atira) e com Luke Treadaway (Invencível) à frente do elenco que tem também Ruta Gedmintas (The Strain: Noite Absoluta) - além do próprio gato Bob - Um Gato de Rua Chamado Bob conta a historia verdadeira do cantor, músico e escritor James Bowen, que era um morador de rua e viciado em drogas até o dia em que encontrou um gatinho cor de laranja que mudou toda a sua vida.
Quando foi junto com Bob, dois meses atrás, aos estúdios da Sony Pictures ver a pré-exibição do filme, James disse “Eu juro, eu
estava rindo, chorando e gritando em todas as horas certas. UAU!” (em tradução
livre - veja aqui). E esse primeiro trailer parece confirmar as palavras do escritor e promete fazer uma boa carreira nas salas de cinema repetindo o sucesso do livro.
Totalmente filmado em Londres, Inglaterra, Um Gato de Rua Chamado Bob tem estreia prevista no ReinoUnido em 4 de novembro próximo.No Brasil e em Portugal ainda não há uma data definida para a estreia.
Veja, a seguir, mais fotos do filme Um Gato de Rua Chamado Bob:
Veja aqui o trailer oficial de Um Gato de Rua Chamado Bob (original em inglês - HD):
Além da vitória do cineasta inglês Ken Loach pelo filme I, Daniel Blake (veja aqui), o Festival de Cannes também ficou marcado pelo brasileiros, por dois motivos: o primeiro, pelo protesto feito por atores, atrizes, técnicos e produtores contra o impeachment da Presidente Dilma Rouseff por entenderem ser esse mesmo impeachment, na verdade, um golpe de estado (veja foto abaixo). O segundo motivo, foi a exibição do filme Aquarius, que foi aclamado pela crítica e além de ser um dos finalistas do prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro.
Aquarius conta a história de Clara (Sônia Braga, de O Beijo da Mulher-Aranha), mulher de 65 anos, escritora e crítica musical aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos e que vive em um edifício chamado Aquarius na Praia de Boa Viagem, em Recife, capital do estado de Pernambuco. Clara é uma mulher forte, independente, sensual e que, recentemente, sobreviveu a um câncer. É o tipo de pessoa que não sente necessidade de aprovação de terceiros - sejam amigos, parentes ou mesmo os filhos - para defender e lutar por aquilo em que acredita. Clara persa em curtir tranquilamente a sua aposentadoria até que um dia, recebe a proposta para vender seu apartamento a uma construtora que quer construir um condomínio de luxo no local. Com a recusa de sua proprietária em vender, a empreiteira declara uma verdadeira guerra contra a ex-jornalista, que irá defender com unhas e dentes o local que é parte inseparável de sua vida.
Segundo longa metragem do diretor Kleber Mendonça Filho (seus trabalhos anteriores eram, em sua maior parte, curtas-metragens), Aquarius, além de ser a primeira produção totalmente brasileira a concorrer em Cannes desde 2008, é também um filme que reflete bastante a situação atual do Brasil: muito incerta, com um governo cuja legitimidade é frequentemente contestada, uma crise política e econômica ainda longe de acabar, além de uma crise moral com a violência da luta de classes ("coxinhas" x "mortadelas"), nepotismo e corrupção - uma verdadeira praga dos tempos atuais. Mas também é um filme sobre assuntos íntimos e pessoais como, por exemplo, a memória de tempos passados.
Aquarius não conquistou a Palma de Ouro em Cannes, mas, em compensação, como obra maior do Cinema Brasileiro, vem conquistando o público e a crítica do mundo inteiro. Foi o grande vencedor do Festival de Sydney (Austrália) e do Festival Transatlantik, em Lodz (Polônia), conquistando, nesses dois eventos, o prêmio de Melhor Filme.
Aquarius tem estréia prevista no Brasil para 1º de setembro e, posteriormente, em mais de 50 países.
Veja aqui o trailer oficial de Aquarius (original em português com legendas - HD):
A série de TV anglo-estadunidense Penny Dreadful fez sua estreia na telinha em 2014 e apresentava uma história de terror e suspense passada na Londres da Era Vitoriana e que, de um modo bastante original e verossímil, misturava na trama personagens clássicos das literaturas romântica e gótica tais como Drácula (de autoria do irlandês Bram Stoker), Frankenstein (da inglesa Mary Shelley), O Retrato de Dorian Gray (do também irlandês Oscar Wilde) e O Médico e O Monstro (do escocês Robert Louis Stevenson) com personagens novos criados especialmente para o seriado.
Para aqueles que não sabem, o nome Penny Dreadful vem de uma publicação popular da época de histórias de horror e que custavam um penny, uma subdivisão do sistema monetário britânico que também tinha a libra e o shilling (somente muitos anos depois a divisão em centavos seria adotada). Em uma tradução livre, Penny Dreadful pode ser traduzido como "Penny Assustador".
A série contava a história de Vanessa Ives (a atriz francesa Eva Green, de Os Sonhadores), uma bela jovem com fortes ligações com o mundo sobrenatural que vive na mansão do aristocrata e caçador Sir Malcolm Murray (o ator galês Timothy Dalton, da franquia James Bond 007), que tem como seu criado e aliado o africano Sembene (o inglês Danny Sapani, de Em Transe). A melhor amiga de Vanessa e filha de Sir Malcolm, Mina (a inglesa Olivia Llewellyn, de Beethoven), foi raptada por estranhas criaturas e, para resgatá-la e enfrentar as tais criaturas, o veterano caçador contrata um pistoleiro de passado obscuro vindo dos EUA, Ethan Chandler (o estadunidense Josh Harnett, de Falcão Negro em Perigo), e o jovem médico e cientista brilhante Victor Frankenstein (o inglês Harry Treadaway, de O Cavaleiro Solitário), que faz macabras experiências de ressureição de cadáveres.
O monstro criado e abandonado por Frankenstein (o inglês Rory Kinnear, de O Jogo da Imitação) - chamado nos países de língua inglesa de "criatura" - retorna para atormentar e vingar-se de seu criador por condená-lo a uma vida solitária e miserável e, ao mesmo tempo, exigir que este faça uma companheira para ele. Chandler - que revela ser um lobisomem - envolve-se emocionalmente com a prostituta irlandesa Brona Croft (a inglesa Billie Piper, da série Dr. Who), que sofre de tuberculose, na época uma doença incurável, e termina por falecer devido à sua enfermidade sendo, posteriormente, ressuscitada por Frankenstein, que rebatiza-a como Lily. Simultaneamente, Vanessa envolve-se com o rico, belo, amoral e vaidoso Dorian Gray (o estadunidense Reeve Carney, de A Tempestade), que possui a vida eterna, mas, como preço a ser pago, sofre de modo infinito com o tédio, a melancolia e a desilusão pela vida - sentimentos esses que podem ser resumidos e reunidos na palavra inglesa Spleen.
Após seu relacionamento com Gray, Vanessa apaixona-se por Chandler - que corresponde - e, durante esse tempo, é alvo de várias investidas sobrenaturais e descobre que o grande responsável pelo seu sofrimento é ninguém menos que Drácula (o estadunidense Christian Camargo, da série Dexter). A jovem compreende que o único modo de deter o mal é entregar-se a ele, mesmo que isso custe-lhe a própria vida.
Essa era a premissa básica e, à medida que o seriado continuava, outros personagens - novos ou clássicos - foram incorporados à trama tais como a bruxa Evelyn Poole, também chamada Madame Kali (a inglesa Helen McCrory, da franquia Harry Potter); a eremita e feiticeira Joan Clayton (a estadunidense Patti LuPone, de Conduzindo Miss Daisy), a Dra. Seward (novamente Patti LuPone), o Dr. Abraham Van Helsing (o inglês David Warner, de Titanic), o chefe índio apache Kaetenay (o estadunidense Wes Studi, de Dança Com Lobos) e o Dr. Henry Jekill (o inglês de ascendência paquistanesa Shazad Latif, de O Exótico Hotel Marigold 2).
Penny Dreadful teve aceitação, elogios e sucesso imediatos com o público e a crítica especializada graças a uma produção impecável com uma excelente reprodução de época, roteiros muito bem elaborados e escritos, uma direção firme e segura e a seu elenco de primeiríssima linha.
De seu excelente elenco, aliás, dois nomes, para mim, se destacaram de
sobremaneira: Eva Green e Rory Kinnear. Eva fez de Vanessa Ives uma
heroína não apenas bonita, mas também sexy, inteligente e muito
carismática. Já o respeitado Rory fez de seu Monstro/Criatura um
personagem de uma sensibilidade ímpar, talvez a interpretação mais
próxima do original imaginado por Mary Shelley.
Penny Dreadful teve o último episódio da terceira temporada exibido em 19 de junho passado. Este último episódio teve tudo aquilo que seus fãs esperavam: combate explosivo entre heróis e vilões, reviravoltas e um final emocionante e comovente como há muito tempo não se via tanto na tela pequena quanto na tela grande.
O que ninguém esperava e que causou igualmente igual comoção é que o último episódio da temporada também foi o último da série. Essa decisão surpreendente foi tomada pelo produtir do seriado, John Logan. Este alegou que, com a morte de Vanessa Ives não há mais história a ser contada. Mas, será que é mesmo assim?
Alguém que esteja lendo estas linhas pode pensar que seu autor é um fã inconformado com o fim da série. Bem, não nego que, de fato, sou um grande fã de Penny Dreadful e que, como todos os outros admiradores do seriado, senti-me órfão com o fim do mesmo. Não obstante, os leitores que acompanharem as próximas linhas poderão ver que a pergunta feita no parágrafo anterior, assim como no título deste texto, tem fundamento.
Não é a primeira vez que alguém anuncia oficialmente o fim de uma série ou franquia e acaba por voltar atrás. Por exemplo: em 1982, o astro estadunidense de filmes de ação Sylvester Stallone, logo após as filmagens de Rocky III - o grande sucesso daquele ano - anunciou oficialmente que era o fim dessa série de cinema. Sly admitiu que sentiria falta de Rocky Balboa (do mesmo modo, Eva Green disse que sentiria falta de Vanessa Ives). Porém, como sabemos, o ator e diretor voltou atrás e não só realizou mais três filmes dessa franquia como também o spin-off Creed, que lhe valeu neste ano a conquista do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante além de uma indicação ao Oscar nessa mesma categoria.
"E o que faz você pensar que Penny Dreadful tem chance de retornar?", pode perguntar alguém. Antes de responder essa pergunta, quero deixar claro que estou perfeitamente ciente que qualquer seriado, por melhor que seja, um dia, mais cedo ou mais tarde, tem o seu encerramento definitivo (a exceção é o seriado britânico Coronation Street, um fenômeno que está no ar há mais de 60 anos e sobre o qual Panorama do Cinema pretende falar futuramente). E, respondendo à pergunta feita no início deste parágrafo, Penny Dreadful deixou muitas brechas e lacunas que fazem acreditar em um possível retorno.
Vamos começar por Lily e Dorian Gray. Após ter sido poupada por Victor Frankenstein de se tornar uma zumbi dócil e ter seus planos de um movimento revolucionário conduzido por mulheres frustrado por seu amante Dorian, ela o abandonou deixando-o com seu Spleen eterno. Porém, como ambos são imortais, eles não só podem reencontrarem-se futuramente como também virem a se relacionar com outros personagens que tem a sua mesma condição de imortalidade tal qual veremos adiante.
Ainda que suas experiências conjuntas com Henry Jekill tenham sido bem sucedidas, Victor Frankenstein não conquistou quem mais desejava: Lily. Embora Jekill o tivesse estimulado a continuar com o trabalho, Victor, amargurado e triste, decidiu partir logo após os funerais de Vanessa Ives. Mas, com sua obsessão em vencer a morte, o solitário médico e cientista pode muito bem usar seus conhecimentos e habilidades cirúrgicas para ressuscitar a amiga recém-falecida.
O Monstro/Criatura de Frankenstein, não atendeu o pedido de sua esposa, Marjorie, de levar Jack, o pequeno filho falecido de ambos, até Victor para que este o ressuscitasse. Entretanto, com a ameaça da esposa de renegá-lo caso não levasse o menino ao laboratório de seu criador, conseguirá o angustiado ser continuar negando o pedido-exigência feito por ela?
Sir Malcolm Murray e Ethan Chandler foram, de longe, os que mais sofreram com a morte de Vanessa Ives. Com a decisão de Ethan de permanecer na Inglaterra, ele e Sir Malcolm podem partir em uma caçada para vingarem-se do vampiro, que fugiu logos após ver o corpo morto de Vanessa nos braços de Chandler.
E o próprio Príncipe das Trevas pode retornar para encontrar uma substituta para Vanessa e aliados em sua luta contra Sir Malcolm e Ethan. Essa substituta pode ser Lily, que, assim como ele, é imortal. Um dos aliados pode ser o sem escrúpulos e igualmente imortal Dorian Gray. Outro possível aliado pode ser, como disse um dos servos de Drácula, o menino-vampiro, "o velho Jack, o Estripador".
Uma grande sacada desta temporada de Penny Dreadful foi o de tornar o Dr. Henry Jekill um amigo de infância de Victor Frankenstein que, anos depois, seria seu colega de faculdade. Também foi uma grande sacada torná-lo um filho mestiço de um nobre inglês, que o despreza, com uma humilde mulher indiana, que o ama, condição essa que o faz sofrer todo o preconceito racial da sociedade britânica do século XIX (algo que, infelizmente, em pleno século XXI, ainda está longe de acabar), mesmo sendo, como seu amigo Victor, um médico e um cientista brilhante. Tudo isso faz crescer uma grande raiva em seu interior. Jekill - que tornou-se Lorde Hyde após herdar os bens e o título de nobreza de seu pai - pode continuar suas experiências sobre raiva e loucura, mesmo sem a ajuda de Frankenstein, com consequências imprevisíveis.
E, finalmente, vem a pergunta que não quer calar: Vanessa Ives, realmente, descansa em paz?
É claro que tudo isso, embora possível, é mera especulação, um exercício de imaginação. Penny Dreadful pode realmente ter acabado definitivamente. Mas, como dizem, sonhar é de graça, e os fãs de Penny Dreadful sonham muito com a volta desse incrível seriado com seus personagens maravilhosos. Quem sabe John Logan não pode dar um jeitinho...
Veja aqui um supertrailer com as três temporadas de Penny Dreadful (original em inglês - HD):
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A escritora inglesa Jane Austen (1775-1817) autora de clássicos tais como Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito - adaptados com sucesso para o cinema e a TV - sempre fez o deleite tanto de leitores como de espectadores. Agora, podemos conferir mais uma adaptação de um livro dela para o cinema chamada Amor & Amizade.
Baseada na obra Lady Susan, uma obra menos conhecida escrita no período da juventude de Jane Austen, Amor & Amizade conta a história de Lady Susan Vernon (a atriz inglesa Kate Beckinsale, de O Aviador), uma nobre decadente, mas inteligente e sem escrúpulos e que tem como seu principal objetivo arrumar dois maridos: um para a sua filha, Frederica (a atriz galesa Morfydd Clark, de Orgulho e Preconceito e Zumbis - veja a crítica aqui), e outro para ela própria. Para isso, terá a ajuda de sua amiga, Alicia Johnson (a estadunidense Chloë Sevigny, da série Amor Imenso). O filme também tem a presença do ator inglês Stephen Fry (de V de Vingança).
Kate Beckinsale conta como foi interpretar Lady Susan em Amor & Amizade:
"De certa forma, ela sente-se confortável com seu próprio charme, com suas habilidades e com o seu próprio poder. Sabe o que quer e faz de tudo para obter o que deseja e há algo de impressionante nisso. Apesar de ser um pouco cruel, ninguém é magoado por ela. No final do filme, percebe-se que ela é apenas obstinada e isso é engraçado".
Filmada em grande parte na Irlanda, esta deliciosa comédia sobre casamento tem uma excelente direção do estadunidense Whit Stillman (de Barcelona, que também é o autor do roteiro e um dos produtores) e, desde a sua premiére no Festival de Sundance deste ano, esta produção independente vem dando lucro, sendo aclamada pela crítica especializada - tendo, até o momento, recebido uma indicação de Melhor Filme no Festival de Rotterdam (Holanda) e uma de Melhor Atriz para Kate Beckinsale no Festival de Seattle (EUA) - e colhendo aplausos entusiasmados do público.
Amor & Amizade tem estreia no Brasil prevista para 27 de outubro. Veja aqui o trailer oficial de Amor & Amizade (original em inglês - HD):
Morreu 28/06/2016, aos 86 anos de
idade, o ator, diretor, músico, nadador e advogado italiano Bud
Spencer, famoso por seus filmes de comédia de pancadaria dentre
os quais os que fez com Terence Hill. Segundo seus familiares
a causa da morte foi pneumonia.
Bud Spencer nasceu com o
nome de Carlo Pedersoli em 31 de outubro de 1929 em Nápoles, Itália.
Aos 18 anos, em 1947, Carlo veio ao Brasil para trabalhar no
consulado da Itália, em Recife, onde ficou até 1949, e
aprendeu a falar português fluentemente (também falava inglês, francês, espanhol e alemão). Foi campeão de natação,
tendo sido o primeiro nadador italiano a nadar os 100 metros em menos
de um minuto e participou pelo seu país dos Jogos Olímpicos
de 1952 (disputados em Helsinque, na Finlândia) e 1956 (Melbourne,
Austrália). Também foi jogador da seleção italiana de polo
aquático. Em 2005, foi homenageado pela
federação italiana de natação por sua contribuição a esse
esporte.
Sua carreira no cinema começou
em 1949, na comédia Quel Fantasma di mio Marito. Além de
filmes na Itália, participou de produções internacionais tais como
Quo Vadis? (1951), Adeus Ás Armas (1957) e Aníbal, o Conquistador
(1959), quando conheceu o ator Mario Girotti, que ficou conhecido
como Terence Hill, e se tornaria seu grande amigo e parceiro em
filmes. A partir daí Carlo começou a usar o nome artístico de Bud
Spencer que, segundo ele, foi uma homenagem à sua marca de
cerveja favorita, Budweiser, e ao ator estadunidense Spencer Tracy
(de Adivinhe Quem Vem Para Jantar?).
Seu primeiro filme com Terence
Hill foi em 1967 em Deus Perdoa… Eu, Não!, um “Western
Spaghetti” (filme de faroeste de produção italiana), gênero
bastante em voga naquela época. O primeiro grande sucesso do duo
Hill-Spencer foi em 1970 com Meu Nome é Trinity, outro
“Western Spaghetti”, mas desta vez uma comédia com cenas de
grandes pancadarias, que se tornaria uma especialidade da dupla.
Os filmes feitos por Bud
Spencer e Terence
Hill eram produções bem
baratas com roteiros muito simples – às vezes simplórios – mas
com um grande apelo popular, possuíam um humor pastelão que parecia uma mistura de O Gordo & O Magro com Os Três Patetas e que rendiam bem. Dentre os filmes
feitos pelos dois destacam-se Trinity
Ainda é Meu Nome
(1971), A Dupla Explosiva
(1974), Dois Tiras Fora
de Ordem (1977), Nós
Jogamos Com Os Hipopótamos
(1979), Quem Encontra Um
Amigo, Encontra Um Tesouro
(1981), Os Dois
Super-Tiras em Miami
(1985) e A
Volta de Trinity(1994,
também
conhecido como Os Encrenqueiros), sendo que este foi o seu último trabalho conjunto e que teve a direção do próprio Hill. Bud e Terence realizaram mais de 20 filmes juntos.
Já
entre seus filmes solo destacam-se Uma
Razão Para Viver, Uma Razão Para Morrer
(1972, no qual dividia os holofotes com os atores estadunidenses
James Coburn
e Telly
Savalas), Os
Anjos Também Comem Feijão
(1973, quando atuou com outro grande astro do cinema italiano,
Giuliano Gemma),
Charleston – O
Super-Vigarista (1977),
Bulldozer
(1978), O Xerife e o
Pequeno Extraterrestre (1979),
Banana Joe
(1982) e Aladin
(1986).
Bud Spencer e
Terence Hill eram
muito populares no Brasil, tanto que, em 1984, eles realizaram um
filme inteiramente em território tupiniquim chamado Eu,
Você, Ele e os Outros
no qual a dupla aparece em… dose dupla! O filme contava a história
de dois pares de irmãos gêmeos que causam a maior confusão. E,
como não poderia deixar de ser, as cenas de pancadaria se fazem
presente.
Nos
seus últimos anos de vida, Bud Spencer dedicou-se
mais a séries e filmes feitos para a televisão. Em 2010, recebeu junto com Terence o prêmio
David di Donatello,
um dos mais importantes do cinema italiano, pelo conjunto de sua
obra. Seu último trabalho foi o curta-metragem de animação Zoe, no
qual dublava um dos personagens, e que ainda estava em processo de
filmagem. Em sua carreira, Bud Spencer realizou um total de 78 filmes.
Além
de ator e esportista, Bud Spencer também era advogado, músico, piloto de avião
e helicóptero (chegou
a ter sua própria companhia aérea)
e criador de patentes. Em 2005, tentou iniciar uma carreira na
política pelo
partido de centro-direita Forza
Italia
(do polêmico empresário e ex-primeiro-ministro Silvio
Berlusconi).
Bud
justificou o motivo dessa decisão:
“Em
minha vida, fiz de tudo. As
únicas três coisas que não fiz foi ser bailarino, jóquei e
político. Como as duas primeiras estão fora de questão, atirei-me
na política”.
Entretanto,
apesar de dedicar-se bastante na campanha, não foi eleito.
Bud Spencer viveu
uma vida plena e, ao partir, estava cercado de sua amada família: a esposa Maria (com quem era casado desde 1960), três filhos, cinco netos e seis bisnetos. Os cinéfilos do
mundo inteiro vão sentir – e muito! - falta daquele grandalhão
(tinha 1,92 m) barbudo, gorducho e bonachão que fez a delícia tanto
das matinês do cinema quanto da televisão. Que ele descanse em paz.
Veja
aqui uma entrevista concedida por Bud Spencer e
Terence Hill no
programa de TV do quarteto cômico brasileiro Os Trapalhões,
em 1984:
Veja
aqui, na íntegra, o filme Eu,
Você, Ele e os Outros (dublado):
O estadunidense Ernest Hemingway foi um dos maiores escritores de seu país em todos os tempos. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954, teve várias de suas obras adaptadas em filmes para o cinema e a TV tais como Adeus Às Armas, Por Quem Os Sinos Dobram e O Velho e O Mar.
Hemingway teve uma vida muito agitada. Esteve na I e II Guerra Mundial, na Guerra Civil Espanhola e, além dos EUA, viveu em Toronto, no Canadá; em Paris, França (onde conheceu os escritores James Joyce, Gertrude Stein e Ezra Pound; além dos artistas plásticos Pablo Picasso, Joan Miró e Juan Gris); e, entre 1939 e 1960, viveu em Cuba. E é sobre este período de sua vida que trata o filme Papa: Hemingway in Cuba.
Papa: Hemingway in Cuba conta a história de um repórter (o estadunidense Giovanni Ribisi, de Avatar) que vai até Cuba para encontrar o escritor e ídolo Ernest Hemingway (o inglês Adrian Sparks, de Sobrenatural: A Origem), que vive na ilha caribenha com sua esposa, Mary (a inglesa Joely Richardson, de Maggie: A Transformação) no período que antecede a Revolução Comunista liderada por Fidel Castro e logo após do triunfo de movimento.
Este é o segundo filme dirigido pelo produtor iraniano naturalizado estadunidense, Bob Yari (de Crash: No Limite), que disse sobre Papa: Hemingway in Cuba:
“O filme conta a histórica verídica de um jovem repórter amigo de Mary e Ernest Hemingway que convive com o escritor e que se torna quase como um filho, nos últimos dois anos em que Hemingway viveu em Cuba. Através do olhar desse jovem repórter, podemos ver um lado privado e pessoal do escritor que ele não deixava que o público conhecesse”.
Papa: Hemingway in Cuba é uma co-produção entre EUA e Canadá e a primeira produção hollywoodiana feita na Ilha Comunista desde 1959. As filmagens da película ocorreram entre 2013 e 2014, antes mesmo do presidente dos EUA, Barak Obama, e de Cuba, Raúl Castro, anunciarem oficialmente a retomada das relações diplomáticas entre as duas nações.
Durante o período de produção e filmagem, Yari viu de perto a indústria cinematográfica cubana e sua atual infraestrutura, sobre as quais, aliás, Panorama do Cinema já havia chamado a atenção do público leitor em sua Dica de Leitura (veja aqui):
“A falta de infraestruturas e de equipamentos foi um grande desafio. Um dos aspetos interessantes foi perceber que a ética de trabalho dos cubanos é diferente da dos norte-americanos. Nas nossas produções trabalha-se entre 14 e 16 horas por dia. Os técnicos cubanos são pessoas talentosas e apaixonadas pelo cinema mas estão habituados a trabalhar de forma mais lenta”, contou o diretor e produtor.
Como não poderia deixar de ser em se tratando de dois assuntos tão polêmicos - Cuba e Hemingway - a recepção a Papa: Hemingway in Cuba dividiu as opiniões: a crítica especializada estadunidense não recebeu bem o filme, mas o público, em geral, gostou. E, além disso, essa produção conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Key West, na Flórida, EUA (um dos locais no qual Hemingway morou), em 2015, e no Festival de Sonoma, na Califórnia, também nos EUA, neste ano.
Papa: Hemingway in Cuba teve seu lançamento oficial em 19/11/2015 no Festival de Key West, e, cerca de um mês depois, no Festival de Havana, Cuba. Seu lançamento comercial foi em 29 de abril deste ano, nos EUA. Ainda não há uma data prevista para o seu lançamento no Brasil.
Veja aqui o trailer oficial de Papa: Hemingway in Cuba (original em inglês - HD):
Se há alguém que é um verdadeiro ícone tanto na música quanto no cinema, esse alguém é o cantor e ator estadunidense Kris Kristofferson.
Nascido em 1936, em Browsville, no estado do Texas, EUA, filho de um militar, Kris Kristofferson também serviu o exército logo após graduar-se em Litertura Inglesa no Pomona College. Porém, a paixão pela música falou mais alto e ele mudou-se para Nashville, considerada a capital estadunidense da música country, onde iniciou sua carreira. Ao longo dos anos Kris já cantou e compôs com os maiores nomes desse estilo musical.
Sua estreia no cinema foi em 1971 com o drama O Último Filme, dirigido e estrelado por Dennis Hopper (Sem Destino). A partir daí, Kris não parou mais, tendo atuado em grandes sucessos como Nasce Uma Estrela (pelo qual conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia e/ou Musical), Pat Garret e Billy The Kid e Comboio. A geração mais nova o conhece pelo papel de Abraham Whistler nos filmes da franquia Blade. Kris já atuou até o momento em 113 filmes para o cinema e a televisão e fez a trilha sonora de 119! Em 2014, conquistou um prêmio Grammy - considerado o Oscar da música - pelo conjunto de sua obra.
Em 2016, comemorando 80 anos de idade, Kris Kristofferson retorna à tela grande em um novo filme, no gênero em que mais atuou: o faroeste. Trata-se de Traded (ainda sem título em português).
Dirigido pelo ator e diretor Timothy Woodward Jr. (As 7 Faces de Jack, o Estripador), Traded conta a história de um cowboy (Michael Paré, de Ruas de Fogo) que abandona o seu rancho para resgatar sua filha que foi raptada por um antigo inimigo. Kris Kristofferson atua no papel do barman do saloon da cidade.
"Sempre gostei de atuar em faroestes porque ando a cavalo desde pequeno. Gostei do roteiro do filme. Foi divertido", conta Kris.
Desde a sua estreia em 10 de junho último, nos EUA, Traded recebeu boas críticas. Como todo filme de faroeste que se preze, tem muitos tiros, muitas brigas, mulheres bonitas e uma perseguição em uma locomotiva em movimento. A diversão é garantida para todos.
Ainda não há uma data prevista para a estreia do filme no Brasil.
Veja aqui o trailer oficial de Traded (original em inglês - HD):
E,em homenagem aos 80 anos de Kris Kristofferson, veja aqui o vídeo clip de um de seus grandes sucessos musicais, This Old Road:
O polêmico e genial diretor e documentarista vencedor do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o estadunidense Michael Moore (Capitalismo, Uma História de Amor), esteve recentemente em Londres, Inglaterra, para o lançamento de seu mais recente filme, Quem Vamos Invadir Agora?, que, recentemente, ganhou o Prêmio do Público de Melhor documentário no Festival Internacional de Cinema de Chicago (EUA).
Quem Vamos Invadir Agora? fala da política de invasões dos EUA a vários países nos últimos anos e, por meio de uma comparação com oito países europeus e um árabe, vê os aspectos positivos de cada cultura que poderiam melhorar o estilo de vida do povo estadunidense:
“Os EUA têm sido uma força invasora nos últimos quinze anos ou mais. Porque não invadir países, de forma não violenta, para aprender algo lá fora e aplicá-lo em casa? É essa a explicação para o título do filme”, disse o cineasta durante a coletiva de imprensa.
Moore, que apoiou publicamente o candidato socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, para a presidência dos EUA (veja aqui), não perdeu a oportunidade para falar sobre o candidato do Partido Republicano, o magnata Donald Trump:
“Penso que ele é exímio na utilização dos meios de comunicação e estes por seu lado não param de lhe dar atenção. Ele não é tão estúpido como parece. Devemos levá-lo a sério. A manipulação que está a acontecer e a utilização da propaganda é excelente no sentido em que ele é que sai a se beneficiar”.
Michael Moore é a favor da permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) e apelou aos britânicos para votarem pelo "sim" no referendo a ser realizado em 23 de junho próximo:
“Qual é a justificação para deixar a União Europeia? Os britânicos salvaram a Europa. A UE existe em larga medida por causa das pessoas que se sacrificaram e sofreram nos anos 30 e 40 para salvar a Europa. Porque razão deveriam abandoná-la?”, questionou.
Após ser exibido em vários festivais de cinema (Incluindo os Festivais de Berlim e Toronto), Quem Vamos Invadir Agora? teve seu lançamento comercial em 12 de fevereiro último, no EUA. No Brasil, ainda não há uma data definida para a estreia do filme.
Veja o trailer oficial de Quem Vamos Invadir Agora? (legendado em Português Europeu):
O Festival de Cannes - considerado o maior e mais importante festival de cinema do mundo - já terminou e teve como grande vencedor o filme I, Daniel Blake, que conta a história de um carpinteiro de 59 anos que, durante um exame médico de rotina, recebe o diagnóstico de um problema cardíaco e é aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar. Entretanto, a seguridade social ameaça-o com sanções financeiras caso não consiga um emprego.
I, Daniel Blake tem a direção do britânico Ken Loach (de Kes), de 80 anos de idade, que já havia conquistado a Palma de Ouro anteriormente com o filme Ventos da Liberdade, em 2006. Definido pela crítica internacional como "um belo filme político", I, Daniel Blake segue a linha dos filmes anteriores de Loach, os quais criticam a miséria na Grã-Bretanha, as patologias sociais e familiares, a destruição das políticas públicas de bem-estar social, momentos sombrios da história britânica, conflitos sociais e a luta pelos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes, tudo visto pela sua ótica marxista.
Na entrevista coletiva dada logo após a entrega do prêmio, Ken Loach não perdeu a oportunidade de criticar a atual política neoliberal de austeridade da União Europeia (UE) regida pela chamada "Troika" (grupo formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o famigerado FMI) que gerou a atual crise financeira e social pela qual o continente passa - que é também conhecida como Eurocrise:
"Vivemos um momento perigoso na Europa. A austeridade e as políticas neoliberais conduzem as pessoas ao desespero. Milhões de pessoas na Grécia, em Portugal ou na Espanha sofrem e vivem grandes dificuldades enquanto uma pequena elite no topo é extremamente rica. Não podemos continuar assim porque há uma grande desespero na base".
E acrescentou uma crítica ao sistema de seguridade social em vigor atualmente, principalmente no Reino Unido:
"Há uma crueldade consciente na maneira como [o sistema de seguridade social] organiza a nossa vida agora. Dizem às pessoas mais vulneráveis que a pobreza é culpa delas. Se você não tem um emprego, é sua culpa por não estar a trabalhar".
Embora o Festival de Cannes tenha terminado há mais de 20 dias, as palavras de Ken Loach continuam repercutindo com muita força - inclusive aqui no Brasil que, atualmente, tem uma situação bastante semelhante à UE - e, ao que tudo indica, ainda vão repercutir por um bom tempo.
Veja o vídeo da reportagem da rede de TV France 24 com cenas da entrevista coletiva de Ken Loach no Festival de Cannes 2016 e também cenas do filme I, Daniel Blake (original em inglês - HD):
Veja aqui o teaser trailer do filme I, Daniel Blake (original em inglês com legendas em francês- HD):
Foi com uma imensa tristeza que o mundo recebeu a notícia da morte por problemas respiratórios do boxeador estadunidense Muhammad Ali, considerado por muitos especialistas e fãs de boxe como o maior pugilista de todos os tempos.
Nascido em 17 de janeiro de 1942 na cidade de Louisville, estado de Kentucky, nos EUA, com nome de Cassius Marcellus Clay Jr., Ali começou a lutar desde cedo e, em 1960, com apenas 18 anos de idade, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma. Em 1964 sagrou-se campeão mundial dos pesos-pesados pela primeira vez ao derrotar Sonny Liston e, logo em seguida, anunciou publicamente sua conversão ao Islamismo (por influência do líder negro Malcolm X) e a mudança de seu nome para Muhammad Ali.
Ali recusou-se a servir o exército estadunidense durante a Guerra do Vietnã e, em 1967, foi proibido de lutar. Em protesto, o pugilista atirou sua medalha de ouro no rio. Voltou a lutar somente em 1970, quando recuperou seu título, mas, em seguida, o perdeu para o pugilista Joe Frazier naquela que foi chamada "A Luta do Século".
Após vencer a revanche contra Frazier, lutou contra Ken Norton e foi novamente derrotado, mas, assim como ocorreu contra Frazier, também venceu a revanche contra Norton que, um pouco antes havia perdido seu título para o fenômeno George Foreman. A luta pelo título entre Ali e Foreman realizada em 1974, no Zaire (atual República Democrática do Congo), na qual Ali conquistou pela segunda vez o título mundial entrou para a história tanto do boxe quanto do esporte mundial.
Em 1978, o boxeador Leon Spinks tirou o cinturão de campeão de Ali. Nesse mesmo ano, em nova revanche, Ali derrotou Spinks e conquistou o título mundial pela terceira vez. Muhammad Ali encerrou sua carrira profissional em 1981 com um cartel de 61 lutas, sendo 56 vitórias (37 por nocaute) e apenas 5 derrotas.
Ali foi o primeiro esportista a fazer largo uso de marketing pessoal, uma novidade na época. Frases como "voar como uma borboleta e picar como uma abelha" e "Eu sou o lutador mais forte e mais bonito" e, principalmente, "Eu sou o maior" foram usadas para autopromoção e lhe renderam tantos admiradores quanto críticos. Ali sempre usou a polêmica a seu favor.
Antes mesmo de se tornar campeão mundial, Ali já chamava a atenção de Hollywood e convites para o cinema logo vieram. Em 1962, participou do filme Réquiem Para Um Lutador, dirigido por Ralph Nelson (de Charly) e com roteiro de Rod Serling (seriado Além da Imaginação), no qual atuou junto com Anthony Quinn (Zorba, o Grego), Jackie Gleason (Desafio à Corrupção) e Mickey Rooney (O Corcel Negro). Neste filme ainda usava o nome de Cassius Clay.
Poster do filme The Greatest (1977)
Em 1977, Ali atuou no filme The Greatest, película autobiográfica com roteiro de sua própria autoria que retrata sua vida desde o início de sua carreira até a luta contra Foreman, dirigido a quatro mãos por Tom Gries (100 Rifles) e Monte Hellman (Caminho Para o Nada) e que tinha em seu elenco nomes como Ernest Borgnine (Marty), Robert Duvall (saga O Poderoso Chefão), Ben Johnson (Louca Escapada), James Earl Jones (A Grande Esperança Branca) e Paul Winfield (Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan). A canção-tema do filme, The Greatest Love of All, seria regravada anos depois pela cantora Whitney Houston com grande sucesso. A crítica recebeu o filme friamente, mas o fãs de Ali garantiram a bilheteria.
Na televisão, Ali teve participação em séries como Vegas e O Toque de Um Anjo. Em 1977, teve sua própria série de desenho animado chamado I Am The Greatest: The Adventures of Muhammad Ali com 13 episódios feitos. No Brasil, o desenho foi exibido pela Rede Globo e chamou-se apenas Muhammad Ali.
Em 1979, atuou na minissérie Road to Freedom, dirigida pelo húngaro Ján Kádar (A Pequena Loja da Rua Principal) e baseada no livro do escritor Howard Fast, na qual interpretou o papel de Gideon Jackson, um ex-escravo que lutou na Guerra Civil Americana e que se tornou senador apesar da oposição de latifundiários e do odioso grupo racista Ku-Klux Klan. No elenco, destacavam-se os nomes do ator, cantor e ativista Kris Kristorffeson (franquia Blade) e da atriz Gracie Zabriskie (série Twin Peaks).
Muhammad Ali também estrelou os elogiados documentários Um Fenômeno Chamado Cassius Clay (1970), feito durante o exílio do campeão no período em que estava proibido de lutar; Facing Ali (2009), um curioso documentário sobre dez adversários de Ali (incluindo Frazier, Foreman, Norton e Spinks); When Ali Came to Ireland (2012), que conta a primeira vez em que Ali esteve na Irlanda quando lutou contra o pugilista estadunidense Alvin Lewis; The Trials of Muhammad Ali (2013), que retrata o período da conversão de Ali ao Islamismo e a sua recusa em lutar na Guerra do Vietnã; Eu Sou Ali: A História de Muhammad Ali (2014), que conta a história d' "O Maior" com imagens inéditas de seu acervo pessoal.
Poster do filme Quando Éramos Reis (1996)
De todos os documentários o que mais se destaca, sem dúvida, é Quando Éramos Reis, que fala da histórica e legendária luta de Muhammad Ali contra George Foreman no Zaire e que conquistou o Oscar de Melhor Documentário, em 1996 e o prêmio de Melhor Direção do Festival de Sundance (dedicado ao cinema independente) nesse mesmo ano.
Dentre os atores que interpretaram Muhammad Ali no cinema, o grande destaque é para Will Smith (Homens de Preto), que interpretou o campeão no filme Ali (2001), dirigido por Michael Mann (Miami Vice). Por sua atuação, Smith foi indicado ao Oscar de Melhor Ator.
Para 2016, está previsto o lançamento de mais um filme sobre um episódio da vida de Muhammad Ali: The Bleeder (ainda sem título em português), que conta a vida do boxeador Chuck Wepner (interpretado pelo ator estadunidense Liev Schreiber, de Spotlight - Segredos Revelados) que, em 1975, desafiou Ali pela disputa do título mundial. A direção é do canadense Philippe Falardeau (Uma Boa Mentira) e o papel de Muhammad Ali será interpretado pelo ator e rapper Pooch Hall (da série The Game).
Entre as outras formas de mídia e cultura popular que Ali participou estão livros (que inclui sua autobiografia The Greatest: My Own Story, de 2015), músicas (com destaque para a canção The Black Superman (Muhammad Ali), de Johnny Wakelin), video games e histórias em quadrinhos, em que se destaca Superman vs Muhammad Ali (1978), na qual "O Maior" faz o Homem de Aço beijar a lona!
Para a geração atual deve ser um pouco difícil entender a importância de uma personalidade como Muhammad Ali, visto que seus membros nasceram já depois do campeão ter encerrado sua carreira. Apesar da fama de arrogante, Ali não lutou somente contra seus adversários no ringue, mas também contra o racismo, a intolerância religiosa, a guerra, a violência, a hipocrisia da sociedade, a pobreza e, nos últimos anos de sua vida, contra a doença do Mal Parkinson. Tanto nas vitórias quanto na derrotas sempre permaneceu em pé, sem nunca perder sua dignidade e seu orgulho.
Muhammad Ali podia ser um fanfarrão, mas em uma coisa estava certo: nunca houve um lutador - tanto no boxe como na vida - igual a ele. E, provavelmente, nunca mais haverá. Que Alá receba Seu filho Muhammad Ali em Seus braços.
Veja aqui o trailer oficial do filme The Greatest (original em inglês):
Veja aqui um episódio do desenho animado I Am The Greatest: The Adventures of Muhammad Ali (original em inglês):
Veja aqui o trailer oficial do documentário Quando Éramos Reis (original em inglês):
Panorama do Cinema
vem com mais uma novidade: trata-se da nossa Dica de Leitura, na qual indicamos livros, revistas ou artigos
sobre cinema. E a nossa primeira dica vai para a autobiografia do saudoso ator Leonard Nimoy (1931-2015), da saga Jornada nas Estrelas/Star Trek(que, em 2016, completa seu 50º aniversário) na qual
ele fazia questão de afirmar: Eu Sou
Spock.
Após
o fim da série clássica de Jornada nas
Estrelas em 1969, Nimoy continuou trabalhando em outros filmes e séries
(com destaque para Missão: Impossível),
além do teatro, e foi durante esse período que a série clássica começou a ser
reprisada nas redes de TVs estadunidenses tornando-se o fenômeno que todos
conhecem.
Ao
contrário do que muitos Trekkies (fãs de Jornada
nas Estrelas/Star Trek) pensam, Eu
Sou Spock não foi o primeiro livro de memórias do ator. Em 1975, Leonard Nimoy lançou sua primeira
autobiografia que se chamava... Eu Não
Sou Spock. O livro, além das memórias em si, trazia divertidos diálogos
entre “criador” e “criatura”, e Leonard
Nimoy ainda se dava ao luxo de fazer um jogo de palavras:
“Eu não sou Spock.
Então por que viro a
cabeça na rua quando alguém me chama por esse nome? Por que fico perturbado
quando alguém pergunta: ‘O que aconteceu com suas orelhas?’
Eu não sou Spock.
Então por que sinto uma
sensação maravilhosa quando ouço ou leio um elogio em relação ao vulcano?
SPOCK PARA PRESIDENTE é
a inscrição de um adesivo colado no carro que vejo à minha frente. Fico inchado
de orgulho e sorrio. Eu não sou Spock.
Mas se eu não sou, quem
é? E se não sou Spock, então quem sou eu?”.
Legal,
não é? Porém, aconteceu algo inusitado: pessoas que leram o livro apenas por
cima – ou simplesmente não leram – começaram a dizer que o ator rejeitava o
personagem que interpretava. Como pudemos ver acima, isso não era verdade. Leonard Nimoy chegou a se arrepender e
a dizer que foi uma besteira escrever o livro. Somente 20 anos depois, teve
coragem de tentar novamente, e a espera valeu a pena.
Lançado
em 1995, Eu Sou Spock começa contando
a história de Leonard Nimoy durante
a sua infância pobre durante o período da Grande Depressão Econômica ocorrida
nos EUA naquela época (bastante semelhante à crise que o Brasil vive
atualmente). Porém, como o autor já havia se referido a esse período em seu
primeiro livro, sabiamente não se estendeu muito sobre esse assunto. Após falar
também de modo breve sobre sua estreia no cinema no modesto filme Kid Monk Baroni (1952) e de outros
trabalhos no cinema e na TV, Nimoy vai direto ao assunto pelo qual todos
esperam: a série clássica da TV Jornada
nas Estrelas.
Com
uma simplicidade maravilhosa, Nimoy leva ao leitor para dentro do universo
interior de Jornada nas Estrelas: a
origem do seriado; como Spock foi criado, o que inclui as orelhas pontudas, a
famosa saudação de Spock - que foi inspirada em um ritual judaico – e outras “vulcanices”.
E como não poderia deixar de ser, Nimoy fala de sua amizade com o elenco da
série, dentre eles com Deforest Kelley (“um cavalheiro gentil”) e, principalmente,
William Shatner (“o mais infame piadista do mundo”).
Sempre
mantendo o interesse do leitor, Nimoy fala de sua carreira após o fim da série
clássica que, direta ou indiretamente, estava sempre ligada a Spock. Assim como
no primeiro livro, “criador” e “criatura” também dialogam neste de uma forma
muito divertida.
Nimoy
também fala também de modo simples e cativante dos filmes de Jornada nas Estrelas para o cinema (só
não inclui os filmes do reboot da saga feitos pelo diretor J.J. Abrams visto que estes apareceram bem depois do lançamento do livro)
e dos outros filmes que dirigiu, dentre estes o sucesso Três Solteirões e um Bebê e o polêmico O Preço da Paixão.
Talvez
a única parte da qual o leitor não venha a gostar muito seja da viagem que
Leonard Nimoy fez à Ucrânia para conhecer os seus parentes de lá. Mesmo o mais
fanático Trekkie boceja nessa parte.
Em
resumo, Eu Sou Spock é uma leitura
ótima e muito agradável indicada tanto para os fãs de Jornada nas Estrelas, de Leonard
Nimoy e de cinema, quanto para o público em geral.
Eu Sou Spock foi
lançado no Brasil em 1997 pela Editora Mercuryo e, infelizmente, encontra-se
esgotado. Mas, ainda é possível encontrá-lo em sebos. Como o preço pode variar
de um sebo a outro, é recomendado fazer uma boa pesquisa antes de comprar.
FICHA TÉCNICA
·Título:
Eu Sou Spock
·Autor:
Nimoy, Leonard
·Assunto:
Biografia
·Idioma:
Português
·Ano:
1997
·Editora:
Mercuryo
·Edição:
1
·Nº
de páginas: 288
·Status:
esgotado
·Preço:
variável (sebos)
COTAÇÃO
Ótimo.
Veja
aqui o trailer oficial do filme Jornada
nas Estrelas IV: A Volta Para Casa, dirigido e estrelado por Leonard Nimoy (original em inglês -
HD):