Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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domingo, 12 de julho de 2026

Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo de 2026


A Copa do Mundo de 2026 está em seus momentos decisivos. E durante a competição, a internet esteve a todo vapor nas redes sociais com a criação de Animes (desenhos animados no estilo japonês) vídeos de Inteligência Artificial (IA) divertidos e muito criativos tendo como personagens principais os grandes craques do Campeonato Mundial.

Panorama do Cinema fez uma seleção de alguns desses (muitos) Animes e vídeos de IA com seus respectivos temas. Divirtam-se e bola pra frente!

Noruega x Inglaterra. Haaland x Kane

Noruega x Inglaterra foi dos jogos mais aguardados da fase de oitavas-de finais da Copa do Mundo, principalmente pelas circunstâncias que o cercam. O English Team veio de um jogo tenso e dramático no qual venceu o México, um dos anfitriões (os outros eram Canadá e EUA, que também ficaram pelo caminho), em pleno Estádio Asteca por 3x2 com um gol de seu principal jogador, Harry Kane. Já os Vikings chegaram lá após uma convincente vitória sobre o Brasil por 2x1, com dois gols e um show de seu artilheiro Erling Haaland e que ainda teve um papelão do jogador brasileiro NeyMALA, ops, quer dizer Neymar.
Os vídeos remetem à história antiga. No século VIII d.C., os Vikings iniciaram uma onda de invasões e saques contra a Inglaterra que teve como seu primeiro alvo o mosteiro de Lindisfarne, no verão do ano 793. A rapidez e a violência dessa pilhagem chocaram toda a Europa. A partir daí, sempre que o verão começava, era comum ouvir a população inglesa fazer a seguinte oração "Livrai-nos, Senhor, da fúria dos homens do norte". No século seguinte começou a conquista do território britânico, onde os Vikings ficaram até o ano de 1066 quando foram, finalmente, derrotados.
O primeiro vídeo mostra Haaland e demais jogadores noruegueses como poderosos guerreiros vikings (reparem em um dos saques que Haaland faz questão de mostrar) em seus barcos soltando gritos de guerra, preparando-se para atacar, enquanto Kane e seus companheiros são mostrados como grande cavaleiros ingleses prontos para a batalha.
Já o segundo vídeo mostra o combate direto entre Kane e Haaland, que acabou por mostrar-se um dos embates mais aguardados da Copa do Mundo: a máquina de fazer gols norueguesa contra o grande artilheiro inglês (que, apenas para lembrar, foi o maior goleador da Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia).

Não é de arrepiar?

Veja os vídeos (original em inglês com legendas embutidas. Basta acessar):





O goleiro Vozinha, o orgulho de Cabo Verde


Cabo Verde é um pequeno país insular do Oceano Atlântico próximo da África Ocidental. Antiga colônia de Portugal, tornou-se independente em 1975. Muitos caboverdianos vivem nos EUA, para onde foram tentar a sorte e, sempre que podem, enviam dinheiro para suas famílias, o que também ajuda a economia do país.
No futebol, o palmarés da seleção de Cabo Verde é modesto: uma conquista da Taça Amílcar Cabral (antiga competição disputada entre nações da África Ocidental), em 2000, e a medalha de ouro dos Jogos da Lusofonia, em 2009.  
Porém, a situação começou a mudar em 2024. Sob o comando do técnico Bubista, os Tubarões Azuis (como a seleção é conhecida) chegaram, pela primeira vez às quartas-de-finais da Copa Africana de Nações, quando enfrentou a África do Sul, perdendo apenas na disputa por pênaltis.
Em 2026, veio o grande sonho: pela primeira vez Cabo Verde disputava a Copa do Mundo de Futebol. Os africanos estavam no grupo H junto com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Dois campeões mundiais e favoritos ao título e uma equipe com mais tradição na competição. As análises da imprensa esportiva eram, praticamente, unânimes: Cabo Verde seria o "saco de pancadas" do grupo. 
Porém, não foi o que aconteceu. Cabo Verde surpreendeu o mundo ao empatar seus três jogos, ficar em segundo lugar no grupo e desclassificar uruguaios e árabes. 
Um dos responsáveis por esses resultados foi o veterano (40 anos de idade) goleiro Vozinha que, com defesas espetaculares, ajudou sua seleção a seguir em frente no Campeonato Mundial. Vozinha tem esse apelido por ter sido criado pelos avós e também pelo fato que, como não havia meninos de sua idade na região onde morava e era obrigado a jogar contra garotos mais velhos e quando perdia, ia se queixar com os avós, daí o apelido que, com o tempo se acostumou e adotou.
Na fase de dezesseis-avos-de-finais, Cabo Verde teve à frente a então campeã do mundo, a seleção da Argentina, que contava com ninguém menos que o magnífico Lionel Messi. E foi o gênio argentino quem marcou o gol que abriu o placar dando a impressão que sua equipe venceria sem dificuldades. 
Porém, Cabo Verde voltou a surpreender empatando a partida. A Argentina fez 2x1, mas Cabo Verde empatou de novo, levando o jogo para a prorrogação. Mas, a infelicidade de um gol contra acabou por dar a vitória ao time platino por 3x2, mas foi por pouco que os caboverdianos quase empataram de novo, o que levaria a uma disputa de pênaltis, onde a estrela de Vozinha poderia brilhar de novo.
O anime - intitulado A Última Defesa -  mostra Vozinha (com um uniforme no estilo Dragon Ball Z) em lágrimas após o jogo quando aparece o espírito de sua saudosa e amada avó para consolá-lo. É difícil não chegar às lágrimas também.

Parabéns, Vozinha! Parabéns, Cabo Verde!

Veja o vídeo (dublado e legendado em português):



O adeus de Cristiano Ronaldo


Ao longo da história pouquíssimos futebolistas foram tão espetaculares quanto o português Cristiano Ronaldo. Campeoníssimo, além dos muitos títulos em clubes, levou a seleção de Portugal a conquistas inéditas tais como a Liga das Nações da UEFA e, principalmente, a Eurocopa. Quebrador sistemático de recordes, é o maior artilheiro da história do futebol em jogos oficiais. Até o momento em que este texto foi escrito, tinha 976 tentos marcados e pretende chegar aos 1000 gols e tudo leva crer que vai conseguir e antes do que muita gente pensa. É o jogador com mais jogos disputados e mais gols marcados por seleções. Maior artilheiro da Eurocopa, também é o único jogador a marcar gols em seis Copas do Mundo diferentes (2006. 2010, 2014, 2018, 2022, 2026). Conquistou por cinco vezes a Liga do Campeões da UEFA e também é o jogador com mais partidas disputadas e mais gols marcados na competição, além de ser o maior artilheiro em uma única edição quando marcou 17 gols na temporada 2013-2014. Vence o troféu Bola de Ouro e foi escolhido melhor jogador do mundo pela FIFA também por cinco vezes (superado somente por Messi). Além de tudo isso, é o jogador português que mais marcou em Copas do Mundo, com 11 gols feitos, superando o legendário Eusébio (que marcou 9).
Está bom ou quer mais?
Para CR7 (sigla feita com as iniciais de seu nome com o número de sua camisa) o único título que falta em sua vitoriosa carreira é o da Copa do Mundo. Chegou perto em 2006, quando a Seleção de Portugal terminou em 4º lugar, o seu segundo melhor resultado na competição (o melhor foi o 3º lugar na Copa do Mundo de 1966). A equipe era então dirigida pelo técnico brasileiro Luís Felipe Scolari, campeão mundial quatro anos antes com o Brasil.
Em 2026, CR7 tinha a esperança de realizar seu sonho. Entretanto, Portugal fez uma campanha irregular na fase de grupo, com dois empates e uma vitória. Na fase de dezesseis-avos-de-finais, a boa vitória sobre a Croácia reacendeu as esperanças lusas. Na fase seguinte, as oitavas-de-finais, o adversário era a arquirrival Espanha. Quando todos achavam que o jogo iria para a prorrogação, os espanhóis marcaram no final e os portugueses encerraram sua participação na Copa.
A imagem de Cristiano Ronaldo em lágrimas percorreu o mundo e milhões de torcedores juntaram-se a ele em sua dor. 
O megacraque confirmou ao público que a Copa do Mundo de 2026 foi a sua última, mas que ainda continuaria sua carreira em clubes. 
Para se ter do prestígio e importância de CR7 para esse Campeonato Mundial, o preço dos ingressos caiu simplesmente pela metade após a sua partida.
Outros grandes jogadores como o croata Luka Modric e o egípcio Mohamed Salah e até o brasileiro NeyMALA, ops, isto é, Neymar, também encerram sua carreira em copas, mas nada se compara com o adeus de Cristiano Ronaldo.
E a internet mostrou todo esse impacto em animes, vídeos de IA, desenhos entre outras produções audiovisuais. 
Cristiano Ronaldo pode não ter vencido a Copa do Mundo, mas seu legado é uma inspiração para os jogadores de hoje e dos que ainda virão. Ele jamais será esquecido. Jamais.

Obrigado, CR7, pelos grandes, fantásticos e maravilhosos gols e momentos que proporcionou a pessoas de todo o mundo! 

O primeiro e comovente vídeo, chamado O Último Guerreiro, mostra CR7 como um cavaleiro medieval desolado após uma árdua luta. Um companheiro (aqui representado pelo técnico luso José Mourinho) pergunta para onde ele vai. Cristiano diz que vai embora e que não há mais nada pelo que lutar. Mourinho diz que ele lutou o suficiente e lembra-o  que sua vida é cheia de vitórias. Cristiano concorda, mas diz que não venceu a luta mais importante. Mourinho responde que ele sempre será lembrado e enfatiza que jamais será esquecido. Ele entrega a CR7 uma pequena bandeira de Portugal, que agradece, se despede e finalmente parte. 

Veja o vídeo O Último Guerreiro (falado e legendado em inglês):



Neste vídeo, um bebê chorando diz (em tradução livre): "Tenho saudades do meu herói do futebol". Seus pais aparecem, dizem que está tudo bem e que "Seu herói sempre irá nos inspirar". 



Futebol como famosas séries de TV

Séries de TV como Game of Thrones, Casa de Papel, Peak Blinders, The Boys, entre outras são um grande sucesso e serviram de inspiração para este divertido vídeo no qual os astros da Copa do Mundo dão suas versões dessas séries.



E o Brasil nessa história toda?

Vamos ser francos, sinceros e honestos. O Brasil nunca esteve bem nessa Copa do Mundo. Embora tenha terminado em primeiro lugar no seu grupo, a seleção não jogava um futebol que empolgava. Dava mais atenção ao popstar da equipe, NeyMALA, ops, isto é, Neymar, do que para a equipe em si.
NeyMALA, ops, isto é, Neymar, por sua vez, estava mais interessado em ir a uma churrascaria em Nova York, aos cassinos de Las Vegas jogar pôquer (sua paixão) e a ostentar um relógio que comprou ao custo de U$ 1 milhão (pouco mais de R$ 5 milhões no câmbio atual).
O fatídico jogo contra a Noruega colocou o Brasil em seu devido lugar. Além da derrota, tivemos que testemunhar o papelão do NeyMALA, ops, isto é, Neymar, agredindo Martin Odegaard (considerado o melhor jogador da partida ao lado de Haaland) e provocando o goleiro Orjan Nyland. Embora tenha marcado o gol, toda essa encenação mostrou-se inútil para o time e tinha um único objetivo: fazer com que o NeyMALA, ops, isto é, o Neymar, tivesse seu momento na Copa. E, de fato, teve, mas a que preço?
E a internet, como todos sabem, não perdoou essa atitude do jogador como mostra o anime a seguir com inspiração na série Dragon Ball Z.

Haaland acaba com o Brasil (falado em japonês e com legendas em inglês e japonês):



Publicado no LinkedIn em 12/07/2026

 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Série Especial | Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar 2 - Boleiros: Era Uma Vez o Futebol (Brasil - 1998)

            


    Um grupo de amigos (composta por Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Rogério Cardoso, João Acaibe, Oswaldo Campozana, e César Negro) – quase todos ex-futebolistas – se reúne regularmente em um bar para beber umas cervejinhas e fazer aquilo que mais gostam: contarem, uns para os outros, histórias de futebol.

O diretor Ugo Giorgetti (de Sábado) se utilizou desse hábito muito comum em países – particularmente o Brasil - onde o futebol é um esporte popular para realizar esta produção e acertou na mosca, pois o filme é bastante divertido. Todo o mundo do futebol é mostrado: do juiz ladrão (Otávio Augusto, hilário), passando pelo pai-de-santo (André Abujamra, igualmente hilário) para curar lesões, a “Maria Chuteira” (Marisa Orth, sexy) sempre a correr atrás de jogadores, até os programas de mesa redonda nos quais os jornalistas (Claudio Curi e Serginho Leite) querem aparecer mais que os craques convidados.
Embora tenha sido considerado “paulista demais” (principalmente pelos cariocas) ao retratar equipes de São Paulo, Boleiros conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de D’Amiens (França) e o prêmio de Melhor Roteiro da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). O filme teve uma sequência em 2006 chamada Boleiros 2: Vencedores e Vencidos.


Veja aqui o trailer de Boleiros: Era Uma Vez o Futebol (original em português):


quarta-feira, 28 de julho de 2021

Filmes para ver durante os Jogos Olímpicos


Os Jogos Olímpicos surgiram na Antiga Grécia por volta do ano 776 a.C. na cidade de Olímpia. Os jogos eram realizados a cada quatro anos, duravam cinco dias durante os quais eram disputadas provas como corridas e lutas e eram realizados em honra de Zeus, o maior dos deuses gregos. 

Os Jogos Olímpicos continuaram a serem disputados mesmo depois da conquista da Grécia pelo Império Romano. Duraram até o ano de 393 d.C. quando o imperador romano Teodósio I, convertido ao Cristianismo, proibiu a sua realização por considerá-los uma manifestação do paganismo.

O interesse pelos Jogos Olímpicos voltaria somente no século XIX de nossa era quando um jovem aristocrata francês que também era pedagogo e historiador, viu que o interesse pelos Jogos Olímpicos aumentava à medida que eram encontradas mais ruínas arqueológicas na Grécia. 

Em um congresso realizado em Paris em 1894, o jovem propôs que se organizasse uma competição multidesportiva nos moldes dos antigos Jogos Olímpicos a serem realizadas a cada quatro anos em um país diferente. A proposta foi aceita e o local escolhido para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna foi o local de seu nascimento, a Grécia, no ano de 1896.

O aristocrata responsável pelo renascimento dos Jogos Olímpicos chamava-se Pierre de Frédy, mais conhecido pelo seu título de nobreza com o qual entrou para a história: Barão de Coubertin (1863-1937).

Panorama do Cinema fez, para esta época de Olimpíadas, uma seleção de filmes sobre os Jogos Olímpicos que, esperamos, acenda a chama do espírito olímpico dentro de todos nós. E como diz a famosa frase:

"O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade"


Olympia (1938)


De todos os filmes de nossa lista Olympia é, disparado, o mais polêmico. E não é para menos, pois trata-se do documentário oficial das Olimpíadas de 1936, realizadas em Berlim, capital da Alemanha, na época governada pelo ditador nazista e maníaco Adolf Hitler (1889-1945). A direção coube à cineasta e documentarista Leni Riefenstahl (1902-2003) que, em 1935, já havia deslumbrado e assustado o mundo com outro documentário: O Triunfo da Vontade, que retratava o congresso do partido nazista em Nuremberg.

Com cerca de três horas e quarenta e cinco minutos de duração, Olympia foi dividido em duas partes: a primeira chama-se "Fest der Völker" ("Festa dos Povos") e a segunda chama-se "Fest der Schönheit" ("Festa da Beleza"). Mostrava uma novidade que tornou-se uma tradição nas Olimpíadas seguintes: a condução da tocha olímpica para acender a pira do estádio. Mostrava também uma tradição que terminou: a saudação olímpica, que assemelhava-se demais com a saudação nazista e caiu em desuso.

Olympia é um filme que inovava em vários campos: foi a primeira vez que um competição esportiva era assunto de documentário, foram usadas técnicas avançadas de cinema inovadoras para a época (que depois tornariam-se padrão) tais como uso de ângulos de câmera inusitados, trilhos de filmagens para acompanhar corpos em movimento, câmera lenta, close-ups, cortes rápidos e câmeras subaquáticas que faziam imagens embaixo d'água.

É fato largamente conhecido que os nazistas usaram as Olimpíadas para propagandear sua odiosa doutrina. Olympia até hoje é objeto de discussão se, tal como O Triunfo da Vontade, seria uma obra de propaganda nazista. Embora apareça várias vezes a imagem de Hitler assistindo as provas disputadas no estádio, Leni tomou o cuidado de dar destaque igual tanto aos atletas alemães quanto aos estrangeiros, incluindo o negro estadunidense Jesse Owens (1913-1980), que conquistou quatro medalhas de ouro.

Ficaram famosas as brigas de Leni Riefenstahl com o infame ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels (1897-1945), que não queria que ela filmasse os atletas negros dos EUA, principalmente Jesse Owens. Mas, Leni ficou firme e não cedeu à pressão de Goebbels, no que fez muito bem, pois o mundo merecia e devia saber que a ideologia de superioridade de raças não passava de uma grandíssima estupidez.


Assista aqui um raro trailer de Olympia:




Carruagens de Fogo (1981)


A equipe de atletismo da Grã-Bretanha prepara-se para a disputa das Olimpíadas de 1924 em Paris, França. Entre os atletas, dois destacam-se: o escocês Eric Liddel (Ian Charleson, de Gandhi) e o inglês Harold Abrahams (Ben Cross, da saga Star Trek). Cada um tem os seus motivos para competir: Liddel, um cristão devoto, corre para a glória de Deus; enquanto Abrahams, um judeu, corre para superar o preconceito.

O nome Carruagens de Fogo foi baseado em uma frase do poeta inglês William Blake (1757-1827) que diz "Traga-me a carruagem de fogo" e de versículos da Bíblia Sagrada (2 Reis 2:11 e 6:17). 

O diretor Hugh Hudson (Greystoke, a Lenda de Tarzan) tem um grande trabalho de direção que gerou várias cenas poéticas e memoráveis dentre as quais destacam-se o discurso inspirador de Eric Liddel após uma corrida para um público composto de pessoas da classe trabalhadora (o ator Ian Charleson, morto precocemente aos 40 anos pela AIDS, estudou intensamente a Bíblia para preparar-se para o papel), Liddel sendo pressionado pelo comitê olímpico britânico e pelo Príncipe da Inglaterra para correr no domingo, o que não queria fazer por razões religiosas; o monólogo de Harold Abrahams no qual duvida de si mesmo antes de disputar a final dos 100 metros rasos e, por fim, a famosíssima cena dos atletas britânicos correndo descalços na praia.

Carruagens de Fogo conquistou quatro Oscars: Melhor Filme, Roteiro Original, Figurino e Trilha Sonora, composta pelo grego Vangelis, cujo tema do filme fez um sucesso tão grande que tornou-se um hino olímpico, tanto que foi executado na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2012, realizadas em Londres, Inglaterra.


Veja aqui o vídeo oficial da música-tema de Carruagens de Fogo executada por Vangelis e com cenas do filme: 




Voando Alto (2016) 


Desde criança Eddie Edwards (Taron Egerton, de Rocketman) tem o sonho de ser um atleta olímpico pela Grã-Bretanha. Após tentar vários esportes, opta pelo salto em esqui para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 em Calgary, Canadá. O problema é essa é uma modalidade na qual os britânicos não se classificam desde 1928. Para ajudá-lo a realizar seu sonho, Eddie pede ajuda ao ex-atleta dos EUA e alcoólatra Bronson Peary (Hugh Jackman, da franquia X-Men). 

Um nerd quatro-olhos, troncudo, desengonçado e atrapalhado pode ser um herói olímpico? Voando Alto mostra que sim e também que, independente de ganhar ou não uma medalha, pode-se superar preconceitos e esteriótipos. Taron Egerton pegou todos os trejeitos e maneirismos do verdadeiro Eddie e tem uma atuação simplesmrnte ótima!

Leia a crítica completa de Voando Alto aqui.


Veja aqui o trailer oficial de Voando Alto (legendado - HD):




4x100: Correndo Por Um Sonho (2021)


Adriana (Thalita Carauta, de S.O.S. Mulheres ao Mar 2. Veja a crítica aqui) e Maria Lúcia (Fernanda de Freitas, de Malu de Bicicleta) são duas atletas que correm na equipe brasileira de 4x100 metros rasos que chegou à final dessa prova nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro e com chance de ganhar uma medalha. Porém, durante a corrida o bastão cai e a equipe perde a prova. Após os jogos, Maria Lucia continua como destaque do atletismo nacional, enquanto uma frustrada Adriana faz bicos em lutas de MMA. Entretanto, as Olimpíadas de 2020 em Tóquio, Japão, se aproximam e surge uma nova chance para as atletas conquistarem a sonhada medalha e obterem a redenção.

Dramas esportivos são muito raros no cinema brasileiro - com exceção de filmes sobre futebol - o que faz de 4x100: Correndo por um sonho, uma grata surpresa. O cineasta Tomas Portella (Qualquer Gato Vira-Lata) faz um bom trabalho de direção fugindo do padrão televisivo que costuma predominar em produções recentes de nosso cinema. Thalita Carauta dá um show de interpretação e a química com Fernanda de Freitas funciona à perfeição. 4x100: Correndo Por Um Sonho é um filme que vale a pena conhecer!


Veja aqui o trailer oficial de 4x100: Correndo Por Um Sonho (HD):



#PanoramaDoCinema

#ForaBolsonaro

#BolsonaroGenocida

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Oscar 2019 | Conheça o candidato brasileiro ao maior prêmio de Hollywood


A Academia Brasileira de Cinema já escolheu o filme que será o candidato brasileiro para uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se d'O Grande Circo Místico, com direção de Cacá Diegues (Bye-Bye Brasil). 

Com roteiro do próprio Diegues e baseado no poema homônimo do escritor Jorge de Lima (1893-1953), que já havia servido de inspiração a um espetáculo de dança criado por Naum Alves de Souza com trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo, O Grande Circo Místico conta de forma poética, por meio do mestre de cerimônias Celaví (Jesuíta Barbosa, de Jonas), que nunca envelhece, a história de cinco gerações da família Knieps desde 1910 até os dias de hoje.

O Grande Circo Místico teve a sua première mundial no Festival de Cannes deste ano (exibido fora de competição). Com locações em Portugal, tem no seu elenco nomes como Bruna Linzmeyer (O Filme da Minha Vida) e os franceses Catherine Mouche (Marvin) e Vincent Cassel (Cisne Negro).

A lista dos filmes indicados ao prêmio será anunciada em em 22 de janeiro de 2019. A premiação será no dia 24 de fevereiro de 2019.

O Grande Circo Místico tem estréia comercial no Brasil prevista para 15 de novembro de 2018.

Assista aqui o trailer oficial d'O Grande Circo Místico (original em português - HD):


Publicado no LinkedIn em 13/09/2018.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 6: Copa 78 - O Poder do Futebol (Brasil - 1979)


Se a Copa do Mundo de 1978 pudesse ser resumida em uma única palavra, seria: polêmica. A Argentina foi país escolhido para sediar a copa daquele ano, um período em que os argentinos viviam sob o jugo de uma feroz ditadura militar sob o comando do infame  general carniceiro Jorge Videla (1925-2013). Apesar de protestos de organizações de direitos humanos internacionais, o igualmente infame e truculento presidente da FIFA, João Havelange (1916-2016), confirmou o evento na nação platina.

A Copa do Mundo de 1978 tem fatos polêmicos do começo até o fim da competição, que vão desde uso da copa por Videla e seus cúmplices para desviar a atenção do povo argentino dos problemas do país, passando pelo gol anulado na partida Brasil x Suécia, na primeira fase; até a fase decisiva, com a partida mais lembrada dessa copa, superando até mesmo a final: Argentina 6 x 0 Peru

Para disputar a final contra a Holanda (vice-campeã da copa anterior), a Argentina precisava não só vencer o Peru, mas também ter um saldo de gols maior que o seu concorrente direto, o Brasil, que jogaria contra a Polônia. As partidas seriam disputadas no mesmo horário, mas, estranhamente, Argentina x Peru foi transferida para duas horas depois de Brasil x Polônia. 

O Brasil venceu os poloneses por 3 x 1 e, para passar à final, os argentinos precisavam vencer os peruanos com, pelo menos quatro gols de diferença. Fizeram seis e classificaram-se. Mal a partida acabou e começaram a aparecer várias histórias sobre um suposto suborno para facilitar a vitória da seleção anfitriã. Com ou sem "mala preta", a Argentina venceu a aplicada seleção da Holanda e conquistou seu primeiro título mundial.

Um ano depois, o triunfo dos Hermanos continuava a ser um assunto quente nas rodas de conversa brasileiras e esquentou ainda mais quando foi lançado nos cinemas de nosso país o documentário Copa 78 - O Poder do Futebol (que, no restante do mundo, ganhou o título em inglês, World Cup - The Power of Football).

Dirigido a quatro mãos por Maurício Sherman (mini-série A, E, I, O... Urca, também autor do roteiro) e Victor di Mello (Solidão, Uma Linda História de Amor) e com narração do jornalista Sérgio Chapelin (Globo Repórter), Copa 78 - O Poder do Futebol põe mais lenha na fogueira com imagens detalhadas e cutuca várias feridas ainda mal cicatrizadas, destacando a trégua negociada da ditadura com o grupo guerrilheiro esquerdista Montoneros, que lhe fazia oposição e a combatia; além das polêmicas citadas anteriormente, e complementa lembrando que o goleiro da seleção do Peru, Ramón Quiroga, era argentino naturalizado peruano...

Se formos dar ouvidos a todas as teorias da conspiração surgidas desde aquela época, a Argentina não comprou apenas a partida contra o Peru, mas a copa inteira e, ainda por cima, pagou adiantado. Até hoje, nada foi provado e, como qualquer estudante de Direito sabe, uma pessoa (neste caso, uma equipe) é inocente até que prove sua culpa. A não ser que surjam fatos novos e comprovados, todas essas histórias e acusações não passam de especulação. 

Porém, é preciso lembrar que, em uma festa, quem manda são os donos da casa, uma lição que o Brasil, apesar de já ter organizado duas Copas do Mundo (em 1950 e 2014, ambas com resultados traumáticos), ainda não aprendeu.


P. S. - Embora eu tenha feito uma pesquisa ampla, não consegui encontrar o  vídeo com o trailer oficial de Copa 78 - O Poder do Futebol (se alguém souber onde encontrar, não se acanhe e envie um e-mail para panoramadocinema@gmail.com). Por isso, postei abaixo dois vídeos, um com os gols da partida Argentina x Peru e outro da final, Argentina x Holanda.

Anterior: Todos os corações do Mundo 

Veja aqui os gols da partida Argentina 6 x 0 Peru na Copa do Mundo de 1978 (narração em espanhol):



Veja aqui o vídeo dos gols e melhores momentos da partida Argentina 3 x 1 Holanda, a grande final da Copa do Mundo de 1978 (narração em inglês):




Publicado no LinkedIn em 20/06/2018.

Atualizado em 10/06/2026.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 5: Todos os Corações do Mundo (Brasil / EUA - 1995)


Na Copa do Mundo de 1994, depois de um jejum de 24 anos, o Brasilcom o craque baixinho e invocado Romário a frente, finalmente conquistou o tão sonhado tetracampeonato ao vencer a Itália - que também buscava o tetra - na disputa de pênaltis após um empate em 0x0  no tempo normal e na prorrogação.

Em 1995, foi lançado o filme Todos os Corações do Mundo, cujo título em inglês é Two Billion Hearts (literalmente Dois Bilhões de Corações), documentário oficial da FIFA sobre essa histórica competição. Além do tetracampeonato do Brasil, essa copa entrou para a história por ter tido, pela primeira vez, uma decisão de título na decisão por pênaltis e por ter sido realizado nos EUA, país onde o futebol nunca foi um esporte popular e que, ainda assim, levou multidões aos estádios.

Com produção conjunta de Brasil e EUA, dirigido pelo cineasta brasileiro Murilo Salles (Como Nascem os Anjos), com narração em português de Antônio Grassi (Gatão de Meia Idade) e, em inglês de Liev Schreiber (Spotlight - Segredos Revelados), Todos os Corações do Mundo mostra além de cenas bem filmadas das partidas realizadas, lembrando o antigo e saudoso noticiário Canal 100, entrevistas com os participantes e com o publico estadunidense.

Nestas entrevistas com o público não dá para não rir quando repórter pergunta "Você conhece [Diego] Maradona?" (o megacraque argentino que terá uma série biográfica produzida pela Amazon Prime Video. Veja aqui) e as pessoas respondem "[A cantora] Madonna? Claro!". Tudo isso fez com que Todos os Corações do Mundo fosse bem recebido por público e crítica.

Embora eu tenha feito uma pesquisa ampla, não consegui encontrar o trailer oficial de Todos os Corações do Mundo, a não ser trechos do filme (se alguém souber onde encontrar, não se acanhe em fazer contato pelo e-mail panoramadocinema@gmail.com) que não primam pela qualidade de imagem. Abaixo postei um desses vídeos com trechos e, para compensar, postei um vídeo oficial da FIFA em alta definição com os melhores momentos da grande final.

A seguir: Copa 78 - O Poder do Futebol
Anterior: A Copa


Veja aqui um trecho de Todos os Corações do Mundo (em português com legendas em inglês):




Veja aqui os melhores momentos da grande final da Copa do Mundo de 1994 com narração de Galvão Bueno (HD):




Publicado no LinkedIn em 14/06/2018.

Atualizado em 10/06/2026.

sábado, 2 de junho de 2018

The Cleaners | Documentário alemão com produtores brasileiros reflete sobra a limpeza digital na internet


Vocês sabiam, caros amigos e amigas de Panorama do Cinema, que, a cada minuto são carregadas 500 horas de vídeo no YouTube,  450.000 tweets são escritos no Twitter e 2,5 milhões de posts são publicados no Facebook? E isso falando apenas dos gigantes da internet

Há informações de todos os tipos na rede mundial de computadores, o que inclui conteúdos violentos, racistas, de ódio r pornográficos, considerados anti-éticos. Quem faz a chamada limpeza digital desse tipo de dados na internet é o que mostra o documentário alemão de língua inglesa The Cleaners (literalmente, Os limpadores).

Dirigido a quatro mãos pelos estreantes Hans Block e Moritz Riesewieck, The Cleaners mostra o cotidiano dessas pessoas que trabalham nessa indústria oculta (a maioria dessas firmas tem sede nas Filipinas) em uma relação indireta com Facebook, Twitter e YouTube e que decidem, em questão de segundos, o que fica e o que não fica na internet.

Esta situação levanta vários questionamentos e reflexões sobre quais são os critérios utilizados nessa tarefa e quais são os possíveis impactos em nossa sociedade. Segundo Moritz Riesewieck:

"Este público virtual não está organizado de forma democrática - quem ou o que pode ter voz online não é decidido por uma maioria, não é decidido por um parlamento ou uma instituição como no mundo analógico e democrático. É decidido por um pequeno círculo de pessoas em Sillicon Valley que deixa nas mãos de jovens filipinos a responsabilidade de fazer esse controle".

The Cleaners teve sua Première mundial no prestigioso Festival de Sundance, dedicado ao cinema independente, recebeu boas críticas e ainda foi indicado ao prêmio do júri para documentários; e, no Festival de Tessalônica (Grécia), foi indicado ao prêmio Anistia Internacional, voltado aos direitos humanos.

Além da Alemanha, The Cleaners tem co-produção da Holanda, Itália, EUA e Brasil - por meio dos produtores Fernando Dias (Cantoras do Brasil) e Maurício Souza Dias (Doutores da Alegria). O documentário já está em exibição nos cinemas da Alemanha e Holanda e com previsão para estréia nos EUA e Canadá ainda este mês.

The Cleaners ainda não tem previsão para estréia no Brasil. 


Veja aqui o trailer oficial de The Cleaners (original em inglês com legendas em alemão - HD):


Publicado no LinkedIn em 02/06/2018.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Festival de Cannes 2018 | Filme produzido por Brasil e Portugal ganha o grande prêmio do júri


O filme brasileiro Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, dirigido a quatro mãos pelo cineasta português João Salaviza (Arena) e a brasileira Renné Nader (cinematógrafa que faz sua estréia como diretora), conquistou o Grande Prêmio do Júri na semana Un Certain Regard (Um Certo Olhar)  do Festival de Cannes, na França. Não bastasse isso, o filme foi aplaudido em pé após a sua exibição no festival.

Rodado no estado de Tocantins, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos conta a história do índio Ihjãc, um jovem da nação indígena Krahô que, após um encontro com o espírito de seu falecido pai, vê-se obrigado a realizar a festa pelo fim do luto.

Sobre a premiação de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, Salaviza e Nader comentaram: "O Brasil indígena é historicamente negado, silenciado, assassinado. Mas, é justamente esse Brasil que sai exaltado de Cannes. (...) A importância desse reconhecimento transcende o gesto cinematográfico, até porque existem hoje no Brasil dezenas de diretoras e diretores indígenas que estão contando suas histórias e são donos de suas imagens. É maravilhoso estarmos aqui e é uma pequena revolução , mas a grande revoluçào terá acontecido quando esses cineastas também estiverem ocupando esses lugares".

É importante dizer que, quando da apresentação da equipe de filmagens de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos para a imprensa internacional, foi feito um protesto contra o governo brasileiro por não impedir o desmatamento da floresta amazônica e pelo massacre da população indígena.

Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ainda não tem data de estréia prevista no Brasil, mas esperemos que não demore.   


Veja aqui vídeo oficial do Festival de Cannes que apresenta a equipe de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (HD):


Veja aqui uma cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (HD):


Publicado no LinkedIn em 18/05/2018.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Além do Homem lança trailer oficial


O filme brasileiro Além do Homem acaba de lançar seu trailer oficial.

Alberto Luppo (Sérgio Guizé, da telenovela Êta, Mundo Bom) é um escritor brasileiro que mora em Paris e que, um dia, retorna à sua terra natal para procurar um antropólogo que desapareceu. Entre muitas peripécias, conhece e apaixona-se pela linda Bethânia (Débora Nascimento, da telenovela Alto Astral).

A direção e o roteiro do filme são de Willy Biondani (do telefilme Grande Sertão: Veredas) e tem as participações de Pierre Richard (Perdidos em Paris), Otávio Augusto (Sorria, Você Está Sendo Filmado) e Fabrício Boliveira (Faroeste Caboclo).

A estreia de Além do Homem está prevista para 28 de junho.

Veja aqui o trailer oficial de Além do Homem (legendado e falado em português e francês - HD):


quarta-feira, 28 de março de 2018

Crítica: Árvores Vermelhas | O Horror em Cores Invertidas


Além de destruição e morte, a Segunda Guerra Mundial gerou muitas mudanças no panorama global, e no da Europa em particular. Foram mudanças políticas (com a ascensão das superpotências EUA e URSS, que, literalmente, dividiram o mundo entre si, até quase o final do século XX), geográficas (países desapareceram e outros surgiram), culturais e também pessoais, como mostra o documentário Árvores Vermelhas.

Alfred Willer é o filho de um renomado químico judeu em Praga,  capital da então Tchecoslováquia (atual República Tcheca), quando os nazistas assumem o poder e nomeiam o cruel e sanguinário Reinhard Heydrich (1904-1942) – um dos arquitetos do Holocausto Judeu e que tinha a sinistra alcunha de “O Carniceiro de Praga” - como o interventor local. A partir daí começam as perseguições aos opositores do regime e, principalmente, aos judeus. A família Willer foi uma das doze famílias judias de Praga que sobreviveram ao massacre perpetrado pelo acólitos de Hitler.

Após a Primeira Guerra Mundial e o triunfo da Revolução Russa, houve uma efervescência cultural na Europa, com o surgimento de novos centros intelectuais rivalizando com Londres e Paris. Dentre estes novos centros destacavam-se Moscou, Viena e Berlim da República de Weimar (período democrático que antecedeu o domínio nazista). Muitos intelectuais, cientistas e artistas do período eram de ascendência judaica tais como o cineasta russo Serguei Eisenstein (de O Encouraçado Potemkin), o médico austríaco Sigmund Freud (pai da psicanálise) e o físico alemão Albert Einstein (criador da Teoria da Relatividade).

Praga também era um dessas novas metrópoles intelectuais e lar do escritor Franz Kafka (1883-1924), também de ascendência judaica, autor de A Metamorfose – entre outras grandes obras. Kafka era fanático por cinema e um de seus romances, O Processo, foi adaptado para o cinema, em 1962, pelo cineasta estadunidense Orson Welles (Cidadão Kane) e com o também estadunidense Anthony Perkins (Psicose), no papel de Joseph K. Suprimir a cultura Tcheca era uma das principais tarefas de Heydrich.

Também é importante destacar a forte influência linguística da Alemanha nos países que lhes eram fronteiriços como a própria Tchecoslováquia e a Polônia. Além de suas línguas naturais, não raro os habitantes locais falavam igualmente o alemão e a comunidade judaica o ídiche, dialeto dos judeus da Europa que era uma mistura das línguas alemã e hebraica e que, atualmente, é falada principalmente pelos judeus ultra-ortodoxos dos EUA.

Essa introdução histórica e cultural pode ter sido um pouco longa, mas necessária para uma melhor compreensão de Árvores Vermelhas, pois são pontos destacados muito propriamente no filme. O pai de Alfred Willer, em sua profissão de químico, fazia parte dessa intelectualidade e, por isso, era tolerado pelos nazistas mesmo sendo judeu, pois necessitavam de seus conhecimentos. O jovem Alfred também tornou-se químico, mas depois seria tomado de paixão pela arquitetura, profissão que viria a seguir na idade adulta.

A diretora Marina Willer não é uma novata no ramo cinematográfico, pois já havia dirigido, em conjunto com Fernando Kinas, o documentário em curta-metragem Cartas da Mãe (2000), baseado no livro do saudoso cartunista, escritor e humorista Henfil (1944-1988), e que conquistou o Prêmio do Público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Árvores Vermelhas e o seu primeiro longa-metragem e a realização de um antigo projeto: o de contar a vida de seu pai.

Marina, que também é a autora do roteiro junto com Brian Eley (Horrid Henry: The Movie) e a estreante Leena Teeley , faz parte da nova geração de mulheres cineastas ao lado de nomes como a estadunidense Patti Jenkis, de Mulher-Maravilha (2017, veja a crítica aqui).


Embora seja apenas o seu segundo filme na direção, Marina tem a segurança de uma veterana, mostrando imagens poéticas e belíssimas, no que é ajudada pela fotografia de César Charlone (indicado ao Oscar por Cidade de Deus), Fábio Burtin (Ensaio Sobre a Cegueira) e Jonathan Clabburn (Miss Landmine) e utilizando–se de sua experiência de designer profissional.

Marina consegue mesclar essas lindas imagens de sonho com as de um típico documentário de maneira harmoniosa. Essa mescla fez com que vários críticos do exterior definissem Árvores Vermelhas como um ensaio. Definição essa, a meu ver, correta, pois, por ser um projeto pessoal, é um documentário bastante experimental.

A experimentação de Marina em Árvores Vermelhas faz com que o filme tenha um ritmo mais lento que outros do gênero, o que pode fazer o espectador comum sentir–se um pouco entediado, mas a história de Alfred Willer prende a atenção, o que compensa o ritmo arrastado.

Alfred surpreende ao demonstrar perfeito domínio da língua portuguesa e falar praticamente sem sotaque. Ao retornar à sua terra natal, passando inclusive por fábricas abandonadas desde a guerra, graças a uma memória privilegiada, ele assume a posição de um contador de histórias dos tempos passados, que inclui a retaliação nazista pelo atentado que matou Heydrich e o episódio de sua vida que dá nome ao filme e o fez descobrir que sofria de daltonismo.

Segundo o Dr. Drauzio Varela, "O daltonismo é um distúrbio na visão que interfere na percepção das cores. Sua principal característica é a dificuldade para distinguir o vermelho e o verde e, com menos frequência, o azul e o amarelo" (veja aqui). As cores podiam estar trocadas, mas o horror da guerra, não. Aliás, esse horror nunca muda, independente das cores. Esse impacto de cores também pôde ser sentido quando Alfred e seu pai imigraram para o Brasil, com a sua exuberante natureza tropical misturada com selvas de pedra.

A trilha sonora supervisionada por Eliza Thompson (Entrevista Com o Vampiro) e Kie Savidge (Tomb Raider: A Origem) é bastante eclética indo desde a música clássica até canções de Leonard Cohen (1934-2016), que aumenta o clima de experimentalismo e poesia, reforçada pela narração de Tim Pigott-Smith (Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha), que faleceu logo após o término das filmagens e para quem o filme foi dedicado.

Árvores Vermelhas é um trabalho de amor, tanto de uma filha para com seu pai, como para a humanidade e o próprio cinema. Em uma época na qual se repetem eventos que geram manifestações de  ódio, racismo, xenofobia e intolerância política e religiosa que, anteriormente, levaram a dois conflitos globais, este ensaio-documentário experimental e poético é urgente, necessário e bem-vindo. 


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Red Trees
  • Direção: Marina Willer
  • Narração: Tim Pigott-Smith
  • RoteiroMarina Willer, Brian Eley, Leena Teelen 
  • Supervisão de Música: Eliza Thompson, Kie Savidge
  • Fotografia: César Charlone, Jonathan Clabburn, Fábio Burtin
  • Duração: 87 minutos
  • Ano: 2017
  • Lançamento comercial no Brasil: 29/03/2018

          RESUMO DO FILME

Alfred Willer e seu pai fogem do governo nazista na Tchecoslováquia, durante a Segunda Guerra Mundial, e emigram para o Brasil.

COTAÇÃO
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Veja aqui o trailer oficial de Árvores Vermelhas (original em inglês - HD):


Publicado no LinkedIn e no AdoroCinema em 28/03/2018.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Aquarius, o Filme Brasileiro Que Está Conquistando o Mundo


Além da vitória do cineasta inglês Ken Loach pelo filme I, Daniel Blake (veja aqui), o Festival de Cannes também ficou marcado pelo brasileiros, por dois motivos: o primeiro, pelo protesto feito por atores, atrizes, técnicos e produtores contra o impeachment da Presidente Dilma Rouseff por entenderem ser esse mesmo impeachment, na verdade, um golpe de estado (veja foto abaixo). O segundo motivo, foi a exibição do filme Aquarius, que foi aclamado pela crítica e além de ser um dos finalistas do prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro

Aquarius conta a história de Clara (Sônia Braga, de O Beijo da Mulher-Aranha), mulher de 65 anos, escritora e crítica musical aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos e que vive em um edifício chamado Aquarius na Praia de Boa Viagem, em Recife, capital do estado de Pernambuco. Clara é uma mulher forte, independente, sensual e que, recentemente, sobreviveu a um câncer. É o tipo de pessoa que não sente necessidade de aprovação de terceiros - sejam amigos, parentes ou mesmo os filhos - para defender e lutar por aquilo em que acredita. Clara persa em curtir tranquilamente a sua aposentadoria até que um dia, recebe a proposta para vender seu apartamento a uma construtora que quer construir um condomínio de luxo no local. Com a recusa de sua proprietária em vender, a empreiteira declara uma verdadeira guerra contra a ex-jornalista, que irá defender com unhas e dentes o local que é parte inseparável de sua vida.


Segundo longa metragem do diretor Kleber Mendonça Filho (seus trabalhos anteriores eram, em sua maior parte, curtas-metragens), Aquarius, além de ser a primeira produção totalmente brasileira a concorrer em Cannes desde 2008, é também um filme que reflete bastante a situação atual do Brasil: muito incerta, com um governo cuja legitimidade é frequentemente contestada, uma crise política e econômica ainda longe de acabar, além de uma crise moral com a violência da luta de classes ("coxinhas" x "mortadelas"), nepotismo e corrupção - uma verdadeira praga dos tempos atuais. Mas também é um filme sobre assuntos íntimos e pessoais como, por exemplo, a memória de tempos passados.  

Aquarius não conquistou a Palma de Ouro em Cannes, mas, em compensação, como obra maior do Cinema Brasileiro, vem conquistando o público e a crítica do mundo inteiro. Foi o grande vencedor do Festival de Sydney (Austrália) e do Festival Transatlantik, em Lodz (Polônia), conquistando, nesses dois eventos, o prêmio de Melhor Filme.

Aquarius tem estréia prevista no Brasil para 1º de setembro e, posteriormente, em mais de 50 países.

Veja aqui o trailer oficial de Aquarius (original em português com legendas - HD):




Publicado no LinkedIn em 07/07/2016.