A Revista Digital da Sétima Arte fundada em 06/02/2016
Bem-Vindos a Panorama do Cinema"
Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).
Editorial
Estamos de Volta!
Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades.
Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts.
Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo".
Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês.
Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza.
Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre.
Boas leituras e boa diversão!
O cineasta inglês Ken Loach, 85 anos, conhecido por sua ideologia marxista, seus filmes politicamente e socialmente engajados, duas vezes vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes por Ventos da Liberdade (2006) e Eu, Daniel Blake (2016. Veja aqui uma matéria a respeito), foi expulso do Partido Trabalhista Britânico no qual era filiado desde a década de 1960.
Depois de um tempo afastado da militância, Ken Loach voltou a ter participação ativa quando Jeremy Corbyn tornou-se líder do partido. Ambos, além de muitos outros militantes, dedicaram-se ao apoio à Palestina contra as agressões do Estado de Israel. Isso provocou um "racha" no partido e iniciou uma onda de difamação por membros da ala conservadora, que tem relações próximas com o estado judeu.
Dezenas de militantes do Partido Trabalhista foram suspensos ou expulsos. Em contrapartida, milhares de outros saíram do partido em um gesto de solidariedade e como resposta às perseguições lideradas pelo atual líder Trabalhista, Keir Starmer, a figuras do movimento sindical e de boicote a Israel.
Em sua página no Twitter Ken Loach disse sobre a sua expulsão que "(...) o quartel-general do Partido Trabalhista finalmente decidiu que não sou digno de ser membro do seu partido, já que me recusei a renegar aqueles que têm vindo a ser expulsos. Tenho orgulho de encontrar-me ao lado de bons amigos e camaradas, vítimas deste expurgo. É, sem dúvida, uma caça às bruxas... O Starmer e a sua turma nunca dirigirão um partido do povo. Somos muitos, eles são poucos. Solidariedade!".
Podemos ter certeza de uma coisa: além de solidário, Ken Loach é um homem fiel aos seus princípios.
Veja aqui o trailer oficial de Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach e vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes (legendado - HD):
Veja aqui o trailer oficial de Você Não Estava Aqui, o mais recente filme dirigido por Ken Loach (legendado):
Após o cancelamento em 2020 devido à pandemia do Covid-19, o Festival de Cannes de 2021 foi uma edição marcada pelo equilíbrio, sem nenhum filme que despontasse como favorito. E o grande vencedor da Palma de Ouro, o prêmio máximo do maior festival de cinema do mundo foi para o filme francês Titane, da diretora Julia Ducournau (de Raw). É a segunda vez que um filme dirigido por uma mulher ganha o prêmio. A primeira vez foi em 1993, com o filme O Piano, da diretora neozelandesa Jane Campion.
A nota cômica do festival foi a gafe do cineasta estadunidense Spike Lee (Infiltrado na Klan), presidente do júri deste ano, que anunciou o prêmio antes da hora.
Titane é o segundo longa para o cinema de Julia Ducorneau (seus trabalhos anteriores foram um curta-metragem e dois filmes para a TV). Titane conta a história de um pai, Vincent Legrand (Vincent Lindon, de Diário de Uma Camareira. Leia a crítica aqui), que está em busca de seu filho desaparecido há 10 anos e acaba por encontrar a jovem Alexia (a estreante Agathe Rousselle), que finge ser o filho de Vincent para esconder-se da polícia devido a um crime cometido.
Alexia tem uma chapa de titânio na cabeça colocada para reconstruir seu crânio após um grave acidente de automóvel ocorrido na sua infância. A partir daí tem uma estranha atração erótica por automóveis. A cena em que Alexia faz amor com um carro fez de Agathe Rousselle a atriz-sensação do festival.
Não foram poucas as comparações de Titane com um filme de premissa semelhante: Crash, Estranhos Prazeres (1996), do diretor canadense David Cronemberg (A Mosca), cujos trabalhos são reconhecidas influências da diretora Julia Ducournau.
Titane ainda não tem data de estreia prevista no Brasil.
Veja a seguir os vencedores dos principais prêmios do Festival de Cannes 2021:
Palma de Ouro: Titane (França)
Grande Prêmio: Ghahreman (Irã), Hytii nº 6 (Finlândia)
Prêmio do Júri: Memoria (Tailândia e Colômbia), Ha'Berech (Israel)
Melhor Diretor: Leos Carax (por Annete - EUA)
Melhor Ator: Caleb Landry Jones (por Nitram - Austrália)
Melhor Atriz: Renate Reinsve (por Versden Verste Menneske - Noruega)
Melhor Roteiro: Hamagushi Ryusuke e Takamasa Oe (por Drive My Car - Japão)
Veja aqui o trailer oficial de Titane (legendado - HD):
O Festival de Cannes está a todo o vapor com suas habituais estreias de novos filmes e o desfilar de astros e estrelas de cinema. Dentre estes últimos destaca-se o cineasta e roteirista estadunidense Oliver Stone, duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Diretor por Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989) e do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por O Expresso da Meia-Noite (1978). Oliver Stone está no festival do famoso balneário francês para lançar o seu mais recente filme, o documentário JFK Revisited: Through The Looking Glass (ainda sem título em português e sem data de estreia prevista).
Além das suas qualidades como diretor e escritor de roteiros cinematográficos, Oliver Stone é conhecido por ser um feroz crítico da política estadunidense e do "American way of life" ("modo de vida americano") como pode ser visto em filmes como Salvador, o Martírio de Um Povo (1986), a franquia Wall Street (1987/ 2010), Assassinos Por Natureza (1994), Nixon (1995), Um Domingo Qualquer (1999) e Snowden, Herói ou Traidor? (2016).
Oliver Stone tem fama de ser um artista "de esquerda", principalmente devido a filmes como Comandante (2003), uma entrevista com o então presidente de Cuba Fidel Castro (1926-2016); Ao Sul da Fronteira (2009), no qual retrata a ascensão de governos esquerdistas na América do Sul; Mi Amigo Hugo (2014), um documentário feito para a rede de TV venezuelana TeleSur em homenagem ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez (1954-2013), morto um ano antes; e a série televisiva A História Não Contada dos Estados Unidos (2012-2013).
JFK Revisited: Through The Looking Glass trata do assassinato do presidente dos EUA, John Kennedy (1917-1963), um tema que Oliver Stone já tinha abordado, mas de forma dramatizada, no filme JFK, a Pergunta Que Não Quer Calar (1991). Em entrevista à prestigiosa revista de entretenimento Variety, Stone diz que seu novo trabalho é um bom final para o filme de 1991, pois "amarra muitos fios soltos" e espera que afaste muito sobre "a ignorância sobre o caso e o filme".
Aos 74 anos de idade, Oliver Stone não pára. Seu próximo filme, que ainda não tem nome, mas tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2022, será sobre ninguém menos que o ex-presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva e sua condenação à prisão pelo ex-juiz Sérgio Moro. Segundo Stone, a prisão de Lula foi parte do projeto dos EUA de patrulhar o mundo. "É uma guerra em curso que está acontecendo", diz o cineasta.
Oliver Stone queixa-se que a chamada grande mídia dos EUA é parcial com países governados pela esquerda, além de uma censura enorme auto-imposta pela indústria cultural. "A mentalidade ocidental agora é completamente anti-Rússia, anti-China, anti-Irã, anti-Cuba, anti-Venezuela. Não pode-se falar nada de bom sobre eles. O que mais está na lista? No Brasil, Lula foi para a cadeia, eles livraram-se do Lula. Eles policiam o mundo", complementa.
Pode estar certo de uma coisa, Oliver: qualquer semelhança entre a grande mídia estadunidense e a grande mídia brasileira, NÃO é mera coincidência...
Assista aqui ao trailer oficial de JFK Revisited: Through The Glass Door (original em inglês - HD):
A Islândia é uma ilha-nação localizada no norte da Europa conhecida principalmente por seu clima muito frio, pela crise econômica-financeira ocorrida em 2008 causada pelos bancos que levou à prisão vários "graúdos" locais e pela forte influência feminina na política do país. Nos últimos anos, a Islândia vem se destacando em outros campos a começar pelo cinema: o filme Rams (vejaaqui) conquistou, em 2015, o prêmio Un Certain Regard no prestigioso Festival de Cannes. O outro campo, é justamente aquele feito de grama no qual duas equipes compostas de 11 jogadores praticam um esporte que consiste em correr atrás de uma bola. Em outras palavras, o futebol. Em 2016, a Islândia participou pela primeira vez em sua história do Campeonato Europeu de Futebol, mais conhecida como Eurocopa. Os islandeses fizeram bonito na competição. Na primeira fase, empataram em 1x1 contra os tradicionais times da Hungria e de Portugal (que seria o campeão), do megacraque Cristiano Ronaldo, e venceu a Áustria por 2x1. Nas oitavas-de-final, venceram a poderosa Inglaterra, também por 2x1. A equipe viking cairia nas quartas-de-final diante da anfitriã, a França, mas caiu em pé e fez história. E os "Vikings do futebol" continuam a fazer história! Primeiro, conquistaram uma inédita vaga para disputar a Copa do Mundo de 2018, que tem lugar na Rússia. E já em sua partida inaugural na competição, fizeram a sua primeira "vítima", a Argentina, seleção de outro megacraque futebolista, Lione Messi. A Argentina saiu na frente com um gol de Sergio "Kun" Aguero. A Islândia empatou com Alfred Finnbogason. Os islandeses endureciam a partida para os "Hermanos" até que, aos 19 minutos do segundo tempo, Messi sofre falta dentro da área. Pênalti indiscutível. O próprio Messi cobrou e o goleiro islandês, Hannes Thór Halldórsson defendeu! Resultado final: 1x1 e a história continua a ser feita! Ao terminar a partida, todos, naturalmente, queriam saber mais sobre o goleiro de 34 anos que defendeu o pênalti daquele que é considerado o maior jogador do mundo ao lado de Cristiano Ronaldo. E ficaram de queixo caído quando souberam que, além de ser futebolista profissional, Hannes Thór Halldórsson é também... Cineasta! Aos 14 anos, como todos os jovens de sua idade, Hannes Thór Halldórsson sonhava em ser jogador de futebol, mas um acidente de snowboarding deslocou seu ombro e, toda vez que treinava, sentia muitas dores, tendo que, mais tarde, fazer uma cirurgia. Nessa mesma época já fazia curta-metragens, outra paixão. Incentivado pelo pai, Hannes Thór Halldórsson voltou a tentar a carreira de goleiro e, muitos altos e baixos depois, chegou à situação que conhecemos hoje. Porém, a paixão pela direção de filmes não foi abandonada. Em 2012, dirigiu um vídeo musical chamado Never Forget (literalmente "Nunca esqueça") da dupla Greta Salome & Jonsi, que foi o representante da Islândia no Festival Eurovisão da Canção daquele ano. Hannes Thór Halldórson também dirigiu um vídeo da banda feminina Nylon, uma série de TV chamada Nossos Jogadores, na qual mostrava islandeses importantes que ganham a vida no mundo da bola; e, a pedido de uma companhia multinacional de refrigerantes, um comercial a ser exibido durante a Copa deste ano. Desde 2013, trabalha em um filme de longa-metragem. Ele não dá muitos detalhes, mas diz que é um "thriller sobrenatural que acontece em algum lugar da Islândia" e garante que "não é um filme de zumbis". Hannes Thór Halldórsson ainda vai dar muito o que falar, dentro e fora dos campos de futebol. Panorama do Cinema faz uma sugestão ao goleiro-cineasta (ou cineasta-goleiro): Que tal fazer um filme sobre a saga da Islândia na Copa do Mundo de 2018, mostrando a sua defesa no pênalti batido por Lionel Messi?
Veja aqui os gols e melhores momentos da partida Argentina x Islândia, com destaque para a defesa de Hannes Thór Halldórsson no pênalti cobrado por Lionel Messi, no vídeo oficial da FIFA (em inglês - HD):
Veja aqui o vídeo da canção Never Forget, dirigido por Hannes Thór Halldórsson e interpretado pela dupla Greta Salome & Jonsi, que foram os candidatos do Festival Eurovisão da Canção (em inglês - HD):
O filme brasileiro Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, dirigido a quatro mãos pelo cineasta português João Salaviza (Arena) e a brasileira Renné Nader (cinematógrafa que faz sua estréia como diretora), conquistou o Grande Prêmio do Júri na semana Un Certain Regard (Um Certo Olhar) do Festival de Cannes, na França. Não bastasse isso, o filme foi aplaudido em pé após a sua exibição no festival.
Rodado no estado de Tocantins, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos conta a história do índio Ihjãc, um jovem da nação indígena Krahô que, após um encontro com o espírito de seu falecido pai, vê-se obrigado a realizar a festa pelo fim do luto. Sobre a premiação de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, Salaviza e Nader comentaram: "O Brasil indígena é historicamente negado, silenciado, assassinado. Mas, é justamente esse Brasil que sai exaltado de Cannes. (...) A importância desse reconhecimento transcende o gesto cinematográfico, até porque existem hoje no Brasil dezenas de diretoras e diretores indígenas que estão contando suas histórias e são donos de suas imagens. É maravilhoso estarmos aqui e é uma pequena revolução , mas a grande revoluçào terá acontecido quando esses cineastas também estiverem ocupando esses lugares". É importante dizer que, quando da apresentação da equipe de filmagens de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos para a imprensa internacional, foi feito um protesto contra o governo brasileiro por não impedir o desmatamento da floresta amazônica e pelo massacre da população indígena. Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ainda não tem data de estréia prevista no Brasil, mas esperemos que não demore.
Veja aqui vídeo oficial do Festival de Cannes que apresenta a equipe de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (HD):
Veja aqui uma cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (HD):
O cineasta franco-polonês Roman Polanski (O Escritor Fantasma), em entrevista à rede de notícias Euronews, disse que irá processar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, em Hollywood, que, simplesmente, organiza a cerimônia do mais famoso prêmio do cinema mundial, o Oscar.
Roman Polanski - que conquistou o Oscar de Melhor Diretor, em 2003, por O Pianista e a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo mesmo filme no mesmo ano - disse que o motivo dessa sua decisão foi pelo fato de ter sido expulso da Academia como consequência dos escândalos de abuso e assédio sexual que vem ocorrendo nos EUA sem ter tido a chance de se defender e ser ouvido de maneira justa. O advogado de Roman Polanski acrescentou que, ao expulsar o cineasta, a Academia não respeitou o próprio código, além de infringir a legislação do estado da Califórnia. Em 1977, Roman Polanski foi acusado de estupro contra a jovem Samantha Geimer que, à época, tinha 13 anos de idade. O caso foi para justiça dos EUA, que considerou Roman Polanski culpado das acusações. Antes de ir à corte ouvir a sentença, o cineasta exilou-se na França e nunca mais voltou ao território estadunidense. Em uma entrevista na Polônia, Polanski - atualmente com 84 anos de idade - chamou o movimento #MeToo (criado a partir dos casos de abuso e assédio sexual que sacodem Hollywood e que tem como uma das suas mais famosas simpatizantes, a atriz e apresentadora Oprah Winfrey) de "histeria de massa"e "total hipocrisia". O comediante Bill Cosby (Papai Fantasma), recentemente condenado pela justiça por abusos sexuais, também foi expulso da Academia na mesma semana que Roman Polanski.
Veja aqui a matéria da Euronews com Roman Polanski (traduzida em português europeu):
Além da vitória do cineasta inglês Ken Loach pelo filme I, Daniel Blake (veja aqui), o Festival de Cannes também ficou marcado pelo brasileiros, por dois motivos: o primeiro, pelo protesto feito por atores, atrizes, técnicos e produtores contra o impeachment da Presidente Dilma Rouseff por entenderem ser esse mesmo impeachment, na verdade, um golpe de estado (veja foto abaixo). O segundo motivo, foi a exibição do filme Aquarius, que foi aclamado pela crítica e além de ser um dos finalistas do prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro.
Aquarius conta a história de Clara (Sônia Braga, de O Beijo da Mulher-Aranha), mulher de 65 anos, escritora e crítica musical aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos e que vive em um edifício chamado Aquarius na Praia de Boa Viagem, em Recife, capital do estado de Pernambuco. Clara é uma mulher forte, independente, sensual e que, recentemente, sobreviveu a um câncer. É o tipo de pessoa que não sente necessidade de aprovação de terceiros - sejam amigos, parentes ou mesmo os filhos - para defender e lutar por aquilo em que acredita. Clara persa em curtir tranquilamente a sua aposentadoria até que um dia, recebe a proposta para vender seu apartamento a uma construtora que quer construir um condomínio de luxo no local. Com a recusa de sua proprietária em vender, a empreiteira declara uma verdadeira guerra contra a ex-jornalista, que irá defender com unhas e dentes o local que é parte inseparável de sua vida.
Segundo longa metragem do diretor Kleber Mendonça Filho (seus trabalhos anteriores eram, em sua maior parte, curtas-metragens), Aquarius, além de ser a primeira produção totalmente brasileira a concorrer em Cannes desde 2008, é também um filme que reflete bastante a situação atual do Brasil: muito incerta, com um governo cuja legitimidade é frequentemente contestada, uma crise política e econômica ainda longe de acabar, além de uma crise moral com a violência da luta de classes ("coxinhas" x "mortadelas"), nepotismo e corrupção - uma verdadeira praga dos tempos atuais. Mas também é um filme sobre assuntos íntimos e pessoais como, por exemplo, a memória de tempos passados.
Aquarius não conquistou a Palma de Ouro em Cannes, mas, em compensação, como obra maior do Cinema Brasileiro, vem conquistando o público e a crítica do mundo inteiro. Foi o grande vencedor do Festival de Sydney (Austrália) e do Festival Transatlantik, em Lodz (Polônia), conquistando, nesses dois eventos, o prêmio de Melhor Filme.
Aquarius tem estréia prevista no Brasil para 1º de setembro e, posteriormente, em mais de 50 países.
Veja aqui o trailer oficial de Aquarius (original em português com legendas - HD):
O polêmico e genial diretor e documentarista vencedor do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o estadunidense Michael Moore (Capitalismo, Uma História de Amor), esteve recentemente em Londres, Inglaterra, para o lançamento de seu mais recente filme, Quem Vamos Invadir Agora?, que, recentemente, ganhou o Prêmio do Público de Melhor documentário no Festival Internacional de Cinema de Chicago (EUA).
Quem Vamos Invadir Agora? fala da política de invasões dos EUA a vários países nos últimos anos e, por meio de uma comparação com oito países europeus e um árabe, vê os aspectos positivos de cada cultura que poderiam melhorar o estilo de vida do povo estadunidense:
“Os EUA têm sido uma força invasora nos últimos quinze anos ou mais. Porque não invadir países, de forma não violenta, para aprender algo lá fora e aplicá-lo em casa? É essa a explicação para o título do filme”, disse o cineasta durante a coletiva de imprensa.
Moore, que apoiou publicamente o candidato socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, para a presidência dos EUA (veja aqui), não perdeu a oportunidade para falar sobre o candidato do Partido Republicano, o magnata Donald Trump:
“Penso que ele é exímio na utilização dos meios de comunicação e estes por seu lado não param de lhe dar atenção. Ele não é tão estúpido como parece. Devemos levá-lo a sério. A manipulação que está a acontecer e a utilização da propaganda é excelente no sentido em que ele é que sai a se beneficiar”.
Michael Moore é a favor da permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) e apelou aos britânicos para votarem pelo "sim" no referendo a ser realizado em 23 de junho próximo:
“Qual é a justificação para deixar a União Europeia? Os britânicos salvaram a Europa. A UE existe em larga medida por causa das pessoas que se sacrificaram e sofreram nos anos 30 e 40 para salvar a Europa. Porque razão deveriam abandoná-la?”, questionou.
Após ser exibido em vários festivais de cinema (Incluindo os Festivais de Berlim e Toronto), Quem Vamos Invadir Agora? teve seu lançamento comercial em 12 de fevereiro último, no EUA. No Brasil, ainda não há uma data definida para a estreia do filme.
Veja o trailer oficial de Quem Vamos Invadir Agora? (legendado em Português Europeu):
O Festival de Cannes - considerado o maior e mais importante festival de cinema do mundo - já terminou e teve como grande vencedor o filme I, Daniel Blake, que conta a história de um carpinteiro de 59 anos que, durante um exame médico de rotina, recebe o diagnóstico de um problema cardíaco e é aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar. Entretanto, a seguridade social ameaça-o com sanções financeiras caso não consiga um emprego.
I, Daniel Blake tem a direção do britânico Ken Loach (de Kes), de 80 anos de idade, que já havia conquistado a Palma de Ouro anteriormente com o filme Ventos da Liberdade, em 2006. Definido pela crítica internacional como "um belo filme político", I, Daniel Blake segue a linha dos filmes anteriores de Loach, os quais criticam a miséria na Grã-Bretanha, as patologias sociais e familiares, a destruição das políticas públicas de bem-estar social, momentos sombrios da história britânica, conflitos sociais e a luta pelos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes, tudo visto pela sua ótica marxista.
Na entrevista coletiva dada logo após a entrega do prêmio, Ken Loach não perdeu a oportunidade de criticar a atual política neoliberal de austeridade da União Europeia (UE) regida pela chamada "Troika" (grupo formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o famigerado FMI) que gerou a atual crise financeira e social pela qual o continente passa - que é também conhecida como Eurocrise:
"Vivemos um momento perigoso na Europa. A austeridade e as políticas neoliberais conduzem as pessoas ao desespero. Milhões de pessoas na Grécia, em Portugal ou na Espanha sofrem e vivem grandes dificuldades enquanto uma pequena elite no topo é extremamente rica. Não podemos continuar assim porque há uma grande desespero na base".
E acrescentou uma crítica ao sistema de seguridade social em vigor atualmente, principalmente no Reino Unido:
"Há uma crueldade consciente na maneira como [o sistema de seguridade social] organiza a nossa vida agora. Dizem às pessoas mais vulneráveis que a pobreza é culpa delas. Se você não tem um emprego, é sua culpa por não estar a trabalhar".
Embora o Festival de Cannes tenha terminado há mais de 20 dias, as palavras de Ken Loach continuam repercutindo com muita força - inclusive aqui no Brasil que, atualmente, tem uma situação bastante semelhante à UE - e, ao que tudo indica, ainda vão repercutir por um bom tempo.
Veja o vídeo da reportagem da rede de TV France 24 com cenas da entrevista coletiva de Ken Loach no Festival de Cannes 2016 e também cenas do filme I, Daniel Blake (original em inglês - HD):
Veja aqui o teaser trailer do filme I, Daniel Blake (original em inglês com legendas em francês- HD):
Panorama do Cinema
vem com mais uma Dica de Leitura, na
qual indicamos livros, revistas ou artigos sobre cinema. E a nossa dica de hoje
vai para o livro O Mundo na Visão de
Michael Moore.
Desde
a sua estreia no cinema, em 1989, com o documentário Roger & Eu, o ativista, cineasta e documentarista estadunidense
Michael Moore vem se notabilizando
como defensor das boas e grandes causas, a favor dos pobres e contra os ricos.
Crítico ferino e mordaz do american way
of life (modo de vida americano,
em inglês) e dos políticos de direita (principalmente do Partido Republicano), Moore
já foi chamado de antiamericano, panfletário, comunista, vagabundo, gordo
nojento, polêmico e genial.
Até
então com uma fama restrita aos EUA, o reconhecimento mundial veio em 2002,
quando venceu o Oscar de Melhor Documentário com Tiros em Columbine, no qual denuncia o comércio de armas em seu
país como uma coisa prostituída e que levou à tragédia da pequena cidade de
Columbine, onde dois jovens armados promoveram um massacre em uma escola e, em
seguida, suicidaram-se.
A
consagração definitiva veio em 2004, quando conquistou a Palma de Ouro no
Festival de Cannes com Fahrenheit 9/11,
o segundo documentário a conquistar esse prêmio (o primeiro foi Le Monde Du Silence, do oceanógrafo
francês Jacques Cousteau e de seu
compatriota, o cineasta Louis Malle, em
1956).
O
filme denuncia as manipulações nas eleições presidenciais de 2000 nos EUA que
foram vencidas por George W. Bush, as
relações da família do presidente estadunidense com famílias influentes da
Arábia Saudita, especialmente a família Bin Laden (a mesma do terrorista Osama Bin Laden) e os verdadeiros
motivos das invasões do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.
Com
o subtítulo de Um Autorretrato Não
Autorizado nas Palavras do Próprio Cineasta (pois não teve a participação
do mesmo em sua edição), O Mundo na
Visão de Michael Moore é uma coletânea de frases sobre vários temas ditas
por Moore entre 1989 e 2004 e que foram organizadas pelo jornalista Ken Lawrence, que também é o autor da
introdução do livro. As frases estão subdivididas em assuntos tais como “Sobre
o Presidente George W. Bush”, “Sobre os Estados Unidos”, “Sobre Tiros em
Columbine”, etc.
Na
introdução, Lawrence limitou-se a escrever uma breve biografia de Moore, sem
acrescentar nenhum fato novo ou relevante. Poderia ter aproveitado o espaço e a
oportunidade para escrever um estudo sobre o artista. Da mesma forma, as frases
selecionadas poderiam ter tido mais observações além das informações de praxe
sobre as datas, locais e veículos onde foram ditas e/ou publicadas.
Apesar
destes furos, O Mundo na Visão de
Michael Moore serve como uma excelente introdução tanto aos filmes do documentarista
quanto aos livros que ele escreveu tais como Stupid White Man – Uma Nação de Idiotas; Cara, Cadê Meu País?; e Adoro Problemas - todos publicados no
Brasil. A leitura é fácil, agradável e rápida, sendo que as letras grandes e o
tamanho do livro (122 páginas) ajudam nisso.
Publicado
pela Editora Best Seller (que pertence ao Grupo Editorial Record) em 2005, O Mundo na Visão de Michael Moore encontra-se,
infelizmente, esgotado. Porém, é possível ainda encontrá-lo em sebos físicos e/ou
virtuais. Como o preço varia de um lugar ao outro, recomenda-se fazer uma boa
pesquisa antes de comprar.
Enquanto
isso, Michael Moore não sossega. Além
de ter lançado seu mais recente filme, Where
to Invade Next (ver o trailer abaixo), também anunciou publicamente o seu
apoio ao pré-candidato Socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, à presidência dos EUA nas eleições que irão ocorrer
em 8 de novembro deste ano (veja aqui).
Tudo em nome dos pobres, fracos e oprimidos.
FICHA TÉCNICA
·Título:
O Mundo na Visão de Michael Moore – Um Autorretrato Não Autorizado nas Palavras
do Próprio Cineasta
·Autor:
Lawrence, Ken (organização)
·Assunto:
Cinema, Política, Sociologia
·Idioma:
Português
·Ano:
2005
·Editora:
Best Seller
·Edição:
1
·Nº
de páginas: 122
·Status:
esgotado
·Preço:
variável (sebos físicos e virtuais)
COTAÇÃO
Bom.
Veja
aqui o trailer oficial do mais recente filme de Michael MooreWhere to Invade
Next (original em inglês - HD):
Panorama do Cinema
vem com mais uma Dica de Cinema, a nossa sugestão de bons filmes com bons
preços. E a nossa dica de hoje vai para a Mostra
de Filmes de Wim Wenders, que está sendo realizada no Cine Caixa Belas Artes, em São Paulo, capital.
Considerado
um dos maiores cineastas do mundo e um dos nomes mais importantes do Novo CinemaAlemão – movimento que surgiu no final da década de 1960 influenciado
pela Nouvelle Vague francesa e que teve
seu auge na década de 1970 – Wim Wenders
já trabalhou com gêneros variados de filmes tais como drama, suspense e
documentários. Sua consagração veio em 1984, com o filme Paris, Texas, que
conquistou a Palma de Ouro no Festival
de Cannes. Um dos filmes mais populares de Wim Wenders, Asas do Desejo (1987), além de ter
conquistado o prêmio de Melhor Direção em Cannes, também ganhou o Prêmio do
Público na Mostra Internacional de
Cinema de São Paulo. Seu
filme mais recente chama-se Tudo Vai Ficar Bem, lançado neste
ano.
A
MostraWim Wenders terá lugar no Cine
Caixas Belas Artes, verdadeiro ícone entre as salas de exibição da capital
paulista e que foi recentemente restaurado. A mostra acontece entre os dias 10
e 16 de março. Veja abaixo a programação:
·10
de março: O Estado das Coisas (1982)
·11
de março: Paris, Texas (1984)
·12
de março: Asas do Desejo (1987)
·13
de março: Buena Vista Social Club
(1999)
·14
de março: O Amigo Americano (1977)
·15
de março: Tokyo Ga (1985)
·16
de março: Movimento em Falso (1975)
Os
ingressos custam R$ 16,00 (R$ 8,00 meia entrada). Entretanto, é sempre
aconselhável ligar antes – ou consultar o site da sala – para confirmar
horários e preços.
O
Cine Caixas Belas Artes está
localizado na Rua da Consolação 2423, São Paulo-SP. Telefone: (11) 2894-5781.
Site oficial: http://caixabelasartes.com.br/.
Veja aqui o trailer oficial de Buena Vista Social Club dirigido por Wim Wenders (original em espanhol e inglês):