A Revista Digital da Sétima Arte fundada em 06/02/2016
Bem-Vindos a Panorama do Cinema"
Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).
Editorial
Estamos de Volta!
Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades.
Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts.
Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo".
Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês.
Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza.
Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre.
Boas leituras e boa diversão!
Alfred
Dreyfus (Louis
Garrel,
de Adoráveis
Mulheres)
é
capitão do exército francês e um dos poucos judeus alistados. No
final de 1894, é
acusado de alta
traição
por ter fornecido
informações
secretas
para
a Alemanha,
condenado à prisão perpétua, exílio na colônia penal da Ilha do
Diabo e expulso das forças armadas em
uma cerimônia humilhante.
O
recém-promovido e nomeado chefe do serviço de inteligência do
exército, Coronel Georges Picquart (Jean
Dujardin,
de O
Lobo de Wall Street),
durante uma investigação de um outro caso de traição, descobre
provas que mostram que o Capitão Dreyfus é inocente e inicia sua
luta para inocentar o colega
oficial.
Obtém o apoio e ajuda do grande escritor Émile Zola (André
Marcon,
de O
Melhor Está por Vir),
que publica uma carta aberta em um jornal ao presidente da França na
qual afirma a inocência de Dreyfus e acusa o alto escalão
do exército de serem os verdadeiros responsáveis. A carta tem o
título de “J’ Accuse” (“Eu Acuso”).
O
final
do século XIX é turbulento para França com um amontoado de
acontecimentos tais como a derrota na Guerra Franco-Prussiana, a
Comuna de Paris, a ascensão
da Terceira República, o escândalo de corrupção na construção
do Canal do Panamá e conflito de separação entre Estado e Igreja,
que levaram o país ao caos político e social. O
“Affaire
Dreyfus” (“Caso Dreyfus”, em francês), serviu
tanto como válvula de escape quanto como
desculpa
para os problemas que ocorriam – a famosa e manjada “conspiração
judaica” junto
com a “invasão de estrangeiros” que “deturpavam a cultura, a
moral e os bons costumes”.
Mais
de 120
anos depois, o
“Affaire
Dreyfus” continua
a ser um assunto quente na França. É
um daqueles episódios que uma nação acaba por sentir vergonha de
si mesma, pois, além de ser um exemplo de injustiça, com erros
jurídicos grosseiros, também mostra
o antissemitismo e a xenofobia, dois problemas que, em
século XXI, persistem em permanecer entre
nós, particularmente na Europa onde, devido a volta de partidos e/ou
movimentos de extrema-direita, episódios preconceituosos,
principalmente contra imigrantes, refugiados e outras minorias
ocorrem com frequência cada vez maior.
Apesar da história ser verdadeira, a principal fonte de O
Oficial e O Espião
é o romance homônimo do escritor britânico Robert
Harris,
que também
foi o autordo
roteiro junto
com o diretor do filme, o cineasta franco-polonêsRoman
Polanski
(A
Pele de Vênus).
Ambos
já haviam trabalhado juntos no filme O
Escritor Fantasma
(2010), outra
adaptação de uma obra de Harris. Antes disso, quando conheceram um
ao outro, o escritor sugeriu a Polanski adaptar outro romance seu,
Pompéia,obra
inspirada, segundo o próprio Harris, no clássico Chinatown
(1974).Embora
o diretor tenha interessado-se, o projeto não avançou.
Em
O
Oficial e O Espião,
Polanski, já com 86 anos de idade, mostra estar em plena forma. Seu
trabalho na direção é seguro, preciso, pondo as doses certas de
emoções sem apelar para o drama barato.
O filme é uma denúncia contra o racismo, antissemitismo e
xenofobia, mas também é um thriller político, policial além de
filme de tribunal. É
uma verdadeira salada, mas Polanski faz a película fluir tão bem na
tela que essa mistura acaba por ser perfeitamente harmoniosa.
A
mão
de Roman Polanski também pode ser vista na direção do elenco. Jean
Dujardin, após sua consagração no Oscare noFestival
de Cannescom a conquista dos prêmios de Melhor Ator com o filme O
Artista
(2011), tem outra performance digna de premiação. Com atuação
discreta, mas moderna e impactante, Dujardin transforma Georges
Picquart no tipo de herói que deve-se aplaudir: com coragem – sem
ser um Brucutu truculento - e
consciência de dever e justiça. Ele
não
superpoderes como os super-heróis da Marvel e da DC. O
seu poder reside no seu alto senso de moral e de busca pela verdade.
Mesmo o caso que tem com uma mulher casada, que, para alguns, pode
ser algo reprovável, é mostrado mais como uma
imperfeição
de um ser humano (imperfeição
essa a qual todos estamos sujeitos) do que de um herói.
Louis
Garrel aparece pouco em O
Oficial e O Espião,
mas quando aparece, sua performance dá tamanha dignidade ao
personagem que interpreta, o Capitão Alfred Dreyfus, (como, por
exemplo, na cena da humilhante expulsão do oficial), a ponto de
sentirmos sua presença nas partes em que não aparece. Aliás, para
mim, uma pequena falha deO
Oficial e O Espião,
é justamente essas
poucas
vezes que Garrel aparece, embora o personagem principal seja Picquart
e não Dreyfus.
A
esposa de Polanski, a
atriz e cantora Emmanuelle
Seigner(No
Portal da Eternidade),
interpreta Pauline Monnier, a mulher casada que tem um caso de
Georges Picquart. Aos 53 anos, Emmanuelle continua muito bonita e uma
atriz cada vez mais segura. Embora sua personagem não tenha grande
interferência no “Caso Dreyfus”, ela mostra ser não apenas o
interesse amoroso do herói,
mas
igualmente uma mulher de personalidade independente, à frente de seu
tempo.
O
Oficial e o Espião
vem colecionando prêmios desde a sua prèmiére, em 2019. No
Festival
de Veneza,
conquistou o Grande Prêmio do Júri, além
do Prêmio FIPRESCI para Polanski e o prêmio de Melhor Filme de
Língua Estrangeira.Já
no Prêmio
César(versão
francesa do Oscar) deste ano, foi indicado a 12 prêmios, tendo
conquistado os de Melhor Figurino, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor
Diretor para Polanski.
Embora
O
Oficial e O Espiãoseja um campeão de bilheteria na França, à frente de
arrasa-quarteirões como Frozen
II
e Star
Wars: A Ascensão Skywalker,
as
polêmicas
insistem
em acompanhar Roman Polanski devido ao já mais do que conhecido
escândalo das relações sexuais que teve com uma menina de 13 anos
até a mais recente, um suposto caso de estupro que teria ocorrido em
1975. As
manifestações das
feministas desde
a estreia do filme são constantes.
Por
tudo isso, Polanski está a tornar-se um recluso, raramente aparece
em público, tanto que não foi receber os prêmios que conquistou em
Veneza e Paris. Emmanuelle Seigner foi em seu lugar. Em
Veneza, ela comentou as polêmicas que envolvem seu marido e sua
relação com O
Oficial e O Espião:
“Para
mim é difícil falar pelo Roman. O que posso dizer é que o
sentimento de perseguição patente no filme é algo que ele conhece
bem. Basta olhar para a sua vida” (veja
aqui).
Com
ou sem polêmicas de Roman Polanski, O
Oficial e O Espiãoé
um filme que chega em um momento oportuno. Na era das trevas em que
vivemos atualmente em nosso país tendo como mandatário um demente à
frente de uma equipe de governo formada por verdadeiros lunáticos
com um “guru” que não passa de um astrólogo boca-suja, as
mensagens que
o filme transmite de anti-racismo,
anti-preconceito, a busca pela verdade e uma justiça que faça jus
ao nome, são mais do que necessárias. São cruciais.
FICHA TÉCNICA
Título Original:J' Accuse
Direção:Roman Polanski
Elenco:Jean Dujardin (Tenente-Coronel Georges Picquart), Louis Garrel (Capitão Alfred Dreyfus), Emmanuelle Seigner (Pauline Monnier), André Marcon (Émile Zola)
Roteiro: Robert Harris, Roman Polanski (baseado no romance "An Officer and A Spy")
Música: Alexandre Desplat
Fotografia: Pawel Edelman
Duração:132 minutos
País:França
Ano:2019
Lançamento comercial no Brasil:12/03/2020
RESUMO DO FILME
O Capitão do exército francês, Alfred Dreyfus, é acusado de alta traição e condenado à prisão perpétua. Porém, o Tenente-Coronel Georges Picquart desconfia de uma injustiça e começa a investigar o Caso Dreyfus.
COTAÇÃO
✪✪✪✪✪
Veja aqui o trailer oficial de O Oficial e O Espião(legendado - HD):
O final de ano é uma época que os estúdios de cinema escolhem estrategicamente para fazer o lançamento de suas grandes produções aproveitando as festas que ocorrem nesse período. Um exemplo é o nono episódio da saga StarWars, que promete encerrar a história do clã Skywalker.
Porém, isso não ocorre apenas com o principais estúdios dos EUA, mas em outros países também. Se atravessarmos o oceano atlântico em direção a Europa, mais especificamente ao berço do cinema, a França, veremos os lançamentos de três filmes que prometem serem sucessos de crítica e público.
La Belle Époque
O primeiro lançamento é Lá Belle Époque(A Bela Época, em francês), dirigido por NicolasBedos (Amor e Turbulência) e estrelado por aquele que é considerado uma lenda viva entre os intérpretes franceses, DanielAuteuil. No Brasil, ele é mais conhecido pelo filme Rainha Margot, no qual interpretou o rei Henrique de Navarre e, mais recentemente, por O Orgulho, no papel do insuportável professor Pierre Mazard.
Exibido fora de competição no último Festival de Cannes - algo raro para uma comédia - La Belle Époque parte da seguinte premissa: E se você pudesse reviver uma bela época da sua vida?
La Belle Époque é uma comédia com tons de drama que conta a história de um homem cujo casamento está em crise e que pretende reconquistar o amor da esposa. Para isso, aceita participar de uma experiência em que, por meio de uma encenação, irá reconstituir um encontro que ocorreu na década de 1970. Essa experiência mudará completamente a vida do casal.
Veja o trailer oficial de La Belle Époque (legendado - HD):
Adults in The Room
Em 2015, durante uma entrevista para o canal de notícias Euronews, o cineasta greco-francês Constantin Costa-Gavras (Desaparecido: Um Grande Mistério) disse que ainda não sabia se o então primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, da coligação de esquerda Syriza poderia ser personagem de um filme seu.
Quatro anos depois, a dúvida foi tirada: Alexis Tsipras aparece como personagem do mais novo filme de Costa-Gavras, Adults in The Room, que, em inglês, significa, literalmente, "Adultos na Sala". Ainda não há um título oficial no Brasil, mas em Portugal irá chamar-se "Comportem-se como Adultos".
Adults in The Room mostra a situação da Grécia em 2015: a economia está um caos total e o país está prestes a falir. A UniãoEuropeia (UE) por meio da infame Troika (grupo formado pela comissão europeia, banco central europeu e o famigerado FMI), impõe uma duríssima política de austeridade aos gregos.
Porém, o recém-eleito governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras (interpretado por Alexandros Bourdoumis, de O Thisavros) rebela-se contra essa política e parte para negociações tensas com a Troika. A frente dessas mesmas negociações, está o ministro das finanças Yanis Varoufakis (Christos Loulis, de Love me Not).
Aos 86 anos, Costa-Gavras continua muito ativo e com a mesma disposição para a luta política. E também continua sem papas na língua ao criticar tanto o capitalismo quanto a esquerda europeia. Segundo o diretor:
"A esquerda, os esquerdistas europeus, falharam em todos os lados. Portanto, temos de ver do que falamos quando nos referimos à esquerda. O que é a esquerda? Para mim, a esquerda não são os homens, são duas ou três ideias essenciais numa sociedade, é uma filosofia de vida. Depois, esta filosofia foi confiada a certos políticos que falharam".
Veja aqui o trailer oficial de Adults in The Room (legendas em português europeu - HD):
J ' Accuse
Por fim, temos o mais recente filme de Roman Polanski (O Pianista), J' Accuse (Eu Acuso, em francês), que conta a história verídica do capitão Albert Dreyfus (1859-1935), acusado falsamente de alta traição, é expulso do exército francês de forma humilhante e passa a sofrer perseguições antisemitas (ele era de família judaica) e xenofóbicas. O título do filme refere-se a um artigo do jornal L' Aurore (A Aurora) o qual defende Dreyfus e de autoria do grande escritor Émile Zola (1840-1902). J' Accuse teve sua première mundial no último Festival de Veneza, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri. Porém, não escapou de polêmica devido ao passado do diretor, com escândalos sexuais que vão desde relações com uma menina de 13 anos - que fez com que fugisse dos EUA, para onde nunca mais voltou - até uma recente acusação de estupro.
A presidente do júri do Festival de Veneza, a cineasta argentina Lucrecia Martel, não economizou críticas ao seu colega de profissão:
"Eu não separo o homem da obra. O mais interessantes nestes trabalhos é ver transparecer a pessoa que está por detrás. E, como podem imaginar, a presença de Polanski aqui, com todo o seu passado, é muito desconfortável para mim".
Roman Polanski, na verdade, não esteve em Veneza. De alguns anos para cá, ele está a torna-se um recluso, raramente aparece em público e , quando o faz, é alvo de protestos como, por exemplo, do grupo feminista Femem, que manifesta-se sempre que o diretor vai a algum evento. Na pré-estréia de J' Accuse em Paris, houve mais uma manifestação contra Polanski (veja aqui). Devido a essas manifestações, a esposa de Polanski, a atriz e cantora francesa Emmanuelle Seigner (BuscaFrenética) o substitui nos eventos. Emmanuelle comentou a mais nova polêmica contra seu marido e sua relação com J' Accuse: "Para mim, é difícil falar pelo Roman. O que posso dizer é que o sentimento de perseguição patente no filme é algo que ele conhece bem. Basta olhar para a sua vida". Quanto a mim, posso dizer que a vida de Roman Polanski daria um filme. E dos bons!
Veja o trailer oficial de J ' Accuse (legendado - HD):
La
Belle Époque, Adults in The Room e J' Accuse vão estreiar nas telas
europeias entre o final de novembro e primeira quinzena de dezembro. Ainda não há
uma data prevista para estreiarem no Brasil.
O cineasta franco-polonês Roman Polanski (O Escritor Fantasma), em entrevista à rede de notícias Euronews, disse que irá processar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, em Hollywood, que, simplesmente, organiza a cerimônia do mais famoso prêmio do cinema mundial, o Oscar.
Roman Polanski - que conquistou o Oscar de Melhor Diretor, em 2003, por O Pianista e a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo mesmo filme no mesmo ano - disse que o motivo dessa sua decisão foi pelo fato de ter sido expulso da Academia como consequência dos escândalos de abuso e assédio sexual que vem ocorrendo nos EUA sem ter tido a chance de se defender e ser ouvido de maneira justa. O advogado de Roman Polanski acrescentou que, ao expulsar o cineasta, a Academia não respeitou o próprio código, além de infringir a legislação do estado da Califórnia. Em 1977, Roman Polanski foi acusado de estupro contra a jovem Samantha Geimer que, à época, tinha 13 anos de idade. O caso foi para justiça dos EUA, que considerou Roman Polanski culpado das acusações. Antes de ir à corte ouvir a sentença, o cineasta exilou-se na França e nunca mais voltou ao território estadunidense. Em uma entrevista na Polônia, Polanski - atualmente com 84 anos de idade - chamou o movimento #MeToo (criado a partir dos casos de abuso e assédio sexual que sacodem Hollywood e que tem como uma das suas mais famosas simpatizantes, a atriz e apresentadora Oprah Winfrey) de "histeria de massa"e "total hipocrisia". O comediante Bill Cosby (Papai Fantasma), recentemente condenado pela justiça por abusos sexuais, também foi expulso da Academia na mesma semana que Roman Polanski.
Veja aqui a matéria da Euronews com Roman Polanski (traduzida em português europeu):
Para muitas pessoas comédia e terror são gêneros de filmes tão opostos quanto água e óleo. Porém, eles se juntaram por diversas vezes e, não raro, deram ótimos resultados. Panorama do Cinema fez uma seleção dos melhores filmes de "Terrir" (mistura de terror com rir) para você assistir e rachar o bico tanto na sexta-feira 13 quanto nos outros dias do ano.
Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas (1948)
Chick e Wilbur (a dupla cômica Bud Abbott e Lou Costello) são funcionários de um transportadora que entregam duas caixas grandes em um museu sem saber que dentro estão os corpos do Conde Drácula (Bela Lugosi, de O Gato Preto) e do monstro de Frankenstein (Gleen Strange, de A Casa de Frankenstein). Drácula quer encontrar um cérebro para colocar na cabeça do monstro e acha que Costello é o "voluntário" ideal. Porém, um lobisomem (Lon Chaney Jr., de O Lobisomem) descobre o plano de Drácula e vai ajudar os dois amigos trapalhões. Abbott e Costello começaram sua carreira no rádio, caracterizando-se por seus diálogos rápidos, e logo foram para o cinema tendo, inclusive, atuado com a nossa eterna Pequena NotávelCarmen Miranda (de Uma Noite no Rio). Costello, a princípio, não gostou do roteiro e chegou a dizer que a sua filhinha de cinco anos escreveria algo melhor. Porém, a medida que as filmagens decorriam, ele foi entusiasmando-se e mudou de opinião. Com a presença dos Grandes Mestres do Terror Bela Lugosi e Lon Chaney Jr. a reprisarem - ainda que de uma forma cômica - os papéis que os consagraram, Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas foi um grande sucesso de bilheteria, e, em 2001, foi escolhido para preservação pela Biblioteca do Congresso dos EUA por ser considerado um filme culturalmente, esteticamente e historicamente significante.
Veja aqui o trecho do filme Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas (dublado - HD):
O Corvo (1963)
No século XV o mago Dr. Erasmus Craven (Vincent Price, de Edward Mãos de Tesoura) está recluso em seu castelo há dois anos devido a morte de sua esposa, Eleonore (Hazel Court, de A Profecia III: O Conflito Final), o que deixa a sua filha, Estelle (Olive Sturgess, da série de TV Bonanza), muito triste. Um dia, aparece um corvo que, na realidade, é o Dr. Adolphus Bedlo (Peter Lorre, de 20.000 Léguas Submarinas), que foi transformado nessa ave pelo Dr. Scarabus (Boris Karloff, de Na Mira da Morte) durante um duelo de magia, quer a revanche e pede ajuda a Craven. Este recusa, mas quando Bedlo lhe diz que viu o fantasma de Eleonore no castelo de Scarabus, aceita ir. Estelle os acompanha juntamente com o filho de Bedlo, Rexford (Jack Nicholson, de As Bruxas de Eastwick).
Dirigido e produzido pelo Mestre dos Filmes B, Roger Corman (Massacre em Chicago), O Corvo faz parte de um ciclo de filmes para o cinema baseados e/ou inspirados na obra do escritor estadunidense Edgar Allan Poe (1809-1849). O roteiro d' O Corvo, de autoria de Richard Matheson (A Casa de Noite Eterna, veja matéria aqui), foi inspirado no poema homônimo de Poe que, diga-se de passagem, pouco ou nada tem a ver com a história.
O filme foi feito em apenas 15 dias e Corman conta que, apesar de terem seguido fielmente o script, haviam muitas improvisações durante as filmagens, principalmente por parte de Peter Lorre, o que deixava Boris Karloff, que tinha o hábito de preparar-se intensamente antes de iniciar um trabalho, completamente doido. Também ficaram famosas as brigas de Lorre e Jack Nicholson nos bastidores.
A presença de dois dos Grandes Mestres do Terror, Boris Karloff e Vincent Price, além de Peter Lorre (que não fazia parte do grupo, mas, pode-se dizer, tinha ligações muito próximas com este) já era uma garantia de sucesso. E não deixa de ser curioso ver o então jovem Jack Nicholson em início de carreira. O Corvo tem momentos impagáveis tais como as pomposas frases em latim ditas por Bedlo, o divertido duelo de magia entre Craven e Scarabus e a declamação do poema que dá o título ao filme feita por Price, que aliás, ficou muito famosa nos países de língua inglesa.
Para aqueles que ficaram interessados em ler O Corvo, há duas magníficas traduções em língua portuguesa dessa obra de Poe: uma feita pelo poeta português Fernando Pessoa (1888-1995) e outra pelo romancista brasileiro Machado de Assis (1839-1908).
Veja aqui o trailer original de O Corvo (original em inglês):
A Dança dos Vampiros (1967)
No coração profundo da Transilvânia, o desajeitado Professor Abronsius (Jack MacGowran, de O Exorcista) e seu assistente, o tímido Alfred (Roman Polanski, de Que?), estão à caça de vampiros. Ao chegarem em uma estalagem, Alfred apaixona-se pela linda filha do estalajadeiro, Sarah (Sharon Tate, de O Vale das Bonecas). Uma noite, o vampiro Conde von Krolock (Ferdy Mayne, de Conan, o Destruidor) rapta Sarah e Alfred e o professor vão ao seu resgate. O cineasta franco-polonês Roman Polanski vinha dos sucessos dos filmes Repulsa ao Sexo (1965) e Armadilha do Destino (1966) quando recebeu o convite para fazer A Dança dos Vampiros. Pela primeira vez em sua carreira, Polanski contou com um grande orçamento, um grande estúdio, locações nos Alpes, figurino elaborado e uma coreografia própria para o filme. E não desapontou aqueles que depositaram sua confiança nele. A Dança dos Vampiros foi um sucesso de público e crítica. Polanski fez uma grande comédia com um visual ao mesmo tempo sinistro e estiloso e com figuras hilárias tais como o vampiro gay (Iain Quarrier, de O Muro das Maravilhas) - uma novidade para a época - e o vampiro judeu (Alfie Bass, de A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa) contra quem as cruzes não fazem efeito.
Roman Polanski tinha pensado em Jill St. John (007 - Os Diamantes são Eternos) para o papel de Sarah. Por sugestão de um dos produtores, contratou Sharon Tate. No começo, os dois não se davam, mas, como em um conto de fadas, apaixonarem-se um pelo outro e, ao término das filmagens, casaram-se.
O sucesso d' A Dança dos Vampiros abriu as portas de Hollywood para Polanski. Seu primeiro trabalho de direção nos EUA foi o sério e um dos mais assustadores filmes de terror de sempre, O Bebê de Rosemary, em 1968, que ganhou fama de amaldiçoado quando, no ano seguinte, Sharon Tate foi brutalmente assassinada por fanáticos da seita liderada pelo tresloucado Charles Manson (1934-2017).
Veja aqui o trailer original de A Dança dos Vampiros (original em inglês):
O Jovem Frankenstein (1974)
Frederick Frankenstein (Gene Wilder, de A Fantástica Fábrica de Chocolates), que insiste que seu sobrenome seja pronunciado como "Fronkensteen", é um médico e professor de medicina em uma universidade dos EUA e que rejeita o passado de seu avô, o Dr. Victor Frankenstein. Um dia, recebe a notícia que herdou um castelo localizado na Transilvânia e vai até lá para conhecer a propriedade. Ao chegar, é recebido pelo corcunda de olhos esbugalhados Igor (Marty Feldman, de O Pirata da Barba Amarela), que insiste que seu nome seja pronunciado como "Aigor"; conhece a sua nova assistente, Inga (Teri Garr, de Tootsie); e a governanta, Frau Blucher (Cloris Leachman, de A Última Sessão de Cinema). No castelo, Frederick encontra o diário de seu avô e decide por continuar a sua obra criando um novo monstro (Peter Boyle, de Scooby-Doo 2: Monstros a Solta).
O cineasta Mel Brooks (Que Droga de Vida) e Gene Wilder eram velhos amigos e já haviam trabalhado juntos em outros filmes tais como Primavera Para Hitler (1967) e Banzé no Oeste (1974). Quando Wilder mostrou o roteiro a Brooks, este mostrou pouco interesse. Porém, Gene tanto insistiu, que o diretor acabou por concorda em fazer, além de colaborar no roteiro.
Filmado em preto e branco e tendo utilizado os mesmos equipamentos elétricos do filme clássico de 1931, O Jovem Frankenstein é hilário do começo ao fim, misturando desde piadas ingênuas com piadas sexuais como na cena na qual o monstro preparar-se para transar com a noiva de Frederick, Elizabeth (Madeline Kahn, de Lua de Papel, engraçadíssima), e ela confere o tamanho da "ferramenta" dele.
O Jovem Frankenstein surpreendeu a crítica e foi um inesperado e enorme sucesso de público. O filme foi indicado para os Oscars de Melhor Roteiro Adaptado (Wilder e Brooks) e Melhor Som; e para os Globos de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical (Cloris Leachman) e Atriz Coadjuvante (Madeline Kahn).
Em 2003, O Jovem Frankensteinfoi escolhido para ser preservado pela Biblioteca do Congresso dos EUA por ser ter sido considerado um filme culturalmente, esteticamente e historicamente significante.
Veja o trailer original de O Jovem Frankenstein (original em inglês):
O Segredo da Múmia (1982)
Expedito Vitus (Wilson Grey, de Os Fantasmas Trapalhões) é um cientista louco que vive recluso junto com sua esposa, Gilda (Clarice Piovesan, da série de TV Kika e Xuxu); seu assistente, Rodolfo (o maestro Julio Medaglia); e seus criados Igor (Felipe Falcão, de O Escorpião Escarlate) e Regina (Regina Casé, de Que Horas Ela Volta?). Anos atrás, Expedito foi ridicularizado por seus colegas cientistas ao afirmar que havia criado o Elixir da Vida e quer provar que está certo ao utilizar-se de uma múmia do faraó Runamb (Anselmo Vasconcelos, de O Homem Nu) para seus intentos. O repórter investigador Everton Soares (Evandro Mesquita, de Menino do Rio) e a radialista Miriam (Tânia Bôscoli, de Um Trem Para as Estrelas) podem atrapalhar os planos do insano cientista. Tendo como suas principais influências Boris Karloff e José Mojica Marins, o nosso Zé do Caixão (Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver), além de histórias em quadrinhos, filmes B e séries de TV de terror, ficção-científica e policiais, o cineasta Ivan Cardoso (Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez) fez de O Segredo da Múmia ao mesmo tempo uma paródia e uma singela homenagens aos seus velhos ídolos. O Segredo da Múmia usa elementos de uma típica produção de Roger Corman tais como o horror, a fantasia, a nudez e a violência acrescentados de uma característica bem brasileira: o humor. Uma mistura que fez surgir o gênero de filme que ficou conhecido como Terrir, do qual Ivan Cardoso, além de ser o seu criador, também é mestre.
O filme também paga o devido tributo a Wilson Grey que, apesar de uma longa e prestigiosa carreira, nunca tinha sido, até então, o ator principal de um filme.
O Segredo da Múmia conquistou, merecidamente, vários prêmios: no Festival de Gramado, ganhou nas categorias de Melhor Roteiro (para Rubens Luchetti), Ator Coadjuvante (Felipe Falcão), Trilha Sonora (Júlio Medaglia e Gilberto Santeiro) e um Prêmio Especial para Wilson Grey.
No Festival de Brasília, ganhou os prêmios de Melhor Diretor, Ator e Montagem. A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) entregou os prêmios de Melhor Ator, Cenografia e Figurino.
No exterior, foi indicado ao prêmio de Melhor Filme no Fantasporto (Portugal).
Veja aqui o trailer original de O Segredo da Múmia (original em português - HD):
A Repossuída (1990)
Há muitos anos atrás, o padre Jedediah Mayii (Leslie Nielsen, da franquia Corra, Que a Polícia Vem Aí) realizou um exorcismo para expulsar o demônio que possuía a jovem Nancy Aglet (Linda Blair, de Inocência Ultrajada). O tempo passou e um dia, enquanto assistia um programa evangélico protagonizado pelo casal Ernest (Ned Beatty, de Superman, o Filme) e Fay (Lana Schwab, de No Limite da Realidade), Nancy tem uma estranha e familiar sensação e vai para o hospital. Ao ser examinada pelo padre Luke Brophy (Anthony Starke, de A Volta dos Tomates Assassinos), este conclui que Nancy foi repossuida pelo demônio e vai pedir auxílio ao padre Jedediah, que recusa-se a ajudar. Ernest e Fay oferecem-se para realizar o ritual de expulsão espiritual com transmissão via satélite. O demônio vê a oportunidade para possuir mais almas e também para obter a revanche contra o padre Jedediah, que aceita o desafio.
Na época de seu lançamento, a crítica torceu o nariz para esta paródia - talvez um pouco tardia - do clássico O Exorcista (1973). Porém, com o passar do tempo, as críticas vem sendo revistas. A Repossuida é um filme bastante divertido com a presença do sempre engraçado Leslie Nielsen e satirizando não apenas a película que o inspirou, mas também o comercialismo excessivo de seitas evangélicas que seguem a Teologia da Prosperidade.
Sem querer fazer um jogo de palavras, mas já fazendo-o, em A Repossuida Linda Blair tem a chance de exorcizar o demônio que a atormenta desde que fez o filme que a lançou para a fama. Dá para perceber que ela está bem a vontade e curtindo pacas o trabalho. Seu entrosamento com Leslie Nielsen é simplesmente ótimo.
E para aumentar o escracho, A Repossuida teve a "honra" de ganhar o prêmio Framboesa de Ouro de Pior Canção. Diabólico, não é?
Veja aqui o trailer original de ARepossuída (original em inglês):
Todo Mundo em Pânico (2000)
Em uma pequena e tranquila cidade no interior dos EUA, a jovem Drew Decker (Carmen Electra, de Doze é Demais 2) recebe um telefonema agressivo quando, de repente, aparece um mascarado que a ataca com uma facada no seu seio cheio de silicone. A partir daí, o mascarado começa a atacar os jovens da cidade tais como o casal de namorados Cindy (Anna Faris, de Emoji: O Filme) e Bobby (Jon Abrahams, de Terapia do Amor) e o sempre chapado maconheiro Shorty (Marlon Wayans, de Nu). No segunda metade da década de 1990, houve um "boom" de filmes de terror inspirados principalmente pelas franquias Halloween e Sexta-Feira 13, com assassinos mascarados armados de facas e outras armas pontiagudas. Destes novos filmes destacaram-se Pânico (1996), dirigido por Wes Craven (Shocker); e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), com direção de Jim Gillespie (Venom), que geraram franquias lucrativas e de sucesso. Essas franquias, além de filmes como O Sexto Sentido (1999) e A Bruxa de Blair (1999) foram a base desta comédia repleta de besteirol, produzida, dirigida e interpretada pelos irmãos Wayans - Keenen (direção), Marlon e Shawn (atuação e produção). No Brasil, é bastante conhecido outro dos irmãos, Damon, devido ao sucesso da série de TV Eu, a Patroa e as Crianças (2001-2005). A crítica recebeu o filme de maneira morna, mas o público amou. Todo Mundo em Pânico fez tanto sucesso que gerou mais quatro filmes - aliás, mais do que as franquias que o inspirou.
Veja aqui o trailer original de Todo Mundo em Pânico (original em inglês):
Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016)
Elizabeth Bennet (a inglesa Lily James, de Cinderela) e suas quatro irmãs: a doce Jane (a australiana Bella Heathcote, de Sombras da Noite), a frívola Lydia (Ellie Bamber, da série de TV Os Mosqueteiros), a infantil Kitty (Suki Waterhouse, de A Série Divergente: Insurgente) e a estudiosa Mary (Millie Brady, de Lendas do Crime), vivem com seus pais, o Sr. e a Sra. Bennet na propriedade chamada Longbourn. As irmãs Bennet são exímias praticantes de artes marciais e no manejo das armas, especialmente Elizabeth, que teve seu treinamento realizado em um templo Shao Lin, na China. Esse treinamento em lutas e armas se deve ao fato da Inglaterra estar sendo assolada por uma praga que transforma as pessoas em zumbis, de modo que as famílias britânicas, principalmente as que moram no interior como os Bennet, devem estar sempre preparadas para enfrentar os mortos-vivos.
Como toda a mãe que se preze, a Sra. Bennet deseja muito ver as suas filhas bem casadas, mesmo porque, pelas leis da época, as mulheres não tinham direito a herança, de modo que os bens do patriarca iam para o parente masculino mais próximo que, no caso dos Bennet, era o seu primo pastor, o pedante, afetado e pomposo Sr. Collins (Matt Smith, da série Doctor Who), que não se cansa de bajular sua matrona, a riquíssima e excepcional espadachim Lady Catherine de Bourgh (Lena Headey, de 300).
Um dia, a propriedade de Netherfield, próxima à dos Bennet, é adquirida pelo jovem cavalheiro Charles Bingley (Douglas Booth, da minissérie Grandes Esperanças), que logo se apaixona por Jane. Junto com ele estão a sua irmã, Caroline (a estadunidense Emma Greenwell, da série de TV Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) e seu amigo Fitzwilliam Darcy (Sam Riley, de Control – A História de Ian Curtis), um coronel do exército inglês especializado em exterminar zumbis. Tido como orgulhoso, não é bem visto pela sociedade local, principalmente Elizabeth. Essa antipatia aumenta quando ela conhece o oficial George Wickham (Jack Houston, de Trem Noturno Para Lisboa), que acusa Darcy de prejudicá-lo em sua vida. Ele ganha a simpatia de Elizabeth e conta a ela que tem um plano para que humanos e zumbis possam viver harmoniosamente e em paz. É claro que um filme de zumbis não poderia faltar nesta seleção. O diretor Burr Steer (17 Outra Vez) fez uma divertida adaptação do livro homônimo de Seth Grahame-Smith que, por sua vez, é uma surpreendente releitura do romance clássico Orgulho e Preconceito da escritora Jane Austen (1775-1817). A premissa do livro de Grahame-Smith é a mesma de Austen, com a diferença dos zumbis. E quem lê o livro e depois vê o filme, chega a pensar que a história foi criada por ela ao invés dele. Quem quiser saber mais sobre o filme pode ler a crítica que fiz quando do lançamento de Orgulho e Preconceito e Zumbis.
Veja aqui o trailer original de Orgulho e Preconceito e Zumbis (legendado - HD):