Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Cinema Francês | Os lançamentos dos novos filmes de Daniel Auteuil, Costa-Gavras e do polêmico Roman Polanski


Ouça o podcast desta matéria nas plataformas Anchor, Deezer, Google Podcasts, Spotify, Castbox e Spreaker.

O final de ano é uma época que os estúdios de cinema escolhem estrategicamente para fazer o lançamento de suas grandes produções aproveitando as festas que ocorrem nesse período. Um exemplo é o nono episódio da saga Star Wars, que promete encerrar a história do clã Skywalker.

Porém, isso não ocorre apenas com o principais estúdios dos EUA, mas em outros países também. Se atravessarmos o oceano atlântico em direção a Europa, mais especificamente ao berço do cinema, a França, veremos os lançamentos de três filmes que prometem serem sucessos de crítica e público.


La Belle Époque


O primeiro lançamento é Lá Belle Époque (A Bela Época, em francês), dirigido por Nicolas Bedos (Amor e Turbulência) e estrelado por aquele que é considerado uma lenda viva entre os intérpretes franceses, Daniel Auteuil. No Brasil, ele é mais conhecido pelo filme Rainha Margot, no qual interpretou o rei Henrique de Navarre e, mais recentemente, por O Orgulho, no papel do insuportável professor Pierre Mazard. 

Exibido fora de competição no último Festival de Cannes - algo raro para uma comédia - La Belle Époque parte da seguinte premissa: E se você pudesse reviver uma bela época da sua vida?

La Belle Époque é uma comédia com tons de drama que conta a história de um homem cujo casamento está em crise e que pretende reconquistar o amor da esposa. Para isso, aceita participar de uma experiência em que, por meio de uma encenação, irá reconstituir um encontro que ocorreu na década de 1970. Essa experiência mudará completamente a vida do casal.


Veja o trailer oficial de La Belle Époque (legendado - HD):




Adults in The Room


Em 2015, durante uma entrevista para o canal de notícias Euronews, o cineasta greco-francês Constantin Costa-Gavras (Desaparecido: Um Grande Mistério) disse que ainda não sabia se o então primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, da coligação de esquerda Syriza poderia ser personagem de um filme seu.

Quatro anos depois, a dúvida foi tirada: Alexis Tsipras aparece como personagem do mais novo filme de Costa-Gavras, Adults in The Room, que, em inglês, significa, literalmente, "Adultos na Sala". Ainda não há um título oficial no Brasil, mas em Portugal irá chamar-se "Comportem-se como Adultos".

Adults in The Room mostra a situação da Grécia em 2015: a economia está um caos total e o país está prestes a falir. A União Europeia (UE) por meio da infame Troika (grupo formado pela comissão europeia, banco central europeu e o famigerado FMI), impõe uma duríssima política de austeridade aos gregos.

Porém, o recém-eleito governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras (interpretado por Alexandros Bourdoumis, de O Thisavros) rebela-se contra essa política e parte para negociações tensas com a Troika. A frente dessas mesmas negociações, está o ministro das finanças Yanis Varoufakis (Christos Loulis, de Love me Not).

Aos 86 anos, Costa-Gavras continua muito ativo e com a mesma disposição para a luta política. E também continua sem papas na língua ao criticar tanto o capitalismo quanto a esquerda europeia. Segundo o diretor:

"A esquerda, os esquerdistas europeus, falharam em todos os lados. Portanto, temos de ver do que falamos quando nos referimos à esquerda. O que é a esquerda? Para mim, a esquerda não são os homens, são duas ou três ideias essenciais numa sociedade, é uma filosofia de vida. Depois, esta filosofia foi confiada a certos políticos que falharam".


Veja aqui o trailer oficial de Adults in The Room (legendas em português europeu - HD):



J ' Accuse


Por fim, temos o mais recente filme de Roman Polanski (O Pianista), J' Accuse (Eu Acuso, em francês), que conta a história verídica do capitão Albert Dreyfus (1859-1935), acusado falsamente de alta traição, é expulso do exército francês de forma humilhante e passa a sofrer perseguições antisemitas (ele era de família judaica) e xenofóbicas. O título do filme refere-se a um artigo do jornal L' Aurore (A Aurora)  o qual defende Dreyfus e de autoria do grande escritor Émile Zola (1840-1902).

J' Accuse teve sua première mundial no último Festival de Veneza, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri. Porém, não escapou de polêmica devido ao passado do diretor, com escândalos sexuais que vão desde relações com uma menina de 13 anos - que fez com que fugisse dos EUA, para onde nunca mais voltou - até uma recente acusação de estupro. 

A presidente do júri do Festival de Veneza, a cineasta argentina Lucrecia Martel, não economizou críticas ao seu colega de profissão:

"Eu não separo o homem da obra. O mais interessantes nestes trabalhos é ver transparecer a pessoa que está por detrás. E, como podem imaginar, a presença de Polanski aqui, com todo o seu passado, é muito desconfortável para mim".

Roman Polanski, na verdade, não esteve em Veneza. De alguns anos para cá, ele está a torna-se um recluso, raramente aparece em público e , quando o faz, é alvo de protestos como, por exemplo, do grupo feminista Femem, que manifesta-se sempre que o diretor vai a algum evento. Na pré-estréia de J' Accuse em Paris, houve mais uma manifestação contra Polanski (veja aqui). 

Devido a essas manifestações, a esposa de Polanski, a atriz e cantora francesa Emmanuelle Seigner (Busca Frenética) o substitui nos eventos. Emmanuelle comentou a mais nova polêmica contra seu marido e sua relação com J' Accuse:

"Para mim, é difícil falar pelo Roman. O que posso dizer é que o sentimento de perseguição patente no filme é algo que ele conhece bem. Basta olhar para a sua vida".

Quanto a mim, posso dizer que a vida de Roman Polanski daria um filme. E dos bons!


Veja o trailer oficial de J ' Accuse (legendado - HD):



La Belle Époque, Adults in The Room e J' Accuse vão estreiar nas telas europeias entre o final de novembro e primeira quinzena de dezembro. Ainda não há uma data prevista para estreiarem no Brasil.


domingo, 19 de junho de 2016

Michal Moore fala sobre seu novo filme, Donald Trump e UE


O polêmico e genial diretor e documentarista vencedor do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o estadunidense Michael Moore (Capitalismo, Uma História de Amor), esteve recentemente em Londres, Inglaterra, para o lançamento de seu mais recente filme, Quem Vamos Invadir Agora?, que, recentemente, ganhou o Prêmio do Público de Melhor documentário no Festival Internacional de Cinema de Chicago (EUA).

Quem Vamos Invadir Agora? fala da política de invasões dos EUA a vários países nos últimos anos e, por meio de uma comparação com oito países europeus e um árabe, vê os aspectos positivos de cada cultura que poderiam melhorar o estilo de vida do povo estadunidense:

“Os EUA têm sido uma força invasora nos últimos quinze anos ou mais. Porque não invadir países, de forma não violenta, para aprender algo lá fora e aplicá-lo em casa? É essa a explicação para o título do filme”, disse o cineasta durante a coletiva de imprensa.

Moore, que apoiou publicamente o candidato socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, para a presidência dos EUA (veja aqui), não perdeu a oportunidade para falar sobre o  candidato do Partido Republicano, o magnata Donald Trump:

“Penso que ele é exímio na utilização dos meios de comunicação e estes por seu lado não param de lhe dar atenção. Ele não é tão estúpido como parece. Devemos levá-lo a sério. A manipulação que está a acontecer e a utilização da propaganda é excelente no sentido em que ele é que sai a se beneficiar”.

Michael Moore é a favor da permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) e apelou aos britânicos para votarem pelo "sim" no referendo a ser realizado em 23 de junho próximo:

“Qual é a justificação para deixar a União Europeia? Os britânicos salvaram a Europa. A UE existe em larga medida por causa das pessoas que se sacrificaram e sofreram nos anos 30 e 40 para salvar a Europa. Porque razão deveriam abandoná-la?”, questionou.

Após ser exibido em vários festivais de cinema (Incluindo os Festivais de Berlim e Toronto), Quem Vamos Invadir Agora? teve seu lançamento comercial em 12 de fevereiro último, no EUA. No Brasil, ainda não há uma data definida para a estreia do filme. 

Veja o trailer oficial de Quem Vamos Invadir Agora? (legendado em Português Europeu):



domingo, 5 de junho de 2016

Festival de Cannes 2016 | Críticas de Ken Loach à UE ainda repercutem


O Festival de Cannes - considerado o maior e mais importante festival de cinema do mundo - já terminou e teve como grande vencedor o filme I, Daniel Blake,  que conta a história de um carpinteiro de 59 anos que, durante um exame médico de rotina, recebe o diagnóstico de um problema cardíaco e é aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar. Entretanto, a seguridade social ameaça-o com sanções financeiras caso não consiga um emprego.

I, Daniel Blake tem a direção do britânico Ken Loach (de Kes), de 80 anos de idade, que já havia conquistado a Palma de Ouro anteriormente com o filme Ventos da Liberdade, em 2006. Definido pela crítica internacional como "um belo filme político", I, Daniel Blake segue a linha dos filmes anteriores de Loach, os quais criticam a miséria na Grã-Bretanha, as patologias sociais e familiares, a destruição das políticas públicas de bem-estar social, momentos sombrios da história britânica, conflitos sociais e a luta pelos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes, tudo visto pela sua ótica marxista.

Na entrevista coletiva dada logo após a entrega do prêmio, Ken Loach não perdeu a oportunidade de criticar a atual política neoliberal de austeridade da União Europeia (UE) regida pela chamada "Troika" (grupo formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o famigerado FMI) que gerou a atual crise financeira e social pela qual o continente passa - que é também conhecida como Eurocrise

"Vivemos um momento perigoso na Europa. A austeridade e as políticas neoliberais conduzem as pessoas ao desespero. Milhões de pessoas na Grécia, em Portugal ou na Espanha sofrem e vivem grandes dificuldades enquanto uma pequena elite no topo é extremamente rica. Não podemos continuar assim porque há uma grande desespero na base".

E acrescentou uma crítica ao sistema de seguridade social em vigor atualmente, principalmente no Reino Unido:

"Há uma crueldade consciente na maneira como [o sistema de seguridade social] organiza a nossa vida agora. Dizem às pessoas mais vulneráveis que a pobreza é culpa delas. Se você não tem um emprego, é sua culpa por não estar a trabalhar".

Embora o Festival de Cannes tenha terminado há mais de 20 dias, as palavras de Ken Loach continuam repercutindo com muita força - inclusive aqui no Brasil que, atualmente, tem uma situação bastante semelhante à UE - e, ao que tudo indica, ainda vão repercutir por um bom tempo.

Veja o vídeo da reportagem da rede de TV France 24 com cenas da entrevista coletiva de Ken Loach no Festival de Cannes 2016 e também cenas do filme I, Daniel Blake (original em inglês - HD):



Veja aqui o teaser trailer do filme I, Daniel Blake (original em inglês com legendas em francês- HD):





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