Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Filmes para ver durante os Jogos Olímpicos


Os Jogos Olímpicos surgiram na Antiga Grécia por volta do ano 776 a.C. na cidade de Olímpia. Os jogos eram realizados a cada quatro anos, duravam cinco dias durante os quais eram disputadas provas como corridas e lutas e eram realizados em honra de Zeus, o maior dos deuses gregos. 

Os Jogos Olímpicos continuaram a serem disputados mesmo depois da conquista da Grécia pelo Império Romano. Duraram até o ano de 393 d.C. quando o imperador romano Teodósio I, convertido ao Cristianismo, proibiu a sua realização por considerá-los uma manifestação do paganismo.

O interesse pelos Jogos Olímpicos voltaria somente no século XIX de nossa era quando um jovem aristocrata francês que também era pedagogo e historiador, viu que o interesse pelos Jogos Olímpicos aumentava à medida que eram encontradas mais ruínas arqueológicas na Grécia. 

Em um congresso realizado em Paris em 1894, o jovem propôs que se organizasse uma competição multidesportiva nos moldes dos antigos Jogos Olímpicos a serem realizadas a cada quatro anos em um país diferente. A proposta foi aceita e o local escolhido para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna foi o local de seu nascimento, a Grécia, no ano de 1896.

O aristocrata responsável pelo renascimento dos Jogos Olímpicos chamava-se Pierre de Frédy, mais conhecido pelo seu título de nobreza com o qual entrou para a história: Barão de Coubertin (1863-1937).

Panorama do Cinema fez, para esta época de Olimpíadas, uma seleção de filmes sobre os Jogos Olímpicos que, esperamos, acenda a chama do espírito olímpico dentro de todos nós. E como diz a famosa frase:

"O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade"


Olympia (1938)


De todos os filmes de nossa lista Olympia é, disparado, o mais polêmico. E não é para menos, pois trata-se do documentário oficial das Olimpíadas de 1936, realizadas em Berlim, capital da Alemanha, na época governada pelo ditador nazista e maníaco Adolf Hitler (1889-1945). A direção coube à cineasta e documentarista Leni Riefenstahl (1902-2003) que, em 1935, já havia deslumbrado e assustado o mundo com outro documentário: O Triunfo da Vontade, que retratava o congresso do partido nazista em Nuremberg.

Com cerca de três horas e quarenta e cinco minutos de duração, Olympia foi dividido em duas partes: a primeira chama-se "Fest der Völker" ("Festa dos Povos") e a segunda chama-se "Fest der Schönheit" ("Festa da Beleza"). Mostrava uma novidade que tornou-se uma tradição nas Olimpíadas seguintes: a condução da tocha olímpica para acender a pira do estádio. Mostrava também uma tradição que terminou: a saudação olímpica, que assemelhava-se demais com a saudação nazista e caiu em desuso.

Olympia é um filme que inovava em vários campos: foi a primeira vez que um competição esportiva era assunto de documentário, foram usadas técnicas avançadas de cinema inovadoras para a época (que depois tornariam-se padrão) tais como uso de ângulos de câmera inusitados, trilhos de filmagens para acompanhar corpos em movimento, câmera lenta, close-ups, cortes rápidos e câmeras subaquáticas que faziam imagens embaixo d'água.

É fato largamente conhecido que os nazistas usaram as Olimpíadas para propagandear sua odiosa doutrina. Olympia até hoje é objeto de discussão se, tal como O Triunfo da Vontade, seria uma obra de propaganda nazista. Embora apareça várias vezes a imagem de Hitler assistindo as provas disputadas no estádio, Leni tomou o cuidado de dar destaque igual tanto aos atletas alemães quanto aos estrangeiros, incluindo o negro estadunidense Jesse Owens (1913-1980), que conquistou quatro medalhas de ouro.

Ficaram famosas as brigas de Leni Riefenstahl com o infame ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels (1897-1945), que não queria que ela filmasse os atletas negros dos EUA, principalmente Jesse Owens. Mas, Leni ficou firme e não cedeu à pressão de Goebbels, no que fez muito bem, pois o mundo merecia e devia saber que a ideologia de superioridade de raças não passava de uma grandíssima estupidez.


Assista aqui um raro trailer de Olympia:




Carruagens de Fogo (1981)


A equipe de atletismo da Grã-Bretanha prepara-se para a disputa das Olimpíadas de 1924 em Paris, França. Entre os atletas, dois destacam-se: o escocês Eric Liddel (Ian Charleson, de Gandhi) e o inglês Harold Abrahams (Ben Cross, da saga Star Trek). Cada um tem os seus motivos para competir: Liddel, um cristão devoto, corre para a glória de Deus; enquanto Abrahams, um judeu, corre para superar o preconceito.

O nome Carruagens de Fogo foi baseado em uma frase do poeta inglês William Blake (1757-1827) que diz "Traga-me a carruagem de fogo" e de versículos da Bíblia Sagrada (2 Reis 2:11 e 6:17). 

O diretor Hugh Hudson (Greystoke, a Lenda de Tarzan) tem um grande trabalho de direção que gerou várias cenas poéticas e memoráveis dentre as quais destacam-se o discurso inspirador de Eric Liddel após uma corrida para um público composto de pessoas da classe trabalhadora (o ator Ian Charleson, morto precocemente aos 40 anos pela AIDS, estudou intensamente a Bíblia para preparar-se para o papel), Liddel sendo pressionado pelo comitê olímpico britânico e pelo Príncipe da Inglaterra para correr no domingo, o que não queria fazer por razões religiosas; o monólogo de Harold Abrahams no qual duvida de si mesmo antes de disputar a final dos 100 metros rasos e, por fim, a famosíssima cena dos atletas britânicos correndo descalços na praia.

Carruagens de Fogo conquistou quatro Oscars: Melhor Filme, Roteiro Original, Figurino e Trilha Sonora, composta pelo grego Vangelis, cujo tema do filme fez um sucesso tão grande que tornou-se um hino olímpico, tanto que foi executado na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2012, realizadas em Londres, Inglaterra.


Veja aqui o vídeo oficial da música-tema de Carruagens de Fogo executada por Vangelis e com cenas do filme: 




Voando Alto (2016) 


Desde criança Eddie Edwards (Taron Egerton, de Rocketman) tem o sonho de ser um atleta olímpico pela Grã-Bretanha. Após tentar vários esportes, opta pelo salto em esqui para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 em Calgary, Canadá. O problema é essa é uma modalidade na qual os britânicos não se classificam desde 1928. Para ajudá-lo a realizar seu sonho, Eddie pede ajuda ao ex-atleta dos EUA e alcoólatra Bronson Peary (Hugh Jackman, da franquia X-Men). 

Um nerd quatro-olhos, troncudo, desengonçado e atrapalhado pode ser um herói olímpico? Voando Alto mostra que sim e também que, independente de ganhar ou não uma medalha, pode-se superar preconceitos e esteriótipos. Taron Egerton pegou todos os trejeitos e maneirismos do verdadeiro Eddie e tem uma atuação simplesmrnte ótima!

Leia a crítica completa de Voando Alto aqui.


Veja aqui o trailer oficial de Voando Alto (legendado - HD):




4x100: Correndo Por Um Sonho (2021)


Adriana (Thalita Carauta, de S.O.S. Mulheres ao Mar 2. Veja a crítica aqui) e Maria Lúcia (Fernanda de Freitas, de Malu de Bicicleta) são duas atletas que correm na equipe brasileira de 4x100 metros rasos que chegou à final dessa prova nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro e com chance de ganhar uma medalha. Porém, durante a corrida o bastão cai e a equipe perde a prova. Após os jogos, Maria Lucia continua como destaque do atletismo nacional, enquanto uma frustrada Adriana faz bicos em lutas de MMA. Entretanto, as Olimpíadas de 2020 em Tóquio, Japão, se aproximam e surge uma nova chance para as atletas conquistarem a sonhada medalha e obterem a redenção.

Dramas esportivos são muito raros no cinema brasileiro - com exceção de filmes sobre futebol - o que faz de 4x100: Correndo por um sonho, uma grata surpresa. O cineasta Tomas Portella (Qualquer Gato Vira-Lata) faz um bom trabalho de direção fugindo do padrão televisivo que costuma predominar em produções recentes de nosso cinema. Thalita Carauta dá um show de interpretação e a química com Fernanda de Freitas funciona à perfeição. 4x100: Correndo Por Um Sonho é um filme que vale a pena conhecer!


Veja aqui o trailer oficial de 4x100: Correndo Por Um Sonho (HD):



#PanoramaDoCinema

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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Cinema Francês | Os lançamentos dos novos filmes de Daniel Auteuil, Costa-Gavras e do polêmico Roman Polanski


Ouça o podcast desta matéria nas plataformas Anchor, Deezer, Google Podcasts, Spotify, Castbox e Spreaker.

O final de ano é uma época que os estúdios de cinema escolhem estrategicamente para fazer o lançamento de suas grandes produções aproveitando as festas que ocorrem nesse período. Um exemplo é o nono episódio da saga Star Wars, que promete encerrar a história do clã Skywalker.

Porém, isso não ocorre apenas com o principais estúdios dos EUA, mas em outros países também. Se atravessarmos o oceano atlântico em direção a Europa, mais especificamente ao berço do cinema, a França, veremos os lançamentos de três filmes que prometem serem sucessos de crítica e público.


La Belle Époque


O primeiro lançamento é Lá Belle Époque (A Bela Época, em francês), dirigido por Nicolas Bedos (Amor e Turbulência) e estrelado por aquele que é considerado uma lenda viva entre os intérpretes franceses, Daniel Auteuil. No Brasil, ele é mais conhecido pelo filme Rainha Margot, no qual interpretou o rei Henrique de Navarre e, mais recentemente, por O Orgulho, no papel do insuportável professor Pierre Mazard. 

Exibido fora de competição no último Festival de Cannes - algo raro para uma comédia - La Belle Époque parte da seguinte premissa: E se você pudesse reviver uma bela época da sua vida?

La Belle Époque é uma comédia com tons de drama que conta a história de um homem cujo casamento está em crise e que pretende reconquistar o amor da esposa. Para isso, aceita participar de uma experiência em que, por meio de uma encenação, irá reconstituir um encontro que ocorreu na década de 1970. Essa experiência mudará completamente a vida do casal.


Veja o trailer oficial de La Belle Époque (legendado - HD):




Adults in The Room


Em 2015, durante uma entrevista para o canal de notícias Euronews, o cineasta greco-francês Constantin Costa-Gavras (Desaparecido: Um Grande Mistério) disse que ainda não sabia se o então primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, da coligação de esquerda Syriza poderia ser personagem de um filme seu.

Quatro anos depois, a dúvida foi tirada: Alexis Tsipras aparece como personagem do mais novo filme de Costa-Gavras, Adults in The Room, que, em inglês, significa, literalmente, "Adultos na Sala". Ainda não há um título oficial no Brasil, mas em Portugal irá chamar-se "Comportem-se como Adultos".

Adults in The Room mostra a situação da Grécia em 2015: a economia está um caos total e o país está prestes a falir. A União Europeia (UE) por meio da infame Troika (grupo formado pela comissão europeia, banco central europeu e o famigerado FMI), impõe uma duríssima política de austeridade aos gregos.

Porém, o recém-eleito governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras (interpretado por Alexandros Bourdoumis, de O Thisavros) rebela-se contra essa política e parte para negociações tensas com a Troika. A frente dessas mesmas negociações, está o ministro das finanças Yanis Varoufakis (Christos Loulis, de Love me Not).

Aos 86 anos, Costa-Gavras continua muito ativo e com a mesma disposição para a luta política. E também continua sem papas na língua ao criticar tanto o capitalismo quanto a esquerda europeia. Segundo o diretor:

"A esquerda, os esquerdistas europeus, falharam em todos os lados. Portanto, temos de ver do que falamos quando nos referimos à esquerda. O que é a esquerda? Para mim, a esquerda não são os homens, são duas ou três ideias essenciais numa sociedade, é uma filosofia de vida. Depois, esta filosofia foi confiada a certos políticos que falharam".


Veja aqui o trailer oficial de Adults in The Room (legendas em português europeu - HD):



J ' Accuse


Por fim, temos o mais recente filme de Roman Polanski (O Pianista), J' Accuse (Eu Acuso, em francês), que conta a história verídica do capitão Albert Dreyfus (1859-1935), acusado falsamente de alta traição, é expulso do exército francês de forma humilhante e passa a sofrer perseguições antisemitas (ele era de família judaica) e xenofóbicas. O título do filme refere-se a um artigo do jornal L' Aurore (A Aurora)  o qual defende Dreyfus e de autoria do grande escritor Émile Zola (1840-1902).

J' Accuse teve sua première mundial no último Festival de Veneza, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri. Porém, não escapou de polêmica devido ao passado do diretor, com escândalos sexuais que vão desde relações com uma menina de 13 anos - que fez com que fugisse dos EUA, para onde nunca mais voltou - até uma recente acusação de estupro. 

A presidente do júri do Festival de Veneza, a cineasta argentina Lucrecia Martel, não economizou críticas ao seu colega de profissão:

"Eu não separo o homem da obra. O mais interessantes nestes trabalhos é ver transparecer a pessoa que está por detrás. E, como podem imaginar, a presença de Polanski aqui, com todo o seu passado, é muito desconfortável para mim".

Roman Polanski, na verdade, não esteve em Veneza. De alguns anos para cá, ele está a torna-se um recluso, raramente aparece em público e , quando o faz, é alvo de protestos como, por exemplo, do grupo feminista Femem, que manifesta-se sempre que o diretor vai a algum evento. Na pré-estréia de J' Accuse em Paris, houve mais uma manifestação contra Polanski (veja aqui). 

Devido a essas manifestações, a esposa de Polanski, a atriz e cantora francesa Emmanuelle Seigner (Busca Frenética) o substitui nos eventos. Emmanuelle comentou a mais nova polêmica contra seu marido e sua relação com J' Accuse:

"Para mim, é difícil falar pelo Roman. O que posso dizer é que o sentimento de perseguição patente no filme é algo que ele conhece bem. Basta olhar para a sua vida".

Quanto a mim, posso dizer que a vida de Roman Polanski daria um filme. E dos bons!


Veja o trailer oficial de J ' Accuse (legendado - HD):



La Belle Époque, Adults in The Room e J' Accuse vão estreiar nas telas europeias entre o final de novembro e primeira quinzena de dezembro. Ainda não há uma data prevista para estreiarem no Brasil.