Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Ken Loach é expulso do Partido Trabalhista Britânico

O cineasta inglês Ken Loach, 85 anos, conhecido por sua ideologia marxista, seus filmes politicamente e socialmente engajados, duas vezes vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes por Ventos da Liberdade (2006) e Eu, Daniel Blake (2016. Veja aqui uma matéria a respeito), foi expulso do Partido Trabalhista Britânico no qual era filiado desde a década de 1960. 

Depois de um tempo afastado da militância, Ken Loach voltou a ter participação ativa quando Jeremy Corbyn tornou-se líder do partido. Ambos, além de muitos outros militantes, dedicaram-se ao apoio à Palestina contra as agressões do Estado de Israel. Isso provocou um "racha" no partido e iniciou uma onda de difamação por membros da ala conservadora, que tem relações próximas com o estado judeu.

Dezenas de militantes do Partido Trabalhista foram suspensos ou expulsos. Em contrapartida, milhares de outros saíram do partido em um gesto de solidariedade e como resposta às perseguições lideradas pelo atual líder Trabalhista, Keir Starmer, a figuras do movimento sindical e de boicote a Israel.

Em sua página no Twitter Ken Loach disse sobre a sua expulsão que "(...) o quartel-general do Partido Trabalhista finalmente decidiu que não sou digno de ser membro do seu partido, já que me recusei a renegar aqueles que têm vindo a ser expulsos. Tenho orgulho de encontrar-me ao lado de bons amigos e camaradas, vítimas deste expurgo. É, sem dúvida, uma caça às bruxas... O Starmer e a sua turma nunca dirigirão um partido do povo. Somos muitos, eles são poucos. Solidariedade!".

Podemos ter certeza de uma coisa: além de solidário, Ken Loach é um homem fiel aos seus princípios. 


Veja aqui o trailer oficial de Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach e vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes (legendado - HD):



Veja aqui o trailer oficial de Você Não Estava Aqui, o mais recente filme dirigido por Ken Loach (legendado):



#PanoramaDoCinema


#ForaBolsonaro


#MarioFriasNaCadeia

domingo, 18 de julho de 2021

Festival de Cannes 2021 | "Titane" ganha a Palma de Ouro


Após o cancelamento em 2020 devido à pandemia do Covid-19, o Festival de Cannes de 2021 foi uma edição marcada pelo equilíbrio, sem nenhum filme que despontasse como favorito. E o grande vencedor da Palma de Ouro, o prêmio máximo do maior festival de cinema do mundo foi para o filme francês Titane, da diretora Julia Ducournau (de Raw). É a segunda vez que um filme dirigido por uma mulher ganha o prêmio. A primeira vez foi em 1993, com o filme O Piano, da diretora neozelandesa Jane Campion

A nota cômica do festival foi a gafe do cineasta estadunidense Spike Lee (Infiltrado na Klan), presidente do júri deste ano, que anunciou o prêmio antes da hora.

Titane é o segundo longa para o cinema de Julia Ducorneau (seus trabalhos anteriores foram um curta-metragem e dois filmes para a TV). Titane conta a história de um pai, Vincent Legrand (Vincent Lindon, de Diário de Uma Camareira. Leia a crítica aqui), que está em busca de seu filho desaparecido há 10 anos e acaba por encontrar a jovem Alexia (a estreante Agathe Rousselle), que finge ser o filho de Vincent para esconder-se da polícia devido a um crime cometido. 

Alexia tem uma chapa de titânio na cabeça colocada para reconstruir seu crânio após um grave acidente de automóvel ocorrido na sua infância. A partir daí tem uma estranha atração erótica por automóveis. A cena em que Alexia faz amor com um carro fez de Agathe Rousselle a atriz-sensação do festival. 

Não foram poucas as comparações de Titane com um filme de premissa semelhante: Crash, Estranhos Prazeres (1996), do diretor canadense David Cronemberg (A Mosca), cujos trabalhos são reconhecidas influências da diretora Julia Ducournau.

Titane ainda não tem data de estreia prevista no Brasil.

Veja a seguir os vencedores dos principais prêmios do Festival de Cannes 2021:

  • Palma de Ouro: Titane (França)
  • Grande Prêmio: Ghahreman (Irã), Hytii nº 6 (Finlândia) 
  • Prêmio do Júri: Memoria (Tailândia e Colômbia), Ha'Berech (Israel)
  • Melhor Diretor: Leos Carax (por Annete - EUA)
  • Melhor Ator: Caleb Landry Jones (por Nitram - Austrália)
  • Melhor Atriz: Renate Reinsve (por Versden Verste Menneske - Noruega)
  • Melhor Roteiro: Hamagushi Ryusuke e Takamasa Oe (por Drive My Car - Japão)

Veja aqui o trailer oficial de Titane (legendado - HD): 



#PanoramaDoCinema

#ForaBolsonaro

#BolsonaroGenocida


sábado, 12 de maio de 2018

Roman Polanski vai processar a Academia de Cinema de Hollywood


O cineasta franco-polonês Roman Polanski (O Escritor Fantasma), em entrevista à rede de notícias Euronews, disse que irá processar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, em Hollywood, que, simplesmente, organiza a cerimônia do mais famoso prêmio do cinema mundial, o Oscar

Roman Polanski - que conquistou o Oscar de Melhor Diretor, em 2003, por O Pianista e a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo mesmo filme no mesmo ano - disse que o motivo dessa sua decisão foi pelo fato de ter sido expulso da Academia como consequência dos escândalos de abuso e assédio sexual que vem ocorrendo nos EUA sem ter tido a chance de se defender e ser ouvido de maneira justa. 

O advogado de Roman Polanski acrescentou que, ao expulsar o cineasta, a Academia não respeitou o próprio código, além de infringir a legislação do estado da Califórnia.

Em 1977, Roman Polanski foi acusado de estupro contra a jovem Samantha Geimer que, à época, tinha 13 anos de idade. O caso foi para justiça dos EUA, que considerou Roman Polanski culpado das acusações. Antes de ir à corte ouvir a sentença, o cineasta exilou-se na França e nunca mais voltou ao território estadunidense.

Em uma entrevista na Polônia, Polanski - atualmente com 84 anos de idade - chamou o movimento #MeToo (criado a partir dos casos de abuso e assédio sexual que sacodem Hollywood e que tem como uma das suas mais famosas simpatizantes, a atriz e apresentadora Oprah Winfrey) de "histeria de massa"e "total hipocrisia". 

O comediante Bill Cosby (Papai Fantasma), recentemente condenado pela justiça por abusos sexuais, também foi expulso da Academia na mesma semana que Roman Polanski. 


Veja aqui a matéria da Euronews com Roman Polanski (traduzida em português europeu):


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Aquarius, o Filme Brasileiro Que Está Conquistando o Mundo


Além da vitória do cineasta inglês Ken Loach pelo filme I, Daniel Blake (veja aqui), o Festival de Cannes também ficou marcado pelo brasileiros, por dois motivos: o primeiro, pelo protesto feito por atores, atrizes, técnicos e produtores contra o impeachment da Presidente Dilma Rouseff por entenderem ser esse mesmo impeachment, na verdade, um golpe de estado (veja foto abaixo). O segundo motivo, foi a exibição do filme Aquarius, que foi aclamado pela crítica e além de ser um dos finalistas do prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro

Aquarius conta a história de Clara (Sônia Braga, de O Beijo da Mulher-Aranha), mulher de 65 anos, escritora e crítica musical aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos e que vive em um edifício chamado Aquarius na Praia de Boa Viagem, em Recife, capital do estado de Pernambuco. Clara é uma mulher forte, independente, sensual e que, recentemente, sobreviveu a um câncer. É o tipo de pessoa que não sente necessidade de aprovação de terceiros - sejam amigos, parentes ou mesmo os filhos - para defender e lutar por aquilo em que acredita. Clara persa em curtir tranquilamente a sua aposentadoria até que um dia, recebe a proposta para vender seu apartamento a uma construtora que quer construir um condomínio de luxo no local. Com a recusa de sua proprietária em vender, a empreiteira declara uma verdadeira guerra contra a ex-jornalista, que irá defender com unhas e dentes o local que é parte inseparável de sua vida.


Segundo longa metragem do diretor Kleber Mendonça Filho (seus trabalhos anteriores eram, em sua maior parte, curtas-metragens), Aquarius, além de ser a primeira produção totalmente brasileira a concorrer em Cannes desde 2008, é também um filme que reflete bastante a situação atual do Brasil: muito incerta, com um governo cuja legitimidade é frequentemente contestada, uma crise política e econômica ainda longe de acabar, além de uma crise moral com a violência da luta de classes ("coxinhas" x "mortadelas"), nepotismo e corrupção - uma verdadeira praga dos tempos atuais. Mas também é um filme sobre assuntos íntimos e pessoais como, por exemplo, a memória de tempos passados.  

Aquarius não conquistou a Palma de Ouro em Cannes, mas, em compensação, como obra maior do Cinema Brasileiro, vem conquistando o público e a crítica do mundo inteiro. Foi o grande vencedor do Festival de Sydney (Austrália) e do Festival Transatlantik, em Lodz (Polônia), conquistando, nesses dois eventos, o prêmio de Melhor Filme.

Aquarius tem estréia prevista no Brasil para 1º de setembro e, posteriormente, em mais de 50 países.

Veja aqui o trailer oficial de Aquarius (original em português com legendas - HD):




Publicado no LinkedIn em 07/07/2016.

domingo, 19 de junho de 2016

Michal Moore fala sobre seu novo filme, Donald Trump e UE


O polêmico e genial diretor e documentarista vencedor do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o estadunidense Michael Moore (Capitalismo, Uma História de Amor), esteve recentemente em Londres, Inglaterra, para o lançamento de seu mais recente filme, Quem Vamos Invadir Agora?, que, recentemente, ganhou o Prêmio do Público de Melhor documentário no Festival Internacional de Cinema de Chicago (EUA).

Quem Vamos Invadir Agora? fala da política de invasões dos EUA a vários países nos últimos anos e, por meio de uma comparação com oito países europeus e um árabe, vê os aspectos positivos de cada cultura que poderiam melhorar o estilo de vida do povo estadunidense:

“Os EUA têm sido uma força invasora nos últimos quinze anos ou mais. Porque não invadir países, de forma não violenta, para aprender algo lá fora e aplicá-lo em casa? É essa a explicação para o título do filme”, disse o cineasta durante a coletiva de imprensa.

Moore, que apoiou publicamente o candidato socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, para a presidência dos EUA (veja aqui), não perdeu a oportunidade para falar sobre o  candidato do Partido Republicano, o magnata Donald Trump:

“Penso que ele é exímio na utilização dos meios de comunicação e estes por seu lado não param de lhe dar atenção. Ele não é tão estúpido como parece. Devemos levá-lo a sério. A manipulação que está a acontecer e a utilização da propaganda é excelente no sentido em que ele é que sai a se beneficiar”.

Michael Moore é a favor da permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) e apelou aos britânicos para votarem pelo "sim" no referendo a ser realizado em 23 de junho próximo:

“Qual é a justificação para deixar a União Europeia? Os britânicos salvaram a Europa. A UE existe em larga medida por causa das pessoas que se sacrificaram e sofreram nos anos 30 e 40 para salvar a Europa. Porque razão deveriam abandoná-la?”, questionou.

Após ser exibido em vários festivais de cinema (Incluindo os Festivais de Berlim e Toronto), Quem Vamos Invadir Agora? teve seu lançamento comercial em 12 de fevereiro último, no EUA. No Brasil, ainda não há uma data definida para a estreia do filme. 

Veja o trailer oficial de Quem Vamos Invadir Agora? (legendado em Português Europeu):



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cinco Filmes Românticos Para Assistir no Dia dos Namorados


Ouça o podcast desta matéria nas plataformas Anchor, Castbox, Deezer, Google Podcasts, Spotify e Spreaker.

Atualizado em 20/06/2020.

O Dia dos Namorados está chegando e é uma época ótima para se assistir um filme romântico, principalmente se for a dois... Aqui temos uma seleção de cinco filmes para assistir abraçadinho(a) com seu amor. Então, ponha as flores no jarro, traga as pipocas e os bombons e tenha uma boa – e romântica – diversão!

Um Homem, Uma Mulher (Un Homme et Une Femme – 1966)


Anne Gauthier (interpretada por Anouk Aimée, de Prét-à-Porter) é uma revisora de roteiros de cinema e Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant, de Z e Amor) é um piloto de carros de corridas. Ambos são viúvos e encontram-se por caso quando vão buscar seus respectivos filhos que estudam em um colégio interno. Um dia, Anne perde o trem e Jean-Louis oferece-lhe uma carona. A partir daí começa uma amizade que vai se transformar em amor.

O diretor Claude Lelouch, um dos nomes surgidos durante o movimento Nouvelle Vague do cinema francês das décadas de 1950-1960, dirigiu este romance entre esse casal maduro que marcou época no cinema e fez bater vários corações apaixonados com sua história bem elaborada, que fez com que muitos pessoas se identificassem com esse mesmo romance mostrado na tela. A influência da Nouvelle Vague faz-se notar na alternância de cenas coloridas com cenas em preto e branco simbolizando, respectivamente, o passado e o presente. A música-tema composta por Francis Lai tornou-se um hino romântico e há até uma menção honrosa ao Brasil com a execução da versão francesa da canção Saravá, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Atriz para Anouk Aimée.Teve duas sequências com o mesmo diretor e mesmo casal central: Um Homem, Uma Mulher Vinte Anos Depois (Un Homme et Une Femme 20 Ans Déjà), em 1986; e Os Melhores Anos de Uma Vida (Les Plus Belles Années d'une Vie), em 2019. Mas, o original continua insuperável!

Trailer do filme Um Homem, Uma Mulher com música de Francis Lai:



Melody, Quando Brota o Amor (Melody – 1971)


Este filme anda meio esquecido do grande público, mas foi um campeão de bilheteria nos cinemas do Brasil e de reprises na TV brasileira na década de 1970. Aqui vemos a história de amor do menino rico Daniel Lattimer (Mark Lester, de Oliver!) com a menina pobre Melody Perkins (Tracy Hyde, na época, modelo infantil). Ambos estudam no mesmo colégio, apaixonam-se e decidem se casar. O problema é que ambos têm 10 anos de idade e não querem esperar até tornarem-se adultos, querem se casar o quanto antes. Os pais e professores, claro, não aprovam essa ideia e tentam convencê-los a desistir disso, mas eles estão dispostos a unirem-se em matrimônio e contam com a ajuda do melhor amigo de Daniel, Ornshaw (Jack Wilde, que trabalhou junto com Lester em Oliver!).

Contado como uma fábula, falando do amor infantil, considerado o mais puro que existe, o filme tem roteiro do futuro diretor Alan Parker (de Evita), em seu primeiro trabalho para o cinema. A cena da sala de música, na qual Melody e David fazem uma improvisação musical tocando a tradicional canção francesa Frère Jacques (no Brasil, há uma versão dessa canção conhecida como Os Dedinhos), é inesquecível. A química entre Mark Lester e Tracy Hyde funciona com perfeição e o filme mostra que amar e ser criança são coisas totalmente compatíveis uma com a outra.

A trilha sonora é do grupo Pop australiano Bee Gees e também tem a canção Teach Your Children, do grupo de Country-Rock estadunidense Crosby, Stills, Nash & Young. Com todos esses ingredientes e protagonizado por um casal tão fofo, é simplesmente impossível resistir...

Trailer de Melody, Quando Brota o Amor (original em inglês):




Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall – 1977)


Quem disse que amor não combina com humor? O diretor, ator, músico e comediante Woody Allen (de A Rosa Púrpura do Cairo) prova neste filme que eles combinam, sim. Alvy Singer (Allen) é um humorista judeu permanentemente de pé atrás com o mundo que conta sua história de amor com Annie Hall (Diane Keaton, de O Poderoso Chefão e companheira de Allen naquela época), uma bonita cantora em início de carreira e com uma cabeça bem complicada. Eles se conhecem em um jogo de tênis, se apaixonam e decidem morar juntos. Mas será que o seu amor irá resistir às suas personalidades tão complexas? 

Esse é o filme que consagrou tanto Allen quanto Keaton. Conquistou quatro Oscars: Filme, diretor, atriz e roteiro original (que Allen dividiu com Marshall Brickham), além de vários prêmios internacionais. Apesar do título brasileiro horroroso (eles não ficam noivos e, no filme, ele é que é nervoso e ela é que é neurótica), o filme tem um senso de humor refinado, mas que não o afasta do grande público e rende boas gargalhadas. Como em vários outros filmes de Allen, aqui, há muito de autobiográfico como por exemplo, sua origem judaica e novaiorquina e também ironiza o jeito de ser dos habitantes da “Big Apple” (“A Grande Maça”, como a cidade de Nova York é conhecida) com suas intelectualidades e pseudo-intelectualidades, neuroses e manias. O figurino que Diane Keaton usou no filme (eram suas próprias roupas) tornou-se moda no mundo inteiro.

Foi igualmente a partir deste filme que Allen mostra o seu lado romântico, tanto com a pessoa amada quanto com a cidade amada. A trilha sonora tem canções interpretadas pela própria Diane Keaton, que, diga-se de passagem, não faz feio. Resumindo, este é um filme no qual pode-se amar e rir simultaneamente.

Trailler de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (original em inglês):



Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time – 1980)


Este filme também foi um campeão de bilheteria nos cinemas e de reprise nas TVs do Brasil. Em 1972, o jovem e iniciante autor teatral Richard Collier (Christopher Reeve, de Superman, o Filme), durante a sua formatura na universidade, recebe de presente um relógio de bolso de uma velha senhora, que diz a ele: “Volte para mim”. Oito anos depois, já consagrado, Richard passa por uma crise pessoal e profissional e decide viajar para espairecer. Hospeda-se em um belo hotel no interior e lá vê um retrato de uma linda atriz da década de 1910 (Jane Seymour, da série de TV Dra. Quinn), apaixona-se pela deslumbrante imagem e descobre que é a mesma senhora que lhe presenteou o relógio. Obcecado com todos esses acontecimentos, Richard descobre em como fazer uma viagem no tempo para encontrar-se com sua amada.

O irregular diretor francês Jeannot Szwarc (de Tubarão 2) desta vez acertou a mão: desde o bonito casal central até o roteiro do escritor Richard Matheson (baseado em seu romance, Bid Time Return. Matheson também é o autor de I Am Legend, adaptado duas vezes para o cinema), passando pelo figurino (indicado para o Oscar), a bela fotografia e a trilha sonora de John Barry (autor da trilha sonora de vários filmes de James Bond e que foi indicado para o Globo de Ouro), tudo funciona.

Os temas de ficção-científica e fantasia da história original fundiram-se naturalmente com a história de amor e fez com que o filme recebesse o prêmio da crítica no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz (França). O filme é tão bonito e tão romântico que não dá para não se comover nem segurar as lágrimas...

Trailer do filme Em Algum Lugar do Passado (original em inglês):



Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road – 1987)



Este é outro filme que anda meio sumido tanto da tela grande quanto da pequena. A escritora estadunidense Helene Hanff (Anne Bancroft, de A Primeira Noite de Um Homem) é uma ávida colecionadora de edições raras de literatura britânica, que são muito difíceis de serem encontradas em Nova York. Então, envia uma carta para livraria Marks & Co., especializada em edições antigas e raras, em Londres, Inglaterra, cujo endereço é em 84 Charing Cross Road. O gerente da livraria, Frank Doel (Anthony Hopkins, de O Silêncio dos Inocentes), atende seus pedidos e responde suas cartas. O relacionamento escrito, no príncipio, é tenso. Porém, ao longo de 20 anos de correspondências, vai nascendo uma terna amizade que acaba se transformando em terno amor. Helene, por várias vezes, adia a sua viagem à Inglaterra para encontrar-se com Frank. Quando finalmente vai, chegará a tempo?

Este é um curioso caso no qual o título do filme no Brasil não tem e, ao mesmo tempo, tem tudo a ver com o filme. O título original, em inglês, é o endereço da livraria, entretanto, o título brasileiro resume a história. O filme é uma adaptação da peça teatral de mesmo nome escrita por James Roose-Evans que, por sua vez, baseia-se nas memórias de Helene Hanff. O diretor David Hughes Jones (de, A Confissão) faz um trabalho de direção preciso e trata com sensibilidade o tema da solidão, tanto individual quanto coletiva. O público acompanha com grande interesse o relacionamento de Helene e Frank por cartas e, apesar de saber como tudo vai terminar, ainda torce para que os dois fiquem juntos.

Anne Bancroft e Anthony Hopkins, o casal central que nunca se encontra, dão um show de interpretação. Bancroft conquistou o Bafta (o Oscar britânico) de melhor atriz, enquanto Hopkins ganhou o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Moscou. Este é um filme tanto para amantes de livros como para amantes de verdade, e mostra que o amor verdadeiro não precisa, obrigatoriamente, ser físico.

Trailer de Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (original em inglês):


domingo, 5 de junho de 2016

Festival de Cannes 2016 | Críticas de Ken Loach à UE ainda repercutem


O Festival de Cannes - considerado o maior e mais importante festival de cinema do mundo - já terminou e teve como grande vencedor o filme I, Daniel Blake,  que conta a história de um carpinteiro de 59 anos que, durante um exame médico de rotina, recebe o diagnóstico de um problema cardíaco e é aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar. Entretanto, a seguridade social ameaça-o com sanções financeiras caso não consiga um emprego.

I, Daniel Blake tem a direção do britânico Ken Loach (de Kes), de 80 anos de idade, que já havia conquistado a Palma de Ouro anteriormente com o filme Ventos da Liberdade, em 2006. Definido pela crítica internacional como "um belo filme político", I, Daniel Blake segue a linha dos filmes anteriores de Loach, os quais criticam a miséria na Grã-Bretanha, as patologias sociais e familiares, a destruição das políticas públicas de bem-estar social, momentos sombrios da história britânica, conflitos sociais e a luta pelos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes, tudo visto pela sua ótica marxista.

Na entrevista coletiva dada logo após a entrega do prêmio, Ken Loach não perdeu a oportunidade de criticar a atual política neoliberal de austeridade da União Europeia (UE) regida pela chamada "Troika" (grupo formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o famigerado FMI) que gerou a atual crise financeira e social pela qual o continente passa - que é também conhecida como Eurocrise

"Vivemos um momento perigoso na Europa. A austeridade e as políticas neoliberais conduzem as pessoas ao desespero. Milhões de pessoas na Grécia, em Portugal ou na Espanha sofrem e vivem grandes dificuldades enquanto uma pequena elite no topo é extremamente rica. Não podemos continuar assim porque há uma grande desespero na base".

E acrescentou uma crítica ao sistema de seguridade social em vigor atualmente, principalmente no Reino Unido:

"Há uma crueldade consciente na maneira como [o sistema de seguridade social] organiza a nossa vida agora. Dizem às pessoas mais vulneráveis que a pobreza é culpa delas. Se você não tem um emprego, é sua culpa por não estar a trabalhar".

Embora o Festival de Cannes tenha terminado há mais de 20 dias, as palavras de Ken Loach continuam repercutindo com muita força - inclusive aqui no Brasil que, atualmente, tem uma situação bastante semelhante à UE - e, ao que tudo indica, ainda vão repercutir por um bom tempo.

Veja o vídeo da reportagem da rede de TV France 24 com cenas da entrevista coletiva de Ken Loach no Festival de Cannes 2016 e também cenas do filme I, Daniel Blake (original em inglês - HD):



Veja aqui o teaser trailer do filme I, Daniel Blake (original em inglês com legendas em francês- HD):





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domingo, 17 de abril de 2016

Dica de Leitura | O Mundo na Visão de Michael Moore



Panorama do Cinema vem com mais uma Dica de Leitura, na qual indicamos livros, revistas ou artigos sobre cinema. E a nossa dica de hoje vai para o livro O Mundo na Visão de Michael Moore.
Desde a sua estreia no cinema, em 1989, com o documentário Roger & Eu, o ativista, cineasta e documentarista estadunidense Michael Moore vem se notabilizando como defensor das boas e grandes causas, a favor dos pobres e contra os ricos. Crítico ferino e mordaz do american way of life (modo de vida americano, em inglês) e dos políticos de direita (principalmente do Partido Republicano), Moore já foi chamado de antiamericano, panfletário, comunista, vagabundo, gordo nojento, polêmico e genial.
Até então com uma fama restrita aos EUA, o reconhecimento mundial veio em 2002, quando venceu o Oscar de Melhor Documentário com Tiros em Columbine, no qual denuncia o comércio de armas em seu país como uma coisa prostituída e que levou à tragédia da pequena cidade de Columbine, onde dois jovens armados promoveram um massacre em uma escola e, em seguida, suicidaram-se.
A consagração definitiva veio em 2004, quando conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com Fahrenheit 9/11, o segundo documentário a conquistar esse prêmio (o primeiro foi Le Monde Du Silence, do oceanógrafo francês Jacques Cousteau e de seu compatriota, o cineasta Louis Malle, em 1956).
O filme denuncia as manipulações nas eleições presidenciais de 2000 nos EUA que foram vencidas por George W. Bush, as relações da família do presidente estadunidense com famílias influentes da Arábia Saudita, especialmente a família Bin Laden (a mesma do terrorista Osama Bin Laden) e os verdadeiros motivos das invasões do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.
Com o subtítulo de Um Autorretrato Não Autorizado nas Palavras do Próprio Cineasta (pois não teve a participação do mesmo em sua edição), O Mundo na Visão de Michael Moore é uma coletânea de frases sobre vários temas ditas por Moore entre 1989 e 2004 e que foram organizadas pelo jornalista Ken Lawrence, que também é o autor da introdução do livro. As frases estão subdivididas em assuntos tais como “Sobre o Presidente George W. Bush”, “Sobre os Estados Unidos”, “Sobre Tiros em Columbine”, etc.
Na introdução, Lawrence limitou-se a escrever uma breve biografia de Moore, sem acrescentar nenhum fato novo ou relevante. Poderia ter aproveitado o espaço e a oportunidade para escrever um estudo sobre o artista. Da mesma forma, as frases selecionadas poderiam ter tido mais observações além das informações de praxe sobre as datas, locais e veículos onde foram ditas e/ou publicadas.
Apesar destes furos, O Mundo na Visão de Michael Moore serve como uma excelente introdução tanto aos filmes do documentarista quanto aos livros que ele escreveu tais como Stupid White Man – Uma Nação de Idiotas; Cara, Cadê Meu País?; e Adoro Problemas - todos publicados no Brasil. A leitura é fácil, agradável e rápida, sendo que as letras grandes e o tamanho do livro (122 páginas) ajudam nisso.
Publicado pela Editora Best Seller (que pertence ao Grupo Editorial Record) em 2005, O Mundo na Visão de Michael Moore encontra-se, infelizmente, esgotado. Porém, é possível ainda encontrá-lo em sebos físicos e/ou virtuais. Como o preço varia de um lugar ao outro, recomenda-se fazer uma boa pesquisa antes de comprar.
Enquanto isso, Michael Moore não sossega. Além de ter lançado seu mais recente filme, Where to Invade Next (ver o trailer abaixo), também anunciou publicamente o seu apoio ao pré-candidato Socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, à presidência dos EUA nas eleições que irão ocorrer em 8 de novembro deste ano (veja aqui). Tudo em nome dos pobres, fracos e oprimidos.

FICHA TÉCNICA
·      Título: O Mundo na Visão de Michael Moore – Um Autorretrato Não Autorizado nas Palavras do Próprio Cineasta
·         Autor: Lawrence, Ken (organização)
·         Assunto: Cinema, Política, Sociologia
·         Idioma: Português
·         Ano: 2005
·         Editora: Best Seller
·         Edição: 1
·         Nº de páginas: 122
·         Status: esgotado
·         Preço: variável (sebos físicos e virtuais)

COTAÇÃO
Bom.

Veja aqui o trailer oficial do mais recente filme de Michael Moore Where to Invade Next (original em inglês - HD):


Publicado no LinkedIn em 17/04/2016.