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Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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sábado, 26 de janeiro de 2019

Crítica: Vice | O poder do quieto



OSCAR 2019: venceu na categoria de melhor maquiagem e cabelo.

Dick Chaney (Christian Bale, de Batman, o Cavaleiro das Trevas) é um típico sulista interiorano do estado de Wyoming, EUA: passa a maior parte de seu tempo bebendo, brigando e metendo-se em confusões, mesmo sendo um tipo calado, e tem um emprego modesto. Uma noite, sua esposa, Lynne (Amy Adams, de O Homem de Aço), após tirá-lo novamente da cadeia, dá-lhe um ultimato: ou endireita-se ou ela vai embora. Dick promete endireitar-se. Ele forma-se na universidade, vai para a capital estadunidense, Washington D. C., e lá conhece Donald Rumsfeld (Steve Carell, de Agente 86), político do conservador Partido Republicano, começa a trabalhar para ele e, assim, inicia sua própria carreira na política. 

Anos depois, quando já é um político conhecido e um próspero empresário, é convidado pelo então candidato presidencial, George W. Bush (Sam Rockwell, de Três Anúncios Para Um Crime), para ser o vice-presidente de sua chapa. Dick, a princípio, recusa, mas depois aceita o convite, em um decisão que irá mudar sua vida e a história dos EUA e do mundo.

Em 2012, a consultora de negócios e escritora Susan Cain, publicou um livro de auto-ajuda - mais um entre tantos outros, mas que fez sucesso em um mercado hipersaturado - intitulado O Poder dos Quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar (título original Quiet: The power of introverts in a world that can't stop speaking), no qual, ao contrário do que muitas pessoas crêem, pessoas reservadas, tímidas e/ou introvertidas são pessoas altamente capazes e competentes em seus afazeres, profissões e relacionamentos sociais apesar de suas características pessoais ou, como a autora afirma categoricamente, graças a elas.

No prefácio da obra, escrito pelo tambem escritor e administrador de empresas Max Gehriger, há um trecho que diz:

"O introvertido e uma pessoa sensível que sente-se confortável tendo a si mesmo como companhia. Ele quer entender o que passa-se ao seu redor, mas não sente a necessidade de alardear seus pontos de vista. Entre um filósofo em causa própria e um alienado social, ele encaixa-se perfeitamente na primeira definição, mas a arbitrariedade das convenções tende a empurra-lo para a segunda. Porque, ao buscar líderes em seus quadros, a maioria das empresas parece confundir liderança com autopromoção e exuberância. O introvertido sabe que dificilmente será o general que sai brandindo a espada a frente de suas tropas, mas tem tudo para ser o estrategista cujo plano garantirá a vitória na batalha". 

Este trecho combina a perfeição com o provérbio que aparece nos primeiros minutos de Vice e que é fundamental para a compreensão da película: 

"Cuidado com o homem quieto. Enquanto os outros falam, ele observa. Enquanto os outros agem, ele planeja. E quando os outros finalmente descansam, ele ataca". 

Vice não é o primeiro filme a tratar do governo de George W. Bush. Anteriormente houve o filme W. (2008), do cineasta Oliver Stone (Snowden: Herói ou Traidor?), com Josh Brolin (Vingadores - Guerra Infinita) à frente do elenco. Também há o documentário Fahrenheit 11 de Setembro (2004), do polêmico e genial diretor e documentarista Michael Moore, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A diferença está na ênfase dada a uma personagem tida como secundária - tanto nos filmes de Stone e Moore quanto na vida real. Dick Chaney concentrou em suas mãos um poder enorme que nenhum outro vice-presidente estadunidense teve antes nem depois dele.

Vice mostra o estilo Chaney de fazer política: cerebral, calculista, paciente, sem chamar a atenção até agir nos momentos certos e com precisão, fiel ao seu estilo quieto, reservado e introvertido. Um estilo que faz seus supostos superiores - primeiro Rumsfeld e depois Bush - serem meros peões em seu intrincado jogo de xadrez sem parecerem e sem ninguém perceber que são!

Na recente premiação do Globo de Ouro, Vice concorreu na categoria "comédia ou musical". Não acho a definição correta. Embora tenha vários momentos de humor, o filme, definitivamente, não é uma comédia. Na verdade, é um filme de difícil classificação: um drama biográfico em estilo de documentário (com narrador incluso) com tons humorísticos.

Ao assistir Vice, constantemente lembrava-me dos já citados Oliver Stone e, principalmente, Michael Moore. Mas, o diretor Adam McKay (A Grande Aposta), também autor do roteiro, não fez um pastiche desses cineastas, longe disso. McKay realizou um trabalho de direção extremamente criativo, inventivo, irônico e provocativo. Esse trabalho valeu-lhe justas indicações de melhor diretor no Globo de Ouro e no Oscar, além de uma indicação de melhor roteiro original neste último e no Bafta (o Oscar britânico).

Christian Bale engordou 40 kg para encarnar Dick Chaney. Conseguiu quebrar o recorde de Robert De Niro, que engordou 25 kg para interpretar o boxeador Jake La Motta, já decadente, no filme Touro Indomável (1980). 

Sua interpretação do ex-vice-presidente estadunidense é esplêndida. Bale consegue reproduzir com perfeição Dick Chaney em todas as suas contradições: o falso bonachão conservador sempre na dele, mas de olhos e ouvidos atentos, que usa métodos legais, ilegais e maquiavélicos para atingir seus fins. Ama sua família, mas não hesita em machucar os sentimentos da filha lésbica, Mary (Alison Pill, de Meia-noite em Paris), para auxiliar a filha mais velha, Lizzie (Lily Rabe, da série American Horror Story), que inicia sua própria carreira política.

O "desabafo" de Dick Cheney quase ao final do filme é o ponto alto da performance de Bale em Vice. Sua fala mistura cinismo com sinceridade - ele acredita piamente no que diz - e soa tão arrogante e convincente que tem todas as chances de ser daquelas cenas para entrar para a história do cinema. O Oscar deste ano tem candidatos fortíssimos ao prêmio de melhor ator, mas, para mim, Bale (que já ganhou o Globo de Ouro deste ano) ainda tem um ligeiro favoritismo.

A interpretação de Lynne Chaney por Amy Adams também mostra as contradições da segunda-dama dos EUA: uma típica mulher sulista caseira, mas de personalidade forte e tão gananciosa e maquiavélica quanto o marido. Amy está ótima no papel, mas acho difícil tirar o prêmio de melhor atriz de Glenn Close em A Esposa (veja a crítica aqui). Porém, se tirar, não será de todo injusto.

Steve Carell está seguindo o mesmo caminho trilhado por Tom Hanks (Apolo 13): transformando-se de comediante em ator sério, mas sem perder o humor. O seu Donald Rumsfeld é o anti-Chaney: arrogante, exibido, barulhento e nada discreto, em uma atuação muito boa. A continuar assim, o Oscar será uma questão de tempo.

Sam Rockwell já tem a sua estatueta e tem todas as chances de conseguir mais uma com sua interpretação de George W. Bush, o ex-bêbado bronco que nada mais é que uma marionete manipulada por Dick Chaney a seu bel-prazer.

E não podemos esquecer Jesse Plemons (Aliança do Crime), muito bom em seu papel como Kurt, que narra a toda a história e representa a classe trabalhadora estadunidense que sofre diretamente as consequências do governo Chaney, isto é, Bush, e tem uma ligação surpreendente com o vice-presidente.

Assim como nos documentários de Michael Moore, Vice também mostra as falcatruas da administração Bush - e de Chaney, em particular - além da manipulação da opinião pública pela imprensa conservadora, principalmente o canal Fox News, símbolo dessa imprensa e dessa administração. Impagável é a cena, também no final, no qual um há um debate em grupo sobre o "viés liberal" do filme e a discussão entre dois debatedores, sendo um deles eleitor do atual e infame presidente dos EUA, Donald Trump.

Vice é um filme ousado, que cutuca feridas ainda não totalmente cicatrizadas e incomoda, por isso corre o risco de ser esnobado na cerimônia do Oscar que se aproxima. Porém, é daqueles filmes que, mesmo daqui a 100 anos, ainda continuará atual, pois sua premissa sobre "gurus" de presidentes da república não é, e nem nunca será, mera coincidência. Especialmente se for do tipo quieto...


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Vice
  • Direção: Adam McKay
  • Elenco: Christian Bale (Dick Cheney), Amy Adams (Lynne Chaney), Steve Carell (Donald Rumsfeld), Sam Rockwell (George W. Bush), Alison Pill (Mary Cheney), Lily Rabe (Liz Chaney), Jesse Plemons (Kurt, o narrador)
  • Roteiro: Adam McKay
  • Fotografia: Greig Fraser
  • Duração: 132 minutos
  • Ano: 2018
  • Lançamento comercial no Brasil: 31/01/2019

RESUMO DO FILME
A trajetória de Dick Cheney que, de um bêbado brigão, tornou-se o mais poderoso vice-presidente da história dos EUA e como sua visão e decisões políticas afetaram o mundo durante o governo do presidente George W. Bush.

COTAÇÃO
✪✪✪✪✪

Veja aqui o trailer oficial de Vice (legendado - HD):


Publicado no LinkedIn em 30/01/2019 e no AdoroCinema em 31/01/2019.

domingo, 17 de abril de 2016

Dica de Leitura | O Mundo na Visão de Michael Moore



Panorama do Cinema vem com mais uma Dica de Leitura, na qual indicamos livros, revistas ou artigos sobre cinema. E a nossa dica de hoje vai para o livro O Mundo na Visão de Michael Moore.
Desde a sua estreia no cinema, em 1989, com o documentário Roger & Eu, o ativista, cineasta e documentarista estadunidense Michael Moore vem se notabilizando como defensor das boas e grandes causas, a favor dos pobres e contra os ricos. Crítico ferino e mordaz do american way of life (modo de vida americano, em inglês) e dos políticos de direita (principalmente do Partido Republicano), Moore já foi chamado de antiamericano, panfletário, comunista, vagabundo, gordo nojento, polêmico e genial.
Até então com uma fama restrita aos EUA, o reconhecimento mundial veio em 2002, quando venceu o Oscar de Melhor Documentário com Tiros em Columbine, no qual denuncia o comércio de armas em seu país como uma coisa prostituída e que levou à tragédia da pequena cidade de Columbine, onde dois jovens armados promoveram um massacre em uma escola e, em seguida, suicidaram-se.
A consagração definitiva veio em 2004, quando conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com Fahrenheit 9/11, o segundo documentário a conquistar esse prêmio (o primeiro foi Le Monde Du Silence, do oceanógrafo francês Jacques Cousteau e de seu compatriota, o cineasta Louis Malle, em 1956).
O filme denuncia as manipulações nas eleições presidenciais de 2000 nos EUA que foram vencidas por George W. Bush, as relações da família do presidente estadunidense com famílias influentes da Arábia Saudita, especialmente a família Bin Laden (a mesma do terrorista Osama Bin Laden) e os verdadeiros motivos das invasões do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.
Com o subtítulo de Um Autorretrato Não Autorizado nas Palavras do Próprio Cineasta (pois não teve a participação do mesmo em sua edição), O Mundo na Visão de Michael Moore é uma coletânea de frases sobre vários temas ditas por Moore entre 1989 e 2004 e que foram organizadas pelo jornalista Ken Lawrence, que também é o autor da introdução do livro. As frases estão subdivididas em assuntos tais como “Sobre o Presidente George W. Bush”, “Sobre os Estados Unidos”, “Sobre Tiros em Columbine”, etc.
Na introdução, Lawrence limitou-se a escrever uma breve biografia de Moore, sem acrescentar nenhum fato novo ou relevante. Poderia ter aproveitado o espaço e a oportunidade para escrever um estudo sobre o artista. Da mesma forma, as frases selecionadas poderiam ter tido mais observações além das informações de praxe sobre as datas, locais e veículos onde foram ditas e/ou publicadas.
Apesar destes furos, O Mundo na Visão de Michael Moore serve como uma excelente introdução tanto aos filmes do documentarista quanto aos livros que ele escreveu tais como Stupid White Man – Uma Nação de Idiotas; Cara, Cadê Meu País?; e Adoro Problemas - todos publicados no Brasil. A leitura é fácil, agradável e rápida, sendo que as letras grandes e o tamanho do livro (122 páginas) ajudam nisso.
Publicado pela Editora Best Seller (que pertence ao Grupo Editorial Record) em 2005, O Mundo na Visão de Michael Moore encontra-se, infelizmente, esgotado. Porém, é possível ainda encontrá-lo em sebos físicos e/ou virtuais. Como o preço varia de um lugar ao outro, recomenda-se fazer uma boa pesquisa antes de comprar.
Enquanto isso, Michael Moore não sossega. Além de ter lançado seu mais recente filme, Where to Invade Next (ver o trailer abaixo), também anunciou publicamente o seu apoio ao pré-candidato Socialista do Partido Democrata, Bernie Sanders, à presidência dos EUA nas eleições que irão ocorrer em 8 de novembro deste ano (veja aqui). Tudo em nome dos pobres, fracos e oprimidos.

FICHA TÉCNICA
·      Título: O Mundo na Visão de Michael Moore – Um Autorretrato Não Autorizado nas Palavras do Próprio Cineasta
·         Autor: Lawrence, Ken (organização)
·         Assunto: Cinema, Política, Sociologia
·         Idioma: Português
·         Ano: 2005
·         Editora: Best Seller
·         Edição: 1
·         Nº de páginas: 122
·         Status: esgotado
·         Preço: variável (sebos físicos e virtuais)

COTAÇÃO
Bom.

Veja aqui o trailer oficial do mais recente filme de Michael Moore Where to Invade Next (original em inglês - HD):


Publicado no LinkedIn em 17/04/2016.