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Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Crítica: Um Dia de Chuva em Nova York | Mais do mesmo, mas sempre romântico


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O lançamento de um filme de Woody Allen é sempre um grande acontecimento para entusiastas do cinema do mundo inteiro, ainda mais com as polêmicas que o grande cineasta tem vivido em sua vida pessoal a ponto de atingir seu trabalho como neste seu mais filme, Um Dia de Chuva em Nova York.

Gatsby (Timothée Chalamet, de Querido Menino) é um jovem universitário que só está na universidade por causa de sua namorada, Ashleigh (Elle Fanning, da franquia Malévola), que estuda jornalismo. Ashleigh diz a Gatsby que conseguiu marcar uma entrevista com o cineasta Roland Pollard (Liev Schreiber, de A Profecia), que está em Nova York. Gatsby aproveita a ocasião para ir junto com a namorada, para passar um fim-de-semana romântico.

Após chegarem em Nova York, Ashleigh vai entrevistar Pollard, que a convida para assistir uma prévia de seu novo filme junto a seu empresário, Ted Davidoff (Jude Law, de Inteligência Artificial), o que desagrada Gatsby. Enquanto aguarda a volta de Ashleigh, Gatsby vai dar uma volta pelas redondezas e encontra um antigo colega que está fazendo um filme, precisa de um figurante para uma cena de beijo e convida Gatsby para fazer a cena e ele aceita.

Ao ir fazer a cena, descobre que a atriz com quem vai atuar é Shannon (a cantora Selena Gomez, da franquia Hotel Transilvânia), a irmã mais nova de uma ex-namorada sua. Após as filmagens, decidem sair juntos. Enquanto isso, após um sumiço de Pollard, Ashleigh envolve-se com o ator espanhol Francisco Vega (Diego Luna, de Rough One. Veja a crítica aqui).

Um Dia de Chuva em Nova York estava a ser produzido normalmente quando surgiu o  movimento #MeeToo, que denunciava casos de assédio sexual na indústria do cinema. Aproveitando a onda, a ex-companheira de Allen, a atriz Mia Farrow (Terror Cego), trouxe novamente a tona uma antiga acusação de abuso sexual contra o cineasta com a filha, Dylan.

Embora tivesse sido inocentado em um inquérito anterior, a volta dessa acusação trouxe repercussões negativas. Timothée Chalamet e Selena Gomez doaram o pagamento que receberam pelo filme para a caridade. A Amazon Studios, produtora do filme, apavorada com a polêmica, suspendeu o lançamento do filme por mais de um ano. Allen entrou com processo na justiça por quebra de contrato. As partes acabaram por entrar em acordo e Um Dia de Chuva em Nova York foi liberado para lançamento: primeiro na Europa, depois América do Sul, Ásia e, finalmente, os EUA. 

Mas em que toda essa confusão afetou Um Dia de Chuva em Nova York em si? A verdade é: em nada. Mas, tanto agora como futuramente, será impossível falar desse filme sem referir-se a toda essa turbulência.

Quando assiste-se Um Dia de Chuva em Nova York, a impressão que fica é de mais do mesmo, com ideias usadas anteriormente, o que pode frustrar os espectadores depois de criada uma expectativa tão grande. Porém, ainda é um filme de Woody Allen, o que já é uma garantia de uma produção acima da média.

Woody continua com seu estilo seguro de dirigir, mantendo a plateia atenta em todos os passos do casal de namorados separados por força das circunstâncias. E, em uma coisa o diretor continua insuperável: mesmo em um cenário chuvoso, ninguém mostra a cidade de Nova York de modo tão bonito quanto ele. Nisso é ajudado pela bela fotografia de seu velho amigo e colaborador Vittorio Storaro.

O elenco masculino, seja o badalado Timothée Chalamet e os coadjuvantes de luxo Jude Law, Diego Luna e Liev Schreiber estão corretos em seus papéis, mas a impressão que me deram foi que eles não sacaram bem o senso de humor alleniano e, por vezes, pareciam deslocados e até desengonçados.

Em contrapartida, as atrizes estão muito bem. Selena Gomez, com sua eterna cara de adolescente bonitinha e bochechuda, surpreendeu-me agradavelmente com uma atuação natural e com boa desenvoltura. Mas o grande destaque é, sem dúvida, Elle Fanning. Ao contrário dos atores, a irmã mais nova de Dakota Fanning (de Tudo o Que Eu Quero. Veja a crítica aqui) sacou e muito bem o senso de humor de Woody Allen. Sua interpretação de moça provinciana, ingênua e bobinha deslumbrada com o glamour das produções cinematográficas faz lembrar os melhores momentos de outras musas de Allen como Diane Keaton (Clube das Desquitadas) e até mesmo de Mia Farrow, quando ambos estavam de boa.

Um Dia de Chuva em Nova York é um Woody Allen menor, mas vai agradar ao público em geral principalmente pelo seu romantismo, um sentimento que Woody sabe passar como poucos. Agora é aguardar o lançamento de seu próximo filme, Rifkin's Festival (ainda sem título em português), que já está pronto e com lançamento previsto para maio de 2020. Esperemos que esta produção tenha um lançamento mais tranquilo...

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: A Rainy Day in New York
  • Direção: Woody Allen
  • Elenco: Timothée Chalamet (Gatsby Welles), Selena Gomez (Shannon), Elle Fanning  (Ashleigh Enright), Jude Law (Ted Davidoff), Diego Luna (Francisco Vega), Liev Schreiber (Roland Pollard)
  • RoteiroWoody Allen
  • Fotografia: Vittorio Storaro
  • Duração: 92 minutos
  • Ano: 2018
  • Lançamento comercial no Brasil: 21/11/2019

          RESUMO DO FILME

Gatsby decide passar o fim-de-semana romântico em Nova York com sua namorada, Ashleigh. Porém, o passeio vai para uma direção bem diferente do planejado.
 
COTAÇÃO
✪✪✪½

Veja aqui o trailer oficial de Um Dia Chuvoso em Nova York (legendado - HD):


Publicado no AdoroCinema em 21/11/2019.


#ForaBolsonaro

#BolsonaroOut

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os Filmes Favoritos de Woody Allen (dirigidos por ele)


O cineasta estadunidense Woody Allen (Café Society) além de ser um dos maiores gênios do cinema em todos os tempos, é também muito prolífico em suas atividades tais como em shows stand-up, música (é considerado um clarinetista talentoso), escritor e, claro, diretor de filmes, com uma média de um por ano. Seu filme mais recente é Roda Gigante, lançado em 2017 (veja a crítica aqui) e já prepara o próximo, a ser lançado em 2018, e que se chamará Um Dia Chuvoso em Nova York com Timothée Chamalet (Me Chame Pelo Seu Nome), Selena Gomez (Vizinhos 2), Jude Law (Sherlock Holmes e o Jogo de Sombras) e Diego Luna (Rogue One. Veja a crítica aqui) no elenco.

Para alguns cineastas perguntar qual dos filmes que fez é o seu favorito é quase como perguntar qual dos filhos prefere, mas, para Woody, isso não parece ser problema. A primeira vez que o vi responder a essa pergunta foi no saudoso programa de entrevistas Conexão Internacional, da extinta Rede Manchete e apresentado pelo jornalista Roberto D'Ávila. Na ocasião, ele respondeu que, dos filmes que realizou, o seu favorito era Memórias (1980).

Confesso que, ao ouvir a resposta, fiquei surpreso, pois achava que ele iria dizer Manhattan (1979), devido ao amor que sentia - e ainda sente - pela cidade de Nova York; ou Interiores (1978), pela sua veneração ao grande cineasta sueco Ingmar Bergman (Fanny & Alexander). Muitos dos fãs e críticos de cinema tiveram a mesma sensação e chegaram a questionar a escolha de Woody.

Com o passar do tempo, o diretor acrescentou outros filmes à lista e Panorama do Cinema irá apresentar ao seus leitores cada um desses filmes dirigidos pelo grande Woody Allen e que são os seus favoritos: 

Memórias (1980)


Sandy Bates (Allen) é um cineasta e comediante que passa por uma crise emocional devido a morte de um amigo e pelo relacionamento complicado com a depressiva atriz Dorrie (a inglesa Charlotte Hampling, de Trem Noturno Para Lisboa). Essa crise é refletida em seu último filme transformado de comédia para um drama existencial. Sandy vai até um hotel no litoral chamado Stardust onde está sendo realizado um festival com seus antigos filmes. Lá conhece a jovem violinista Daisy (Jéssica Harper, de Minority Report - A Nova Lei). O assédio dos fãs o faz chamar a atriz Isobel (a francesa Marie-Christine Barrault, de Jesus de Montreal) para juntar-se a ele. Porém, as memórias de sua vida não o abandonam.

Segundo de uma série de cinco filmes feitos em preto e branco (os outros são Manhattan, Zelig, Broadway Danny Rose e Neblina e Sombras) e filmado em várias localidades do estado de Nova Jersey, foi considerado um filme autobiográfico de Allen, o que ele sempre negou. Afirmou que a inspiração veio do clássico neorrealista , do cineasta italiano Federico Fellini (Ensaio de Orquestra). 

O filme dividiu crítica e público e foi contestado pelos mesmos quando Woody o elegeu como um dos seus favoritos. Curiosamente, outro de seus filmes, que possui uma premissa semelhante, Desconstruindo Harry (1997), foi aclamado pelos mesmos críticos e público. 

O filme marcou a estreia no cinema da musa Sharon Stone (Instinto Selvagem) e tem uma ponta de Brent Spiner (série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração) como um espectador na sala de exibição. E, de quebra, tem a música Aquarela do Brasil, do compositor Ary Barroso, na trilha sonora! 

Veja o trailer de Memórias (original em inglês):




Zelig (1983)


Leonard Zelig (Allen) é um homem desinteressante, mas tem a estranha capacidade de ter a sua aparência transformada nas das pessoas que o cercam: se a pessoa é gorda, ele fica gordo, se é negra, ele fica negro, e assim por diante. Fica conhecido como "O Camaleão Humano". Quando Zelig é internado no hospital, a psiquiatra Dra. Eudora Fletcher (a então compannheira de Allen, Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary) quer ajudá-lo com seu estranho transtorno e, com o passar do tempo, apaixona-se por ele.

Terceiro dos filmes de Allen em preto e branco e filmado como um pseudodocumentário das décadas de 1920 e 1930, com cenas da época, Zelig foi aclamado pela crítica. Com a ajuda de efeitos especiais feitos em Chroma Key (o famoso "fundo verde"), pôde incluir no filme a aparição de personalidades desse tempo como o aviador Charles Lindbergh, o gangster Al Capone, a atriz Marion Davis (Desde os Tempos de Eva), o ator e cineasta Charles Chaplin (Tempos Modernos), a cantora e dançarina Josephine Baker, o ator James Cagney (Fúria Sanguinária), o ditador tresloucado Adolf Hitler e o Papa Pio XI.

Zelig recebeu duas indicações para o Oscar (fotografia e figurino) e para o Globo de Ouro (filme e ator para Allen, ambos na categoria comédia ou musical) e conquistou o prêmio Leão de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Veneza.

 Veja aqui o trailer de Zelig (original em inglês):




A Rosa Púrpura do Cairo (1985)


Durante o período da Grande Depressão Econômica, em 1935, Cecilia (Mia Farrow), uma pobre e desastrada garçonete tem por hábito ir ao cinema para escapar da rotina de sua vida triste, que inclui o casamento com o abusivo Monk (Danny Aiello, de Faça a Coisa Certa). Quando Cecilia flagra Monk com outra mulher, abandona o marido e vai ao cinema onde assiste a várias sessões de um filme chamado "A Rosa Púrpura do Cairo". Um dos personagens, Tom Baxter (Jeff Daniels, da franquia Debi & Lóide) ao reparar em Cecilia, sai do filme para encontrá-la.

Também feito em Nova Jersey, A Rosa Púrpura do Cairo foi outro filme aclamado por crítica e público. Allen chegou a fazer algumas cenas como Tom Baxter, mas não gostou do resultado e chamou Jeff Daniels para o papel, que acabou por ser uma decisão acertada.  
A Rosa Púrpura do Cairo foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e foi premiado nessa categoria no Globo de Ouro e no BAFTA (o Oscar britânico), no qual também conquistou o prêmio de Melhor Filme. Ainda conquistou o prêmio FIPRESCI, do Festival de Cannes e o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Prêmio César (o Oscar francês).

Uma curiosidade: este filme de Woody Allen inspirou um filme de Arnold Schwarzenegger (franquia O Exterminador do Futuro), O Último Grande Herói (1993), dirigido por John McTiernan (franquia Duro de Matar) e com uma premissa bastante semelhante ao filme de Allen.

Veja o trailer de A Rosa Púrpura do Cairo (original em inglês):



Maridos e Esposas (1992)



Maridos e Esposas conta a história de dois casais: Gabe (Allen) e Judy (Farrow) e Jack (o cineasta e ator Sydney Pollack, de Tootsie) e Sally (a australiana Judy Davis, de Maria Antonieta). Uma noite, Jack e Sally vão à casa de Gabe e Judy e contam a eles que estão se separando, o que choca os anfitriões. Jack começa a namorar uma jovem instrutora de ginástica aeróbica (a inglesa Lysette Anthony, de Drácula: Morto, Mas Feliz), o que gera ciúmes em Sally. Sally apresenta Judy ao seu colega de escritório, Michael (o norte-irlandês Liam Neeson, de O Passageiro). Ele e Judy tem um breve relacionamento. Gabe começa um relacionamento com a estudante Rain (Juliette Lewis, de Álbum de Família), enquanto Jack fica sabendo que Sally tem um novo relacionamento e descobre que é com Michael.

Outro filme consagrado pela crítica, embora, na época em que foi lançado, eu não tenha gostado muito. Mas, como não assisti novamente, pode ser que, ao faze-lo, reveja a minha opinião. Allen usou uma técnica de câmera que se movimenta todo o tempo, como em uma transmissão ao vivo, técnica essa que repetiria no seu filme seguinte, Misterioso Assassinato em Manhattan (1993).

Maridos e Esposas foi indicado para dois Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante (Judy Davis) e roteiro original que foi premiado nessa mesma categoria no BAFTA. Judy Davis também recebeu uma indicação no Globo de Ouro e conquistou vários prêmios com esse seu trabalho, dentre estes o National Board of Review. Além disso, tornou-se uma das musas de Allen, tendo aparecido ainda nos filmes Simplesmente Alice (1990), Desconstruindo Harry (1997) e Para Roma, Com Amor (2012).

Veja aqui o trailer de Maridos e Esposas (legendado):



Match Point (2005)


Chris Wilton (o irlandês Jonathan Rhys Meyers, de London Town) é um tenista profissional que, recentemente, encerrou sua carreira e arruma um emprego como instrutor de tênis em um luxuoso clube de Londres. Lá conhece o jovem milionário Tom Hewett (o inglês Matthew Goode, de Watchmen), que apresenta-lhe a sua irmã, Chloe (a inglesa Emily Mortimer, de A Invenção de Hugo Cabret). Ela e Chris começam um namoro.

Um dia, Chris vai a uma festa na casa de Tom e lá conhece a noiva dele, Nola Rice (a estadunidense Scarlett Johansson, da franquia Os Vingadores). Chris e Nola iniciam um caso, que continua mesmo depois dele ter se casado com Chloe. E quando Nola diz-lhe que está grávida, ele vê ameaçado seu casamento e seu interesse na fortuna da família e decide matar a amante.

Para variar, mais uma aclamação de crítica e público. Neste filme, que é um de seus raros dramas, é contada uma história sobre como a sorte pode interferir no destino e que leva à pergunta: O homem pode controlar esse mesmo destino?

Em Match Point, Allen inspirou-se no romance clássico Crime e Castigo, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Woody é tão fascinado por esse livro que, novamente, o usou como inspiração para um de seus filmes mais recentes, Homem Irracional (2015, veja a crítica aqui).

Ao contrário da maior parte de seus filmes, que tem música jazz em sua trilha sonora, em Match Point a trilha é de música clássica, o que aumentou a dramaticidade do enredo.

Match Point foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original; no Globo de Ouro foi indicado nessa mesma categoria e também para filme, diretor e atriz coadjuvante (Scarlett Johansson). Conquistou o prêmio de Melhor Filme Europeu (o filme foi produzido no Reino Unido) nos Prêmios David di Donatello (Itália) e Goya (Espanha). 

Scarlett Johansson tornou-se outra musa de Woody Allen, aparecendo novamente nos filmes Scoop: O Grande Furo (2006) e Vicky Cristina Barcelona (2008). 

Veja o trailer de Match Point (legendado):


Publicado no LinkedIn em 22/02/2018.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Crítica: Roda Gigante | Altos, Baixos e Decadências Giratórias


O lançamento de um novo filme de Woody Allen (Meia-Noite em Paris) é sempre um grande acontecimento tanto para críticos e cinéfilos quanto para o público em geral. Em seu novo filme, Roda Gigante, Allen retorna de Los Angeles, onde passou-se a trama de seu filme anterior, Café Society, à sua querida cidade de Nova York para tratar do assunto que conhece melhor: o relacionamento entre pessoas e, mais especificamente, entre homens e mulheres.

Na década de 1950, no balneário de Coney Island, local do conhecido parque de diversões, vivem o casal Ginny (Kate Winslet, de Titanic), que trabalha como garçonete, e Humpty (Jim Belushi, do seriado O Jim é Assim), que trabalha como operador do carrossel do parque de Coney Island, juntamente com o filho de Ginny, Richie (o ator infantil Jack Gore, de Somos o Que Somos), que tem a mania de por fogo em tudo. Ginny é uma mulher emocionalmente instável, com enxaquecas constantes, que leva uma vida muito frustrada. Um dia, aparece na lanchonete onde Ginny trabalha, a filha de Humpty, Carolina (Juno Temple, de Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge), que estava ser ver o pai há mais de cinco anos por ter se casado com um gangster e agora foge do ex-marido porque sabe demais sobre seus crimes. Nesse meio-tempo, Ginny conhece Mickey Rubin (o cantor Pop Justin Timberlake, de Alpha Dog), um mestrando de teatro europeu que trabalha como salva-vidas durante as férias de verão e inicia um caso com ele. Porém, Carolina também conhece Mickey e ocorre uma atração mútua.

Assim como em A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e A Era do Rádio (1987), Allen inspirou-se nas memórias de sua infância e juventude para criar a história de Roda Gigante. Mas, ao contrário destes filmes anteriores, quase não há humor, somente algumas risadas isoladas assemelhando-se, nesse aspecto, a um filme seu mais recente, Homem Irracional (2015 - veja a crítica aqui). Um dos poucos momentos de risos é com Richie, o filho piromaníaco de Ginny, colocando fogo em vários lugares: praia, escola, consultório médico, etc. Porém, tão logo percebe-se o que isso representa,  as risadas cessam.

A escolha do parque de diversões de Coney Island como cenário deste novo filme sério de Woody Allen, não foi casual. Inaugurado no final do século XIX, fez bastante sucesso com o público das cidades de Nova York e Nova Jérsei tendo a roda gigante como seu símbolo mais conhecido até iniciar sua decadência logo após a Segunda Guerra Mundial, com o fechamento de várias atrações e a venda dos terrenos onde estavam (um desses terrenos chegou a ser comprado pelo empreiteiro e empresário do ramo imobiliário Fred Trump, pai do atual presidente dos EUA, Donald Trump), a frequência de gente mal encarada e nada recomendável e chegou ao fundo do poço no início da década de 1980. Mickey, que é o narrador da história, por várias vezes chama a atenção dos espectadores sobre essa decadência do parque, que acaba por atingir as pessoas que trabalham e vivem no local.

O que Roda Gigante mostra com propriedade sobre essa época é que apesar de alguns anos antes terem saídos vitoriosos do conflito mundial contra as forças do Eixo, emergido como superpotência ao lado da União Soviética e estarem em um período de prosperidade material,  os EUA também passavam por uma decadência, mas esta de ordem moral, que acompanhava a de Coney Island e que estende-se até os dias de hoje com um comportamento racista, xenófobo, homofóbico e misógino e que não se importa com que os outros países digam. "América primeiro", é o slogan usado...

Tendo sido uma atriz fracassada em sua juventude - quando também teve um caso amoroso que lhe custou seu primeiro casamento - Ginny espelha essa decadência e, no fundo, sabe disso. Ela vê no jovem e romântico aspirante a teatrólogo uma chance de escapar dessa situação e da vida sem perspectivas que leva, mesmo que isso igualmente custe o seu segundo casamento e que afete alguma pessoa inocente. Se alguém pensou "ela primeiro", não é mera coincidência.

Mas, apesar dessa falta de ética pessoal, é possível identificar-se com os sentimentos de Ginny, pois quem já não se sentiu frustrado e triste por um sonho não realizado ou um amor não correspondido? Porém, o seu egoísmo reflete em seu karma, o que faz com que queira mandar tudo para o espaço e  negligencie os que estão à sua volta.

Kate Winslet tem uma performance simplesmente fantástica em Roda Gigante. A sua atuação faz com que a tradicional personagem "mulher à beira de um ataque de nervos", que aparece tanto em dramas como em comédias, tenha sua definição definitiva que nenhum filme de Pedro Almodóvar (Volver) seria capaz de mostrar. Ela consegue ser depressiva e sexy ao mesmo tempo e de um modo em que iguais e opostos se repelem e se atraem - não necessariamente nessa ordem. Esse papel valeu a Kate o prêmio de Melhor Atriz no Hollywood Film Awards, em novembro último. Não estranhem se ela receber uma indicação ao Oscar, pois seria mais do que merecida.

Não foi a primeira vez que Woody Allen quis trabalhar com Kate Winslet. Ele a queria como protagonista de seu filme Match Point (2005), mas, na ocasião, Kate declinou do convite para tratar de assuntos familiares. O filme é considerado uma das obras-primas de Allen. Imaginem se Kate tivesse aceito o convite...

Já o par romântico de Kate no filme , Justin Timberlake é o oposto. Woody Allen costuma acertar na escolha do elenco de seus filmes, mas errou desta vez ao escolher o cantor. A atuação de Justin em si não compromete, mas dá para notar que ele está nitidamente deslocado tanto como galã quanto como narrador da história e não convence como autor de teatro e intelectual. Mesmo em uma parte decisiva do filme, em que Mickey descobre um terrível ato de Ginny, ele não consegue passar os sentimentos necessários para uma cena tão dramática como essa. Usar um ator com uma forte formação teatral como Luke Treadaway (Um Gato de Rua Chamado Bob), teria resultado melhor.

Juno Temple foi uma aposta de Allen. Assim como Justin, sua atuação não compromete, mas ao contrário dele, ela está à vontade e consegue convencer como a filha sem juízo de Humpty que se arrepende do erros passados, tenta mudar de vida com a ajuda do pai e se relacionar bem com a sua nova família. Woody apostou e ganhou.

Para mim, a grande e agradável surpresa do filme foi Jim Belushi, que está ótimo no papel do bronco e balofo Humpty. O irmão do saudoso John Belushi (Os Irmãos Cara-de-Pau) faz do seu personagem alguém rude e terno, daqueles capaz de dar uma bofetada no pequeno Richie por este ter-lhe roubado cinquenta centavos para ir ao cinema e, simultaneamente, fazer os maiores sacrifícios para que Carolina estude e tenha um futuro. Assim como Juno, Jim está perfeitamente à vontade em seu papel. Conhecido mais pelas comédias, revelou-se um competente ator dramático. Eu, pessoalmente, torço para que ele ganhe uma indicação ou mesmo um prêmio em algum festival.

A direção de Woody Allen está segura como sempre, refletida na atuação de seu elenco - com exceção de Timberlake - e no clima ao alongo do filme mesclando com maestria romance, melancolia, humor (mesmo que em doses minúsculas) e drama. É um dos raros cineastas dos EUA capazes de retratarem a classe trabalhadora estadunidense em sua alma e coração, sonhos e desilusões, amores e ódios sem pieguismo nem concessões, no que é auxiliado aqui pela bela fotografia do italiano Vittorio Storaro (Apocalypse Now), com quem já havia trabalhado em Café Society e com quem já trabalha em seu próximo filme, Um Dia Chuvoso em Nova York, com previsão de lançamento em 2018.

Dizem que a vida é feita de altos e baixos como uma montanha-russa. Porém, ao se assistir Roda Gigante, vemos que, na verdade se assemelha mais a esse enorme e icônico brinquedo (que, em 2018, irá completar o seu centenário!) do parque de diversões de Coney Island, no qual os altos e baixos - assim como a decadência - estão em uma giratória constante e infinita.

Roda Gigante é um drama com toques de uma tragédia grega ou de Eugene O'Neill (citado por Mickey e Ginny ao longo do filme) que, por vezes resulta amargo e desesperançoso, mas que ainda assim consegue ter um pouco de poesia nessa amargura e desesperança - lembrando que nem toda poesia é romântica e/ ou otimista. No ano em que se completa o 40 aniversário de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, o filme que o consagrou como gênio do cinema e da comédia, Woody Allen apresenta mais uma pequena pérola em sua já longa carreira de cineasta. Se tornará um clássico? O tempo o dirá, mas são as pequenas pérolas que fazem um colar ficar grande.


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Wonder Wheel
  • Direção: Woody Allen
  • Elenco: Kate Winslet (Ginny), Justin Timberlake (Mickey Rubin), Juno Temple (Carolina), Jim Belushi (Humpty), Jack Gore (Richie)  
  • Fotografia: Vittorio Storaro
  • Duração: 101 minutos
  • Ano: 2017
  • Estréia no Brasil: 28/12/2017
RESUMO DO FILME
Ginny é a esposa de Humpty, um operador de carrossel no parque de diversões de Coney Island. Um dia, ela conhece o salva-vidas Mickey e se apaixona por ele. De repente, a filha há muito afastada de Humpty, Carolina, reaparece, fugindo de um gangster com quem se casou e também repara em Mickey.
COTAÇÃO
              

Veja aqui o trailer oficial de Roda Gigante (legendado - HD):

Publicado no LinkedIn, em 07/12/2017, e no Adoro Cinema, em 03/01/2018.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cinco Filmes Românticos Para Assistir no Dia dos Namorados


Ouça o podcast desta matéria nas plataformas Anchor, Castbox, Deezer, Google Podcasts, Spotify e Spreaker.

Atualizado em 20/06/2020.

O Dia dos Namorados está chegando e é uma época ótima para se assistir um filme romântico, principalmente se for a dois... Aqui temos uma seleção de cinco filmes para assistir abraçadinho(a) com seu amor. Então, ponha as flores no jarro, traga as pipocas e os bombons e tenha uma boa – e romântica – diversão!

Um Homem, Uma Mulher (Un Homme et Une Femme – 1966)


Anne Gauthier (interpretada por Anouk Aimée, de Prét-à-Porter) é uma revisora de roteiros de cinema e Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant, de Z e Amor) é um piloto de carros de corridas. Ambos são viúvos e encontram-se por caso quando vão buscar seus respectivos filhos que estudam em um colégio interno. Um dia, Anne perde o trem e Jean-Louis oferece-lhe uma carona. A partir daí começa uma amizade que vai se transformar em amor.

O diretor Claude Lelouch, um dos nomes surgidos durante o movimento Nouvelle Vague do cinema francês das décadas de 1950-1960, dirigiu este romance entre esse casal maduro que marcou época no cinema e fez bater vários corações apaixonados com sua história bem elaborada, que fez com que muitos pessoas se identificassem com esse mesmo romance mostrado na tela. A influência da Nouvelle Vague faz-se notar na alternância de cenas coloridas com cenas em preto e branco simbolizando, respectivamente, o passado e o presente. A música-tema composta por Francis Lai tornou-se um hino romântico e há até uma menção honrosa ao Brasil com a execução da versão francesa da canção Saravá, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Atriz para Anouk Aimée.Teve duas sequências com o mesmo diretor e mesmo casal central: Um Homem, Uma Mulher Vinte Anos Depois (Un Homme et Une Femme 20 Ans Déjà), em 1986; e Os Melhores Anos de Uma Vida (Les Plus Belles Années d'une Vie), em 2019. Mas, o original continua insuperável!

Trailer do filme Um Homem, Uma Mulher com música de Francis Lai:



Melody, Quando Brota o Amor (Melody – 1971)


Este filme anda meio esquecido do grande público, mas foi um campeão de bilheteria nos cinemas do Brasil e de reprises na TV brasileira na década de 1970. Aqui vemos a história de amor do menino rico Daniel Lattimer (Mark Lester, de Oliver!) com a menina pobre Melody Perkins (Tracy Hyde, na época, modelo infantil). Ambos estudam no mesmo colégio, apaixonam-se e decidem se casar. O problema é que ambos têm 10 anos de idade e não querem esperar até tornarem-se adultos, querem se casar o quanto antes. Os pais e professores, claro, não aprovam essa ideia e tentam convencê-los a desistir disso, mas eles estão dispostos a unirem-se em matrimônio e contam com a ajuda do melhor amigo de Daniel, Ornshaw (Jack Wilde, que trabalhou junto com Lester em Oliver!).

Contado como uma fábula, falando do amor infantil, considerado o mais puro que existe, o filme tem roteiro do futuro diretor Alan Parker (de Evita), em seu primeiro trabalho para o cinema. A cena da sala de música, na qual Melody e David fazem uma improvisação musical tocando a tradicional canção francesa Frère Jacques (no Brasil, há uma versão dessa canção conhecida como Os Dedinhos), é inesquecível. A química entre Mark Lester e Tracy Hyde funciona com perfeição e o filme mostra que amar e ser criança são coisas totalmente compatíveis uma com a outra.

A trilha sonora é do grupo Pop australiano Bee Gees e também tem a canção Teach Your Children, do grupo de Country-Rock estadunidense Crosby, Stills, Nash & Young. Com todos esses ingredientes e protagonizado por um casal tão fofo, é simplesmente impossível resistir...

Trailer de Melody, Quando Brota o Amor (original em inglês):




Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall – 1977)


Quem disse que amor não combina com humor? O diretor, ator, músico e comediante Woody Allen (de A Rosa Púrpura do Cairo) prova neste filme que eles combinam, sim. Alvy Singer (Allen) é um humorista judeu permanentemente de pé atrás com o mundo que conta sua história de amor com Annie Hall (Diane Keaton, de O Poderoso Chefão e companheira de Allen naquela época), uma bonita cantora em início de carreira e com uma cabeça bem complicada. Eles se conhecem em um jogo de tênis, se apaixonam e decidem morar juntos. Mas será que o seu amor irá resistir às suas personalidades tão complexas? 

Esse é o filme que consagrou tanto Allen quanto Keaton. Conquistou quatro Oscars: Filme, diretor, atriz e roteiro original (que Allen dividiu com Marshall Brickham), além de vários prêmios internacionais. Apesar do título brasileiro horroroso (eles não ficam noivos e, no filme, ele é que é nervoso e ela é que é neurótica), o filme tem um senso de humor refinado, mas que não o afasta do grande público e rende boas gargalhadas. Como em vários outros filmes de Allen, aqui, há muito de autobiográfico como por exemplo, sua origem judaica e novaiorquina e também ironiza o jeito de ser dos habitantes da “Big Apple” (“A Grande Maça”, como a cidade de Nova York é conhecida) com suas intelectualidades e pseudo-intelectualidades, neuroses e manias. O figurino que Diane Keaton usou no filme (eram suas próprias roupas) tornou-se moda no mundo inteiro.

Foi igualmente a partir deste filme que Allen mostra o seu lado romântico, tanto com a pessoa amada quanto com a cidade amada. A trilha sonora tem canções interpretadas pela própria Diane Keaton, que, diga-se de passagem, não faz feio. Resumindo, este é um filme no qual pode-se amar e rir simultaneamente.

Trailler de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (original em inglês):



Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time – 1980)


Este filme também foi um campeão de bilheteria nos cinemas e de reprise nas TVs do Brasil. Em 1972, o jovem e iniciante autor teatral Richard Collier (Christopher Reeve, de Superman, o Filme), durante a sua formatura na universidade, recebe de presente um relógio de bolso de uma velha senhora, que diz a ele: “Volte para mim”. Oito anos depois, já consagrado, Richard passa por uma crise pessoal e profissional e decide viajar para espairecer. Hospeda-se em um belo hotel no interior e lá vê um retrato de uma linda atriz da década de 1910 (Jane Seymour, da série de TV Dra. Quinn), apaixona-se pela deslumbrante imagem e descobre que é a mesma senhora que lhe presenteou o relógio. Obcecado com todos esses acontecimentos, Richard descobre em como fazer uma viagem no tempo para encontrar-se com sua amada.

O irregular diretor francês Jeannot Szwarc (de Tubarão 2) desta vez acertou a mão: desde o bonito casal central até o roteiro do escritor Richard Matheson (baseado em seu romance, Bid Time Return. Matheson também é o autor de I Am Legend, adaptado duas vezes para o cinema), passando pelo figurino (indicado para o Oscar), a bela fotografia e a trilha sonora de John Barry (autor da trilha sonora de vários filmes de James Bond e que foi indicado para o Globo de Ouro), tudo funciona.

Os temas de ficção-científica e fantasia da história original fundiram-se naturalmente com a história de amor e fez com que o filme recebesse o prêmio da crítica no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz (França). O filme é tão bonito e tão romântico que não dá para não se comover nem segurar as lágrimas...

Trailer do filme Em Algum Lugar do Passado (original em inglês):



Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road – 1987)



Este é outro filme que anda meio sumido tanto da tela grande quanto da pequena. A escritora estadunidense Helene Hanff (Anne Bancroft, de A Primeira Noite de Um Homem) é uma ávida colecionadora de edições raras de literatura britânica, que são muito difíceis de serem encontradas em Nova York. Então, envia uma carta para livraria Marks & Co., especializada em edições antigas e raras, em Londres, Inglaterra, cujo endereço é em 84 Charing Cross Road. O gerente da livraria, Frank Doel (Anthony Hopkins, de O Silêncio dos Inocentes), atende seus pedidos e responde suas cartas. O relacionamento escrito, no príncipio, é tenso. Porém, ao longo de 20 anos de correspondências, vai nascendo uma terna amizade que acaba se transformando em terno amor. Helene, por várias vezes, adia a sua viagem à Inglaterra para encontrar-se com Frank. Quando finalmente vai, chegará a tempo?

Este é um curioso caso no qual o título do filme no Brasil não tem e, ao mesmo tempo, tem tudo a ver com o filme. O título original, em inglês, é o endereço da livraria, entretanto, o título brasileiro resume a história. O filme é uma adaptação da peça teatral de mesmo nome escrita por James Roose-Evans que, por sua vez, baseia-se nas memórias de Helene Hanff. O diretor David Hughes Jones (de, A Confissão) faz um trabalho de direção preciso e trata com sensibilidade o tema da solidão, tanto individual quanto coletiva. O público acompanha com grande interesse o relacionamento de Helene e Frank por cartas e, apesar de saber como tudo vai terminar, ainda torce para que os dois fiquem juntos.

Anne Bancroft e Anthony Hopkins, o casal central que nunca se encontra, dão um show de interpretação. Bancroft conquistou o Bafta (o Oscar britânico) de melhor atriz, enquanto Hopkins ganhou o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Moscou. Este é um filme tanto para amantes de livros como para amantes de verdade, e mostra que o amor verdadeiro não precisa, obrigatoriamente, ser físico.

Trailer de Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (original em inglês):