Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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domingo, 12 de julho de 2026

Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo de 2026


A Copa do Mundo de 2026 está em seus momentos decisivos. E durante a competição, a internet esteve a todo vapor nas redes sociais com a criação de Animes (desenhos animados no estilo japonês) vídeos de Inteligência Artificial (IA) divertidos e muito criativos tendo como personagens principais os grandes craques do Campeonato Mundial.

Panorama do Cinema fez uma seleção de alguns desses (muitos) Animes e vídeos de IA com seus respectivos temas. Divirtam-se e bola pra frente!

Noruega x Inglaterra. Haaland x Kane

Noruega x Inglaterra foi dos jogos mais aguardados da fase de oitavas-de finais da Copa do Mundo, principalmente pelas circunstâncias que o cercam. O English Team veio de um jogo tenso e dramático no qual venceu o México, um dos anfitriões (os outros eram Canadá e EUA, que também ficaram pelo caminho), em pleno Estádio Asteca por 3x2 com um gol de seu principal jogador, Harry Kane. Já os Vikings chegaram lá após uma convincente vitória sobre o Brasil por 2x1, com dois gols e um show de seu artilheiro Erling Haaland e que ainda teve um papelão do jogador brasileiro NeyMALA, ops, quer dizer Neymar.
Os vídeos remetem à história antiga. No século VIII d.C., os Vikings iniciaram uma onda de invasões e saques contra a Inglaterra que teve como seu primeiro alvo o mosteiro de Lindisfarne, no verão do ano 793. A rapidez e a violência dessa pilhagem chocaram toda a Europa. A partir daí, sempre que o verão começava, era comum ouvir a população inglesa fazer a seguinte oração "Livrai-nos, Senhor, da fúria dos homens do norte". No século seguinte começou a conquista do território britânico, onde os Vikings ficaram até o ano de 1066 quando foram, finalmente, derrotados.
O primeiro vídeo mostra Haaland e demais jogadores noruegueses como poderosos guerreiros vikings (reparem em um dos saques que Haaland faz questão de mostrar) em seus barcos soltando gritos de guerra, preparando-se para atacar, enquanto Kane e seus companheiros são mostrados como grande cavaleiros ingleses prontos para a batalha.
Já o segundo vídeo mostra o combate direto entre Kane e Haaland, que acabou por mostrar-se um dos embates mais aguardados da Copa do Mundo: a máquina de fazer gols norueguesa contra o grande artilheiro inglês (que, apenas para lembrar, foi o maior goleador da Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia).

Não é de arrepiar?

Veja os vídeos (original em inglês com legendas embutidas. Basta acessar):





O goleiro Vozinha, o orgulho de Cabo Verde


Cabo Verde é um pequeno país insular do Oceano Atlântico próximo da África Ocidental. Antiga colônia de Portugal, tornou-se independente em 1975. Muitos caboverdianos vivem nos EUA, para onde foram tentar a sorte e, sempre que podem, enviam dinheiro para suas famílias, o que também ajuda a economia do país.
No futebol, o palmarés da seleção de Cabo Verde é modesto: uma conquista da Taça Amílcar Cabral (antiga competição disputada entre nações da África Ocidental), em 2000, e a medalha de ouro dos Jogos da Lusofonia, em 2009.  
Porém, a situação começou a mudar em 2024. Sob o comando do técnico Bubista, os Tubarões Azuis (como a seleção é conhecida) chegaram, pela primeira vez às quartas-de-finais da Copa Africana de Nações, quando enfrentou a África do Sul, perdendo apenas na disputa por pênaltis.
Em 2026, veio o grande sonho: pela primeira vez Cabo Verde disputava a Copa do Mundo de Futebol. Os africanos estavam no grupo H junto com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Dois campeões mundiais e favoritos ao título e uma equipe com mais tradição na competição. As análises da imprensa esportiva eram, praticamente, unânimes: Cabo Verde seria o "saco de pancadas" do grupo. 
Porém, não foi o que aconteceu. Cabo Verde surpreendeu o mundo ao empatar seus três jogos, ficar em segundo lugar no grupo e desclassificar uruguaios e árabes. 
Um dos responsáveis por esses resultados foi o veterano (40 anos de idade) goleiro Vozinha que, com defesas espetaculares, ajudou sua seleção a seguir em frente no Campeonato Mundial. Vozinha tem esse apelido por ter sido criado pelos avós e também pelo fato que, como não havia meninos de sua idade na região onde morava e era obrigado a jogar contra garotos mais velhos e quando perdia, ia se queixar com os avós, daí o apelido que, com o tempo se acostumou e adotou.
Na fase de dezesseis-avos-de-finais, Cabo Verde teve à frente a então campeã do mundo, a seleção da Argentina, que contava com ninguém menos que o magnífico Lionel Messi. E foi o gênio argentino quem marcou o gol que abriu o placar dando a impressão que sua equipe venceria sem dificuldades. 
Porém, Cabo Verde voltou a surpreender empatando a partida. A Argentina fez 2x1, mas Cabo Verde empatou de novo, levando o jogo para a prorrogação. Mas, a infelicidade de um gol contra acabou por dar a vitória ao time platino por 3x2, mas foi por pouco que os caboverdianos quase empataram de novo, o que levaria a uma disputa de pênaltis, onde a estrela de Vozinha poderia brilhar de novo.
O anime - intitulado A Última Defesa -  mostra Vozinha (com um uniforme no estilo Dragon Ball Z) em lágrimas após o jogo quando aparece o espírito de sua saudosa e amada avó para consolá-lo. É difícil não chegar às lágrimas também.

Parabéns, Vozinha! Parabéns, Cabo Verde!

Veja o vídeo (dublado e legendado em português):



O adeus de Cristiano Ronaldo


Ao longo da história pouquíssimos futebolistas foram tão espetaculares quanto o português Cristiano Ronaldo. Campeoníssimo, além dos muitos títulos em clubes, levou a seleção de Portugal a conquistas inéditas tais como a Liga das Nações da UEFA e, principalmente, a Eurocopa. Quebrador sistemático de recordes, é o maior artilheiro da história do futebol em jogos oficiais. Até o momento em que este texto foi escrito, tinha 976 tentos marcados e pretende chegar aos 1000 gols e tudo leva crer que vai conseguir e antes do que muita gente pensa. É o jogador com mais jogos disputados e mais gols marcados por seleções. Maior artilheiro da Eurocopa, também é o único jogador a marcar gols em seis Copas do Mundo diferentes (2006. 2010, 2014, 2018, 2022, 2026). Conquistou por cinco vezes a Liga do Campeões da UEFA e também é o jogador com mais partidas disputadas e mais gols marcados na competição, além de ser o maior artilheiro em uma única edição quando marcou 17 gols na temporada 2013-2014. Vence o troféu Bola de Ouro e foi escolhido melhor jogador do mundo pela FIFA também por cinco vezes (superado somente por Messi). Além de tudo isso, é o jogador português que mais marcou em Copas do Mundo, com 11 gols feitos, superando o legendário Eusébio (que marcou 9).
Está bom ou quer mais?
Para CR7 (sigla feita com as iniciais de seu nome com o número de sua camisa) o único título que falta em sua vitoriosa carreira é o da Copa do Mundo. Chegou perto em 2006, quando a Seleção de Portugal terminou em 4º lugar, o seu segundo melhor resultado na competição (o melhor foi o 3º lugar na Copa do Mundo de 1966). A equipe era então dirigida pelo técnico brasileiro Luís Felipe Scolari, campeão mundial quatro anos antes com o Brasil.
Em 2026, CR7 tinha a esperança de realizar seu sonho. Entretanto, Portugal fez uma campanha irregular na fase de grupo, com dois empates e uma vitória. Na fase de dezesseis-avos-de-finais, a boa vitória sobre a Croácia reacendeu as esperanças lusas. Na fase seguinte, as oitavas-de-finais, o adversário era a arquirrival Espanha. Quando todos achavam que o jogo iria para a prorrogação, os espanhóis marcaram no final e os portugueses encerraram sua participação na Copa.
A imagem de Cristiano Ronaldo em lágrimas percorreu o mundo e milhões de torcedores juntaram-se a ele em sua dor. 
O megacraque confirmou ao público que a Copa do Mundo de 2026 foi a sua última, mas que ainda continuaria sua carreira em clubes. 
Para se ter do prestígio e importância de CR7 para esse Campeonato Mundial, o preço dos ingressos caiu simplesmente pela metade após a sua partida.
Outros grandes jogadores como o croata Luka Modric e o egípcio Mohamed Salah e até o brasileiro NeyMALA, ops, isto é, Neymar, também encerram sua carreira em copas, mas nada se compara com o adeus de Cristiano Ronaldo.
E a internet mostrou todo esse impacto em animes, vídeos de IA, desenhos entre outras produções audiovisuais. 
Cristiano Ronaldo pode não ter vencido a Copa do Mundo, mas seu legado é uma inspiração para os jogadores de hoje e dos que ainda virão. Ele jamais será esquecido. Jamais.

Obrigado, CR7, pelos grandes, fantásticos e maravilhosos gols e momentos que proporcionou a pessoas de todo o mundo! 

O primeiro e comovente vídeo, chamado O Último Guerreiro, mostra CR7 como um cavaleiro medieval desolado após uma árdua luta. Um companheiro (aqui representado pelo técnico luso José Mourinho) pergunta para onde ele vai. Cristiano diz que vai embora e que não há mais nada pelo que lutar. Mourinho diz que ele lutou o suficiente e lembra-o  que sua vida é cheia de vitórias. Cristiano concorda, mas diz que não venceu a luta mais importante. Mourinho responde que ele sempre será lembrado e enfatiza que jamais será esquecido. Ele entrega a CR7 uma pequena bandeira de Portugal, que agradece, se despede e finalmente parte. 

Veja o vídeo O Último Guerreiro (falado e legendado em inglês):



Neste vídeo, um bebê chorando diz (em tradução livre): "Tenho saudades do meu herói do futebol". Seus pais aparecem, dizem que está tudo bem e que "Seu herói sempre irá nos inspirar". 



Futebol como famosas séries de TV

Séries de TV como Game of Thrones, Casa de Papel, Peak Blinders, The Boys, entre outras são um grande sucesso e serviram de inspiração para este divertido vídeo no qual os astros da Copa do Mundo dão suas versões dessas séries.



E o Brasil nessa história toda?

Vamos ser francos, sinceros e honestos. O Brasil nunca esteve bem nessa Copa do Mundo. Embora tenha terminado em primeiro lugar no seu grupo, a seleção não jogava um futebol que empolgava. Dava mais atenção ao popstar da equipe, NeyMALA, ops, isto é, Neymar, do que para a equipe em si.
NeyMALA, ops, isto é, Neymar, por sua vez, estava mais interessado em ir a uma churrascaria em Nova York, aos cassinos de Las Vegas jogar pôquer (sua paixão) e a ostentar um relógio que comprou ao custo de U$ 1 milhão (pouco mais de R$ 5 milhões no câmbio atual).
O fatídico jogo contra a Noruega colocou o Brasil em seu devido lugar. Além da derrota, tivemos que testemunhar o papelão do NeyMALA, ops, isto é, Neymar, agredindo Martin Odegaard (considerado o melhor jogador da partida ao lado de Haaland) e provocando o goleiro Orjan Nyland. Embora tenha marcado o gol, toda essa encenação mostrou-se inútil para o time e tinha um único objetivo: fazer com que o NeyMALA, ops, isto é, o Neymar, tivesse seu momento na Copa. E, de fato, teve, mas a que preço?
E a internet, como todos sabem, não perdoou essa atitude do jogador como mostra o anime a seguir com inspiração na série Dragon Ball Z.

Haaland acaba com o Brasil (falado em japonês e com legendas em inglês e japonês):



Publicado no LinkedIn em 12/07/2026

 

sábado, 25 de junho de 2016

Papa: Hemingway in Cuba - Hollywood volta a filmar na Ilha Comunista




O estadunidense Ernest Hemingway foi um dos maiores escritores de seu país em todos os tempos. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954, teve várias de suas obras adaptadas em filmes para o cinema e a TV tais como Adeus Às Armas, Por Quem Os Sinos Dobram e O Velho e O Mar

Hemingway teve uma vida muito agitada. Esteve na I e II Guerra Mundial, na Guerra Civil Espanhola e, além dos EUA, viveu em Toronto, no Canadá; em Paris, França (onde conheceu os escritores James Joyce, Gertrude Stein e Ezra Pound; além dos artistas plásticos Pablo Picasso, Joan Miró e Juan Gris); e, entre 1939 e 1960, viveu em Cuba. E é sobre este período de sua vida que trata o filme Papa: Hemingway in Cuba

Papa: Hemingway in Cuba conta a história de um repórter (o estadunidense Giovanni Ribisi, de Avatar) que vai até Cuba para encontrar o escritor e ídolo Ernest Hemingway (o inglês Adrian Sparks, de Sobrenatural: A Origem), que vive na ilha caribenha com sua esposa, Mary (a inglesa Joely Richardson, de Maggie: A Transformação) no período que antecede a Revolução Comunista liderada por Fidel Castro e logo após do triunfo de movimento.

Este é o segundo filme dirigido pelo produtor iraniano naturalizado estadunidense, Bob Yari (de Crash: No Limite), que disse sobre Papa: Hemingway in Cuba:

“O filme conta a histórica verídica de um jovem repórter amigo de Mary e Ernest Hemingway que convive com o escritor e que se torna quase como um filho, nos últimos dois anos em que Hemingway viveu em Cuba. Através do olhar desse jovem repórter, podemos ver um lado privado e pessoal do escritor que ele não deixava que o público conhecesse”.

Papa: Hemingway in Cuba é uma co-produção entre EUA e Canadá e a primeira produção hollywoodiana feita na Ilha Comunista desde 1959. As filmagens da película ocorreram entre 2013 e 2014, antes mesmo do presidente dos EUA, Barak Obama, e de Cuba, Raúl Castro, anunciarem oficialmente a retomada das relações diplomáticas entre as duas nações.

Durante o período de produção e filmagem, Yari viu de perto a indústria cinematográfica cubana e sua atual infraestrutura, sobre as quais, aliás, Panorama do Cinema já havia chamado a atenção do público leitor em sua Dica de Leitura (veja aqui):

“A falta de infraestruturas e de equipamentos foi um grande desafio. Um dos aspetos interessantes foi perceber que a ética de trabalho dos cubanos é diferente da dos norte-americanos. Nas nossas produções trabalha-se entre 14 e 16 horas por dia. Os técnicos cubanos são pessoas talentosas e apaixonadas pelo cinema mas estão habituados a trabalhar de forma mais lenta”, contou o diretor e produtor. 

Como não poderia deixar de ser em se tratando de dois assuntos tão polêmicos - Cuba e Hemingway - a recepção a Papa: Hemingway in Cuba dividiu as opiniões: a crítica especializada estadunidense não recebeu bem o filme, mas o público, em geral, gostou. E, além disso, essa produção conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Key West, na Flórida, EUA (um dos locais no qual Hemingway morou), em 2015, e no Festival de Sonoma, na Califórnia, também nos EUA, neste ano.

Papa: Hemingway in Cuba teve seu lançamento oficial em 19/11/2015 no Festival de Key West, e, cerca de um mês depois, no Festival de Havana, Cuba. Seu lançamento comercial foi em 29 de abril deste ano, nos EUA. Ainda não há uma data prevista para o seu lançamento no Brasil. 

Veja aqui o trailer oficial de Papa: Hemingway in Cuba (original em inglês - HD):


quarta-feira, 30 de março de 2016

Crítica: Voando Alto | Um Nerd nas Alturas


Atualizado em 28/07/2021
Em pleno século XXI as pessoas tidas como estranhas ou diferentes ainda sofrem preconceito de nossa sociedade, sendo rotuladas como idiotas, fracassadas ou incapazes. Na época atual, na qual está havendo um triste renascimento de ideologias fascistas e/ou de extrema-direita no mundo – notoriamente no Brasil – esse preconceito, infelizmente, ainda está muito alto. Entretanto, sempre há pessoas que ousam – às vezes sem se darem conta disso – desafiar esse preconceito e aqueles que o alimentam. É o que podemos ver no filme Voando Alto.
Michael Edwards, mais conhecido como Eddie Edwards (interpretado pelo galês Taron Egerton, de Kingsman – Serviço Secreto), desde criança (interpretado pelos irmãos iniciantes Tom e Jack Costello) tem o sonho de tornar-se um atleta olímpico, mesmo sendo um garoto míope, desengonçado e com problemas em seu joelho. Eddie é sempre incentivado por sua mãe, Janette (a simpática Jo Hartley, de Vingança Redentora), mas, por outro lado, é sempre desencorajado pelo seu pai, Terry (Keith Allen, de Trainspotting – Sem Limites), que prefere que o filho seja um operário da construção civil.
Tendo tentado todos os tipos de esporte, Eddie opta pelo Downhill (em português é chamado de descida livre), uma modalidade de esqui na neve. Porém, após uma apresentação desastrosa diante de patrocinadores, Eddie é cortado da equipe olímpica de esqui da Grã-Bretanha. Desolado, Eddie até pensa em desistir de ser atleta, mas ao ver uma foto de salto de esqui, muda de ideia e de modalidade e decide ir até a Alemanha para começar a treinar. Lá, encontra o ex-atleta da equipe olímpica de esqui dos EUA, Bronson Peary (o australiano Hugh Jackman, de Os Miseráveis), que, agora, ganha a vida limpando pistas de esqui e é alcoólatra.
Eddie pede a Peary que o treine para que possa competir nos Jogos Olímpicos de Inverno, mas o estadunidense recusa por não acreditar no potencial de Eddie. Porém, ao ver a determinação inabalável do jovem, mesmo este tendo recebido todo tipo de desencorajamentos e sofrido várias quedas e fraturas, Peary resolve ajudar o desastrado esquiador inglês.  Apesar da oposição e dos obstáculos impostos pelo Comitê Olímpico Britânico, Eddie consegue se classificar para as Olimpíadas de Inverno onde fará história – mas de um jeito diferente dos grandes campeões olímpicos.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988, realizados na cidade de Calgary, Canadá, sempre serão lembrados por três coisas que ocorreram durante a sua realização: foi a última vez que a União Soviética (URSS), enquanto nação, competiu; a participação pioneira da equipe de bobsled - uma espécie de trenó – da Jamaica (que foi retratada no filme Jamaica Abaixo de Zero, em 1993, e sobre a qual há uma breve menção em Voando Alto) e da também participação de Eddie Edwards, que ganhou o apelido de “The Eagle” (“A Águia”) nessa competição.
Em todos os anos – ou próximo deles - nos quais são realizados os Jogos Olímpicos, sejam de inverno ou de verão, os cinemas são inundados com filmes sobre atletas e suas façanhas. Em 2012, ano dos últimos Jogos Olímpicos de verão, realizados em Londres, foi lançado o filme britânico Fast Girls, um filme sobre atletismo que tinha à frente de seu elenco as inglesas Lenora Crichlow (série Being Human) e Lily James (Orgulho e Preconceito e Zumbis). Em 1981, outro filme da Grã-Bretanha, Carruagens de Fogo, que contava a história da equipe britânica de atletismo dos Jogos Olímpicos de 1924, conquistou quatro Oscars – inclusive o de Melhor Filme – e a música-tema composta pelo grego Vangelis ficou tão famosa que acabou por se tornar um hino extra-oficial de todas as competições olímpicas desde então.
Estes são apenas alguns exemplos, há vários outros. Mas, de um modo geral, eles transmitem as (manjadas) mensagens do tipo “nunca desista”, “vá atrás de seu sonho”, “dedique-se e vencerá”. Na maioria desse tipo de filme, aquele que transmite e personifica essa mensagem, o atleta, é ao mesmo tempo um herói e tem um aspecto igualmente heroico. Em nossa atual sociedade neoliberal (de forte parentesco com o fascismo), essa figura do atleta-herói é extremamente valorizada por ser sinônimo de vencedor e é uma apologia à chamada meritocracia (conquistar algo pelo mérito), ideologia muito apreciada pelos coxinhas sejam estes atletas ou não. 

O verdadeiro Eddie "A Águia" Edwards

Eddie Edwards é mais parecido com um nerd, é um quatro-olhos troncudo, com uma aparência nem um pouco heroica, é o tipo de pessoa pela qual ninguém daria nada e que os coxinhas desprezam. Em outras palavras, Eddie é um anti-herói e é aí que está a grande sacada do filme.
Dá para acreditar que alguém como Eddie, um esquisitão desengonçado e atrapalhado, possa fazer algo de relevante?  O próprio público do cinema tampouco acredita nisso ao tomar contato com ele, mas, no decorrer do filme, este mesmo público percebe que, sim, este sujeito diferente e estranho, por quem ninguém tem a menor consideração, pode, por si só, fazer a diferença, mesmo que de um modo heterodoxo, completamente oposto ao modo ortodoxo do atleta-herói dos coxinhas.
O britânico Dexter Fletcher iniciou sua longa carreira de ator ainda na infância (sua estreia foi em Bugsy Malone – Quando As Metralhadoras Cospem, do diretor Alan Parker, em 1976). Sua estreia na direção deu-se em 2011 com o drama Wild Bill, que foi bem recebido pela crítica inglesa. Voando Alto é o seu terceiro filme e Fletcher mostra que tem uma mão firme e uma direção muito segura. Fletcher consegue com maestria associar o filme com o treinamento de Eddie: a princípio, parece que não vai dar em nada, mas à medida que o filme avança, o progresso deste é o progresso de Eddie, que melhora a cada momento até chegar ao seu ápice.
O jovem ator do País de Gales, Taron Egerton, é um astro em ascensão na Grã-Bretanha. Sua carreira é curta, mas de sucesso: começou em 2013, na televisão (nas séries Lewis e The Smoke), e explodiu em 2015 com o filme Kingsman: Serviço Secreto, o sucesso-surpresa daquele ano. Sua atuação lhe valeu o prêmio da prestigiosa revista de cinema Empire de Melhor Ator Novo.
Em Voando Alto, ele mostra que é, de fato, um ator muito competente. De objeto de desejo das adolescentes em Kingsman, ele passa a objeto de repulsa das mesmas, pois Eddie Edwards não é exatamente alguém atraente. Mas o trabalho de Egerton vai além da aparência obtida com figurino, penteado e maquiagem: ele pegou com perfeição todos os trejeitos e maneirismos do verdadeiro Eddie Edwards e, apesar de toda a esquisitice do personagem, faz com que a plateia torça loucamente por ele.
Hugh Jackman já é há muito tempo um ator consagrado, com atuações sempre boas e convincentes. Em Voando Alto, Hugh tem mais uma boa performance como o alcoólatra, cínico e amargurado Bronson Peary, inclusive com boas cenas de humor. Porém, apesar de seu bom trabalho, dá para perceber que Hugh ainda leva neste filme muitas características de seu personagem mais icônico, Wolverine: a barba por fazer, o gosto por uma boa cerveja – que toma em demasia - e o (mau) hábito de fumar. Será que na vida real Jackman fuma tanto assim?

 Bronson Peary (Hugh Jackman) e Eddie Edwards (Taron Egerton)

O veterano Christopher Walken tem uma pequena, mas importante, participação em Voando Alto como Warren Sharp, o ex-técnico de Bronson Peary. Com uma aparência bem envelhecida, o personagem interpretado por Walken consegue transmitir ao público tanto a fragilidade de sua saúde física quanto da sua saúde emocional, devido à decepção tida com seu antigo pupilo.
A fotografia de George Richmond é muito boa, principalmente ao mostrar as lindíssimas paisagens das montanhas nevadas da Áustria e da Alemanha, onde parte do filme foi feito. Já a música de Matthew Margeson não tem nada demais, embora não seja ruim. Isso é compensado pelas canções da época que são tocadas, com destaque para Jump (saltar ou pular, em inglês), da banda de Hard Rock estadunidense Van Halen.
Eu só faço três restrições a Voando Alto. A primeira é quanto às cenas de salto de esqui. Elas estão muito boas, especialmente as que foram feitas com uma câmera no capacete, mas, estranhamente, não aparecem tanto quanto deviam. Parece que Dexter Fletcher ficou com medo de por mais cenas por achar que poderia exagerar. Mas, no melhor estilo Eddie Edwards, acabou exagerando, sim, mas de modo contrário: ao invés de ser demais, foi de menos.
A segunda restrição é sobre o vestuário de Hugh Jackman no filme. Enquanto todos estão com agasalhos pesados e, mesmo assim, morrendo de frio, Hugh, frequentemente, aparece vestido apenas com uma camisa social ou, no máximo com um agasalho leve. Tem-se a impressão que os produtores fizeram isso – mostrar a boa forma do astro - numa tentativa de atrair mais público feminino. Por favor, me poupem...
A terceira restrição que faço, como os leitores de minhas críticas já devem ter percebido, é, de novo, quanto ao horrível título nacional do filme. O título original em inglês é “Eddie, The Eagle”, que significa, literalmente, “Eddie, a Águia”. Porém, nossos brilhantes tradutores resolveram colocar o mesmo título de uma comédia chinfrim de 2003 estrelada por Gwyneth Paltrow (Homem de Ferro) e dirigida pelo brasileiro Bruno Barreto (Crô – O Filme). Isso vai, com certeza, causar confusão. Dá vontade de pegar esses mesmos tradutores, colocá-los no topo de uma rampa de 90 metros e empurrá-los para baixo sem os esquis.
Na vida real assim como no filme, Eddie Edwards lutava contra tudo e contra todos, mas, na maior parte das vezes, nem se tocava. Ele não ganhou nenhuma medalha nas Olimpíadas de Calgary – aliás, ficou em último lugar nas duas categorias nas quais competiu. Porém, pouquíssimos atletas encarnaram o ideal olímpico tão bem como ele. Isso leva a um dos méritos de Voando Alto, que é a sua mensagem edificante: para vencer não é necessário chegar em primeiro lugar ou conquistar uma medalha. Se acreditar em si mesmo e fizer o seu melhor, já será uma vitória e o reconhecimento, inevitavelmente, virá.
Voando Alto será um candidato ao Oscar? É cedo para dizer, mas eu acho muito difícil. Embora tenha a distribuição de grandes estúdios como a Fox e a Lionsgate, esta é uma produção independente. Sua premiére se deu no Festival de Sundance, o maior festival do cinema independente do mundo. E o seu primeiro prêmio foi conquistado em outro festival independente realizado nos EUA, o Heartland Film. Voando Alto conquistou o prêmio de Melhor Filme baseados em fatos reais dividido com Horas Decisivas (veja a crítica aqui).
  Voando Alto é daqueles filmes que conquistam corações e mentes, tal como seu protagonista. O seu exemplo sempre irá remeter ao já citado ideal olímpico. Para aqueles que não sabem, ele é assim:
“O mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas competir. O mais importante na vida não é conquistar, mas lutar com dignidade”.
Nesta época em que vivemos, na qual vencer, conquistar e derrotar o “outro” (diferente em aparência, modo, crença, pensamento), seja nos esportes, negócios e/ou política, é tudo, este ideal olímpico está mais atual e é mais necessário do que nunca.

P.S.: No Brasil são poucos os que sabem, mas essas Olimpíadas de Inverno foram registradas no documentário oficial do Comitê Olímpico Internacional (COI) chamado Calgary’ 88 – 16 Days of Glory (Calgary’ 88 – 16 Dias de Glória), e que tem a direção do premiado documentarista esportivo estadunidense Bud Greenspan (Wilma). Esse documentário de mais de três horas de duração pode ser encontrado na íntegra no site de vídeos YouTube

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Eddie, The Eagle
  • Direção: Dexter Fletcher
  • Elenco: Taron Egerton (Eddie Edwards), Hugh Jackman (Bronson Peary), Christopher Walken (Warren Sharp)
  • Música: Matthew Margeson
  • Fotografia: George Richmond
  • Duração: 105 minutos
  • Ano: 2016

RESUMO DO FILME

Baseado na história real do inglês Eddie “A Águia” Edwards, representante da Grã-Bretanha no salto em esquis nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988.

COTAÇÃO
✪✪✪✪½


ESTE TEXTO É RESPEITOSAMENTE DEDICADO À MEMÓRIA DE RUBENS EWALD FILHO (1945-2019).
           

Veja aqui um dos saltos do verdadeiro Eddie “A Águia” Edwards durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 (narração em sérvio):





 Veja aqui o trailer oficial de Voando Alto (Legendado - HD):


Publicado no Observatório do Cinema e no LinkedIn, em 30/03/2016.