Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Série Especial | Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar 5: O Jogo (Argentina - 2026)

 


Em 1986, a Copa do Mundo de Futebol foi disputada pela segunda vez no México. A primeira vez foi em 1970 e teve como vencedor o Brasil, que conquistou seu terceiro título e, com isso, tornou-se o detentor definitivo da Taça Jules Rimet (que, anos depois, teve um trágico destino. Foi roubada e, muito provavelmente, derretida pelos ladrões).

Essa Copa foi a consagração daquele que é considerado ao lado de Lionel Messi como o maior futebolista argentino de sempre, Diego Maradona. E essa consagração teve uma partida que tornou-se emblemática por  motivos tanto esportivos quanto políticos.

Este documentário argentino, chamado O Jogo (El Partido no original em espanhol), foi feito e lançado para comemorar os 40 anos daquela que é considerada a mais icônica das partidas disputadas em Copas do Mundo: Argentina x Inglaterra e o forte simbolismo e importância que essa mesma partida tem.

Antes, voltemos um pouco no tempo.

O ano é 1982. A ditadura militar argentina, tal qual a brasileira, oprimia, tiraniza e infernizava o país desde 1976. Depois de seis anos no poder, as coisas começaram a correr mal para os milicos platinos, tanto política quanto economicamente. Para tentar desviar a atenção do povo dos problemas, as forças armadas argentinas, lideradas pelo ditador de plantão, general Leopoldo Galtieri, invadiram o arquipélago conhecido como Ilhas Malvinas - que estavam sob domínio da Inglaterra desde 1833 e que a Argentina sempre reivindicou como suas - e iniciaram uma onda de nacionalismo febril.

Na Inglaterra - que chamava esse arquipélago de Ilhas Falklands - o Partido Conservador estava no poder tendo à frente Margaret Thatcher, primeira mulher a ser Primeira-Ministra da nação. Ela governava com um pacote de medidas neoliberais, seguindo o exemplo do presidente dos EUA, o ex-ator Ronald Reagan, mas essas medidas não estavam funcionando e a popularidade de Thatcher estava em baixa. Então, a Argentina invadiu o arquipélago.

Essa invasão foi o ponto de virada para a "Dama de Ferro". Para recuperar as ilhas e, ao mesmo tempo, salvar seu governo, Thatcher enviou uma enorme frota naval para as Ilhas Falklands/Malvinas para expulsar os argentinos e retomar o controle do arquipélago.

A guerra foi rápida: durou 72 dias com vitória acachapante inglesa e derrota e humilhação argentina. Galtieri renunciou da presidência quatro dias depois do fim do conflito e, mais tarde, foi processado e preso. A derrota platina acelerou a queda da ditadura e a volta da Democracia, que dura até hoje.

No futebol, as relações entre Inglaterra e Argentina também sempre foram de atrito. A primeira vez em que se enfrentaram foi nas quartas-de-finais da Copa do Mundo de 1966, disputada em território inglês, em plena "Era dos Beatles". A Inglaterra venceu por 1x0, gol do atacante Geoff Hurst. O jogo ficou marcado pela expulsão do volante argentino Antonio Rattín, ídolo da equipe Boca Juniors. O juiz, que era alemão, expulsou Rattín após uma segunda advertência. Como o árbitro não falava espanhol, somado ao inconformismo de Rattín, somente depois de 10 minutos o argentino saiu de campo. Ao sair, ele amassou uma das bandeirinhas de escanteio - que tinha o desenho da Union Jack, a bandeira do Reino Unido - e sentou-se em um tapete que estava reservado para a então Rainha Elizabeth II. Após a partida, o técnico da seleção inglesa, Alf Ramsey, não permitiu que seus jogadores fizessem a tradicional troca de camisas com seus adversários e chamou os argentinos de "Animales de La Plata".

Uma curiosidade: devido a essa confusão linguística com a expulsão de Rattín, foram criados os cartões amarelo e vermelho, simbolizando, respectivamente, advertência e expulsão, que foram utilizados pela primeira vez na Copa do Mundo de 1970.


Antonio Rattín: sua expulsão fez surgirem os cartões amarelo e vermelho 

As duas nações voltaram a encontrarem-se 20 anos depois na segunda Copa do Mundo disputada no México, em 1986, novamente nas quartas-de-finais, no Estádio Asteca. As lembranças da Guerra das Malvinas ainda estavam frescas nas memórias do ingleses e, principalmente, nas dos argentinos, que viram como uma oportunidade para vingarem-se da derrota do conflito militar. E, para isso, contavam com seu maior jogador, Maradona, que não decepcionou. E foi além. 

O jogo, como não podia deixar de ser, era tenso, e o primeiro tempo terminou em 0x0. Quando o segundo tempo começou, logo aos seis minutos, o zagueiro inglês, Steve Hodge, tentou afastar a bola chutando para o alto, mas esta pegou efeito e foi para dentro da área. Maradona correu, saltou junto com o goleiro Peter Shilton, que era mais alto, deu um soco na bola, que foi para o gol. Os ingleses reclamaram veementemente, mas o juiz tunisiano validou o gol. 

Após o jogo, Maradona chamou esse gol de "Mão de Deus". Já os ingleses chamaram de "Mão de um trapaceiro". 
Se naquela época houvesse VAR, o árbitro de vídeo, esse gol infame teria sido, sem dúvida, anulado.


Veja abaixo o vídeo do infame gol "Mão de Deus" feito por Maradona (narração em espanhol com legendas em português embutidas)


Porém, quatro minutos depois, não houve o que contestar, nem mesmo pelos ingleses. Muito pelo contrário!
Maradona recebeu a bola no meio de campo, passou driblando por quatro jogadores de linha da Inglaterra - Peter Beardsley, Peter Reid, Terry Butcher, Terri Fenwick - e também o goleiro Shilton e marcou aquele que ficou conhecido como O Gol do Século!

Veja abaixo o vídeo do Gol do Século (narração em espanhol com legendas em português):


A Inglaterra pressionou e descontou com um gol de Gary Lineker (que terminou a competição como o artilheiro da Copa com 6 gols marcados), mas não foi o suficiente para tirar o triunfo argentino. A derrota na Guerra das Malvinas estava vingada. A partir daí, a Argentina embalou e tornou-se bicampeã mundial ao vencer a Alemanha na grande final por 3x2.
Dirigido a quatro mãos pelos cineastas argentinos Juan Cabral e Santiago Franco, O Jogo mostra imagens da época de antes desse memorável jogo, incluindo uma discussão do técnico da seleção argentina, Carlos Bilardo, em um programa de TV e tem depoimentos de oito protagonistas, testemunhas diretas daquela memorável partida. Pelo lado inglês falam os jogadores Gary Lineker, John Barnes e Peter Shilton. Entre os argentinos estão presentes Jorge Burruchaga, Jorge Valdano (que foi convocado para a Copa por insistência de Maradona), Oscar Ruggeri, Ricardo Giusti e Julio  Olarticoechea
O Jogo teve sua estreia mundial no Festival de Cannes deste ano e recebeu ótimas críticas. Depois foi lançado em 21 de maio último na capital argentina, Buenos Aires, também com ótimas críticas e sucesso de público. 
Ainda não há previsão para sua estreia no Brasil, mas esperemos que seja breve.
O Jogo, além de um registro de uma partida icônica, é também um registro de um gênio que nos deixou cedo demais.

NOTA: No dia em que este texto foi escrito, houve o jogo semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina x Inglaterra com vitória dos Hermanos, liderados por Lionel Messi, de virada, por 2x1


Anterior: Uma Vez na Vida - A Extraordinária História do New York Cosmos


Veja aqui o trailer oficial de O Jogo (falado e legendado em espanhol e inglês - HD):



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 6: Copa 78 - O Poder do Futebol (Brasil - 1979)


Se a Copa do Mundo de 1978 pudesse ser resumida em uma única palavra, seria: polêmica. A Argentina foi país escolhido para sediar a copa daquele ano, um período em que os argentinos viviam sob o jugo de uma feroz ditadura militar sob o comando do infame  general carniceiro Jorge Videla (1925-2013). Apesar de protestos de organizações de direitos humanos internacionais, o igualmente infame e truculento presidente da FIFA, João Havelange (1916-2016), confirmou o evento na nação platina.

A Copa do Mundo de 1978 tem fatos polêmicos do começo até o fim da competição, que vão desde uso da copa por Videla e seus cúmplices para desviar a atenção do povo argentino dos problemas do país, passando pelo gol anulado na partida Brasil x Suécia, na primeira fase; até a fase decisiva, com a partida mais lembrada dessa copa, superando até mesmo a final: Argentina 6 x 0 Peru

Para disputar a final contra a Holanda (vice-campeã da copa anterior), a Argentina precisava não só vencer o Peru, mas também ter um saldo de gols maior que o seu concorrente direto, o Brasil, que jogaria contra a Polônia. As partidas seriam disputadas no mesmo horário, mas, estranhamente, Argentina x Peru foi transferida para duas horas depois de Brasil x Polônia. 

O Brasil venceu os poloneses por 3 x 1 e, para passar à final, os argentinos precisavam vencer os peruanos com, pelo menos quatro gols de diferença. Fizeram seis e classificaram-se. Mal a partida acabou e começaram a aparecer várias histórias sobre um suposto suborno para facilitar a vitória da seleção anfitriã. Com ou sem "mala preta", a Argentina venceu a aplicada seleção da Holanda e conquistou seu primeiro título mundial.

Um ano depois, o triunfo dos Hermanos continuava a ser um assunto quente nas rodas de conversa brasileiras e esquentou ainda mais quando foi lançado nos cinemas de nosso país o documentário Copa 78 - O Poder do Futebol (que, no restante do mundo, ganhou o título em inglês, World Cup - The Power of Football).

Dirigido a quatro mãos por Maurício Sherman (mini-série A, E, I, O... Urca, também autor do roteiro) e Victor di Mello (Solidão, Uma Linda História de Amor) e com narração do jornalista Sérgio Chapelin (Globo Repórter), Copa 78 - O Poder do Futebol põe mais lenha na fogueira com imagens detalhadas e cutuca várias feridas ainda mal cicatrizadas, destacando a trégua negociada da ditadura com o grupo guerrilheiro esquerdista Montoneros, que lhe fazia oposição e a combatia; além das polêmicas citadas anteriormente, e complementa lembrando que o goleiro da seleção do Peru, Ramón Quiroga, era argentino naturalizado peruano...

Se formos dar ouvidos a todas as teorias da conspiração surgidas desde aquela época, a Argentina não comprou apenas a partida contra o Peru, mas a copa inteira e, ainda por cima, pagou adiantado. Até hoje, nada foi provado e, como qualquer estudante de Direito sabe, uma pessoa (neste caso, uma equipe) é inocente até que prove sua culpa. A não ser que surjam fatos novos e comprovados, todas essas histórias e acusações não passam de especulação. 

Porém, é preciso lembrar que, em uma festa, quem manda são os donos da casa, uma lição que o Brasil, apesar de já ter organizado duas Copas do Mundo (em 1950 e 2014, ambas com resultados traumáticos), ainda não aprendeu.


P. S. - Embora eu tenha feito uma pesquisa ampla, não consegui encontrar o  vídeo com o trailer oficial de Copa 78 - O Poder do Futebol (se alguém souber onde encontrar, não se acanhe e envie um e-mail para panoramadocinema@gmail.com). Por isso, postei abaixo dois vídeos, um com os gols da partida Argentina x Peru e outro da final, Argentina x Holanda.

Anterior: Todos os corações do Mundo 

Veja aqui os gols da partida Argentina 6 x 0 Peru na Copa do Mundo de 1978 (narração em espanhol):



Veja aqui o vídeo dos gols e melhores momentos da partida Argentina 3 x 1 Holanda, a grande final da Copa do Mundo de 1978 (narração em inglês):




Publicado no LinkedIn em 20/06/2018.

Atualizado em 10/06/2026.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 2: Mundialito (Uruguai - 2010)


Em 1980, o então presidente da FIFA, o brasileiro de ascendência belga João Havelange (1916-2016), decidiu criar um torneio oficial comemorativo dos 50 anos da Copa do Mundo. A sede escolhida foi o país onde se realizou o primeiro campeonato mundial de futebol, o Uruguai, que também foi o primeiro campeão mundial vencendo na final seu arquirival, a Argentina, por 4x2 e levando o público presente no Estádio Centenário (construído especialmente para essa competição) ao delírio.

A competição reuniu cinco dos seis países campeões mundiais até então: o anfitrião Uruguai, a Argentina, o Brasil, a Itália, e a Alemanha. A Inglaterra, também campeã mundial, declinou do convite e foi substituída pela Holanda, vice-campeã mundial nas Copas do Mundo de 1974 e 1978. 

A competição foi batizada de Copa de Ouro, mas passou para a história pelo nome criado pela população local: Mundialito. Com uma grande atuação, o Uruguai venceu o Brasil na final por 2x1, conquistou a taça e, mais uma vez, levou seu povo ao delírio.

Em 2010, como parte das comemorações dos 30 anos dessa grande conquista, foi lançado nas salas de cinemas uruguaias o documentário Mundialito, com direção de Sebastián Bednarik (Maracaná). 

Mundialito não se concentra apenas no aspecto esportivo, também trata dos aspectos sociais e políticos da época. Assim como os outros países sul-americanos (com exceção da Venezuela), o Uruguai era governado por uma ditadura militar que, como é de praxe nesse tipo de governo, prendia, torturava, matava e/ou fazia desaparecer opositores do regime.

Querendo dar um aspecto legal - ainda que com tom de farsa - à ditadura, os militares queriam usar o Mundialito para propaganda própria e para um plebiscito que seria realizado logo após a competição para eternizá-los no poder. 

A grande imprensa local, que apoiava os "milicos" (o affair da chamada "grande imprensa"com movimentos reacionários e/ou de extrema-direita não é de hoje...), incentivava a população a votar sim para dar continuidade ao governo fardado. Porém, o tiro saiu pela culatra. 

Nos estádios, os espectadores, que não caíram na conversa dos ditadores nem da mídia e estavam sedentos por um governo democrático, gritavam a plenos pulmões "Queremos votar", "Abaixo a ditadura" e outras palavras de ordem. No plebiscito o NÃO teve uma vitória esmagadora.

Mundialito mostra, além de imagens daquele tempo, entrevista com jogadores, historiadores e personalidades. Dentre as entrevistas, três se destacam: a do ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica, de Havelange (que demonstra a truculência que o tornou famoso), e a do ex-futebolista brasileiro Sócrates, que fala da alienação política dos futebolistas em geral.


A seguir: O Milagre de Berna
Anterior: Ruth


Veja aqui o trailer de Mundialito (original em espanhol com legendas em inglês):


Publicado no LinkedIn em 01/06/2018.