Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Série Especial | Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar 1: Fuga Para a Vitória (EUA - 1981)

           


       Panorama do Cinema retorna com a Série Especial tendo novamente o futebol como tema, visto que, neste ano da graça de 2026, está sendo disputada a 23ª Copa do Mundo de Futebol, pela primeira vez em três países - Canadá, México e EUA - com um número recorde de 48 equipes. 

       Os filmes escolhidos para esta série são Boleiros: Era uma Vez o Futebol (Brasil - 1998), Um Time Show de Bola (Argentina - 2013), Uma Vez na Vida - A Extraordinária História do New York Cosmos (EUA - 2006) e se inicia com Fuga Para a Vitória (EUA - 1981)

      No momento em que este texto foi publicado, a Copa do Mundo está em sua fase de oitavas-de-finais, por isso aproveite para ver esses filmes antes que o Campeonato Mundial de Futebol acabe!


      Em um campo de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, o ex-futebolista e general das forças alemãs, Karl Von Steiner (o sueco Max Von Sidow, de Star Wars: O Despertar da Força), propõe a um prisioneiro, o capitão britânico John Colby (o inglês Michael Caine, de Kingsman – Serviço Secreto), também ele um ex-jogador, realizar uma partida de futebol entre seus soldados e os outros prisioneiros. De modo relutante, Colby aceita e começa a formar a sua equipe que conta, entre outros, com o cabo Luiz Hernandez (o ex-futebolista brasileiro Pelé). O alto comando nazista que usar a partida para fazer propaganda do regime. O capitão e agente secreto dos EUA, Robert Hatch (o estadunidense Sylvester Stallone, das franquias Rocky e Rambo) quer entrar no time e aproveitar a oportunidade para ajudar os prisioneiros a fugirem.

Fuga Para a Vitória foi inspirado em um fato real: o jogo de futebol que ficou conhecido como “A Partida da Morte”. No ano de 1942, em plena guerra, os nazistas organizaram um jogo de futebol entre a equipe da Luftwaffe (a aviação militar da época), um dos melhores times das forças armadas alemãs, e o Dínamo de Kiev, principal equipe da Ucrânia que, naquele tempo, fazia parte da União Soviética (URSS). O juiz da partida era um oficial da Gestapo, a temida polícia secreta nazista.
Os jogadores do Dínamo sabiam que, se vencessem, os nazistas não os perdoariam e ajustariam as contas. Mas, decidiram, assim mesmo, jogar para ganhar. No início, os alemães, com melhor preparação física e mais bem nutridos, levaram a melhor e abriram uma vantagem de 2x0. Porém, com muita garra, raça e técnica, os valentes futebolistas soviéticos conseguiram virar o placar e vencer a partida por 3x2! A reação nazista não se fez esperar: a equipe do Dínamo de Kiev foi executada. Esses valorosos jogadores perderam a vida (com exceção de uns poucos que se salvaram por milagre), mas entraram para a história.

Acima, uma foto do monumento em homenagem aos valentes futebolistas do Dínamo de Kiev que está localizado em frente ao estádio do clube.

Além do elenco de astros, o diretor John Huston (A Honra do Poderoso Prizzi) contou também com grandes craques para a realização do filme. Além de Pelé, estavam presentes o inglês Bobby Moore (campeão mundial em 1966), o polonês Kazimierz Deyna (campeão olímpico em 1972) e o argentino Osvaldo Ardiles (campeão mundial em 1978), que ajudaram nas filmagens das cenas da bola em jogo. Embora seja considerado um trabalho menor de Huston e tenha recebido críticas mornas, Fuga Para a Vitória teve uma boa recepção por parte do público e foi indicado ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Moscou daquele ano.
Para encerrar, uma historinha de bastidores: durante um intervalo das filmagens, o elenco decidiu disputar uma pelada. Sylvester Stallone jogava como goleiro (tal como seu personagem no filme). Pelé mandou uma “bomba” em direção ao gol. Sly defendeu, mas o chute foi tão forte que o ator teve um dos dedos deslocado!


Veja aqui o trailer de Fuga Para a Vitória (original em inglês):



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 6: Copa 78 - O Poder do Futebol (Brasil - 1979)


Se a Copa do Mundo de 1978 pudesse ser resumida em uma única palavra, seria: polêmica. A Argentina foi país escolhido para sediar a copa daquele ano, um período em que os argentinos viviam sob o jugo de uma feroz ditadura militar sob o comando do infame  general carniceiro Jorge Videla (1925-2013). Apesar de protestos de organizações de direitos humanos internacionais, o igualmente infame e truculento presidente da FIFA, João Havelange (1916-2016), confirmou o evento na nação platina.

A Copa do Mundo de 1978 tem fatos polêmicos do começo até o fim da competição, que vão desde uso da copa por Videla e seus cúmplices para desviar a atenção do povo argentino dos problemas do país, passando pelo gol anulado na partida Brasil x Suécia, na primeira fase; até a fase decisiva, com a partida mais lembrada dessa copa, superando até mesmo a final: Argentina 6 x 0 Peru

Para disputar a final contra a Holanda (vice-campeã da copa anterior), a Argentina precisava não só vencer o Peru, mas também ter um saldo de gols maior que o seu concorrente direto, o Brasil, que jogaria contra a Polônia. As partidas seriam disputadas no mesmo horário, mas, estranhamente, Argentina x Peru foi transferida para duas horas depois de Brasil x Polônia. 

O Brasil venceu os poloneses por 3 x 1 e, para passar à final, os argentinos precisavam vencer os peruanos com, pelo menos quatro gols de diferença. Fizeram seis e classificaram-se. Mal a partida acabou e começaram a aparecer várias histórias sobre um suposto suborno para facilitar a vitória da seleção anfitriã. Com ou sem "mala preta", a Argentina venceu a aplicada seleção da Holanda e conquistou seu primeiro título mundial.

Um ano depois, o triunfo dos Hermanos continuava a ser um assunto quente nas rodas de conversa brasileiras e esquentou ainda mais quando foi lançado nos cinemas de nosso país o documentário Copa 78 - O Poder do Futebol (que, no restante do mundo, ganhou o título em inglês, World Cup - The Power of Football).

Dirigido a quatro mãos por Maurício Sherman (mini-série A, E, I, O... Urca, também autor do roteiro) e Victor di Mello (Solidão, Uma Linda História de Amor) e com narração do jornalista Sérgio Chapelin (Globo Repórter), Copa 78 - O Poder do Futebol põe mais lenha na fogueira com imagens detalhadas e cutuca várias feridas ainda mal cicatrizadas, destacando a trégua negociada da ditadura com o grupo guerrilheiro esquerdista Montoneros, que lhe fazia oposição e a combatia; além das polêmicas citadas anteriormente, e complementa lembrando que o goleiro da seleção do Peru, Ramón Quiroga, era argentino naturalizado peruano...

Se formos dar ouvidos a todas as teorias da conspiração surgidas desde aquela época, a Argentina não comprou apenas a partida contra o Peru, mas a copa inteira e, ainda por cima, pagou adiantado. Até hoje, nada foi provado e, como qualquer estudante de Direito sabe, uma pessoa (neste caso, uma equipe) é inocente até que prove sua culpa. A não ser que surjam fatos novos e comprovados, todas essas histórias e acusações não passam de especulação. 

Porém, é preciso lembrar que, em uma festa, quem manda são os donos da casa, uma lição que o Brasil, apesar de já ter organizado duas Copas do Mundo (em 1950 e 2014, ambas com resultados traumáticos), ainda não aprendeu.


P. S. - Embora eu tenha feito uma pesquisa ampla, não consegui encontrar o  vídeo com o trailer oficial de Copa 78 - O Poder do Futebol (se alguém souber onde encontrar, não se acanhe e envie um e-mail para panoramadocinema@gmail.com). Por isso, postei abaixo dois vídeos, um com os gols da partida Argentina x Peru e outro da final, Argentina x Holanda.

Anterior: Todos os corações do Mundo 

Veja aqui os gols da partida Argentina 6 x 0 Peru na Copa do Mundo de 1978 (narração em espanhol):



Veja aqui o vídeo dos gols e melhores momentos da partida Argentina 3 x 1 Holanda, a grande final da Copa do Mundo de 1978 (narração em inglês):




Publicado no LinkedIn em 20/06/2018.

Atualizado em 10/06/2026.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 5: Todos os Corações do Mundo (Brasil / EUA - 1995)


Na Copa do Mundo de 1994, depois de um jejum de 24 anos, o Brasilcom o craque baixinho e invocado Romário a frente, finalmente conquistou o tão sonhado tetracampeonato ao vencer a Itália - que também buscava o tetra - na disputa de pênaltis após um empate em 0x0  no tempo normal e na prorrogação.

Em 1995, foi lançado o filme Todos os Corações do Mundo, cujo título em inglês é Two Billion Hearts (literalmente Dois Bilhões de Corações), documentário oficial da FIFA sobre essa histórica competição. Além do tetracampeonato do Brasil, essa copa entrou para a história por ter tido, pela primeira vez, uma decisão de título na decisão por pênaltis e por ter sido realizado nos EUA, país onde o futebol nunca foi um esporte popular e que, ainda assim, levou multidões aos estádios.

Com produção conjunta de Brasil e EUA, dirigido pelo cineasta brasileiro Murilo Salles (Como Nascem os Anjos), com narração em português de Antônio Grassi (Gatão de Meia Idade) e, em inglês de Liev Schreiber (Spotlight - Segredos Revelados), Todos os Corações do Mundo mostra além de cenas bem filmadas das partidas realizadas, lembrando o antigo e saudoso noticiário Canal 100, entrevistas com os participantes e com o publico estadunidense.

Nestas entrevistas com o público não dá para não rir quando repórter pergunta "Você conhece [Diego] Maradona?" (o megacraque argentino que terá uma série biográfica produzida pela Amazon Prime Video. Veja aqui) e as pessoas respondem "[A cantora] Madonna? Claro!". Tudo isso fez com que Todos os Corações do Mundo fosse bem recebido por público e crítica.

Embora eu tenha feito uma pesquisa ampla, não consegui encontrar o trailer oficial de Todos os Corações do Mundo, a não ser trechos do filme (se alguém souber onde encontrar, não se acanhe em fazer contato pelo e-mail panoramadocinema@gmail.com) que não primam pela qualidade de imagem. Abaixo postei um desses vídeos com trechos e, para compensar, postei um vídeo oficial da FIFA em alta definição com os melhores momentos da grande final.

A seguir: Copa 78 - O Poder do Futebol
Anterior: A Copa


Veja aqui um trecho de Todos os Corações do Mundo (em português com legendas em inglês):




Veja aqui os melhores momentos da grande final da Copa do Mundo de 1994 com narração de Galvão Bueno (HD):




Publicado no LinkedIn em 14/06/2018.

Atualizado em 10/06/2026.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 4: A Copa (Butão - 1999)


Em um mosteiro budista na Índia, onde vivem monges tibetanos refugiados, um pequeno noviço fanático por futebol convence seus colegas a alugarem uma televisão para assistirem a final da Copa do Mundo de 1998.
Por esta ninguém esperava: um filme vindo do Butão, pequeno país asiático que, até então, nunca havia produzido uma película sequer. E surpreendeu a todo o mundo do cinema com um filme original, de qualidade, muito bem dirigido por Khyentse Norbu (que também é um Lama, isto é, um guia espiritual do Budismo tibetano), com boas atuações de seu elenco e roteiro bem estruturado com humor, mas sem esquecer a crítica social e política (a invasão do Tibete pela China). A Copa foi, merecidamente, um grande sucesso e, como recompensa, foi indicado para o Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Filme Estrangeiro.

A Seguir: Todos os Corações do Mundo
Anterior: O Milagre de Berna

Veja aqui o trailer de A Copa (narrado e legendado em inglês):



Publicado no LinkedIn em 05/06/2018.

domingo, 3 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 3: O Milagre de Berna (Alemanha - 2003)



Alemanha, 1954. Nove anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o país está dividido e em reconstrução. Esse também é o ano da Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada na Suíça. O pequeno Matthias Lubanski (Louis Klamroth) vive com sua família na cidade industrial de Essen e, como todo menino de sua idade, ama o futebol. Ele é amigo do futebolista Helmut Rahn (Sacha Gopel, de Aceleração Máxima), que foi convocado pelo técnico da seleção alemã, Josef “Sepp” Herberger (Peter Franke, de Prisioneiro do Amor) para disputar o campeonato mundial. A grande favorita para conquistar o título é a seleção da Hungria. Nesse meio tempo, o pai de Matthias, Richard (Peter Lohmeyer, de A Jovem Rainha), um ex-soldado que ficou muitos anos como prisioneiro de guerra na URSS, retorna para casa, mas tem muitas dificuldades de readaptação à vida civil. Paralelamente, Paul Ackermann (Lucas Gregorowicz, da minissérie Os Filhos da Guerra), um jornalista esportivo recém-casado com Annete (Katharina Wackernagel, de O Grupo Baader Meinhoff), é forçado a adiar sua lua-de-mel para fazer a cobertura da Copa. Annete, que nunca foi entusiasta de futebol, decide ir com ele.
Após viver o pesadelo nazista, os alemães tinham que reconstruir mais do que uma nação arrasada pela guerra, tinham também que reconstruir seu orgulho e amor-próprio. Embora já estivessem em plena recuperação econômica, foi a épica vitória na Copa do Mundo sobre os Magiares Mágicos (alcunha da seleção húngara, uma equipe que, além de ter sido campeã olímpica em 1952, não perdia uma partida há quatro anos e meio e que, na primeira fase da Copa, havia vencido a mesma Alemanha por 8x3!) que trouxe de volta esses sentimentos ao país, mostrando que não havia nada de errado em ser alemão e amar a Alemanha - mesmo estando separada em um lado capitalista e outro comunista - e foi também o pontapé inicial ao período do país conhecido como “Milagre Econômico”.
O diretor Sönke Wortmann (de A Papisa Joana) reproduziu com precisão esse momento decisivo da história alemã mostrando tanto o reerguimento das cidades (que inclui o surgimento de usinas nucleares) quanto do povo com a aparição de líderes muito diferentes dos nazistas como o capitão da seleção, Fritz Walter (interpretado por Knut Hartwigem sua estreia no cinema), que comandava pelo exemplo ao invés da força. As cenas de jogo são muito bem filmadas e bastante emocionantes, provavelmente, as melhores do tipo já feitas pelo cinema.
O Milagre de Berna conquistou Deutscher Filmpreis (principal premiação de cinema da Alemanha) de Filme Alemão do Ano, entre outros prêmios, mostrou que o milagre do futebol também pode ser o milagre da vida.

O Milagre de Berna foi dedicado a Helmut Rahn, que faleceu dois meses antes da estréia.


A seguir: A Copa

Anterior: Mundialito



Veja aqui o trailer de O Milagre de Berna (original em alemão):



Publicado no LinkedIn em 04/06/2018.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 2: Mundialito (Uruguai - 2010)


Em 1980, o então presidente da FIFA, o brasileiro de ascendência belga João Havelange (1916-2016), decidiu criar um torneio oficial comemorativo dos 50 anos da Copa do Mundo. A sede escolhida foi o país onde se realizou o primeiro campeonato mundial de futebol, o Uruguai, que também foi o primeiro campeão mundial vencendo na final seu arquirival, a Argentina, por 4x2 e levando o público presente no Estádio Centenário (construído especialmente para essa competição) ao delírio.

A competição reuniu cinco dos seis países campeões mundiais até então: o anfitrião Uruguai, a Argentina, o Brasil, a Itália, e a Alemanha. A Inglaterra, também campeã mundial, declinou do convite e foi substituída pela Holanda, vice-campeã mundial nas Copas do Mundo de 1974 e 1978. 

A competição foi batizada de Copa de Ouro, mas passou para a história pelo nome criado pela população local: Mundialito. Com uma grande atuação, o Uruguai venceu o Brasil na final por 2x1, conquistou a taça e, mais uma vez, levou seu povo ao delírio.

Em 2010, como parte das comemorações dos 30 anos dessa grande conquista, foi lançado nas salas de cinemas uruguaias o documentário Mundialito, com direção de Sebastián Bednarik (Maracaná). 

Mundialito não se concentra apenas no aspecto esportivo, também trata dos aspectos sociais e políticos da época. Assim como os outros países sul-americanos (com exceção da Venezuela), o Uruguai era governado por uma ditadura militar que, como é de praxe nesse tipo de governo, prendia, torturava, matava e/ou fazia desaparecer opositores do regime.

Querendo dar um aspecto legal - ainda que com tom de farsa - à ditadura, os militares queriam usar o Mundialito para propaganda própria e para um plebiscito que seria realizado logo após a competição para eternizá-los no poder. 

A grande imprensa local, que apoiava os "milicos" (o affair da chamada "grande imprensa"com movimentos reacionários e/ou de extrema-direita não é de hoje...), incentivava a população a votar sim para dar continuidade ao governo fardado. Porém, o tiro saiu pela culatra. 

Nos estádios, os espectadores, que não caíram na conversa dos ditadores nem da mídia e estavam sedentos por um governo democrático, gritavam a plenos pulmões "Queremos votar", "Abaixo a ditadura" e outras palavras de ordem. No plebiscito o NÃO teve uma vitória esmagadora.

Mundialito mostra, além de imagens daquele tempo, entrevista com jogadores, historiadores e personalidades. Dentre as entrevistas, três se destacam: a do ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica, de Havelange (que demonstra a truculência que o tornou famoso), e a do ex-futebolista brasileiro Sócrates, que fala da alienação política dos futebolistas em geral.


A seguir: O Milagre de Berna
Anterior: Ruth


Veja aqui o trailer de Mundialito (original em espanhol com legendas em inglês):


Publicado no LinkedIn em 01/06/2018.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Série Especial | Filmes de Futebol Para Ver Durante a Copa do Mundo 1: Ruth (Portugal - 2018)


Panorama do Cinema tem uma novidade para todos os que o acompanham: Série Especial. Trata-se de uma série temática sobre  filmes que tem um determinado assunto como premissa. Como estamos em tempos de Copa do Mundo, o primeiro tema escolhido é o esporte bretão amado por todos os brasileiros: futebol.

Entre os filmes escolhidos estão: Copa 78 - O Poder do Futebol (Brasil - 1979), Todos os Corações do Mundo: A Paixão do Futebol (Brasil/ EUA - 1995), A Copa (Butão - 1999), O Milagre de Berna (Alemanha - 2003)Mundialito (Uruguai - 2010). Vamos iniciar a série com o filme Ruth (Portugal - 2018).

Eusébio (o ator e cineasta Igor Regalla, de O Grande Circo Místico) é um jovem de 16 anos e habilidoso futebolista na Moçambique - então colônia de Portugal - do início da década de 1960. Seu talento logo chama a atenção dos dois maiores clubes portugueses: Benfica e Sporting. As duas agremiações começam uma verdadeira guerra para ter Eusébio em suas fileiras e, para isso, utilizam-se de todos os tipos de estratagemas. 

Ruth trata sobre um episódio da vida de Eusébio da Silva Ferreira, mundialmente conhecido como Eusébio (1942-2014), cuja  alcunha era Pantera Negra; maior futebolista português de sempre; artilheiro e melhor jogador da Copa do Mundo de 1966, que foi disputada na Inglaterra, na qual Portugal obteve um brilhante terceiro lugar. 

Apesar do tom descontraído, o filme não deixa de retratar a situação do país na época, que vivia sob a cruel ditadura fascista do tirano Antonio Salazar (1889-1970) e que também iniciava uma guerra contra as suas colônias africanas, que clamavam por independência. Essa guerra só terminaria com o triunfo da Revolução dos Cravos, em 1974.

Dirigido pelo cineasta Antonio Pinhao Botelho (que, por acaso, é um torcedor fanático do Benfica), Ruth fez sua estréia comercial em 3 de maio último, em Lisboa, com boa recepção por parte da crítica e público. Ainda não há uma data definida para sua estréia no Brasil. 

Ruth é uma comédia leve e divertida que vale a pena conhecer!


A seguir: Mundialito.


Veja aqui o trailer oficial de Ruth (em português europeu e português moçambicano - HD):



Publicado no LinkedIn em 17/05/2018.