Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quinta-feira, 1 de março de 2018

Crítica: Um Gato de Rua Chamado Bob | A fábula de um sem-teto e seu mascote

NOTA: Caríssimo público cinéfilo de Panorama do Cinema, conforme o prometido, aqui está, ainda que com grande atraso, a crítica do filme Um Gato de Rua Chamado Bob.

De um modo geral, uma fábula é definida como uma pequena narrativa em prosa ou verso em que se aproveita a ficção alegórica para transmitir uma verdade ou a reflexão de uma moral em que há a participação de pessoas e animais (e, algumas vezes, de seres inanimados). Os puristas podem até não concordar, mas esta é um definição que encaixa-se muito bem no filme Um Gato de Rua Chamado Bob.

James Bowen (Luke Treadaway, de Ataque ao Prédio) é um músico desempregado e sem-teto que vive nas ruas de Londres, ganha uns poucos trocados tocando seu violão, é viciado em drogas e seu pai (Anthony Head, de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança), madrasta (Beth Goddard, de X-Men: Primeira Classe) e o restante de sua família não querem saber dele. Após sobreviver a uma overdose, decide entrar para valer no programa de desintoxicação com a ajuda da assistente social, Val (Joanne Froggatt, da série de TV Downton Abbey).

Val consegue arrumar um pequeno flat em um bairro pobre para James morar. Lá conhece Betty (Ruta Gedmintas, da série The Strain: Noite Absoluta), uma jovem que ganha a vida levando cães para passear e que ama animais. Em sua primeira noite no flat, durante o banho, James ouve um barulho e pensa que um ladrão entrou na residência. Assustado, vai até a cozinha e lá descobre o responsável pelo barulho: um gato cor de laranja que estava comendo seus cereais.

James tenta em vão achar o dono do gato, repara que o animal está ferido e pede ajuda à Betty. Esta lhe dá o endereço de uma clínica veterinária que presta atendimento gratuito e chama o gato de Bob. James passa a tomar conta de Bob e a levá-lo consigo para o trabalho e o bichano chama a atenção dos passantes.

Se há uma coisa em comum entre os chamados países "de primeiro mundo" e os "emergentes" é o aumento assustador e crescente de moradores de rua, também conhecidos como "sem-tetos" ("homeless", é o termo equivalente em inglês), nestes últimos anos. 

Apesar de toda a propaganda na mídia apregoando os "benefícios" do chamado "sistema de livre iniciativa" do atual momento neoliberalista pelo qual o mundo - e o Brasil em particular - passa, a verdade é que a exclusão social está cada vez maior. Inclusive nos EUA (que os coxinhas vivem usando como exemplo para seus ideais), a Meca do neoliberalismo, nunca, nem mesmo no período da Grande Depressão Econômica (1929-1939), houve tantas pessoas vivendo nas ruas como nos dias de hoje.

Em 2015, no Festival de Karoly Vary, na República Tcheca, o ator estadunidense Richard Gere (Chicago), em uma entrevista coletiva de lançamento do filme O Encontro, no qual fez o papel de um sem-teto, contou um episódio de filmagem:

“Estava na esquina de uma rua com um chapéu na cabeça. Estava um pouco nervoso porque ninguém olhava para mim. Bebi um café e comecei a pedir dinheiro, a perguntar se as pessoas podiam me ajudar. Filmamos durante 45 minutos com uma câmera digital. Durante 45 minutos ninguém olhou para mim e ninguém tentou estabelecer contato visual. Ganhei dois dólares e meio”

Há uma frase de George, personagem de Gere no filme, que resume perfeitamente essa triste situação:

"Eu sou um sem-teto. Eu não existo!".

Um Gato de Rua Chamado Bob, também mostra essa situação, de sem-tetos de expressões tristes, pedindo dinheiro, dormindo na rua e catando comida no lixo para saciar a fome. Todos ignorados pelas pessoas que passam ou tratados como uma lesma na barba que causa incômodo tal qual na cena em que James é enxotado da frente de uma estação de metrô embora não estivesse bloqueando a entrada nem perturbando ninguém. Apenas tocava seu violão.

O cineasta canadense naturalizado britânico Roger Spottiswoode (História de Um Massacre), utilizando-se de sua larga experiência  em variados gêneros de filmes no cinema e na TV e com uma direção correta e segura, deu a Um Gato de Rua Chamado Bob, o tom de fábula moderna que, conforme escrito no início do texto, encaixa-se com perfeição na história autobiográfica do best seller homônimo no qual o filme foi baseado.

Se a direção de Spottiswoode dá o tom de fábula à película, a fotografia do canadense Peter Wunstorf (O Segredo de Brokeback Mountain), dá o clima. Londres, cidade conhecida pelo fog (neblina) e por sua aparência cinzenta (no que se assemelha a metrópole brasileira São Paulo), poucas vezes apareceu de modo tão bonito, com cores tão vivas e com um leve toque de magia quanto em Um Gato de Rua Chamado Bob, mesmo em cenas de chuva ou de dia nublado.

O compositor australiano David Hirschfelder (A Lenda dos Guardiões) é um velho colaborador de Roger Spottiswoode - é o quarto filme no qual trabalham juntos. Mas, ao que parece, desta vez não estava muito inspirado, pois a trilha sonora do filme não é daquelas memoráveis. 

Em contrapartida, as canções acústicas do cantor e músico inglês Charlie Fink - ex-membro da banda Noah and The Whale e queridinho do Indie Rock (Rock Independente) britânico - são boas, daquelas que pegam ao ouvir e agradam muita gente. A interpretação das canções por parte de Luke Treadaway, que também é músico e possui sua própria banda, é competente, no melhor estilo "trovador solitário".

Não foi apenas para ser gentil que James Bowen aprovou a escolha de Luke Treadaway para interpretá-lo em Um Gato de Rua Chamado Bob, a ponto de defini-lo como "um perfeito James" (veja aqui). Com uma sólida formação teatral (em 2013, foi escolhido como Melhor Ator no Laurence Olivier Award, um dos prêmios mais prestigiosos do teatro do Reino Unido) é, juntamente com seu irmão gêmeo Harry Treadaway (da série Penny Dreadful), considerado um dos principais nomes da nova safra de atores britânicos.

A atuação de Luke no filme é intensa, dedicada, comovente e convincente. Intérprete perfeccionista, chegou a dormir na rua para sentir-se na pele de um sem-teto ou, como disse James Bowen, "(...) passou aperto como músico tocando por uns trocados e sentiu como é ser invisível" (veja aqui). Sua performance é o trabalho de um grande ator que, se trabalhar bem a sua carreira, pode tornar-se um grande astro.

É claro que não poderíamos deixar de falar do outro "ator" principal, o Gato de Rua Bob. A princípio, ele não participaria do filme, seriam usados outros gatos como dublês (veja aqui). Mas, ao fazerem o teste, não foram aprovados, e Bob acabou por "interpretar" a si mesmo (os outros gatos foram utilizados em cenas consideradas mais arriscadas).

A decisão mostrou-se acertada. Bob mostrou desinibição diante das câmeras, "atuou" com naturalidade e não estranhou a equipe e o elenco, a ponto de subir aos ombros de Luke Treadaway do mesmo modo que faz com seu dono, James. Em seu livro, o autor brinca que, ao fazer isso, Bob fica parecendo um "papagaio de pirata".

Quando se vê - nas telas ou ao vivo e em cores - o mascote de James Bowen, dá para notar que, de fato, ele não é um gato de rua qualquer. Tem mesmo algo a mais, aquele algo que não é possível definir em palavras, mas que pode-se perceber somente ao olhar e que acabou por salvar a vida de seu "parça". Não foi a toa que a dupla tornou-se tão popular, principalmente na Grã-Bretanha. 

O fato de ser namorada de Luke Treadaway na vida real ajudou a linda e talentosa Ruta Gedmintas na interpretação de sua personagem, Betty. Assim como seu namorado, ela está convincente no seu papel. 

O restante do elenco não compromete, mas houve um desperdício de talento quanto a Joanne Froggatt, cujo papel da assistente social Val poderia ter sido melhor aproveitado. 

Penso que a questão social abordada no filme poderia ter sido mais incisiva e não somente dar ênfase ao relacionamento James-Bob, ainda que essa seja a premissa deste trabalho.

Um Gato de Rua Chamado Bob foi, de modo geral, bem recebido pela crítica e, se não foi um grande sucesso nas bilheterias, pagou-se nas mesmas e ainda pode vir a dar lucro com os lançamentos em DVD e Blue-Ray. 

Em 2017, Um Gato de Rua Chamado Bob conquistou o prêmio de Melhor Filme Britânico do National Films Awards UK superando o favorito Eu, Daniel Blake, do cineasta Ken Loach (veja aqui). E, conforme vem sendo comentado nos bastidores, pode haver uma sequência igualmente baseada no outro livro de memórias de James Bowen, O Mundo Pelos Olhos de Bob.

Embora a estreia de Um Gato de Rua Chamado Bob nos cinemas do Brasil tenha sido anunciada inicialmente para dezembro de 2016 e, posteriormente, para agosto de 2017, isso não ocorreu, ainda que eu tenha acompanhado os principais lançamentos nessas épocas. Até mesmo o lançamento em DVD, anunciado para março de 2017, não ocorreu. E olhe que eu procurei nas lojas. Somente consegui ver o filme pela internet.

Qual o motivo disso tudo? Ignoro, mas lamento, pois este é o tipo de filme que os brasileiros muito apreciam e que, estou certo, dariam um bom retorno nas salas de exibições.

Em uma de suas muitas entrevistas, James Bowen foi questionado se ter um animal de estimação pode ser a solução para a recuperação do flagelo do vício das drogas, ao que o músico e escritor respondeu:

"Deu certo comigo, mas não posso garantir que dê certo para outros".

Foi uma resposta sensata.

Um Gato de Rua Chamado Bob é, realmente, uma fábula destes tempos conturbados e incertos que vivemos agora, com a diferença de ser uma história real ao invés de fictícia. E, como toda a fábula, tem uma reflexão moral. Na verdade, são várias as reflexões.

A primeira e mais óbvia, é a história de superação por meio da determinação e força de vontade. Outra é sobre o poder da esperança e do amor incondicional e recíproco. A Boa Vontade não deve ser esquecida. 

Entretanto, de todas as reflexões morais que Um Gato de Rua Chamado Bob levanta está a que pessoas cujas vidas não foram tão favorecidas não são invisíveis. Elas existem e não devem ser desprezadas, pois todos nós estamos sujeitos a infortúnios. O que aconteceu com esses "seres invisíveis e inexistentes" pode acontecer conosco também a qualquer momento, pois ninguém é completamente imune. É uma lição de humildade e modéstia que devemos aprender.

Por fim, a inspiradora e terna fábula desse sem-teto e seu mascote prova que, se quisermos realmente nos levantar dos grandes tombos que a vida nos dá, sempre haverá uma mão amiga para nos erguer ou, então, uma pata.

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: A Street Cat Named Bob
  • Direção: Roger Spottiswoode
  • Elenco: Luke Treadaway (James Bowen), Ruta Gedmintas (Betty), Gato de Rua Bob (ele mesmo), Joanne Froggatt (Val), Anthony Head (Jack Bowen), Beth Goddard (Hilary), Darren Evans (Baz), Caroline Goodall (Mary)
  • Roteiro: James Bowen (baseado em seu livro), Gary Jenkins, Tim John, Maria Nation
  • Música: David Hirschfelder e Charlie Fink (canções)
  • Fotografia: Peter Wunstorf
  • Duração: 103 minutos
  • Ano: 2016
  • Lançamento comercial no Brasil (somente DVD): 28/03/2017

          RESUMO DO FILME

James Bowen é um jovem músico desempregado, sem-teto, viciado em drogas, rejeitado por sua família e completamente sem perspectivas de vida. Um dia, ele encontra na rua um gato cor de laranja e sua vida nunca mais será a mesma.
 
COTAÇÃO
✪✪✪✪


Veja aqui o trailer oficial de Um Gato de Rua Chamado Bob (legendado - HD):



Publicado no LinkedIn e no AdoroCinema em 1º/03/2018.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Penny Dreadful | Será Mesmo o Fim?


A série de TV anglo-estadunidense Penny Dreadful fez sua estreia na telinha em 2014 e apresentava uma história de terror e suspense passada na Londres da Era Vitoriana e que, de um modo bastante original e verossímil, misturava na trama personagens clássicos das literaturas romântica e gótica tais como Drácula (de autoria do irlandês Bram Stoker), Frankenstein (da inglesa Mary Shelley), O Retrato de Dorian Gray (do também irlandês Oscar Wilde) e O Médico e O Monstro (do escocês Robert Louis Stevenson) com personagens novos criados especialmente para o seriado.

Para aqueles que não sabem, o nome Penny Dreadful vem de uma publicação popular da época de histórias de horror e que custavam um penny, uma subdivisão do sistema monetário britânico que também tinha a libra e o shilling (somente muitos anos depois a divisão em centavos seria adotada). Em uma tradução livre, Penny Dreadful pode ser traduzido como "Penny Assustador".

A série contava a história de Vanessa Ives (a atriz francesa Eva Green, de Os Sonhadores), uma bela jovem com fortes ligações com o mundo sobrenatural que vive na mansão do aristocrata e caçador Sir Malcolm Murray (o ator galês Timothy Dalton, da franquia James Bond 007), que tem como seu criado e aliado o africano Sembene (o inglês Danny Sapani, de Em Transe). A melhor amiga de Vanessa e filha de Sir Malcolm, Mina (a inglesa Olivia Llewellyn, de Beethoven), foi raptada por estranhas criaturas e, para resgatá-la e enfrentar as tais criaturas, o veterano caçador contrata um pistoleiro de passado obscuro vindo dos EUA, Ethan Chandler (o estadunidense Josh Harnett, de Falcão Negro em Perigo), e o jovem médico e cientista brilhante Victor Frankenstein (o inglês Harry Treadaway, de O Cavaleiro Solitário), que faz macabras experiências de ressureição de cadáveres. 

O monstro criado e abandonado por Frankenstein (o inglês Rory Kinnear, de O Jogo da Imitação) - chamado nos países de língua inglesa de "criatura" - retorna para atormentar e vingar-se de seu criador por condená-lo a uma vida solitária e miserável e, ao mesmo tempo, exigir que este faça uma companheira para ele. Chandler - que revela ser um lobisomem - envolve-se emocionalmente com a prostituta irlandesa Brona Croft (a inglesa Billie Piper, da série Dr. Who), que sofre de tuberculose, na época uma doença incurável, e termina por falecer devido à sua enfermidade sendo, posteriormente, ressuscitada por Frankenstein, que rebatiza-a como Lily. Simultaneamente, Vanessa envolve-se com o rico, belo, amoral e vaidoso Dorian Gray (o estadunidense Reeve Carney, de A Tempestade), que possui a vida eterna, mas, como preço a ser pago, sofre de modo infinito com o tédio, a melancolia e a desilusão pela vida - sentimentos esses que podem ser resumidos e reunidos na palavra inglesa Spleen

Após seu relacionamento com Gray, Vanessa apaixona-se por Chandler - que corresponde - e, durante esse tempo, é alvo de várias investidas sobrenaturais e descobre que o grande responsável pelo seu sofrimento é ninguém menos que Drácula (o estadunidense Christian Camargo, da série Dexter). A jovem compreende que o único modo de deter o mal é entregar-se a ele, mesmo que isso custe-lhe a própria vida.

Essa era a premissa básica e, à medida que o seriado continuava, outros personagens - novos ou clássicos - foram incorporados à trama tais como a bruxa Evelyn Poole, também chamada Madame Kali (a inglesa Helen McCrory, da franquia Harry Potter); a eremita e feiticeira Joan Clayton (a estadunidense Patti LuPone, de Conduzindo Miss Daisy), a Dra. Seward (novamente Patti LuPone), o Dr. Abraham Van Helsing (o inglês David Warner, de Titanic), o chefe índio apache Kaetenay (o estadunidense Wes Studi, de Dança Com Lobos) e o Dr. Henry Jekill (o inglês de ascendência paquistanesa Shazad Latif, de O Exótico Hotel Marigold 2). 

Penny Dreadful teve aceitação, elogios e sucesso imediatos com o público e a crítica especializada graças a uma produção impecável com uma excelente reprodução de época, roteiros muito bem elaborados e escritos, uma direção firme e segura e a seu elenco de primeiríssima linha.


De seu excelente elenco, aliás, dois nomes, para mim, se destacaram de sobremaneira: Eva Green e Rory Kinnear. Eva fez de Vanessa Ives uma heroína não apenas bonita, mas também sexy, inteligente e muito carismática. Já o respeitado Rory fez de seu Monstro/Criatura um personagem de uma sensibilidade ímpar, talvez a interpretação mais próxima do original imaginado por Mary Shelley.

Penny Dreadful teve o último episódio da terceira temporada exibido em 19 de junho passado. Este último episódio teve tudo aquilo que seus fãs esperavam: combate explosivo entre heróis e vilões, reviravoltas e um final emocionante e comovente como há muito tempo não se via tanto na tela pequena quanto na tela grande.

O que ninguém esperava  e que causou igualmente igual comoção é que o último episódio da temporada também foi o último da série. Essa decisão surpreendente foi tomada pelo produtir do seriado, John Logan. Este alegou que, com a morte de Vanessa Ives não há mais história a ser contada. Mas, será que é mesmo assim?

Alguém que esteja lendo estas linhas pode pensar que seu autor é um fã inconformado com o fim da série. Bem, não nego que, de fato, sou um grande fã de Penny Dreadful e que, como todos os outros admiradores do seriado, senti-me órfão com o fim do mesmo. Não obstante, os leitores que acompanharem as próximas linhas poderão ver que a pergunta feita no parágrafo anterior, assim como no título deste texto, tem fundamento.


Não é a primeira vez que alguém anuncia oficialmente o fim de uma série ou franquia e acaba por voltar atrás. Por exemplo: em 1982, o astro estadunidense de filmes de ação Sylvester Stallone, logo após as filmagens de Rocky III - o grande sucesso daquele ano - anunciou oficialmente que era o fim dessa série de cinema. Sly admitiu que sentiria falta de Rocky Balboa (do mesmo modo, Eva Green disse que sentiria falta de Vanessa Ives). Porém, como sabemos, o ator e diretor voltou atrás e não só realizou mais três filmes dessa franquia como também o spin-off Creed, que lhe valeu neste ano a conquista do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante além de uma indicação ao Oscar nessa mesma categoria.

"E o que faz você pensar que Penny Dreadful tem chance de retornar?", pode perguntar alguém. Antes de responder essa pergunta, quero deixar claro que estou perfeitamente ciente que qualquer seriado, por melhor que seja, um dia, mais cedo ou mais tarde, tem o seu encerramento definitivo (a exceção é o seriado britânico Coronation Street, um fenômeno que está no ar há mais de 60 anos e sobre o qual Panorama do Cinema pretende falar futuramente). E, respondendo à pergunta feita no início deste parágrafo, Penny Dreadful deixou muitas brechas e lacunas que fazem acreditar em um possível retorno.

Vamos começar por Lily e Dorian Gray. Após ter sido poupada por Victor Frankenstein de se tornar uma zumbi dócil e ter seus planos de um movimento revolucionário conduzido por mulheres frustrado por seu amante Dorian, ela o abandonou deixando-o com seu Spleen eterno. Porém, como ambos são imortais, eles não só podem reencontrarem-se futuramente como também virem a se relacionar com outros personagens que tem a sua mesma condição de imortalidade tal qual veremos adiante.


Ainda que suas experiências conjuntas com Henry Jekill tenham sido bem sucedidas, Victor Frankenstein não conquistou quem mais desejava: Lily. Embora Jekill o tivesse estimulado a continuar com o trabalho, Victor,  amargurado e triste, decidiu partir logo após os funerais de Vanessa Ives. Mas, com sua obsessão em vencer a morte, o solitário médico e cientista pode muito bem usar seus conhecimentos e habilidades cirúrgicas para ressuscitar a amiga recém-falecida.

O Monstro/Criatura de Frankenstein, não atendeu o pedido de sua esposa, Marjorie, de levar Jack, o pequeno filho falecido de ambos, até Victor para que este o ressuscitasse. Entretanto, com a ameaça da esposa de renegá-lo caso não levasse o menino ao laboratório de seu criador, conseguirá o angustiado ser continuar negando o pedido-exigência feito por ela?

Sir Malcolm Murray e Ethan Chandler foram, de longe, os que mais sofreram com a morte de Vanessa Ives. Com a decisão de Ethan de permanecer na Inglaterra, ele e Sir Malcolm podem partir em uma caçada para vingarem-se do vampiro, que fugiu logos após ver o corpo morto de Vanessa nos braços de Chandler. 

E o próprio Príncipe das Trevas pode retornar para encontrar uma substituta para Vanessa e aliados em sua luta contra Sir Malcolm e Ethan. Essa substituta pode ser Lily, que, assim como ele, é imortal. Um dos aliados pode ser o sem escrúpulos e igualmente imortal Dorian Gray. Outro possível aliado pode ser, como disse um dos servos de Drácula, o menino-vampiro, "o velho Jack, o Estripador". 

Uma grande sacada desta temporada de Penny Dreadful foi o de tornar o Dr. Henry Jekill um amigo de infância de Victor Frankenstein que, anos depois, seria seu colega de faculdade. Também foi uma grande sacada torná-lo um filho mestiço de um nobre inglês, que o despreza, com uma humilde mulher indiana, que o ama, condição essa que o faz sofrer todo o preconceito racial da sociedade britânica do século XIX (algo que, infelizmente, em pleno século XXI, ainda está longe de acabar), mesmo sendo, como seu amigo Victor, um médico e um cientista brilhante. Tudo isso faz crescer uma grande raiva em seu interior. Jekill - que tornou-se Lorde Hyde após herdar os bens e o título de nobreza de seu pai - pode continuar suas experiências sobre raiva e loucura, mesmo sem a ajuda de Frankenstein, com consequências imprevisíveis.

E, finalmente, vem a pergunta que não quer calar: Vanessa Ives, realmente, descansa em paz?

É claro que tudo isso, embora possível, é mera especulação, um exercício de imaginação. Penny Dreadful pode realmente ter acabado definitivamente. Mas, como dizem, sonhar é de graça, e os fãs de Penny Dreadful sonham muito com a volta desse incrível seriado com seus personagens maravilhosos. Quem sabe John Logan não pode dar um jeitinho...

Veja aqui um supertrailer com as três temporadas de Penny Dreadful (original em inglês - HD):



Publicado no LinkedIn em 06/07/2016.