Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Filmes Para Ver no Natal


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Atualizado em 21/12/2019

Junto com a Páscoa, o Natal é a maior celebração do Cristianismo e é um dos maiores temas de filmes, seja para o cinema ou a televisão. Panorama do Cinema fez, a seguir, uma seleção de filmes passados durante esse período do ano no qual se comemora o nascimento de Jesus Cristo e aproveita para desejar a todas as suas leitoras e seus leitores um FELIZ NATAL!


A Felicidade Não se Compra (1946)

O jovem e honesto comerciante George Bailey (James Stewart, de Janela Indiscreta) teve seus negócios arruinados por um banqueiro sem escrúpulos (Lionel Barrymore, de Duelo ao Sol), o que prejudicou a si e a sua família. Transtornado por inteiro, na noite da véspera do Natal decide cometer suicídio, mas antes de fazê-lo, um anjo (Henry Travers, de Uma Sombra que Passa) aparece e mostra a ele o que pode acontecer com seus familiares e amigos se cometer esse ato desvairado.
Dirigido por Frank Capra (Do Mundo Nada Se Leva), este é o filme de Natal por excelência. Tornou-se um marco do cinema estadunidense a ponto de sua exibição, seja nas telas do cinema ou da TV, durante a época das festas de final de ano, ter se tornado uma tradição tal qual a ceia e a árvore de Natal. Frank Capra ganhou o Globo de Ouro de Melhor Diretor e o filme teve cinco indicações para o Oscar, entre elas as de Melhor Filme, Diretor e Ator para James Stewart.
A Felicidade Não se Compra foi selecionado para preservação no National Film Registry pela Biblioteca do Congresso dos EUA por ser culturalmente, historicamente e esteticamente significante. As cenas finais tornaram-se clássicas e entraram para a história da Sétima Arte.

Veja o trailer de A Felicidade Não se Compra (original em inglês):



O Natal da Turma da Mônica (1976)


Mônica, Cebolinha, Cascão, Anjinho e o cachorrinho Bidu decidem construir uma chaminé no telhado de casa para que o Papai Noel possa descer com os presentes. Durante a obra muitas confusões acontecem causadas pela turma do bairro do Limoeiro.
Se há um clássico natalino brasileiro é, sem dúvida, este desenho animado de curta-metragem feito pela equipe do desenhista Maurício de Souza. Durante os anos restantes da década de 1970 até o início da década de 1980, era obrigatória a exibição na TV do desenho na véspera do Natal, alguns minutos antes da meia-noite para coincidir com a entrega dos presentes. Sua história simples e bem-humorada conquistou os corações e mentes de uma geração de crianças e adultos e permanece viva na memória coletiva do povo do Brasil.

Veja aqui, na íntegra, O Natal da Turma da Mônica (original em português):




  Santa Claus: A Verdadeira História de Papai Noel (1985)


Noel (David Huddleston, da série Anos Incríveis) sobrevive a uma nevasca, é resgatado pelos duendes – que contam com o inventivo Patch (Dudley Moore, de Arthur, o Milionário Sedutor) – e recebe a missão de, sempre na noite da véspera do Natal, entregar presentes para todas as crianças boazinhas do mundo. Porém, um ganancioso fabricante de brinquedos (John Lightgow, de No Limite da Realidade) pretende substituir Papai Noel nessa missão.
É claro que um filme sobre o Bom Velhinho não poderia faltar nesta seleção. Dirigida pelo irregular diretor francês Jeannot Szwarc (de Em Algum Lugar do Passado), esta produção era tida como um fracasso antes mesmo de fazer sua estreia nas telas. Mas, para a surpresa geral, o filme agradou o público e teve boa bilheteria mesmo com a crítica torcendo o nariz. David Huddleston convence como Papai Noel e as crianças amaram em vê-lo guiar seu trenó puxado pelas renas voadoras (o voo sobre Nova York à noite é bonito), a sua casa e a oficina dirigida pelos duendes localizadas no Polo Norte. E, de quebra, elas ainda vêem Papai Noel virar super-herói!

Veja aqui o trailer oficial de Santa Claus: A Verdadeira História de Papai Noel (original em inglês - HD):



          
Os Fantasmas Contra-Atacam (1988)


O diretor de rede de televisão Frank Cross (Bill Murray, de Os Caça-Fantasmas), é narcisista, egoísta, e não se importa com ninguém, nem mesmo com seu antigo amor, Claire Phillips (Karen Allen, da franquia Indiana Jones). Uma noite, o espírito sofredor de Lew Hayward (John Forsythe, da série de TV Dinastia), seu antigo chefe, aparece e diz a ele que, na noite da véspera de Natal será visitado por três fantasmas: do Natal passado (o cantor David Johansen, da banda de Rock The New York Dolls) do Natal presente (Carol Kane, da série Gotham) e do Natal futuro. Se, após as visitas desses fantasmas, não mudar seu jeito de ser, terá um triste destino.
Essa é uma das muitas adaptações da clássica história escrita pelo autor inglês Charles Dickens (1812-1870), que imortalizou o personagem principal, Ebenezer Scrooge, como o pão-duro insensível que, após a vista dos fantasmas, muda de vida. Aliás, o título do filme em inglês, Scrooged, deriva do nome do velho muquirana. O diretor Richard Donner (franquia Máquina Mortífera), com o auxílio de bons efeitos especiais, inseriu na trama um humor escrachado, bem ao gosto do astro Bill Murray. Não chega a ser uma obra-prima, mas é muito divertido (as cenas nas quais Carol Kane enche a cara de Murray de porrada são hilárias), agradável de se ver e transmite de modo alegre a mensagem de Natal.

Veja aqui o trailer de Os Fantasmas Contra-Atacam (original em inglês – HD):



Batman, o Retorno (1992)


O Cavaleiro das Trevas (Michael Keaton, de Spotlight – Segredos Revelados) continua a defender Gotham City de malfeitores. Desta vez os vilões são o inescrupuloso empresário Max Schreck (Christopher Walken, de O Franco Atirador), o bandido Pinguim (Danny DeVito, de Irmãos Gêmeos) e a ladra sensual Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer, de As Bruxas de Eastwick). Max Schereck quer dominar a cidade e, para isso, apoia a candidatura do Pinguim para prefeito. Este, por sua vez, quer vingança pelo modo como foi tratado na infância. Já a Mulher-Gato, quer ver o circo pegar fogo e ainda tem tempo para um romance com o alter-ego de Batman, Bruce Wayne.
Embora o filme anterior, de 1989, tenha sido um megassucesso, o diretor Tim Burton (O Lar das Crianças Peculiares) não estava nada animado em dirigir uma sequência, mas mudou de opinião ao ver o roteiro, que permitia que desenvolvesse melhor as suas ideias. O filme foi um estouro de bilheteria e, apesar do cenário gótico e sombrio, de um Batman depressivo, um Pinguim grotesco (a maquiagem usada por DeVito o deixava irreconhecível) e uma Mulher-Gato de visual sadomasoquista (que atiçou as fantasias tanto de homens como de mulheres), há clima de Natal do começo ao fim da película com direito a neve, árvore, presentes e os votos de um Feliz Natal do mordomo Alfred (o inglês Michael Gough, de O Vampiro da Noite) a Bruce Wayne ao que este responde com os votos de Boa Vontade aos homens e mulheres.

Veja aqui o trailer de Batman, o Retorno (original em inglês - HD):




Doctor Who – Último Natal (2014)
 

Na véspera do Natal, o Doutor (Peter Capaldi, de Conversa Truncada) chama sua amiga, Clara (Jenna Coleman, de Capitão América: O Primeiro Vingador) para mais uma missão: no Polo Norte, cientistas de uma estação de pesquisa sofrem ataques mentais de alienígenas. Para salvar essas pessoas, o Senhor do Tempo e sua assistente terão a ajuda de ninguém menos que o próprio Papai Noel (Nick Frost, de O Caçador e a Rainha de Gelo)!
Dirigido por Paul Wilmshurst (da série Law & Order), Último Natal é mais um tradicional episódio especial de Natal da não menos tradicional série de TV britânica Doctor Who. Este é o primeiro especial natalino inteiramente protagonizado pelo atual intérprete do Doutor, o ótimo Peter Capaldi, que, primeiramente, apareceu de modo breve no final do especial do ano anterior, estrelado pelo 11º Doutor, Matt Smith (de Orgulho, e Preconceito e Zumbis - veja a crítica aqui). O filme apresenta a costumeira, mas sempre empolgante, aventura científica e a cena na qual o Doutor conduz o trenó de Papai Noel sobre Londres na noite de Natal é, simplesmente, inesquecível.

Veja aqui o trailer de Doctor Who – Último Natal (original em inglês – HD):



Um Gato de Rua Chamado Bob: Os Cantores do Coral (2018)



Dois pequenos cantores de coral tentam chamar a atenção das pessoas com canções de Natal, mas sem sucesso. O gato de rua Bob vai ajudá-los de uma forma inusitada.

Bob tornou-se o gato de rua mais famoso do mundo graças ao comovente livro autobiográfico de seu parceiro inseparável, o músico e escritor James Bowen. O êxito foi tanto que gerou outros livros, um filme para o cinema (veja a crítica aqui) e também desenho animado. 

Em 2018, foi lançada uma webserie (série feita diretamente para a internet) de desenho animado com oito episódios de curta-metragem - média de um minuto - de divertidas aventuras de Bob com seus amigos animais (veja aqui).

Sem diálogos, lembrando as comédias de Mr. Bean e do cinema mudo, o desenho era direcionado inicialmente para criancas pequenas, mas agradou também as crianças maiores e os adultos por seu apelo fácil e divertido, que acharam MIAUravilhoso. 

Veja aqui, na íntegra, o desenho Os Cantores do Coral (sem diálogos - HD):





#PanoramaDoCinema

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Crítica | Orgulho e Preconceito e Zumbis

Poster Promocional de Orgulho e Preconceito e Zumbis


Não querendo ser redundante nem fazer um jogo de palavras, mas já a fazer, a moda dos filmes de zumbis canibais que assolou o cinema nos últimos anos tornou-se uma verdadeira praga. Tendo como sua principal referência o clássico A Noite dos Mortos-Vivos (1968), de George A. Romero (Martin), havia desde bons exemplares como, por exemplo, o remake de Dawn of the Dead (2004), do próprio Romero, dirigido por Zack Snyder (Batman vs Superman); filmes descartáveis como Zumbis na Neve (2009), comédias como Zumbilândia (2009), interessantes minisséries como In The Flesh (2014, na qual a epidemia zumbi é vista como um doença chamada “síndrome do falecimento parcial” e o personagem principal é um zumbi gay!) e a atual série de TV de sucesso The Walking Dead (2010- presente). Isso sem contar as suas variações tais como filmes sobre, vejam só, zumbis estupradores (que gerou a infame piada “comem duas vezes”) e até zumbis mórmons!
Eram tantos zumbis para cá e tantos zumbis para lá que eu, pessoalmente, já não aguentava mais ver e saber de novos filmes do gênero e nem mesmo escutar a palavra.
A literatura também embarcou na “zumbimania”. Foram lançados vários romances tendo o apocalipse zumbi como tema. Os mais conhecidos são Guerra Mundial Z, de Max Brooks, que gerou a superprodução de mesmo nome, em 2013; e Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Seth Grahame-Smith (no Brasil, o livro foi lançado em 2010, pela Editora Intrínseca) no qual se baseia o filme que analisamos neste texto.
Fazendo uma releitura do romance clássico Orgulho e Preconceito da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), Orgulho e Preconceito e Zumbis conta a história de Elizabeth Bennet (a inglesa Lily James, de Cinderela) e suas quatro irmãs: a doce Jane (a australiana Bella Heathcote, de Sombras da Noite), a frívola Lydia (Ellie Bamber, da série de TV Os Mosqueteiros), a infantil Kitty (Suki Waterhouse, de A Série Divergente: Insurgente) e a estudiosa Mary (Millie Brady, de Lendas do Crime). Elas vivem com seus pais, o Sr. e a Sra. Bennet (interpretados, respectivamente por Charles Dance, da série Games of Thrones; e Sally Phillips, de O Diário de Bridget Jones) na propriedade chamada Longbourn.
São membros de uma típica família aristocrática inglesa do século XIX, não fosse o detalhe das irmãs Bennet serem exímias praticantes de artes marciais e no manejo das armas, especialmente Elizabeth, que teve seu treinamento realizado em um templo Shao Lin, na China. Esse treinamento em lutas e armas se deve ao fato da Inglaterra estar sendo assolada por uma praga que transforma as pessoas em zumbis, de modo que as famílias britânicas, principalmente as que moram no interior como os Bennet, devem estar sempre preparadas para enfrentar os impiedoso mortos-vivos.
Como toda a mãe que se preze, a Sra. Bennet deseja muito ver as suas filhas bem casadas, mesmo porque, pelas leis da época, as mulheres não tinham direito a herança, de modo que os bens do patriarca iam para o parente masculino mais próximo que, no caso dos Bennet, era o seu primo pastor, o pedante, afetado e pomposo Sr. Collins (Matt Smith, da série Doctor Who), que não se cansa de bajular sua matrona, a riquíssima e excepcional espadachim Lady Catherine de Bourgh (Lena Headey, de 300).
Um dia, a propriedade de Netherfield, próxima à dos Bennet, é adquirida pelo jovem cavalheiro Charles Bingley (Douglas Booth, da minissérie Grandes Esperanças), que logo se apaixona por Jane. Junto com ele estão a sua irmã, Caroline (a estadunidense Emma Greenwell, da série de TV Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) e seu amigo Fitzwilliam Darcy (Sam Riley, de Control – A História de Ian Curtis), um coronel do exército inglês especializado em exterminar zumbis. Tido como orgulhoso, não é bem visto pela sociedade local, principalmente Elizabeth. Essa antipatia aumenta quando ela conhece o oficial George Wickham (Jack Houston, de Trem Noturno Para Lisboa), que acusa Darcy de prejudicá-lo em sua vida. Ele ganha a simpatia de Elizabeth e conta a ela que tem um plano para que humanos e zumbis possam viver harmoniosamente e em paz.
Orgulho e Preconceito é uma das mais populares obras da literatura mundial. No Reino Unido, é considerada como a segunda obra mais popular, perdendo apenas para a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Recebeu várias adaptações para o teatro, o cinema e a televisão. No Brasil, as versões mais conhecidas são a minissérie da BBC, de 1995, que tem Colin Firth (Kingsman – Serviço Secreto) no papel do Sr. Darcy, em uma brilhante interpretação; enquanto que a outra versão é o filme feito para o cinema, em 2005, com Keira Knightley (franquia Piratas do Caribe), também com uma excepcional atuação como Elizabeth Bennet, tendo sido, inclusive, indicada para o Oscar.
Esse sucesso não é difícil de entender. Jane Austen elaborou muito bem os seus personagens, que são todos bastante humanos, de modo que os leitores tenham os seus favoritos. E, além disso, quem já leu a obra de Austen sabe: parece um roteiro feito especialmente para o cinema com cerca de 100 anos de antecedência, a ponto de os diretores adorarem trabalhar com essa obra, pois quase não têm trabalho de adaptá-la para as telas.
Eu li o livro de Austen, mas, confesso que não li o livro de Grahame-Smith. Porém, ainda assim, é possível perceber que, embora seja uma releitura ao mesmo tempo satírica e trash da obra original, é também uma homenagem respeitosa a autora e sua obra. É possível que, ao lerem isto, os puristas estejam espumando de ódio. Entretanto, ao se ver o filme pode-se perceber que é mesmo assim.
A premissa básica do livro de Grahame-Smith continua a mesma do original de Austen, com a diferença que os zumbis foram acrescentados na história. Quem lê o resumo de Orgulho e Preconceito e Zumbis pode até pensar que colocar os zumbis na trama foi uma ideia de jerico. Porém, ao se assistir o filme, essa mesma trama soa tão original e corre de modo tão fluente a ponto de se achar que foi Austen, e não Grahame-Smith, quem teve a ideia.
O diretor estadunidense Burr Steer é um nome ainda novo em Hollywood – este é apenas o seu quarto filme. É mais conhecido pelos filmes que fez com o então astro juvenil Zac Efron (High School Musical) em filmes como 17 Outra vez e Charlie St. Cloud. Em Orgulho e Preconceito e Zumbis, seu trabalho na direção está excelente, tanto na direção de atores como nas cenas cômicas e de ação. Para mim esse trabalho se destaca mais nas cenas do Sr. Collins – de quem falaremos mais adiante - e, como não poderia deixar de ser, nas cenas entre Elizabeth e o Sr. Darcy. Se continuar com essa pegada, é só uma questão de tempo para Steer ser promovido ao primeiro time hollywoodiano.
A produção de época é precisa, suntuosa e refinada, aliada à ótima fotografia de Remi Adefarasin (Match Point). A trilha sonora do espanhol Fernando Velásquez (O Impossível) consegue construir o clima sofisticado da aristocracia britânica da época.
Porém, o ponto forte de Orgulho e Preconceito e Zumbis, é, sem duvida, o seu elenco. Toda essa produção cara em figurinos, cenários e efeitos especiais não seriam nada se não tivessem atores e atrizes de talento e comprometidos com o trabalho.
Vamos começar com Lily James. Ela comprova que é mesmo uma atriz em rápida ascensão (veja aqui). Ela é bonita, simpática e muito competente. Lily faz uma Elizabeth Bennet tal como os fãs de Jane Austen imaginam: irônica e de forte personalidade e, além disso, uma implacável exterminadora de zumbis! Ela consegue ser tanto romântica quanto engraçada e tudo feito com a maior naturalidade. Ao ver o filme, Natalie Portman (saga Star Wars), que foi a primeira a ser cogitada para o papel, deve estar agora arrependida e chutando o próprio traseiro – mesmo sendo uma das produtoras do filme.
Não seria justo comparar o Sr. Darcy de Sam Riley com o de Colin Firth, mesmo porque este está em um nível bastante acima da maioria dos atores. Ainda assim, Riley não faz feio. Consegue transmitir aquele orgulho impossível de se aguentar tanto para Elizabeth quanto para a plateia. Assim como Lily, Sam faz a sua parte com muita competência.
Mas, para a agradável surpresa de todos, quem “rouba” as cenas sempre que aparece é o atual namorado de Lily James, Matt Smith. Ele tem aquela cara esquisita, aliás, parece um extraterrestre, a ponto de ser considerado um dos melhores intérpretes de Dr. Who. Mas, essa esquisitice não atrapalha a sua performance em Orgulho e Preconceito e Zumbis. Sinceramente, eu achava que, como namorado da estrela do filme, ele seria um coadjuvante de luxo. Felizmente eu me enganei, pois ele está um estouro, engraçadíssimo. Impossível não rir. O Sr. Collins de Matt Smith chega a lembrar de outro engraçado personagem da literatura: o Conselheiro Acácio, do romance O Primo Basílio, de autoria do grande escritor lusitano Eça de Queiróz.
Gostaria de fazer uma menção honrosa ao casal Bennet de Charles Dance e Sally Phillips. Embora no filme tenha menos destaque que o Sr. Collins, tanto no romance quanto nas adaptações feitas anteriormente, o casal Bennet continua um barato! A Sra. Bennet doida para casar as filhas com um bom partido, enquanto o Sr. Bennet ironiza o comportamento da esposa. A cena na qual, após Elizabeth recusar o pedido de casamento do Sr. Collins, a Sra. Bennet, aos berros, exige que o Sr. Bennet faça a filha mudar de ideia é uma das melhores do filme.
O ótimo Jack Houston mostrou que o seu George Wickham, além de um fingido, e um vilão de primeiríssima linha, a ponto de ter um grande destaque ao final do filme. O neto de John Houston (O Tesouro de Sierra Madre) e sobrinho de Anjelica Houston (Os Imorais) não dá mesmo ponto sem nó.
O Sr. Bingley e Jane Bennet fazem aquilo que se espera deles: serem um dos pares românticos do filme. Douglas Booth e Bella Heathcote formam um casal bonito e suas performances não comprometem.
Em um artigo anterior, eu disse que Orgulho e Preconceito e Zumbis era candidato a ser um dos filmes que poderiam surpreender em 2016 (veja aqui). Ele é isso e mais: é emocionante, engraçado e muito divertido, no qual os astros são os humanos ao invés dos zumbis. Quem for assistir, não vai se arrepender e ainda é capaz de querer voltar à sala de projeção para assistir novamente.

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Pride & Prejudice & Zombies
  • Direção: Burr Sterr
  • Elenco: Lily James (Elizabeth Bennet), Sam Riley (Sr. Darcy), Matt Smith (Sr. Collins), Jack Houston (George Wickham), Douglas Booth (Sr. Bingley), Bella Heathcote (Jane Bennet), Charles Dance (Sr. Bennet), Sally Phillips (Sra. Bennet), Lena Headey (Lady Catherine de Bourgh)
  • Música: Fernando Velásquez
  • Fotografia: Remi Adefarasin

RESUMO DO FILME
Elizabeth Bennet é uma jovem bela e exímia praticante de artes marciais e no manejo de armas. Quando uma praga começa a transformar as pessoas em zumbis canibais, Elizabeth terá que usar todas as suas habilidades para combater esse mal em companhia do orgulhoso Sr. Darcy.

COTAÇÃO
Excelente. 

Veja aqui o trailer oficial de Orgulho e Preconceito e Zumbis (Legendado - HD):


Publicado no Observatório do Cinema e no LinkedIn em 24/02/2016.