Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os Filmes Favoritos de Woody Allen (dirigidos por ele)


O cineasta estadunidense Woody Allen (Café Society) além de ser um dos maiores gênios do cinema em todos os tempos, é também muito prolífico em suas atividades tais como em shows stand-up, música (é considerado um clarinetista talentoso), escritor e, claro, diretor de filmes, com uma média de um por ano. Seu filme mais recente é Roda Gigante, lançado em 2017 (veja a crítica aqui) e já prepara o próximo, a ser lançado em 2018, e que se chamará Um Dia Chuvoso em Nova York com Timothée Chamalet (Me Chame Pelo Seu Nome), Selena Gomez (Vizinhos 2), Jude Law (Sherlock Holmes e o Jogo de Sombras) e Diego Luna (Rogue One. Veja a crítica aqui) no elenco.

Para alguns cineastas perguntar qual dos filmes que fez é o seu favorito é quase como perguntar qual dos filhos prefere, mas, para Woody, isso não parece ser problema. A primeira vez que o vi responder a essa pergunta foi no saudoso programa de entrevistas Conexão Internacional, da extinta Rede Manchete e apresentado pelo jornalista Roberto D'Ávila. Na ocasião, ele respondeu que, dos filmes que realizou, o seu favorito era Memórias (1980).

Confesso que, ao ouvir a resposta, fiquei surpreso, pois achava que ele iria dizer Manhattan (1979), devido ao amor que sentia - e ainda sente - pela cidade de Nova York; ou Interiores (1978), pela sua veneração ao grande cineasta sueco Ingmar Bergman (Fanny & Alexander). Muitos dos fãs e críticos de cinema tiveram a mesma sensação e chegaram a questionar a escolha de Woody.

Com o passar do tempo, o diretor acrescentou outros filmes à lista e Panorama do Cinema irá apresentar ao seus leitores cada um desses filmes dirigidos pelo grande Woody Allen e que são os seus favoritos: 

Memórias (1980)


Sandy Bates (Allen) é um cineasta e comediante que passa por uma crise emocional devido a morte de um amigo e pelo relacionamento complicado com a depressiva atriz Dorrie (a inglesa Charlotte Hampling, de Trem Noturno Para Lisboa). Essa crise é refletida em seu último filme transformado de comédia para um drama existencial. Sandy vai até um hotel no litoral chamado Stardust onde está sendo realizado um festival com seus antigos filmes. Lá conhece a jovem violinista Daisy (Jéssica Harper, de Minority Report - A Nova Lei). O assédio dos fãs o faz chamar a atriz Isobel (a francesa Marie-Christine Barrault, de Jesus de Montreal) para juntar-se a ele. Porém, as memórias de sua vida não o abandonam.

Segundo de uma série de cinco filmes feitos em preto e branco (os outros são Manhattan, Zelig, Broadway Danny Rose e Neblina e Sombras) e filmado em várias localidades do estado de Nova Jersey, foi considerado um filme autobiográfico de Allen, o que ele sempre negou. Afirmou que a inspiração veio do clássico neorrealista , do cineasta italiano Federico Fellini (Ensaio de Orquestra). 

O filme dividiu crítica e público e foi contestado pelos mesmos quando Woody o elegeu como um dos seus favoritos. Curiosamente, outro de seus filmes, que possui uma premissa semelhante, Desconstruindo Harry (1997), foi aclamado pelos mesmos críticos e público. 

O filme marcou a estreia no cinema da musa Sharon Stone (Instinto Selvagem) e tem uma ponta de Brent Spiner (série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração) como um espectador na sala de exibição. E, de quebra, tem a música Aquarela do Brasil, do compositor Ary Barroso, na trilha sonora! 

Veja o trailer de Memórias (original em inglês):




Zelig (1983)


Leonard Zelig (Allen) é um homem desinteressante, mas tem a estranha capacidade de ter a sua aparência transformada nas das pessoas que o cercam: se a pessoa é gorda, ele fica gordo, se é negra, ele fica negro, e assim por diante. Fica conhecido como "O Camaleão Humano". Quando Zelig é internado no hospital, a psiquiatra Dra. Eudora Fletcher (a então compannheira de Allen, Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary) quer ajudá-lo com seu estranho transtorno e, com o passar do tempo, apaixona-se por ele.

Terceiro dos filmes de Allen em preto e branco e filmado como um pseudodocumentário das décadas de 1920 e 1930, com cenas da época, Zelig foi aclamado pela crítica. Com a ajuda de efeitos especiais feitos em Chroma Key (o famoso "fundo verde"), pôde incluir no filme a aparição de personalidades desse tempo como o aviador Charles Lindbergh, o gangster Al Capone, a atriz Marion Davis (Desde os Tempos de Eva), o ator e cineasta Charles Chaplin (Tempos Modernos), a cantora e dançarina Josephine Baker, o ator James Cagney (Fúria Sanguinária), o ditador tresloucado Adolf Hitler e o Papa Pio XI.

Zelig recebeu duas indicações para o Oscar (fotografia e figurino) e para o Globo de Ouro (filme e ator para Allen, ambos na categoria comédia ou musical) e conquistou o prêmio Leão de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Veneza.

 Veja aqui o trailer de Zelig (original em inglês):




A Rosa Púrpura do Cairo (1985)


Durante o período da Grande Depressão Econômica, em 1935, Cecilia (Mia Farrow), uma pobre e desastrada garçonete tem por hábito ir ao cinema para escapar da rotina de sua vida triste, que inclui o casamento com o abusivo Monk (Danny Aiello, de Faça a Coisa Certa). Quando Cecilia flagra Monk com outra mulher, abandona o marido e vai ao cinema onde assiste a várias sessões de um filme chamado "A Rosa Púrpura do Cairo". Um dos personagens, Tom Baxter (Jeff Daniels, da franquia Debi & Lóide) ao reparar em Cecilia, sai do filme para encontrá-la.

Também feito em Nova Jersey, A Rosa Púrpura do Cairo foi outro filme aclamado por crítica e público. Allen chegou a fazer algumas cenas como Tom Baxter, mas não gostou do resultado e chamou Jeff Daniels para o papel, que acabou por ser uma decisão acertada.  
A Rosa Púrpura do Cairo foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e foi premiado nessa categoria no Globo de Ouro e no BAFTA (o Oscar britânico), no qual também conquistou o prêmio de Melhor Filme. Ainda conquistou o prêmio FIPRESCI, do Festival de Cannes e o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Prêmio César (o Oscar francês).

Uma curiosidade: este filme de Woody Allen inspirou um filme de Arnold Schwarzenegger (franquia O Exterminador do Futuro), O Último Grande Herói (1993), dirigido por John McTiernan (franquia Duro de Matar) e com uma premissa bastante semelhante ao filme de Allen.

Veja o trailer de A Rosa Púrpura do Cairo (original em inglês):



Maridos e Esposas (1992)



Maridos e Esposas conta a história de dois casais: Gabe (Allen) e Judy (Farrow) e Jack (o cineasta e ator Sydney Pollack, de Tootsie) e Sally (a australiana Judy Davis, de Maria Antonieta). Uma noite, Jack e Sally vão à casa de Gabe e Judy e contam a eles que estão se separando, o que choca os anfitriões. Jack começa a namorar uma jovem instrutora de ginástica aeróbica (a inglesa Lysette Anthony, de Drácula: Morto, Mas Feliz), o que gera ciúmes em Sally. Sally apresenta Judy ao seu colega de escritório, Michael (o norte-irlandês Liam Neeson, de O Passageiro). Ele e Judy tem um breve relacionamento. Gabe começa um relacionamento com a estudante Rain (Juliette Lewis, de Álbum de Família), enquanto Jack fica sabendo que Sally tem um novo relacionamento e descobre que é com Michael.

Outro filme consagrado pela crítica, embora, na época em que foi lançado, eu não tenha gostado muito. Mas, como não assisti novamente, pode ser que, ao faze-lo, reveja a minha opinião. Allen usou uma técnica de câmera que se movimenta todo o tempo, como em uma transmissão ao vivo, técnica essa que repetiria no seu filme seguinte, Misterioso Assassinato em Manhattan (1993).

Maridos e Esposas foi indicado para dois Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante (Judy Davis) e roteiro original que foi premiado nessa mesma categoria no BAFTA. Judy Davis também recebeu uma indicação no Globo de Ouro e conquistou vários prêmios com esse seu trabalho, dentre estes o National Board of Review. Além disso, tornou-se uma das musas de Allen, tendo aparecido ainda nos filmes Simplesmente Alice (1990), Desconstruindo Harry (1997) e Para Roma, Com Amor (2012).

Veja aqui o trailer de Maridos e Esposas (legendado):



Match Point (2005)


Chris Wilton (o irlandês Jonathan Rhys Meyers, de London Town) é um tenista profissional que, recentemente, encerrou sua carreira e arruma um emprego como instrutor de tênis em um luxuoso clube de Londres. Lá conhece o jovem milionário Tom Hewett (o inglês Matthew Goode, de Watchmen), que apresenta-lhe a sua irmã, Chloe (a inglesa Emily Mortimer, de A Invenção de Hugo Cabret). Ela e Chris começam um namoro.

Um dia, Chris vai a uma festa na casa de Tom e lá conhece a noiva dele, Nola Rice (a estadunidense Scarlett Johansson, da franquia Os Vingadores). Chris e Nola iniciam um caso, que continua mesmo depois dele ter se casado com Chloe. E quando Nola diz-lhe que está grávida, ele vê ameaçado seu casamento e seu interesse na fortuna da família e decide matar a amante.

Para variar, mais uma aclamação de crítica e público. Neste filme, que é um de seus raros dramas, é contada uma história sobre como a sorte pode interferir no destino e que leva à pergunta: O homem pode controlar esse mesmo destino?

Em Match Point, Allen inspirou-se no romance clássico Crime e Castigo, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Woody é tão fascinado por esse livro que, novamente, o usou como inspiração para um de seus filmes mais recentes, Homem Irracional (2015, veja a crítica aqui).

Ao contrário da maior parte de seus filmes, que tem música jazz em sua trilha sonora, em Match Point a trilha é de música clássica, o que aumentou a dramaticidade do enredo.

Match Point foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original; no Globo de Ouro foi indicado nessa mesma categoria e também para filme, diretor e atriz coadjuvante (Scarlett Johansson). Conquistou o prêmio de Melhor Filme Europeu (o filme foi produzido no Reino Unido) nos Prêmios David di Donatello (Itália) e Goya (Espanha). 

Scarlett Johansson tornou-se outra musa de Woody Allen, aparecendo novamente nos filmes Scoop: O Grande Furo (2006) e Vicky Cristina Barcelona (2008). 

Veja o trailer de Match Point (legendado):


Publicado no LinkedIn em 22/02/2018.

Terror Exorcismos e Demônios lança trailer oficial

Foi lançado o trailer oficial do filme de terror Exorcismos e Demônios. A película é baseada na história real, ocorrida em 2005, do Exorcismo de Tanacu. 

Tanacu é uma pequena comunidade com cerca de 6.000 habitantes localizada no interior da Romênia onde uma freira da Igreja Ortodoxa Romena que, alegadamente, sofria de doenças mentais, foi submetida a um exorcismo por um padre e quatro freiras e morreu durante o ritual. O padre e as freiras foram julgados e condenados à prisão por assassinato.

Exorcismos e Demônios é dirigido pelo francês Xavier Gens (Hitman: Assassino 47) e estrelado pela inglesa Sophie Cookson (franquia Kingsman).

A estreia de Exorcismos e Demônios está prevista para o próximo dia 3 de maio.

Veja abaixo o trailer oficial de Exorcismos e Demônios (legendado - HD):



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Cuba realizará seu filme mais ambicioso


Desde o triunfo da Revolução Socialista liderada por Fidel Castro (1926-2016), em 1959, o cinema de Cuba vem se destacando com filmes de qualidade, dentre os quais podemos destacar Memórias do Subdesenvolvimento (1968), Morango e Chocolate (1993) e Papá: Hemingway em Cuba (2015), a primeira produção de Hollywood realizada na Ilha Comunista em muitos anos (veja a matéria aqui). 

O cineasta e documentarista cubano Rigoberto López (de Roble de Olor), em entrevista ao canal de notícias Telesur, disse que, neste mês de fevereiro, começarão as filmagens de uma produção do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC), para a qual foi convidado a dirigir, e que chamará El Mayor.

El Mayor será a história de um militar cubano chamado Ignacio Agramonte y Loináz (1841-1873), mais conhecido como El Mayor General Ignacio Agramonte ("El Mayor" é um título honorífico), brilhante estrategista e herói da Guerra dos Dez Anos, na qual Cuba lutou pela sua independência contra a Espanha. 

O filme contará a história de Agramonte desde a sua infância até sua morte, em uma emboscada, com apenas 32 anos de idade incompletos. Segundo López, "Apenas serão ficcionados alguns elementos da história, que não alterarão a realidade".

López contou que El Mayor "É uma iniciativa que surgiu há muitos anos e que foi proposta pelo [então] General de Exército Raúl Castro". E acrescentou que o filme terá um duração de cerca de duas horas e as filmagens levarão por volta de quatro meses. E garante: "Este é o projeto cinematográfico mais ambicioso dos últimos 30 anos em Cuba".

Rigoberto López é um dos mais destacados profissionais de cinema em Cuba na atualidade. Seu filme mais recente chama-se Vuelos Prohibidos (Voos Proibidos, em espanhol), lançado em 2015, que conta a história de amor entre um cubano e uma francesa e que foi bem recebido pela crítica. 

Enquanto El Mayor não chega, vamos curtir o trailer de Vuelos Prohibidos (original em espanhol):



Publicado no LinkedIn em 08/02/2018.

PANORAMA DO CINEMA FAZ O SEU SEGUNDO ANIVERSÁRIO!!!!

É com grande alegria que Panorama do Cinema comemora o seu segundo aniversário!! Nascido do sonho e da paixão de um modesto cinéfilo e crítico de cinema pela Sétima Arte, desde a sua primeira postagem, neste espaço igualmente modesto, venho esforçando-me ao máximo - sempre dentro de meu alcance e possibilidades - para dar aos meus leitores e leitoras os melhores textos, matérias, críticas de filmes e assuntos relacionados ao cinema. E ainda virão novidades como, por exemplo, o nosso futuro site.

Mas Panorama do Cinema não teria chegado ao seus dois anos de vida e, até o momento em que este texto foi escrito, mais de 56.700 visualizações, se não fossem por vocês, amigas e amigos cinéfilos, que desde o dia 6 de fevereiro de 2016, vem nos dando seu apoio irrestrito. É a todos vocês que dedico este alegre dia.

Como puderam ver acima, já temos o bolo de aniversário, mas não seria completo sem os tradicionais presente e canção "Parabéns a Você". E o presente quem ganha são vocês! Abaixo, está o vídeo do making of do filme A Chorona, que realizei em outubro de 2017 durante a Oficina de Produção de Filmes curtos Para a Internet, no SESC Carmo (São Paulo-SP) e sobre a qual falarei em uma futura matéria. Enquanto isso, curtam o seu presente:



E, para cantar o "Parabéns a Você", está ninguém menos que a diva Marilyn Monroe (Quanto Mais Quente Melhor). "Mas, ela cantou para o presidente John Kennedy (1917-1963)", dirá alguém. Verdade, mas eu, sinceramente, acredito, que eles não se importariam, pois, além do vídeo ser postado para celebrar o aniversário de Panorama do Cinema, é também uma homenagem a ambos:


Publicado no LinkedIn em 08/08/2018.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dica de Cinema | Dias de Cinema Esloveno na Cinamateca Brasileira


Panorama do Cinema apresenta mais uma Dica de Cinema, nossa sugestão para assistir bons filmes a bons preços.

A nossa dica de hoje vai para a mostra Dias de Cinema Esloveno, organizada pela Embaixada da Eslovênia, o Ministério da Cultura da República da Eslovênia, o Centro Esloveno de Filmes e a Cinemateca Brasileira. Serão apresentados, de 08/02/2018 até 18/02/2018, sete filmes produzidos no país na última década. Dentre estes destaca-se Fazemos da Nossa Maneira (Gremo mi po svoje, 2010), que foi assistido por 10% da população e tornou-se o maior sucesso da história da ex-república da Iugoslávia. 

A seguir, as datas e horários de exibição dos filmes - todos na sala BNDES e com entrada franca:

  • Fazemos da Nossa Maneira (2010): 08/02, às 20 hrs e 17/02 às 19 hrs;
  • Pânico (2013): 08/02, às 19hrs e 18/02, às 20 hrs;
  • Siska Deluxe (2015): 09/02, às 21 hrs e 15/02, às 20 hrs;
  • Feliz Para Morrer (2013): 10/02, às 19 hrs e 16/02, às 19 hrs;
  • Uma Viagem (2011): 10/02, às 21 hrs e 18/02, às 18 hrs;
  • Circus Fantasticus (2010): 11/02, às 18 hrs e 17/02, às 21 hrs;
  • Inimigo da Turma (2014): 11/02, às 20 hrs e 16/02; às 21 hrs.

A Cinemateca Brasileira fica no Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino, São Paulo - SP. Telefone: (11) 3512-6111 (é sempre recomendado ligar antes para confirmar datas e horários).

Veja aqui o trailer oficial de Fazemos da Nossa Maneira (original em esloveno - HD):


Site oficial da Cinemateca Brasileira: http://cinemateca.gov.br. 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Crítica - Jumanji: Bem-Vindo à Selva | Um vídeo game ao ritmo de Guns 'n'Roses


É sabido que livros, sejam clássicos da literatura ou best-sellers, são uma fonte inesgotável para filmes do cinema. Podemos citar como exemplo dois grandes sucessos que foram adaptados de livros: o clássico ...E o Vento Levou (1939), do romance de autoria de Margaret Mitchell (1900-1949); e, mais recentemente, Entrevista Com o Vampiro (1994), de Anne Rice. No Brasil, pode-se citar Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), da obra do grande Jorge Amado (1912-2001); e O Xangô de Baker Street (2001), do livro do Entertainer Jô Soares.

Assim como a literatura adulta, a literatura infanto-juvenil também é uma grande fonte para os estúdios de cinema, principalmente para desenhos animados, mas também para filmes "live action". Como exemplos podemos citar os filmes brasileiros O Saci (1951), baseado na obra homônima de Monteiro Lobato (1882-1948); e O Escaravelho do Diabo (2016), da escritora Lúcia Machado de Almeida (1910-2005). Já entre os estrangeiros, há A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971, que teve um remake em 2005 feito por Tim Burton), do autor britânico Roald Dahl (1916-1990); A História Sem Fim (1984), do alemão Michael Ende (1929-1995); e Jumanji (1995), do estadunidense Chris Van Allsburg, que é a obra literária na qual esta obra cinematográfica se baseia.

Um homem encontra na praia o jogo Jumanji e o dá de presente para seu filho adolescente, que acha jogos de tabuleiros chatos, pois gosta mesmo é de vídeo games. De repente, aparece um cartucho de vídeo game também chamado Jumanji. O garoto coloca o cartucho no console e algo incrível acontece.

Vinte anos depois, quatro adolescentes chamados Spencer (Alex Wolff, de O Dia do Atentando), Fridge (Ser'Darius Blain, de Além da Escuridão - Star Trek), Bethany (Madison Iseman, da série de TV Harry Danger) e Martha (Morgan Turner, de Sem Fôlego) cumprem castigo escolar por delitos diversos limpando uma velha sala de sua escola. 

Durante a limpeza, encontram um velho vídeo game chamado Jumanji e decidem jogar. Cada um escolhe o seu personagem e quando o jogo se inicia, todos são transportados para dentro do video game assumindo a aparência dos personagens que escolheram: Spencer torna-se o Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson, de O Escorpião Rei), Fridge torna-se Moose Fibar (Kevin Hart, de Policial em Apuros), Bethany torna-se o Professor Shelly Oberon (Jack Black, de Escola de Rock) e Marta torna-se Ruby Roundhouse (a escocesa Karen Gillan, da franquia Guardiões da Galáxia).

Ao assumirem as aparências de seus personagens, também assumem as suas habilidades, que devem usá-las para chegarem ao final do jogo e voltarem para casa. Mas, para isso, correrão muitos perigos.

A primeira adaptação de Jumanji, lançada em 1995, dirigida por Joe Johnston (de Capitão América, o Primeiro Vingador) e estrelada por Robin Williams (O Homem Bicentenário) foi recebido com frieza pela crítica, mas foi sucesso de bilheteria, gerou uma série de desenho animado que durou três temporadas e muitos achavam que logo viria uma sequência. De fato, ela veio, mas levou muito mais tempo do que se imaginava e, até o momento em que esse texto foi escrito, por motivos não muito claros.

Mas a espera valeu a pena. Jumanji: Bem-Vindo à Selva surpreendeu a crítica que, desta vez, fez elogios calorosos, o público novamente correspondeu, e se tornou o sucesso-surpresa da temporada. Um dos motivos é por ser uma sequência que pode ser vista sem ter obrigatoriamente ter visto o primeiro filme embora haja uma menção que liga um ao outro e que, ao mesmo tempo homenageia o falecido e saudoso Robin Williams.

O ritmo do filme é ótimo, não dando nenhuma chance para a monotonia. É mesmo um clima de vídeo game com fases (uma mais difícil que a outra), personagens com poderes e/ou habilidades  próprias ajudando-se uns aos outros e "vidas" de cada um desses mesmos personagens que devem ser preservadas para poder chegar ao final do jogo. 

Aliás, quando os personagens perdem a "vida"e ganham outra, são das cenas mais engraçadas do filme. Mas, os pais não precisam se preocupar, pois as cenas de violência são como as de um desenho animado - e, no caso de Jumanji, de vídeo game.

Filho do também diretor Lawrence Kasdan (Silverado), Jake Kasdan (A Vida é Dura: A História de Dewey Cox) é um diretor competente e, em Jumanji: Bem-Vindo à Selva, recupera-se de seus dois filmes anteriores que foram mal tanto de público quanto de crítica: Professora Sem Classe (2011) e Sex Tape: Perdido na Nuvem (2014). Aqui, mostra sua competência tanto na direção de atores quanto nas cenas de ação e humor, bem mescladas e movimentadas.

Dwayne Johnson mostra a cada filme que faz que não é apenas um cara musculoso, mas também um bom ator! Sabe ser dinâmico, convincente e engraçado, o que o põe em um patamar acima dos outros astros de filmes de ação.

Jack Black confirma ser um dos melhores comediantes da atualidade, e também muito simpático. O seu personagem, Shelly Oberon, é muito bem montado, com trejeitos afeminados que parecem gays, mas que, na verdade, são de uma garota namoradeira dentro de um corpo masculino e, que ainda assim, atingem um vasto público de gêneros diferentes.

Em contrapartida, não gostei do personagem de Kevin Hart: presunçoso, reclamão, antipático e com pouca graça. Não é propriamente culpa de Kevin e, sim, mais dos roteiristas que o criaram.

Karen Gillan é bonita, boa atriz e igualmente tem um personagem bem construído: o da menina tímida que vai se soltando aos poucos, tanto que tem algumas das melhores cenas de luta do filme.

O elenco adolescente (Alex Woff, Ser'Darius Blain, Madison Iseman e Morgan Turner) é igualmente simpático e bem escolhido. Embora sejam de personalidades clichês - o nerd, o atleta, a gostosa, a envergonhada - são também bem interpretados. Já o cantor Nick Jonas (do grupo Jonas Brothers) é meio "sem sal". Poderiam ter escolhido alguém melhor.

Com exceção dos personagens de Kevin e Nick, o roteiro escrito a oito mãos por Chris McKeena (Homem-Aranha: De Volta ao Lar), Scott Rosemberg (Canguru Jack), Jeff Pinkner (A Torre Negra) e Erik Sommers (série American Dad), consegue ser fiel ao do primeiro filme e até o supera.

A trilha sonora de Henry Jackman (Kong: A Ilha da Caveira), que substituiu de última hora a James Newton Howard (franquia Jogos Vorazes), consegue dar o clima "de selva" ao filme, que foi quase todo feito no Havaí e cujas lindas paisagens foram muito bem fotografadas por Gyula Pados (franquia Maze Runner).

Jumanji: Bem-Vindo à Selva é uma agradável surpresa, tendo se tornado a segunda maior bilheteria do ano (perdendo apenas para Star Wars: Os Últimos Jedi) com toda a justiça. Quem for assistir não vai se arrepender e se divertirá muito. E como diz a letra a música da banda de Hard Rock Guns 'n' Roses, Welcome to The Jungle, que inspirou o título do filme:


Welcome to the jungle! We've got fun and games!
(Bem-vindo à selva! Temos diversões e jogos!)

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Jumanji: Welcome to The Jungle
  • Direção: Jake Kasdan
  • Elenco: Dwayne Johnson (Dr. Smolder Bravestone / Spencer ), Kevin Hart (Moose Finbar / Fridge), Jack Black (Professor Shelly Oberon / Bethany), Karen Gillan (Ruby Roundhouse / Martha), Alex Wolff (Spencer), Ser'Darius Blain (Fridge), Madison Iseman (Bethany), Morgan Turner (Martha), Nick Jonas (Alex)
  • Roteiro: Chris McKeena, Erik Sommers, Scott Rosemberg, Jeff Pinkner
  • Música: Henry Jackman
  • Fotografia: Gyula Pados
  • Duração: 119 minutos
  • Ano: 2017
  • Lançamento comercial no Brasil: 04/01/2018

          RESUMO DO FILME

Quatro adolescentes descobrem um velho vídeo game chamado Jumanji. Ao começarem a jogar, são transportados para dentro do jogo e para sair, devem percorrer todas as fases desse mesmo jogo.
COTAÇAO
⭐⭐⭐⭐

Veja aqui o trailer oficial de Jumanji: Bem-Vindo à Selva (dublado - HD):



Veja aqui o trailer oficial de Jumanji (original em inglês - HD):



Publicado no LinkedIn e no AdoroCinema em 01/02/2018.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Crítica - Star Wars: Os Últimos Jedi | Da guerra de classes ao canto final de um pássaro


Esta é uma história para lá de conhecida, mesmo por quem não é cinéfilo ou nerd ou ambos, mas sempre vale a pena recordar: Há pouco mais de 40 anos, quando um jovem cineasta com apenas dois filmes em seu currículo veio até os produtores de cinema com uma ideia maluca para um filme de ficção-científica, ninguém levou-o a sério e vários estúdios bateram-lhe a porta na cara. 

O estúdio 20th Century Fox acabou por concordar em bancar essa ideia, mas, desconfiado com o roteiro (filmes de ficção-científica estavam por baixo na época), agiu como se dissesse "Não me envolva nisso, por favor". Seu desejo foi satisfeito, mas em troca, o cineasta pediu para ficar com os direitos autorais da obra, incluindo o merchandising - camisetas, brinquedos, HQs, etc. O estúdio concordou, pois não levava muita fé no projeto, embora tivesse esperança de, pelo menos, recuperar o investimento.

O jovem cineasta era George Lucas e o projeto maluco que estava a realizar era Star Wars, que, não só recuperou o dinheiro investido, como conquistou sete Oscars; tornou-se, na ocasião, o filme de maior bilheteria de todos os tempos e, com os direitos de autor adquiridos em seu nome, o diretor principiante tornou-se um milionário. Com Star Wars, Lucas consolidou a era dos "Blockbusters" ("Arrasa-Quarteirões", os filmes campeões de bilheteria), transformou-se em gênio do cinema, produtor de sucesso e guru geek. Muito do que se faz na indústria do cinema hoje em dia está ligado, direta ou indiretamente, a esse filme.

A saga que esse diretor imaginativo criou sobre os cavaleiros Jedi, os Sith e o clã Skywalker ultrapassou as fronteiras do cinema, dos estudos acadêmicos e hoje faz parte da cultura mundial. Não existe uma pessoa neste planeta que já não tenha ouvido falar sobre algum dos filmes e seus personagens. Pouquíssimos trabalhos tiveram uma influência tão grande a um nível tão amplo. Por isso, nada mais adequado que, no ano no qual se comemorava os 40 anos do lançamento dessa película genial, fosse lançado mais um episódio da odisséia ocorrida há muito tempo atrás em uma galáxia muito, muito distante, Star Wars: Os Últimos Jedi

A tirânica Primeira Ordem encontra o planeta onde estão escondidos os integrantes da Resistência liderados pela General Leia Organa (a estadunidense Carrie Fischer, de Loverboy - Garoto de Programa) e lança-se ao ataque. Um contra-ataque liderado pelo Comandante Poe Dameron (o guatemalteco Oscar Isaac, de Ex Machina: Instinto Artificial) é bem sucedido, mas a um preço muito alto, o que faz com que seja rebaixado pela General Organa.

O Líder Supremo Snolke (o inglês Andy Serkis, da saga O Senhor dos Anéis), castiga o General Hux (o irlandês Domhnall Gleeson, da franquia Harry Potter) por ter deixado os resistentes fugir, mas o oficial usou um rastreador para seguir as naves e a perseguição começa. Kylo Ren (o estadunidense Adam Driver, de Paterson), lidera um novo ataque, mas hesita em atirar na nave onde está sua mãe, Leia. Caças da Primeira Ordem atiram e a nave explode. Graças à Força, Leia consegue sobreviver, mas fica muito ferida. A Vice-Almirante Amilyn Holdo (a também estadunidense Laura Dern, de Coração Selvagem) assume o comando e ordena a fuga em naves de escape, o que contraria Poe.

Poe e Finn (o inglês John Boyega, de Detroit em Rebelião) consultam Maz Kanata (a queniana Lupita Nyong'o, de Doze Anos de Escravidão) para saber se há alguém que possa quebrar o código do rastreador da Primeira Ordem. Maz diz que há um na cidade de Canto Bight. Finn, o dróide BB-8 e a mecânica Rose Tico (a estadunidense Kelly Marie Tran, de XOXO: A Vida é Uma Festa) vão até Canto Bight, são presos e, na cadeia, encontram o vigarista DJ (o porto-riquenho Benicio de Toro, de Che) que afirma saber como quebrar o código.

Rey (a inglesa Daisy Ridley, de Assassinato no Expresso do Oriente) chega à ilha do isolado planeta Ahch-To e lá encontra o Mestre Jedi Luke Skywalker (o estadunidense Mark Hamill, de Kingsman - Serviço Secreto). Rey pede a Luke para juntar-se à Resistência contra a Primeira Ordem. Mesmo após Rey contar-lhe sobre o assassinato de Han Solo por Kylo Ren, Luke, ainda assim, recusa o pedido da moça. Porém, ao perceber como a Força é grande nela, decide ministrar-lhe o treinamento Jedi.

Ao ler-se o resumo da trama acima, a impressão que passa é a de um filme comprido. A impressão é correta, aliás este é o mais longo de toda a saga. Mas, Star Wars: Os Últimos Jedi flui tão bem na tela que não se sente o tempo passar, mesmo com tantas tramas paralelas.

A saga sempre criticou, seja de modo aberto ou sutil, a ordem estabelecida, as ditaduras, o imperialismo, a corrupção e o sistema capitalista que geram problemas como intolerância, preconceito, racismo e xenofobia e levam os seus personagens não apenas a uma batalha do Bem contra o Mal, mas a uma verdadeira guerra de classes. Basta lembrar da cena na qual a Capitã Phasma (a inglesa Gwendoline Christie, de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus) chama Finn de "escória rebelde". 

Em pleno século XXI, o mundo - e, em particular, o Brasil - está novamente às voltas com o trabalho escravo e Star Wars: Os Últimos Jedi não deixa de criticar essa prática odiosa (o que já havia sido feito no Episódio I) mostrando os escravos, a maioria meninos e meninas, de Canto Bight, uma cidade-cassino frequentada por "coxinhas do espaço" e bandidos de todo o tipo, inteiramente corrompida e decadente que disfarça essa corrupção e decadência com um manto de luxo feito com o suor e o sangue dessas crianças escravizadas e com o dinheiro da jogatina. E, ainda assim, consegue seduzir os tolos com a miragem da riqueza.

Como é de praxe, acompanhando o sucesso, vem as polêmicas e a saga Star Wars as têm, em particular as de cunho religioso como o esoterismo da Força, o nascimento de Anakin Skywalker sem a presença física de um pai, o que fez muitos seguidores de crenças diversas - principalmente os fundamentalistas - protestarem; e a semelhança do personagem Chirrut Imwe, de Rough One - Uma História Star Wars, com a figura bíblica Nicodemos (veja a crítica do filme aqui).

Em Star Wars: O Último Jedi, o Mestre Jedi Luke Skywalker juntou doze discípulos para ensinar-lhes o caminho da Força. Dentre esses discípulos estava Ben Solo, que traiu seu mestre indo para o lado negro e tornou-se Kylo Ren. Um mestre, doze discípulos e um traidor entre eles? Soa familiar...

Porém, Star Wars: O Último Jedi não é apenas denúncia e polêmica, também é diversão no mais alto nível com suas cenas de ação, humor  harmoniosamente intercaladas e entrosadas com as de comoção e romance, o que mostra que a decisão de chamar o cineasta estadunidense Rian Johnson (de Looper: Assassinos do Futuro)  para dirigir o filme foi acertadíssima. Rian conduz a direção com maestria, sendo fiel ao que foi feito nos anos anteriores e colocando, também, seu toque pessoal (é o autor do roteiro). Foi um trabalho tão bem feito que fica difícil escolher um momento marcante entre tantos que a película tem.


Mark Hamill e Carrie Fischer em foto de Annie Leibovitz

George Lucas baseou a sua obra, desde o primeiro filme, na leitura do livro O Herói de Mil Faces, do professor universitário e mitologista (especialista em mitos) Joseph Campbell (1904-1987). Foi nesse livro que Lucas descobriu o conceito do "Monomito", também conhecido como "Jornada do Herói", que pode ser resumido assim: o herói vive tranquilamente em seu mundo quando lhe é dada uma missão. A princípio, ele reluta - ou mesmo recusa - em assumir essa responsabilidade, pois não quer abandonar sua zona de conforto. Porém, ao encontrar um mentor, ele atende ao chamado. Em sua jornada, encontra aliados e enfrenta testes, provações, inimigos e até mesmo a morte, mas, após passar por grandes sofrimentos, vence, cumpre a sua missão e retorna ao seu mundo transformado.

Simples, não é? E profundo. E essas simplicidade e profundidade são a linha-mestra de Star Wars: Os Últimos Jedi. Mas se você pensa que o herói, ou melhor, heroína, é Rey, está redondamente enganado. O herói é justamente aquele que iniciou a sua jornada 40 anos atrás, Luke Skywalker - mais especificamente o seu intérprete, Mark Hamill.

Mark Hamill é um daqueles casos nos quais o grande sucesso alcançado pelo personagem interpretado tornou-se o seu dilema. Fora da saga, Mark não teve muito destaque, apesar de bons trabalhos como em Agonia e Glória (1980). É verdade que o acidente de carro ao final das filmagens de Star Wars, atrapalhou, mas ele estava tão identificado com o aprendiz de cavaleiro Jedi, que ficou difícil arrumar bons filmes para atuar. Nesses anos todos, o seu principal trabalho foi como dublador, especialmente em Batman, a Série Animada (1992-1995), na qual fazia a voz do arqui-inimigo do Cavaleiro das Trevas, o Coringa.

Em Star Wars: Os Últimos Jedi, Mark - e o Mestre Jedi que encarna - exorciza seus demônios. Ele está simplesmente magnífico como um envelhecido e amargurado Luke Skywalker, que se auto-exila em uma ilha isolada longe tudo e de todos atormentado pelas lembranças, mas, ao mesmo tempo, mostra um senso de humor refinado, bem diferente do jovem Luke dos filmes anteriores. E, ao enfrentar  de coração e alma a grande batalha, encerra um ciclo e obtém a redenção, tanto na vida real quanto no universo da saga.

Por essa brilhante atuação, Mark Hamill merecia ao menos uma indicação ao Oscar, mas, ao que aparece, o lado negro da Força influenciou os membros da Academia de Hollywood...

A atlética, bonita e talentosa Daisy Ridley prova a cada episódio que é uma digna sucessora de Hamill. Sua personagem, Rey, tem a mesma coragem e impetuosidade de Luke Skywalker em sua juventude. Porém, ao contrário do fazendeiro de Tatooine, tem uma alma mais complexa, a qual está em uma jornada de autoconhecimento e constante batalha com seu lado sombrio. Graças a Daisy, Rey já é uma das grandes heroínas de Star Wars.

Sempre que John Boyega surge em cena, as pessoas percebem que ele não é, como já disseram, apenas uma versão mais jovem do grande Sidney Poitier (Ao Mestre Com Carinho). Ele tem seu próprio estilo, que melhora a cada trabalho realizado e não são poucos aqueles que acham que será o grande astro dos próximos anos.

No mesmo nível está Adam Driver, que fez com que o vilão Kylo Ren não se tornasse um outro Darth Vader, mesmo sendo seu neto. Uma grande sacada do filme está em provar que um vilão, para ser sinistro, não precisa usar máscara. Mérito de Adam, que mostra  Kylo Ren como um personagem atormentado e dividido, sempre em um terrível combate interno contra seu alter-ego, Ben Solo. 

Entre os coadjuvantes, há três que são considerados "de luxo" e, portanto, se destacam: Oscar Isaac, Laura Dern e Benicio del Toro. 

O personagem de Isaac, Poe Dameron, é como uma mistura do jovem Luke Skywalker com Han Solo e está cada vez mais popular entre os admiradores da saga. 

A Vice-Almirante Holdo, interpretada por Laura Dern, é uma mulher forte, independente e que não hesita em usar sua autoridade sempre que necessário, mesmo com aqueles com quem simpatiza e, para mim, pelo impacto que causa, é uma personagem que poderia ter sido melhor aproveitada. 

Benicio del Toro tem experiência em interpretar marginais nojentos - já o havia feito em 007: Permissão Para Matar (1989) - e o seu personagem DJ é daqueles que a platéia ama odiar e que dá vontade de estrangular, mas, por outro lado, sempre dá vontade de saber qual será a sua próxima maldade. 

É claro que não poderia deixar de falar de uma mulher fundamental da saga: Leia Organa e sua intérprete, Carrie Fisher. Assim como em Rough One, sua presença em Star Wars: Os Últimos Jedi é comovente e sua atuação é serena e marcante, também digna de um Oscar, como se soubesse o que iria acontecer em breve. Assim como Hamill, Carrie também encontra sua redenção no filme. Ao vê-la em cena, é difícil acreditar que não se encontra mais entre nós. De minha parte, prefiro pensar que, tal qual a Princesa de Alderaan, Carrie foi salva pela Força e encontra-se nos braços de um grande amor (veja aqui). 

Rian Johnson chamou um velho chapa com quem trabalhou em seus outros filmes para realizar a fotografia: Steve Yedlin (Terremoto: A Falha de San Andreas), que faz jus à confiança depositada seja mostrando a natureza exuberante da bela ilha de Skelling Michael (pertencente à Irlanda, que possui um mosteiro construído no século VI d.C., e foi nomeada Patrimônio da Humanidade pela ONU), ou na aridez rígida de Salar de Uyuni (o maior deserto de sal do mundo, localizado na Bolívia).

O que posso falar do grande mestre das trilhas sonoras, John Williams (Superman, o Filme) que já não tenha sido dito? Muito da identidade de Star Wars se deve à soberba trilha sonora composta por ele. Aos 85 anos de idade, nem pensa em se aposentar e já confirmou que irá compor a trilha do Episódio IX (que, novamente, terá a direção de J. J. Abrams, do Episódio VII). O fãs de cinema do mundo inteiro agradecem.

Assim como no filme anterior, em Star Wars: Os Últimos Jedi há várias referências ao episódios anteriores, principalmente aos Episódios V e VI. Homenagens? Talvez. Mas, acredito que seja também uma ligação tanto para os episódios anteriores quanto para a próxima trilogia, cuja produção já foi confirmada pelos estúdios de Walt Disney e com datas de lançamento ainda a serem confirmadas.

Alguns fãs mais radicais chegaram a criar uma petição na internet para que Star Wars: Os Últimos Jedi seja retirado do cânone de Star Wars por ser "diferente demais". Bobagem. Este Episódio VIII é um daqueles filmes que se tornam clássicos instantâneos e, para mim, após os Epísódios IV e V (não necessariamente nessa ordem), é o melhor de toda a saga. Porém, eu até compreendo essa atitude. É o medo da perda, de não poder ver mais todos aqueles personagens que tanta alegria trouxeram às nossas vidas. 

Embora seja triste não poder ver mais pessoas a quem se ame ou se afeiçoe, seja na realidade ou na fantasia, é preciso seguir adiante. A vida é assim. Em Star Wars: Os Últimos Jedi certos personagens lembram a lenda do pássaro que, pouco antes de morrer, entoa um canto tão belo que o mundo inteiro interrompe o que está a fazer para ouvir a linda melodia e Deus sorri no céu.

E nós, aqui na Terra (ou mesmo em uma galáxia longínqua), continuamos a ir em frente, sem olhar para trás e ouvindo, cada vez mais longe, o canto nostálgico desse pássaro.


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Star Wars: The Last Jedi
  • Direção: Rian Johnson
  • Elenco: Mark Hammil (Luke Skywalker), Carrie Fisher (General Leia Organa), Daisy Ridley (Rey), John Boyega (Finn), Adan Driver (Kylo Ren / Ben Solo), Oscar Isaac (Poe Dameron), Laura Dern (Vice-Almirante Holdo), Andy Serkis (Líder Supremo Snolke), Benicio de Toro (DJ), Lupita Nyong'o (Maz Kanata), Frank Oz (Mestre Yoda), Peter Meyhew (Chewbacca), Anthony Daniels (C-3P0), Domhnall Gleeson (General Hux), Gwendoline Christie (Capitã Phasma)
  • Roteiro: Rian Johnson
  • Música: John Williams
  • Fotografia: Steve Yedlin
  • Duração: 152 minutos
  • Ano: 2017
  • Lançamento comercial no Brasil: 14/12/2017

RESUMO DO FILME

Rey vai até a ilha de um planeta isolado em busca de Luke Skywalker, que está em um auto-exílio, para que este ajude a Resistência em sua guerra contra a tirânica Primeira Ordem.

COTAÇAO
⭐⭐⭐⭐⭐

Veja aqui o trailer oficial de Star Wars: Os Últimos Jedi (legendado - HD):


Publicado no LinkedIn e no AdoroCinema em 27/01/2018.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Estreia | Encolhi a Professora


Estreia em 25/01/2018 nos cinemas brasileiros a comédia infanto-juvenil alemã Encolhi a Professora (Help, I Shurunk My Teacher - 2015), na qual Felix  (Oskar Keymar, de Conni & Co.), um menino de 11 anos, passa um mau bocado com a diretora da escola onde estuda (Anja Kling, de Os Cinco Amigos), até o dia em que, ao usar um objeto estranho, acaba por encolher a megera. Boa diversão para as crianças neste final de férias e que terá uma continuação a ser lançada ainda neste ano.

Veja aqui o trailer oficial de Encolhi a Professora (dublado - HD):


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Framboesa de Ouro 2018 | Conheça os indicados ao prêmios do melhor do pior do cinema (e os nossos palpites...)


No mesmo dia do anúncio das indicações ao Oscar 2018, também foi anunciado os indicados ao Framboesa de Ouro 2018, o prêmio que "recompensa" o melhor do pior do cinema dos EUA!

O Framboesa de Ouro foi criado em 1980 pelo publicitário estadunidense John Wilson, depois de ter visto uma sessão dupla de duas "bombas": A Música Não Pode Parar e Xanadu. Totalmente inconformado com a baixa qualidade dessas produções, Wilson começou, durante um jantar que tradicionalmente oferecia na sua casa na noite de entrega do Oscar, a distribuir listas de filmes com cédulas aos seus convidados para que estes votassem no pior filme.

A brincadeira fez tanto sucesso que, no ano seguinte, foi feita a primeira festa de premiação do Framboesa de Ouro, na qual compareceram 36 pessoas. Em 1982, compareceram 72 pessoas; em 1983, quase 150, com o número da platéia crescendo a cada ano assim como o de cinéfilos, que se divertiam à beça com a "cerimônia".

A escolha dos indicados é idêntica à do Oscar: a Fundação Framboesa de Ouro, assim como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, escolhe, por meio de seus membros (cerca de 660); compostos de cinéfilos, jornalistas e internautas, os indicados para o prêmio.

Grandes astros e estrelas do cinema já tiveram a "sorte" de serem agraciados com o Framboesa de Ouro. Dentres estes estão Laurence Olivier (Hamlet), Liza Minelli (Cabaret), Kevin Costner (Dança com Lobos), Faye Dunaway (Bonnie & Clyde), Arnold Schwarzenegger (franquia O Exterminador do Futuro), Sharon Stone (Instinto Selvagem), Sylvester Stallone (franquias Rocky e Rambo que é o recordista entre os homens com 7 prêmios e 19 indicações), e Madonna (Evita que é a recordista entre as mulheres com 8 prêmios e 12 indicações).

A maioria dos "vencedores" não comparece para receber o prêmio, mas outros, entrando no espírito da brincadeira, foram, de bom grado, receber o troféu de plástico pintado de dourado com valor estimado em U$ 5,00. Dentre estes estão Tom Selleck (série Magnum), Hale Berry (franquia X-Men), Ben Affleck (Liga da Justiça) e Sandra Bullock (Velocidade Máxima).

A seguir, vocês verão os indicados nas principais categorias do Framboesa de Ouro 2018, sendo que Transformers: O Último Cavaleiro, com 9 indicações; e 50 Tons Mais Escuros, com 8, são os grandes favoritos. E Panorama do Cinema dá os seus palpites sobre quem serão os vencedores (sigla PPC - Palpite Panorama do Cinema): 

PIOR FILME

  • Baywatch
  • Emoji: O Filme
  • 50 Tons Mais Escuros
  • A Múmia
  • Transformers: O Último Cavaleiro

PPC: 50 Tons Mais Escuros

PIOR DIRETOR

  • Darren Aronofsky (Mãe!)
  • Michael Bay (Transformers: O Último Cavaleiro)
  • James Foley (50 Tons Mais Escuros)
  • Alex Kurtzman (A Múmia)
  • Tony Leondis (Emoji: O Filme)

PPC: James Foley 

PIOR ATOR

  • Tom Cruise (A Múmia)
  • Johnny Depp (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar)
  • Jamie Dornan  (50 Tons Mais Escuros)
  • Zac Efron (Baywatch)
  • Mark Whalberg (Pai em Dose Dupla 2Transformers: O Último Cavaleiro)

PPC: Jamie Dornan

PIOR ATRIZ

  • Katherine Heigl (Paixão Obsessiva)
  • Dakota Johnson (50 Tons Mais Escuros)
  • Jennifer Lawrence (Mãe!)
  • Tyler Perry (Boo 2: A Madea Halloween)
  • Emma Watson (O Círculo)

PPC: Dakota Johnson

PIOR ATOR COADJUVANTE

  • Javier Bardem (Mãe!)
  • Russel Crowe (A Múmia)
  • Josh Duhamel (Transformers: O Último Cavaleiro)
  • Mel Gibson (Pai em Dose Dupla 2)
  • Anthony Hopkins (CollideTransformers: O Último Cavaleiro)

PPC: Mel Gibson

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Kim Bassinger (50 Tons Mais Escuros)
  • Sofia Boutella (A Múmia)
  • Laura Haddock (Transformers: O Último Cavaleiro)
  • Goldie Hawn (Viagem das Loucas)
  • Susan Sarandon (Perfeita é a Mãe 2)

PPC: empate triplo entre Kim Bassinger,  Goldie Hawn e Susan Sarandon

PIOR ROTEIRO

  • Baywatch
  • Emoji: O Filme
  • 50 Tons Mais Escuros
  • A Múmia
  • Transformers: O Último Cavaleiro

PPC: 50 Tons Mais Escuros

Assista aqui o vídeo com os indicados do Framboesa de Ouro 2018 (original em inglês - HD):



E veja aqui o vídeo da entrega do prêmio de Pior Atriz para Hale Berry no Framboesa de Ouro 2004 (original em inglês):



Publicado no LinkedIn, em 23/01/2018.