Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Crítica: O Império de Pierre Cardin | O Socialista da Moda


A passos lentos, mas firmes, os documentários tornam-se cada vez mais populares entre o público de cinema de todo o mundo, inclusive no Brasil. Nomes como o polêmico e genial estadunidense Michael Moore (de Tiros em Columbine, vencedor do Oscar da categoria) e a poética e sensível brasileira Petra Costa (de Democracia em Vertigem, indicado ao mesmo prêmio) ajudaram e ajudam na popularização desse gênero de filme. Os caráteres educativo, histórico, esclarecedor e revelador fazem com que abram-se reflexões, discussões e debates sobre o tema tratado. E, por vezes, tornam-se premonitórios como é o caso de O Império de Pierre Cardin.

Nascido na Itália em 1922, mas radicado na França desde os dois anos de idade (tinha dupla nacionalidade), Pierre Cardin, cujo nome verdadeiro era Pietro Constante Cardin, levou a moda a patamares até então nunca vistos e popularizou a Alta Costura com a venda de “prét-à-porter” (“pronto para usar”, em francês) em lojas de departamentos quando causou um grande escândalo – chegou a ser expulso do Chambre Syndicale, o prestigioso e influente sindicato dos estilistas franceses – ao mesmo tempo que revolucionou esse mercado tendo sido chamado de “O Socialista da moda”.

Embora sem nenhuma intenção, O Império de Pierre Cardin acaba por ser um epitáfio ao estilista, que faleceu em 29 de dezembro de 2020 (até o momento em que este texto foi escrito, a causa da morte não foi divulgada), mas um epitáfio alegre, amoroso e colorido, sem nenhuma pompa e sem ser sisudo, graças à direção leve e descontraída da dupla de diretores estadunidenses P. David Ebersole (Dear Mom, Love Cher) e Todd Hughes (Hubby/Wifey).

Apesar de ser uma figura pública mundialmente conhecida, Pierre Cardin sempre foi muito reservado quanto à sua vida pessoal, mas, ainda assim, O Império de Pierre Cardin consegue mostrar fatos da vida de Cardin tais como a vinda de sua família para a França devido à ascensão do fascismo na Itália liderado pelo ditador Benito Mussolini (1883-1945), seu início de carreira em Paris onde trabalhou, entre outros, para o afamado Christian Dior (1905-1957), a rivalidade com o grande estilista Yves Saint Laurent (1936-2008), e seu relacionamento amoroso de quatro anos com a atriz Jeanne Moreau (de Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois), apesar de ser abertamente gay.

Há dois fatos muito engraçados em O Império de Pierre Cardin que não dá para deixar de citar: Uma, das crianças chinesas que, quando perguntadas quem era o presidente da França, responderam: “Pierre Cardin”. A outra, quando Cardin conta que, quando trabalhou como modelo, era considerado bonito e, segundo ele, “todos queriam dormir comigo”. Logo após dizer isso fica envergonhado e começa a rir de si mesmo.

Se a vida particular de Cardin tem poucos fatos, a vida profissional é largamente explorada em O Império de Pierre Cardin. Seus designs futuristas, com predileção pelas formas arrendondadas, a expansão para outros ramos de negócios além das roupas e o pioneirismo em novos mercados como Japão e China, mostram que Cardin conseguia unir sua criatividade em designs com o faro comercial de um homem de negócios.

O Império de Pierre Cardin tem várias imagens de arquivos de entrevistas (algumas inéditas) de Pierre Cardin ao longo dos anos até chegar à atualidade na qual é mostrado como um velhinho adorável que poderia ser o avô de qualquer um.

Em contrapartida, uma falha do filme é, ao mostrar as pessoas entrevistadas para o filme, não ter nenhuma legenda que as identifiquem. Com exceção de personalidades hiperconhecidas como a atriz Sharon Stone (de Instinto Selvagem), a cantora Dionne Warwick, o rockeiro Alice Cooper, o músico eletrônico Jean-Michel Jarre e o estilista Jean-Paul Gaultier, fica difícil para alguém que não está familiarizado com o mundo da moda saber quem são essas mesmas pessoas e sua devida importância.

O Império de Pierre Cardin é um tributo, como dito antes, premonitório – como se soubesse que o passamento de Cardin viria logo – e carinhoso a um já saudoso homem que tornou-se não apenas um ícone da Alta Costura, mas também das artes, da cultura e dos negócios. Quem for assistir ao filme, não irá arrepender-se, sairá bastante satisfeito da sala de exibição e gostará ainda mais do gênero documentário.


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: House of Cardin
  • Direção: P. David Ebersole, Todd Hughes
  • Elenco: Pierre Cardin, Jean-Paul Gaultier, Sharon Stone, Naomi Campbell, Dionne Warwick, Alice Cooper, Jean-Michel Jarre
  • ProduçãoCori Coppola
  • Música: James Peter Moffatt
  • Fotografia: Laurent King
  • Duração: 97 minutos
  • País: EUA, França
  • Ano: 2019
  • Lançamento comercial no Brasil: 14/01/2021

RESUMO DO FILME
Vida e obra do estilista francês Pierre Cardin.

COTAÇÃO
✪✪✪✪½

Veja abaixo o trailer oficial de O Império de Pierre Cardin (legendado - HD):



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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Crítica: Legado Explosivo | Ação banal, clichês e Liam Neeson


Tom Noland (interpretado por Liam Neeson, de O Passageiro. Veja a crítica aqui) é um ex-fuzileiro naval que tornou-se um habilíssimo ladrão de bancos que nunca foi pego. Após seu último roubo, conhece a funcionária de uma firma de estocagens e estudante de pós-graduação em psicologia Annie Wilkins (Kate Walsh, da série The Umbrella Academy) e iniciam um relacionamento. Após um ano juntos, Tom decide parar definitivamente com a vida de roubos e entregar-se ao FBI para que não tenha que mentir mais à Annie e na esperança que, após cumprir a pena, ela aceite viver com ele.

Tom telefona para o FBI, fala com o agente especial Samuel Baker (Robert Patrick, da série Arquivo X) a quem diz que deseja entregar-se e devolver todo o dinheiro roubado nas seguintes condições: pena reduzida em um local próximo à cidade de Boston com direito a visitas. Para confirmar a veracidade da história, Baker envia os agentes subalternos John Nivens (Jai Courtney, de Exterminador do Futuro: Gênesis. Veja a crítica aqui) e Ramon Hall (Anthony Ramos, de Nasce Uma Estrela) para falar com Tom e este, em um gesto de boa vontade, indica a eles onde está parte do dinheiro. Nivens e Hall decidem ficar com o dinheiro e matar Tom. Porém, Baker aparece, Nivens mata-o e Tom consegue fugir. Agora, o ladrão quer não só provar sua inocência como entregar os agentes corruptos à justiça. Para isso pede ajuda ao agente especial Sean Meyers (Jeffrey Donovan, de J. Edgar).

À medida que assistimos Legado Explosivo ficamos com a mesma opinião de vários personagens quanto à premissa do filme: é difícil acreditar que um ladrão vai entregar-se às autoridades e devolver toda a dinheirama que roubou por causa de amor a uma mulher. Essa mesma premissa seria mais crível se o filme tivesse um diretor melhor que Mark Williams (Um Homem de Família), também autor do roteiro e história junto com Steve Allrich.

Conhecido mais como produtor e roteirista, Legado Explosivo é apenas o segundo trabalho na direção de Williams e é um trabalho no máximo comum, em que as cenas de ação, que poderiam ser um dos pontos fortes do filme, são apenas banais, não entusiasmam. E a história, que, como dito antes, tem uma premissa dura de engolir, é também cheia de clichês que vão desde um vilão cruel até um cachorrinho engraçadinho para dar um toque de fofura à trama. Até mesmo pretensas críticas ao governo estadunidense e às injustiças do sistema capitalista não convencem muito.

Após o sucesso de A Lista de Schindler (1993), dirigido por Steven Spielberg (A Ponte dos Espiões), o ator norte-irlandês Liam Neeson tornou-se um astro de pleno direito, tendo papéis em produções variadas tais como dramas, romances, comédias e, principalmente nos últimos anos, em filmes de ação. Isso não chega a ser surpreendente pois, com 1,93 m de altura e tendo sido boxeador em sua juventude, Neeson sempre teve boa forma física, o que, aliado ao seu talento de ator, fazia dele a escolha ideal para filmes como Darkman, Vingança Sem Rosto (1990), de Sam Raimi (franquia Homem-Aranha), no papel-título; em Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999), de George Lucas (o criador da saga), quando interpretou o Mestre Jedi Qui-Gon Jinn; e em Batman Begins (2005), de Christopher Nolan (Tenet), como o vilão Rãs Al-Ghul.

E é Liam Neeson o principal motivo para ver Legado Explosivo, pois ele consegue dar credibilidade ao personagem que interpreta. Foi o prestígio e carisma do ator que fez com que Legado Explosivo fosse líder de bilheteria nas suas duas primeiras semanas após o lançamento.

Entretanto, Neeson corre o risco de tornar-se um Charles Bronson do século 21. Após o sucesso do primeiro filme da franquia Desejo de Matar (1974), Bronson fez durante a década de 1980 e início da década de 1990, filmes muito semelhantes a este, no qual é um justiceiro armado de revólver que sai à caça de marginais sedento para fazer justiça com as próprias mãos (e os marginais fazem por merecerem a morte, no melhor estilo bolsominion-coxinha-olavete). A diferença é que nos filmes de Neeson, seus personagens geralmente somente pegam em armas para autodefesa ou quando não tem outra escolha. São argumentos mais inteligentes, mas a chance de ficar estereotipado com esse tipo de personagem existe.

E, apesar de Neeson sempre procurar manter-se em forma, é possível notar que a idade já começa a pesar nas cenas que exigem mais vigor físico (o ator está atualmente com 68 anos). Mas, isso não é culpa dele, pois a passagem do tempo é algo que, inevitavelmente, acontece com todos nós.

Aos 53 anos, Kate Walsh continua bonita, charmosa e simpática e, com seu talento de atriz, ajuda a dar a já citada credibilidade ao personagem de Neeson assim como ao seu próprio, embora também seja difícil de engolir que uma psicóloga que acaba de formar-se na pós-graduação não consiga perceber algo de estranho com seu namorado. Mas, isso faz parte das bobeadas de Williams.

Robert Patrick, o eterno andróide T-1000 de O Exterminador do Futuro 2 (1991), é utilizado como um coadjuvante de luxo em Legado Explosivo. Patrick – que está com uma aparência bastante envelhecida - é um daqueles casos de um bom ator que é desperdiçado em uma produção cinematográfica. Seu personagem, Sam Baker, sai de cena cedo demais e, na minha opinião, é Baker quem deveria ajudar Tom Noland ao invés Sean Meyers, cujo intérprete, Jeffrey Donovan, atua de modo insosso.

Jai Courtney e Anthony Ramos, nos papéis dos agentes Nivens e Hall, tentam utilizar o tema “bandido bom e bandido mau” para seus personagens, mas, sob a batuta da direção e do roteiro, acaba por não funcionar como deveria.

O compositor musical Mark Isham (Bill & Ted – Encare a Música. Veja a crítica aqui) é bastante experiente, já compôs trilhas sonoras de vários filmes de sucesso, mas aqui está pouco inspirado, sem nenhum tema que desperte a atenção e fique na memória. Deve ter sido contaminado pelas baboseiras de Mark Williams.

Uma das poucas coisas que salva-se em Legado Explosivo é a boa fotografia de Shelly Johnson (Capitão América, o Primeiro Vingador), que mostra a bonita cidade de Boston, no norte dos EUA, pouco conhecida pelos brasileiros e que vale a pena estes a descobrirem.

Em contrapartida, o título escolhido para a comercialização do filme no Brasil, Legado Explosivo, é, seguindo a tradição no país, simplesmente horroroso. Em Portugal, o título escolhido não foi muito melhor: “Um Último Golpe”. O título original do filme, “Honest Thief”, significa, literalmente, “Ladrão Honesto”, o que tem tudo a ver com a história mostrada. Alguém deve ter explodido a cabeça para bolar esses nomes…

Legado Explosivo vai agradar aos fãs de carteirinha de Liam Neeson, mas pouco mais além deles. Apesar da ação banal e dos clichês, poderia até ter uma boa bilheteria por aqui, mas com a segunda onda da pandemia do Covid-19, é provável que vários cinemas voltem a serem fechados para evitar contaminações. Restam os serviços de streaming, mas, ainda assim, há opções bem melhores que esta.


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Honest Thief
  • Direção: Mark Williams
  • Elenco: Liam Neeson (Tom Noland), Kate Walsh (Annie Wilkins), Robert Patrick (Agente Sam Baker), Jai Courtney (Agente John Nivens), Anthony Ramos (Agente Ramon Hall), Jeffrey Donovan (Agente Sean Meyers)
  • RoteiroMark Williams, Steve Allrich
  • Música: Mark Isham
  • Fotografia: Shelly Johnson
  • Duração: 98 minutos
  • País: EUA
  • Ano: 2020
  • Lançamento comercial no Brasil: 07/01/2021

RESUMO DO FILME
Por amor a uma mulher, o ladrão de bancos Tom Noland decide entregar-se ao FBI e devolver todo o dinheiro roubado na esperança de, depois de cumprida pena, viver com sua amada. Porém, dois agentes corruptos do FBI decidem ficar com o dinheiro e culpam Tom de um assassinato que não cometeu. O ex-ladrão tenta provar sua inocência.

COTAÇÃO
✪✪½

Veja abaixo o trailer oficial de Legado Explosivo (legendado - HD):


Publicado no AdoroCinema em 07/01/2021.

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domingo, 3 de janeiro de 2021

ULTRAPASSAMOS AS 90.000 VISUALIZAÇÕES!!!


Panorama do Cinema começa este ano da graça de 2021 com uma ótima notícia: nosso espaço acaba de ultrapassar as 90.000 visualizações!!!

E isso deve-se a vocês, cinéfilos, que fazem com que o sonho de um modesto crítico e fã de cinema torne-se realidade. Todos os agradecimentos do mundo ainda são poucos para retribuir sua confiança e carinho nos trabalhos apresentados.

E, como de praxe, vamos comemorar abrindo uma garrafa de champagne! 


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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Crítica: Transtorno Explosivo | A Menina-Hulk


Benni (a atriz-mirim Helena Zengel, de Die Tochter) tem nove anos e sofre de uma doença que a faz ter grandes ataques de raiva - o que leva-a a agredir todos ao seu redor - a ponto de sua mãe, Bianca (Lisa Hagmeister, de Counterpart: Mundo Paralelo), ter medo de viver com ela, o que faz com que Benni passe por diversos tratamentos médicos e por vários lares adotivos, mas ela insiste em viver com a mãe. Sua assistente social, Sra. Bafané (Gabriela Maria Schmeide, de Henrique IV, o Grande Rei da França), faz todo o possível para ajudar a menina a viver novamente com sua mãe ou em um lar adotivo que aceite-a. O acompanhante escolar de Benni, Michael, apelidado Misha (Albrecht Schuch, de Berlin Alexanderplatz), é especializado em tratar de jovens delinquentes e tenta ajudar a criança levando-a para passar um tempo em uma cabana no campo.

O Transtorno Explosivo Intermitente (cuja sigla é TEI) é uma doença mental na qual uma pessoa, por pouca ou nenhuma razão aparente, tenha ataques de raiva imensos agredindo outras pessoas verbalmente, fisicamente ou de ambas as formas. Até o momento, a medicina não sabe com exatidão o que origina o TEI. O tratamento consiste de medicamentos apropriados e psicoterapia e quanto antes o problema for diagnosticado, melhor. Infelizmente, aqueles que sofrem de TEI geralmente procuram tratamento quando suas vidas familiar e profissional já estão arruinadas e/ou quando respondem a processos judiciais. O TEI é popularmente conhecido como “Síndrome do Hulk”, personagem de histórias em quadrinhos da Marvel conhecido por ter problemas em lidar com sua raiva. E, antes que algum engraçadinho de plantão pergunte, quem sofre de TEI não fica verde.

Nos últimos cinco anos, o cinema alemão passa por excelente fase com filmes que são sucesso de público e crítica tendo, inclusive, ganho o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes com Toni Erdman (2016), que também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (que agora chama-se Melhor Filme Internacional). Transtorno Explosivo confirma essa fase e, com justiça, foi premiado em vários festivais de cinema dos quais participou. Em 2019, recebeu o Prêmio de Contribuição Artística do prestigioso Festival de Berlim e o Prêmio do Júri de Melhor Filme na 43ª Mostra de Cinema de São Paulo. Em 2020, Transtorno Explosivo foi consagrado na sua Alemanha natal com oito vitórias no festival Prêmios do Cinema Alemão, o mais importante do país: Melhor Filme, Diretor (Fingsheid), Atriz (Zegel), Ator (Schuch), Atriz Coadjuvante (Schmeide), Roteiro Original, Edição, Edição de Som.

No cinema mundial, filmes sobre doenças físicas e/ou mentais tais como o estadunidense Sentimentos Que Curam (2014. Leia a crítica aqui) ou de jovens problemáticos como o francês De Cabeça Erguida (2015. Leia a crítica aqui), sempre tiveram a atenção do público, em particular do público brasileiro, que sempre assiste esses gêneros de filme com grande interesse, portanto Transtorno Explosivo é, com certeza, um filme que vai cair no gosto nacional.

A jovem e talentosa diretora Nora Fingscheid (de Boulevard’s End), que também é a autora do roteiro, fez com que todas as peças de Transtorno Explosivo encaixassem umas nas outras e funcionassem com perfeição. Sua direção é segura e precisa e faz com que as duas horas de filme fluam muitíssimo bem sem cansar o espectador. Fingscheid trata esse tema com a seriedade que merece e com emoção sem apelar para o dramalhão ou sentimentalismo apelativo. Seu trabalho com os intérpretes da película é igualmente excelente, no que é ajudada pelo ótimo elenco.

Albrecht Schuch e Gabriela Maria Schmeide estão muito bem em seus papéis de acompanhante escolar e de assistente social que tentam de todas as formas ajudar Benni e mostram que fizeram por merecer os prêmios que receberam. Gabriela, em particular, é responsável por uma das cenas mais comoventes de Transtorno Explosivo. Porém, sem dúvida alguma, é Helena Zengel a grande estrela do filme.

Helena Zengel tem apenas 12 anos de idade, mas já é uma veterana em atuação com um currículo de mais de 10 filmes para o cinema e a TV. Em Transtorno Explosivo, sua personagem, Benni, reflete com impressionante – e, por vezes, assustadora - exatidão o que é alguém que sofre de TEI. De criança fofa, engraçadinha, simpática e amorosa, passa, em um estalar de dedos, a uma criatura amedrontadora de fúria incontrolável, uma autêntica Menina-Hulk capaz de apavorar até mesmo os adultos mais experientes em lidar com crianças-problemas. Sua atuação é tão boa que chamou a atenção de Hollywood, que, sabendo que o público dos EUA ama uma criança precoce (basta lembrar de Shirley Temple e Macaulay Calkin), a escalou como protagonista principal ao lado de Tom Hanks (Forrest Gump) no Western Relatos do Mundo (2020). Se for bem guiada, Helena irá além de ser uma estrela-mirim e terá uma carreira longa e premiada tal como Jodie Foster (O Silêncio dos Inocentes) que teve um início de carreira semelhante.

Transtorno Explosivo lida muito bem com um tema difícil – como são, aliás, filmes sobre doenças e crianças e jovens raivosos. Quem for ao cinema assistir ao filme sairá da sala impressionado e alertado sobre esse problema mental, mas também consciente que viu um grande filme cujas imagens e sons ficarão sempre retidos em sua retina e memória.


FICHA TÉCNICA
  • Título Original: System Sprenger
  • Direção: Nora Fingsheid
  • Elenco: Helena Zengel (Benni), Albrecht Schuch (Misha), Gabriela Maria Schmeid (Sra. Bafané), Lisa Hagmeister (Bianca)
  • Roteiro: Nora Fingsheid
  • Música: John Gürtler
  • Fotografia: Yunus Roy Imer
  • Duração: 119 minutos
  • País: Alemanha
  • Ano: 2019
  • Lançamento comercial no Brasil: 05/11/2020

RESUMO DO FILME
Benni é uma menina de nove anos que sofre de uma doença que a faz ter terríveis ataques de raiva. Uma assistente social e um rapaz que trata de jovens delinquentes tentam ajudar Benni a controlar-se.

COTAÇÃO
✪✪✪✪✪

Veja abaixo o trailer oficial de Transtorno Explosivo (legendado - HD):



Publicado no AdoroCinema em 06/11/2020


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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Crítica: Bill & Ted – Encare a Música | Bill e Ted envelheceram. E seu humor também


Cerca de 30 anos após suas aventuras pelo tempo, Bill (o inglês Alex Winter, de Grand Piano) e Ted (Keanu Reeves, da franquia John Wick) chegaram à meia-idade casados respectivamente com as princesas Joanna (Jayma Mays, da série Glee) e Elizabeth (Erinn Hayes, de Band Aid) que lhes deram as filhas Thea (a australiana Samara Weaving, da franquia A Babá. e sobrinha do ator Hugo Weaving da saga O Senhor dos Anéis) e Billie (Brigette Lundy-Paine, de Homem Irracional. Leia a crítica aqui). Os dois amigos vivem uma vida monótona e ainda não conseguiram compor a música perfeita. 

Então, recebem a visita de uma visitante do futuro, Kelly (a atriz e dubladora Kristen Schaal, da série O Último Cara da Terra), filha de Rufus (o comediante George Carlin, de O Príncipe das Marés, já falecido e que aparece em imagens de arquivo), e diz a ambos que devem compor a música perfeita ou o universo será destruído pela Grande Líder (Holland Taylor, de Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você). 

Bill e Ted decidem viajar para o futuro na cabine telefônica do tempo para pegar a música de si mesmos e trazê-la ao presente. Thea e Billie decidem ajudar seus pais viajando igualmente pelo tempo para formar a banda que tocará a música e recrutam músicos como Jimi Hendrix (DazMann Still, de Manifesto), Mozart (Daniel Dorr, de Counterpart: Mundo Paralelo), Louis Armstrong (Jeremiah Craft, da série Luke Cage), Kid Cudi (de Rampage: Destruição Total, que interpreta a si mesmo) e um velho conhecido de Bill e Ted, Morte (William Sadler, de Estrada Sem Lei). 

A franquia Bill & Ted iniciou-se em 1989 com Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica e teve uma continuação em 1991 chamada Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo. Voltados para o público adolescente, esses filmes tinham bons efeitos especiais, trilha sonora com sucessos de Hard Rock, brincavam com a temática de viagens no tempo tal como a trilogia De Volta Para o Futuro, de Robert Zemeckis (de A Travessia. Veja a crítica aqui) com a participação de várias figuras históricas e foram pioneiros do chamado “humor besteirol”, que eu chamo de “humor retardado”, pois os protagonistas eram exatamente isso: retardados. Como exemplos principais temos o filme Debi & Loide – Dois Idiotas em Apuros (1994) e a série de animação Beavis & Butt-Head (1993-1997). Reparam que tanto essas produções quanto a que analisamos aqui tem duplas como personagens principais?

O “humor besteirol” ou “retardado” dominou a década de 1990, um tempo em que, por incrível que pareça, tinha gente que achava que ser débil mental era o máximo. É um tipo de comédia muito datada e talvez seja esse o maior problema de Bill & Ted – Encare a Música. A dupla de amigos, obviamente, envelheceu e o seu senso de humor também. Este estilo de comédia não funciona muito bem para o público da década de 2020, o período da era das trevas do século XXI. Irá agradar mesmo aos fãs dos atores e aqueles que cresceram assistindo aos filmes anteriores e semelhantes a estes.

Entretanto, apesar desse problema, Bill & Ted – Encare a Música consegue ser uma diversão agradável. Os efeitos especiais continuam bons, a presença de figuras históricas ajuda a história a fluir bem sem confundir com tantas idas e vindas no tempo, a trilha sonora vem com o tradicional Hard Rock e a dupla Reeves-Winter continua afinada e entrosada no besteirol retardado de seus personagens.

É justamente o seu elenco que ajuda a salvar  Bill & Ted – Encare a Música. Para mim, o destaque vai para outra dupla: Weaving & Lundy-Paine como Thea e Billie, as filhas tão retardadas quanto seus pais. Chamou-me particularmente a atenção Samara Weaving como Thea, que tem o mesmo corte de cabelo, trejeitos e maneirismos de Ted embora seja filha de Bill! O outro destaque vai para Jeremiah Craft, convincente como o jovem Louis “Satchmo” Armstrong.

Quem for assistir Bill & Ted – Encare a Música não perderá seu tempo pois, apesar do humor datado, cumpre bem seu papel de descontrair o público que sairá satisfeito do cinema, embora Bill & Ted – Encare a Música não seja daquelas comédias de rolar no chão de tanto rir. E nestes tempos de pandemia e de era das trevas pelas quais passamos atualmente, Bill & Ted – Encare a Música pode ser uma boa válvula de escape em meio a tanta tensão.

FICHA TÉCNICA
  • Título Original: Bill & Ted Face The Music
  • Direção: Dean Parisot
  • Elenco: Keanu Reeves (Ted), Alex Winter (Bill), Samara Weaving (Thea), Brigette Lundy-Paine (Billie), William Sadler (Morte)
  • RoteiroChris Matheson, Ed Solomon
  • Música: Mark Isham
  • Fotografia: Shelly Johnson
  • Duração: 91 minutos
  • País: EUA
  • Ano: 2020
  • Lançamento comercial no Brasil: 05/11/2020

        RESUMO DO FILME

Bill e Ted devem compor a música perfeita para salvar o universo.

COTAÇÃO
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Veja aqui o trailer oficial de Bill & Ted - Encare a Música (legendado - HD):


Publicado no AdoroCinema em 05/11/2020


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terça-feira, 16 de junho de 2020

Morreu Bob, o gato de rua que salvou a vida de um sem-teto



Ouça o podcast desta matéria nas plataformas Anchor, Castbox, Deezer, Google Podcasts, Spotify e Spreaker.

Atualizado em 06/11/2020.

Este Mundo triste onde vivemos atualmente ficou ainda mais triste hoje. Foi anunciada na sua página oficial do Facebook, a morte do gato Bob, companheiro fiel do escritor e músico inglês James Bowen, cujas vidas foram contadas em livros e filmes, em 15 de junho último. Bob foi atropelado por um carro próximo a casa onde vivia com seu dono. Foi levado prontamente ao veterinário, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.  Tinha uma idade estimada em 14 anos (James o encontrou já crescido e achava que, se não fosse o acidente, Bob viveria pelo menos mais dois anos). Panorama do Cinema irá agora recordar a história dessa dupla que ficou famosa no mundo inteiro.

James Bowen era um sem-teto de Londres viciado em drogas sem amigos e rompido com sua família. Em 2007, logo após entrar em um programa de recuperação de seu vício, encontrou um gato cor de laranja machucado e desnutrido. Decidiu tomar conta do bichano e chamou-o Bob. Essa decisão mudou sua vida por completo.

Esse homem e seu gato tornaram-se inseparáveis. Para cuidar devidamente de Bob, James dedicou-se a fundo no programa de recuperação até, finalmente, largar as drogas. Mas, ainda era preciso ganhar a vida. Era comum ver a ambos no centro de Londres com James tocando seu violão por alguns trocados ou vendendo a revista Big Issue, um projeto voltado para pessoas em situação de risco (no Brasil existe um projeto semelhante chamado Revista Ocas - n. do a.).

A dupla chamou a atenção de um repórter, que decidiu entrevista-los. A reportagem foi lançada em jornal e, por sua vez, chamou a atenção de uma editora que propôs ao sem-teto e seu mascote publicar a sua vida em livro.

Em 2012, foi lançada a biografia Um Gato de Rua Chamado Bob, que tornou-se, quase de imediato, best-seller em toda a Grã-Bretanha. O livro foi traduzido em 30 idiomas, inclusive o português, tornando-se igualmente um best-seller em dezenas de países. Seguiu-se um segundo livro chamado O Mundo Pelos Olhos de Bob, que repetiu o sucesso de seu antecessor, além de livros infantis com a história de Bob e James adaptada para as crianças.

Um filme para o cinema era apenas uma questão de tempo. Em 2016, foi lançado o filme Um Gato de Rua Chamado Bob, com direção de Roger Spottiswoode (007 - O Amanhã Nunca Morre), o ótimo Luke Treadaway (Ataque ao Prédio) no papel de James e Bob "atuando" como ele próprio (veja a crítica aqui). O filme teve uma Premiere Mundial de gala que contou com a presença da esposa do Príncipe William, a Duquesa Kate Middleton (veja aqui).

Um Gato de Rua Chamado Bob recebeu boas críticas e fez sucesso. Em 2017, conquistou o prêmio de Melhor Filme Britânico da National Film Awards UK superando o favorito a premiação e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, Eu, Daniel Blake, do cineasta Ken Loach (veja aqui).

Em 2018, foi lançada uma webserie de Bob em desenho animado chamada Street Cat Bob, na qual vive divertidas aventuras com seus amigos (veja aqui). A série tem, até o momento, 14 episódios lançados.
 
Em 2019, foram iniciadas as filmagens da sequência de Um Gato de Rua Chamado Bob. O novo filme chama-se A Gift From Bob (literalmente Um Presente de Bob, mas ainda sem título oficial em português), baseado no livro de mesmo nome de autoria de James Bowen no qual é contada a história do último Natal que ele e Bob passaram na rua. Luke Treadaway volta a interpretar James e Bob novamente "atua" como ele próprio. A direção cabe ao ator e cineasta estadunidense Charles Martin Smith (Os Intocáveis. Veja aqui). O filme já está praticamente pronto e sua estreia estava prevista para o Natal de 2020, mas, devido a pandemia do Covid-19, foi adiada para fevereiro de 2021.

Um arrasado James Bowen disse sobre o seu já saudoso gato:

"Bob salvou minha vida. Simples assim. Ele me deu muito mais que companheirismo. Com ele ao meu lado, eu achei uma direção e um propósito que havia perdido. O sucesso que alcançamos juntos através de nossos livros e filmes foi miraculoso. Ele encontrou milhares de pessoas, tocou a vida de milhões. Nunca houve um gato como ele. E nunca haverá outro novamente. Eu sinto como se a luz tivesse saído de minha vida. Nunca o esquecerei"

Bob foi de fato único e inesquecível. Se existe um céu para os animais, este gato cor de laranja que sempre usava um cachecol em seu pescoço e fazia com muita graça o famoso cumprimento "high five" tem o seu lugar garantido. Que descanse em paz. 

Veja aqui o trailer oficial de Um Gato de Rua Chamado Bob (legendado - HD):



Veja aqui o trailer oficial de A Christmas Gift From Bob (original em inglês - HD):



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