A Revista Digital da Sétima Arte fundada em 06/02/2016
Bem-Vindos a Panorama do Cinema"
Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).
Editorial
Estamos de Volta!
Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades.
Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts.
Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo".
Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês.
Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza.
Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre.
Boas leituras e boa diversão!
George Lucas, o visionário cineasta criador da saga Star Wars e da franquia Indiana Jones, mostra que seus interesses vão além do cinema. Em janeiro deste ano, Lucas anunciou de forma oficial que irá construir um museu em Los Angeles, Califórnia, EUA! Este museu - que segue a todo vapor - se chamará Lucas Museum of Narrative Art (Museu Lucas de Arte Narrativa, em inglês). Mas o que é "arte narrativa"? Segundo o presidente do futuro museu, Don Bacigalupi, "Arte Narrativa é a arte que conta uma história. Manifesta-se em todo tipo de meio, em toda cultura, de toda forma que você possa imaginar".
Este é considerado o primeiro museu de seu tipo no mundo, na qual destacam-se tanto a arte mais refinada quanto a popular, da ilustração às HQs e que inclui uma visão do processo criativo cinematográfico até o potencial do meio digital. Entre os artistas que terão as obras expostas (sendo que muitas delas vieram do acervo pessoal de Lucas, um ávido colecionador de arte) estão Edgar Degas, Winslow Homer, Pierre-Auguste Renoir, Norman Rockwell, entre outros. E também, como não poderia deixar de ser, estarão expostas ilustrações artísticas dos trabalhos da Lucasfilm, arte cinemática e digital.
O museu, cujo projeto é do arquiteto chinês Ma Yansong, ainda oferecerá várias workshops, palestras e aulas relacionadas ao cinema e outras manifestações artísticas com auditórios e salas de exibição de filmes. "O principal ponto deste museu é estimular a imaginação... abrir olhos para as possibilidades das artes criativas", diz George Lucas.
Lucas sabe como poucos surpreender e deixar as pessoas em grande expectativa. Além de sua saga Star Wars - cujo episódio VIII, Os Últimos Jedis, estréia em 14 de dezembro próximo - vamos ficar esperando, com o coração na mão, por este maravilhoso museu.
Veja abaixo ilustrações artísticas do museu:
Veja aqui o trailer oficial de Star Wars - Os Últimos Jedis (legendado - HD):
Neste último dia 3 de novembro, foi celebrado em todo o mundo os 60 anos da viagem do primeiro ser vivo do planeta Terra no espaço. E se por acaso pensou em um cosmonauta como o soviético Yuri Gagarin, você está meio certo. Essa pioneira tinha em comum com Gagarin a nacionalidade: também era da então União Soviética (URSS). Trata-se da cadela Laika, que fez o primeiro voo orbital tripulado a bordo do satélite Sputnik 2.
Em 1957, a URSS tinha lançado com sucesso o primeiro satélite artificial da história a orbitar nosso planeta, o Sputnik 1. Entusiasmado com esse sucesso, o líder soviético Nikita Khrushchev ordenou que se lançasse um novo satélite - o Sputnik 2 - mas, dessa vez levando um ser vivo a bordo. Esse voo deveria coincidir com o aniversário da Revolução Russa para comemorar de modo espetacular essa data. A Corrida Espacial entre URSS e EUA tinha acabado de começar.
Os cientistas do programa espacial soviético já há algum vinham fazendo testes com animais em voos sub-orbitais no qual eram utilizados, em sua maior parte, cachorros que andavam soltos e abandonados pelas ruas e que foram levados para o programa. Laika era um desses cachorros e tinha cerca de três anos de idade quando foi levada.
O lançamento deu-se no dia 3 de novembro. Os cientistas monitoravam os sinais vitais de Laika por telemetria. Ao alcançar a órbita, a ponta do foguete desprendeu-se com sucesso, mas outra seção da nave não e isso fez com que a temperatura interna do Sputnik 2 aumentasse muito. Esse aumento de temperatura somado ao estresse que Laika vinha sofrendo desde a o início da missão terminaram por serem fatais. Laika morreu entre cinco e sete horas após a decolagem.
A tragédia da cadelinha cosmonauta soviética comoveu o mundo inteiro, gerou protestos de associações de proteção aos animais, o que fez as agências espaciais soviética e estadunidense não enviassem mais animais ao espaço sem garantir que estes voltassem em segurança. Laika foi homenageada em toda a União Soviética e em outros países. Na atual Rússia, há vários monumentos em sua memória.
Panorama do Cinema não poderia deixar passar este momento em branco e faz uma singela homenagem a essa corajosa cachorrinha que, com seu sacrifício, auxiliou, e muito, as viagens e estudos pelo espaço. Abaixo vocês verão o vídeo de uma comovente animação japonesa de 2010 baseada na história de Laika.
Veja o vídeo da animação Laika (legendas em inglês - HD):
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é um dos mais tradicionais e importantes festivais de cinema do Brasil e do mundo, sempre apresentando os lançamentos de filmes mais recentes e novas tendências e tecnologias da indústria cinematográfica. E uma dessas novas tecnologias, que promete ser a grande onda para o cinema do futuro é a Realidade Virtual (RV).
RV não é algo novo. Se fizermos uma pesquisa pela internet, veremos que seus primórdios datam da década de 1950, mas foi na década de 1980, com o músico e cientista da computação estadunidense Jaron Lanier, considerado um dos precursores dessa tecnologia, que a RV deu o grande salto em frente com o uso de simuladores multi-usuários em ambiente compatilhado e equipamentos tais como capacetes e luvas digitais (que começaram a serem vendidas comercialmente em 1987) que permitiam tanto a imersão quanto a interação com esse novo mundo. Atualmente, é possível adquirir óculos especiais para RV em lojas de equipamentos eletro-eletrônicos e digitais de grandes fabricantes de telefones celulares, notebooks, tablets, etc.
Em 29 de outubro último, fui com minha namorada a uma sessão da 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no CineSesc, uma das melhores salas de cinema da capital paulista e, sem dúvida, do país. A sessão que escolhi chamava-se HTC apresentava quatro filmes de curta-metragem: a animação francesa Planet (Infinit), da França e dirigido pela cineasta japonesa radicada na França, Momoko Seto; Nothing Happens, animacão co-produzida por Dinamarca e França dirigido a quatro mãos pelo casal israelense Urit e Michelle Kranot; o documentário After Solitary, dirigido igualmente a quatro mãos pela jornalista e cineasta estadunidense Cassandra Herman e pela também estadunidense Lauren Mucciolo, cineasta e documentarista; e, por fim, mais um documentário, Out of Exile: Daniel's Story, de mais uma jornalista e documentarista estadunidense, Nonny de La Peña (indicada ao Oscar de Melhor Documentário de 1992 por Death On The Job).
As exibições desses curtas não foram na sala de exibição habitual do CineSesc e foi permitida a entrada de somente sete pessoas por vez, de modo que o ingresso - que era gratuito - devia ser retirado com uma hora de antecedência à sessão que iria ser assistida. Entramos por uma porta e subimos por uma escada onde estava instalada a sala para exibição das películas em RV.
Conforme vocês verão nas fotos abaixo, haviam cinco cadeiras giratórias com os óculos especiais e fones de ouvidos. Eu e minha namorada ficamos em pé, pois, segundo explicado, era necessário para a interação dos filmes que iríamos ver. Nas paredes, no alto, haviam duas pequenas caixas que, depois soube, transmitiam as imagens para os óculos. Também foi explicado que nos moveríamos durante a exibição, mas por um espaço limitado que poderia ser visto com os óculos especiais. Foram colocados os óculos, que, apesar de um pouco pesados, não eram desconfortáveis e cobriam os olhos por completo. Por sobre eles, os fones de ouvido.
Quando o equipamento foi ligado, surgiu um cenário branco cortado por linhas pretas que podia ser visto em um ângulo de 360 graus, alem de em cima e em baixo (esse ângulo de visão também aparecia nos filmes exibidos). Olhando para o chão era possível ver a linha branca que delimitava os movimentos.
O primeiro filme a ser exibido, foi Nothing Happens, que contava a história de pessoas que se reuniram para uma possível celebração em um dia de inverno, mas, como o próprio título já diz, nada acontece. O filme retrata a tremenda solidão nesse local isolado, com uma rotina triste.
O filme mostrava um descampado com várias árvores e corvos voando enquanto nevava. Era possível olhar para cima e ver a neve caindo além dos corvos voando bem para o alto. Algumas vezes apareciam cenas em uma árvore, com os corvos pousados nela e dentro de um buraco que, de vez quando, tremia e com pessoas de olhos esbugalhados que nos observava do lado de fora. Uma cena particularmente marcante é a revoada dos corvos na árvore.
O filme seguinte foi o documentário After Solitary, que contava a história de um ex-condenado por assalto em uma prisão dos EUA, de seu confinamento na solitária - que o leva a surtar - e da dificuldade em readaptar-se à vida normal após cumprir sua pena.
A tridimensionalidade do filme era impressionante, a começar pelo ex-condenado, que narrava a sua própria história e aparecia em tamanho natural. A cela da solitária foi reproduzida com uma perfeição clautrofóbica: muito pequena, com uma cama, uma mesinha, uma janela muito estreita, um vaso sanitário que precisava de limpeza e a porta de aço. Todos esses elementos ajudavam a reforçar a angustiante história.
A seguir veio Planet (Infinit). Esta animação mostrava um planeta na qual proliferam cogumelos gigantes e onde os insetos não conseguem sobreviver. Repentinamente, começa a chover e a chuva rapidamente se transforma em um dilúvio que inunda tudo. A chegada da água faz surgir os peixes e, então, tão rápido quanto a sua chegada, a água desaparece e os cogumelos retornam em um círculo infinito.
O filme mexeu bastante com a sensações. Vai de alto a baixo como uma montanha russa. A chegada da chuva fez com que "mergulhássemos" na água, onde podíamos ver o surgimento dos peixes que, foram crescendo até um tamanho gigante e ficavam nos olhando tão fixamente que davam a impressão que iriam nos atacar a qualquer momento, o que não aconteceu. Mas, se tivesse acontecido, é bem possível que tívessemos gritado...
Para terminar, veio o documetário Out of Exile: Daniel's Story, que contava a história de Daniel, um jovem gay que foi expulso de casa após revelar à sua família a sua orientação sexual e tornou-se um sem-teto até refazer a sua vida.
O filme mostrava uma animação computadorizada em tamanho natural bastante semelhante à de alguns games que reproduz o dia em que Daniel fez a revelação ao seus familiares. Há uma discussão e, em seguida, uma briga na qual o jovem é ofendido e fisicamente agredido por sua própria mãe. Quando a briga começou, nós nos afastamos, como se estivéssemos realmente testemunhando tudo. Após essa cena, apareceu o próprio Daniel dando um depoimento juntamente com outras pessoas da comunidade LGBT. E mais uma a tridimensionalidade das pessoas impressionou.
Posto tudo isso, posso afirmar a vocês: o atual 3D está morto, pois nenhum filme nesse formato pode competir com a RV. Basta imaginar como seria assistir a, por exemplo, um filme da saga Star Wars que venham a fazer em RV imergindo e interagindo com os personagens, os cenários e a trama de um modo que o 3D jamais conseguirá.
O que chateia é que filmes em RV ainda vão levar um tempo para estarem disponíveis em escala massiva, pois os óculos especiais ainda são muito caros o que, por sua vez, encareceria o preço dos ingressos - que já não são tão baratos...
Ainda assim, o futuro é esse: é virtual e é uma realidade.
Veja abaixo as fotos do evento:
Cartazes das sessões dos filmes em RV
Cadeiras giratórias na sala de exibição
Notebook usado para a exibição dos filmes
Com os óculos especiais e os fones de ouvido
Os óculos especiais
Veja aqui o vídeo oficial da vinheta da 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (HD):
Panorama do Cinema vem com mais uma Dica de Leitura, na qual indicamos livros, revistas, matérias ou artigos relacionados ao cinema. E a nossa dica de hoje vai para o artigo O Cinema Soviético - Uma Arte a Serviço da Cultura Popular, que pode ser lido no jornal O Poder Popular nº 26, órgão oficial do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Esta é uma edição comemorativa ao centenário da Revolução Russa.
O artigo destaca o impulso dado ao cinema pelo líder da Revolução, Vladimir Lênin (1870-1924), que viu na Sétima Arte um poderoso instrumento de educação e de divulgação da Revolução Cultural; o desenvolvimento da indústria cinematográfica ao cargo da esposa de Lênin, a pedagoga Nadezhda Krupskaia (1869-1939) que culminou com a fundação da primeira escola profissional de cinema do mundo, o Instituto de Cinematografia de Todos os Estados da União, de onde veio o seu mais famoso aluno: o cineasta e filmólogo Serguei Eisenstein (1898-1948), cujos filmes desse período são verdadeiros clássicos do cinema soviético e mundial: A Greve (1924), O Encouraçado Potemkin (1925, considerado o maior filme de todos os tempos ao lado de Cidadão Kane, de Orson Welles) e Outubro (1927).
O Poder Popular nº 26 (assim como as edições anteriores), pode ser obtido gratuitamente por meio de download no site oficial do PCB. Acesse o link aqui.
Veja aqui o trailer de Outubro (legendas em espanhol):
Talvez vocês tenham se perguntado o por que deste espaço ter demorado tanto a postar novas críticas e/ou artigos sobre filmes e cinema os quais sempre tem tido uma receptividade muito boa por parte de vocês, cinéfilos e cinéfilas.
Bem, foi devido a razões pessoais - que inclui motivos de saúde - que fui impedido de dar a continuidade desejada ao nosso querido blog.
Então, para compensar a demora, comprometo-me, com uma regularidade maior, a não só a voltar postar artigos como também as críticas, ainda que com atraso, de filmes como Mulher Maravilha, Um Gato de Rua Chamado Bob, O Jovem Karl Marx, entre outros.
Para finalizar, trago uma novidade que, acredito, irá alegrar todos aqueles que prestigiam este espaço: muito em breve, Panorama do Cinematerá o seu próprio site!
Ele está sendo preparado com todo o cuidado e carinho para que vocês, amigas e amigos amantes do cinema, tenham um lugar digno de seu prazer, entretenimento e deleite.
Vocês podem conferir o site em construção aqui ou na coluna ao lado.
Porém, o blog que vocês tem prestigiado nestes quase dois anos irá continuar, para ser usado, principalmente em notícias e matérias rápidas.
Agora, é aguardar com paciência que, asseguro, será recompensada.
Uma vez mais, muito obrigado por todo apoio, confiança e fé que vocês tem demonstrado em Panorama do Cinema.
Com amor
João Carlos Correia
Publicado no LinkedInem 11/10/2017.
Se há uma cena de filme que é tão antiga quanto o próprio cinema é, sem dúvida, uma cena de beijo. Simbolo de amor, de carinho e até de traição, o beijo é imprescindível em um filme. Panorama do Cinema mostra para todos os seus leitores e leitoras o primeiro beijo em filme registrado no final do século XIX - mais precisamente em abril de 1896 - por ninguém menos que o genial inventor estadunidense Thomas Edison.
Além de uma carreira de sucesso no cinema, o ator estadunidense Richard Gere (de Uma Linda Mulher) é também conhecido pelo seu ativismo político e humanitário tendo, entre outras causas, apoiado o movimento pela independência do Tibet (Gere é budista e tem encontros frequentes com o líder espiritual tibetano, o Dalai Lama), campanhas pela AIDS e ecológicas.
No final de março passado, Gere esteve em Israel para promover seu filme Norman: confie em mim, um drama políticoindependentedirigido pelo israelense Joseph Cedar (de Nota de Rodapé). A convite da organização não-governamental Rompendo o Silêncio, Gere foi à cidade de Hebron, na Palestina para conhecer a situação dos palestinos que lá vivem e sua relação com os colonos e soldados israelenses. A visita do ator foi transmitida pela rede local Canal 2.
Richard Gere e seus acompanhantes foram parados pelos soldados que pediram seus passaportes. A seguir, Gere conversou com alguns habitantes que lhe mostraram uma rua, chamada Shuhada, onde antes era um efervescente ponto de comércio e hoje está às moscas. O exército tampou e selou as portas das casas que dão para essa mesma rua. Além disso, os palestinos estão proibidos de circularem nesse local, enquanto os colonos podem circular livremente, principalmente quando vão à sinagoga.
Os colonos costumam apedrejar os palestinos e a ofende-los tendo a complacência das tropas de Israel. Em Hebron vivem cerca de 160.000 palestinos, enquanto os colonos são cerca de 800.
Ao testemunhar toda esta situação lamentável e degradante, Richard Gere disse:
"É como o período de de segregação racial nos velhos tempos no sul dos EUA. Os negros sabiam onde podiam ir: podiam beber dessa fonte, não podiam ir ali, não podiam ir comer nesse lugar. Não podia cruzar por aqui, a menos que queira levar uma bala na cabeça ou ser linchado".
Durante a visita, um colono em um carro quase atropelou propositalmente o guia palestino, o que fez Gere comentar: "Há realmente uma energia sombria aqui".
Veja o vídeo da visita de Richard Gere à Hebron (original em inglês e hebraico - HD):
Veja o trailer oficial de Norman: confie em mim (legendado - HD):
O escritor e músico inglês James Bowen e seu gato cor de laranja, Bob, cujas vidas são contadas no livro Um Gato de Rua Chamado Bob, não se cansam de surpreender e de fazer história. Seu feito mais recente foi o de conquistar, por meio da película que adaptou o Best Seller, o prêmio de Melhor Filme Britânico da National Film Awards UK, organização que premia as melhores produções e profissionais da Sétima Arte da Grã-Bretanha.
O filme tem a direção de Roger Spotiswoode (007 - O Amanhã Nunca Morre) e conta com Luke Treadaway (Ataque ao Prédio), no papel de James Bowen; e Ruta Gedmintas (The Strain: Noite Absoluta), como Betty, namorada de James (e namorada de Luke na vida real), no elenco.
Essa vitória torna-se ainda mais surpreendente e expressiva por ter superado o grande favorito ao prêmio: o drama social e político Eu, Daniel Blake, do diretor Ken Loach (Kes), que, em 2016, conquistou nada menos que a Palma de Ouro do prestigioso Festival de Cannes. O filme de Loach teve que contentar-se com "apenas" com o prêmio de Melhor Drama.
Um Gato de Rua Chamado Bob fez suaestreia oficial em 4 de novembro de 2016, na Inglaterra. No Brasil, por algum motivo que continua ignorado, ainda não estreiou nos cinema - a previsão é para 24 de agosto próximo.
Esta produção tem sido, de modo geral, bem recebida pela crítica e público (que inclui a esposa do Príncipe William, a Duquesa Kate Middleton - na foto acima - que esteve na Première Mundial) e, em breve, Panorama do Cinema também fará a crítica do filme de James e Bob. Aguardem!
Veja aqui o trailer oficial de Um Gato de Rua Chamado Bob (legendado - HD):
Faleceu, em 26 de abril último, na cidade de Nova York, o diretor estadunidense Jonathan Demme, devido a um câncer de esôfago, doença da qual sofria já há algum tempo. Cineasta respeitado, conquistou, em 1991, o Oscar de Melhor Diretor com o filme O Silêncio dos Inocentes.
Robert Jonathan Demme nasceu em 22 de fevereiro de 1944, nos EUA, na pequena comunidade de Baldwin, no estado de Nova York (não confundir com a cidade), filho de um executivo de relações públicas e uma dona-de-casa. No início de sua adolescência, mudou-se com a família para Miami, onde cursou o Ensino Médio local e, depois, a Universidade da Flórida, onde estudou jornalismo. Escrevia críticas de filmes no jornal da faculdade e chamou a atenção do produtor de filmes Joseph E. Levine (Uma Ponte Longe Demais), que o contratou como redator publicitário.
Em 1971, Demme conheceu o cineasta, produtor e roteirista Roger Corman (A Queda da Casa de Usher), o rei dos filmes B, que já havia revelado talentos como Peter Bogdanovich (A Última Sessão de Cinema), Francis Ford Coppola (saga O Poderoso Chefão) e Jack Nicholson (Um Estranho no Ninho). Jonathan começou a trabalhar como roteirista para Corman, que acabou por se tornar seu mentor cinematográfico.
Seu primeiro trabalho para Corman foi nesse mesmo ano com o roteiro de Angels Hard as They Come, um filme de motoqueiros que era levemente baseado no clássico Rashomon, do cineasta japonês Akira Kurosawa (Dersu Uzala). No ano seguinte, escreveu o roteiro de The Hot Box e, em 1973, foi o autor da história do filme Black Mama, White Mama, um Blaxploitation (produções voltadas para o público negro) estrelado por Pam Grier (Jackie Brown). O filme chamou a atenção por, de forma pioneira, tratar de temas como o empoderamento das mulheres e do "Black Power" (literalmente "Poder Negro", movimento político criado pelo partido político Panteras Negras).
A estréia de Jonathan Demme na direção deu-se em 1974 com o filme Celas em Chamas, um filme do gênero "mulheres na prisão", com muita nudez, sexo e violência, bastante popular na época - principalmente entre os adolescentes. A seguir, vieram mais duas direções em outras típicas produções B de Corman: o filme de gansters Loucura da Mamãe (1975, sequência de A Mulher da Metralhadora, feito no ano anterior) e Pelos Meus Direitos (1976), estrelado por Peter Fonda (Sem Destino), que conta a história de um pequeno fazendeiro que usa táticas e métodos de guerrilha para combater latifundiários corruptos.
Os temas incomuns tratados nesses filmes B por Demme - alguns até mesmo considerados de vanguarda - fez com que, em 1977, ele tivesse a sua primeira chance em um grande estúdio de Hollywood. A Paramout Pictures chamou-o para dirigir a comédia Nas Ondas do Rádio, que conta a história de amigos que são usuários fanáticos de rádio-amador, outro tema pouco comum. O filme fracassou nas bilheterias, mas foi bem recebido pelos críticos, dentre estes, Pauline Kael, do jornal The New York Times, considerada extremamente exigente e azeda, que comparou Demme ao cineasta francês Jean Renoir (Semente do Ódio).
Em 1979, dirigiu o suspense O Abraço da Morte, no qual fez uma ponta como um passageiro de um trem. No ano seguinte, dirigiu a comédia Melvin e Howard, que conta a história de um operário sem sorte que, um dia, dá uma carona a um desconhecido que afirma ser o milionário recluso Howard Hughes. Desta vez, o sucesso de público veio com o de crítica e o filme foi premiado com os Oscars de Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante (para Mary Steenburgen, da franquia De Volta Para o Futuro), enquanto Demme conquistou o prêmio de Melhor Diretor do New York Critics Circle.
Jonathan voltou a dirigir um filme para o cinema somente em 1984, no drama romântico Armas e Amores, estrelado pelo casal - nas telas e na vida real - Goldie Hawn (Clube das Desquitadas) e Kurt Russel (Os Oito Odiados). Demme teve divergências com Hawn e Russel. Ambos queriam que fosse um filme mais leve, enquanto o diretor queria fazer um trabalho mais sério. O resultado foi um filme irregular mas, ainda assim, valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Christine Lahti (do seriado de TV Lista Negra).
Essa pequena frustração foi compensada com o sucesso, nesse mesmo ano, de Stop Making Sense, um inovativo documentário no qual Demme registrou o show minimalista e vibrante da banda de Rock The Talking Heads (veja aqui). O filme mostrava o entrosamento perfeito entre arte popular e de vanguarda, duas características que o diretor e a banda tinham em comum. Sucesso absoluto de público e crítica que conquistou o prêmio de Melhor Documentário do National Society of Film Critics.
Poster do filme Filadélfia
Aliás, Jonathan Demme sempre foi um fanático por música, Além dos Talking Heads, dirigiu três documentários sobre o músico de Country-Rock canadense Neil Young, que muito apreciava; um sobre o astro pop estadunidense Justin Timberlake, além de vídeos clips de artistas como a banda Pós-Punk New Order e o cantor Bruce Springsteen. É claro que um filme sobre Rock 'N' Roll não podia faltar em sua filmografia: em 2015, dirigiu Rick and The Flash: De Volta Para Casa uma comédia dramática tendo Meryl Streep (A Dama de Ferro) no papel principal e com roteiro de Diablo Cody (Juno).
A década de 1980 viu ainda duas grandes comédias dirigidas por Demme sobre mulheres muito agitadas e de personalidades marcantes: o primeiro é Totalmente Selvagem (1986), na qual Melanie Griffith (A Fogueira das Vaidades) leva à loucura o yuppie Jeff Daniels (A Rosa Púrpura do Cairo) e faz Ray Liotta (Sin City 2: A Dama Fatal), o ex-marido presidiário, ficar repleto de ciúmes.O filme recebeu três indicações para o Globo de Ouro, sendo de Melhores Ator e Atriz em Musical ou Comédia para Daniels e Griffith e Melhor Ator Coadjuvante para Liotta e ganhou um status de Cult Movie.
O segundo é De Caso Com a Máfia (1988), em que um agente do FBI (Matthew Modine, de Short Cuts - Cenas da Vida) apaixona-se pela bela viúva (Michelle Pfeiffer, de Sombras da Noite) de um chefão da Máfia (Alec Baldwin, da franquia Missão Impossível), que foi assassinado por um rival (Dean Stockwell, da série Jag - Ases Invencíveis). Stockwell foi indicado o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e Michelle para o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical ou Comédia.
O início da década de 1990 trouxe a consagração para Jonathan Demme. Somente ele poderia dirigir um tema tão inusitado, sombrio e pesado como o canibalismo que compõe a adaptação do romance do escritor Thomas Harris, O Silêncio dos Inocentes (1991).
A princípio, a resposta do público foi modesta, mas, à medida que os comentários boca-a-boca aumentavam, progressivamente aumentavam as filas do cinema. Atualmente, são poucos os que nunca ouviram falar da historia da agente do FBI Clarice Starling (interpretada por Jodie Foster, de Taxi Driver) que vai a um manicômio pedir ajuda ao insano e canibal psiquiatra Hannibal Lecter (interpretado por Anthony Hopkins, da franquia Thor) para capturar um serial killer.
Foi nesse filme que ficou consagrada uma técnica simples muito utilizada por Demme em seus filmes, de grande impacto ensinada por Roger Corman (que faz um pequeno papel no filme como chefe do FBI): os close-ups dramáticos dos personagens olhando diretamente mente para a câmera em momentos cruciais dos filmes. Nas cenas em que Lecter analisa Clarice psicologicamente, é impossível não sentir um calafrio na espinha com o olhar ao mesmo tempo fixo, frio, e aterrador do psicopata. "Mantenha os olhos do público estimulados", dizia o mestre ao seu discípulo, que aprendeu bem a lição.
Na cerimônia do Oscar, O Silêncio dos Inocentes superou as expectativas e conquistou cinco Oscars, justamente os chamados "cinco grandes": Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado. Um feito que, até então, somente dois outros filmes alcançaram: Aconteceu Naquela Noite (1934) e Um Estranho no Ninho (1975). Não se podia desejar mais.
Alçado ao patamar do primeiro time de Hollywood, Demme usou sua recém-adquirida influência para realizar um projeto que há um bom tempo vinha acalentando: um filme sobre AIDS, homossexualismo e homofobia - novamente temas pouco comuns. O resultado foi Filadélfia, lançado em 1993. O filme contava a história de um advogado (Tom Hanks, de Forrest Gump) que foi despedido da firma onde trabalhava quando descobriram que ele era portador do vírus HIV e que contrata outro advogado (Denzel Washington, de Malcolm X) para processar a empresa.
Em um tempo no qual a AIDS era ainda tratada com sensacionalismo pela imprensa, com preconceito pelas pessoas (que viam essa doença como "peste gay") e com Hollywood seguindo essas tendências, Filadélfia foi um divisor de águas e tratou do assunto tal como deve ser: com seriedade, mas sem cair no pieguismo, e mostrando a comunidade LGBT - que, apesar de importantes conquistas sociais, ainda era vista no cinema de forma estereotipada - com a dignidade e o respeito devidos.
Filadélfia foi muito recebido por crítica e público e conquistou, entre outros prêmios, os Oscars e os Globos de Ouro de Melhor Ator para Hanks, e Melhor Canção para Streets of Philadelphia, composta e interpretada pelo cantor estadunidense Bruce Springsteen (cujo vídeo foi dirigido por Jonathan em conjunto com seu sobrinho, Ted Demme, morto prematuramente, em 2002).
Poster do documentário Man From Plains
A seguir, veio o filme de horror Bem-Amada (1998), estrelado por Oprah Winfrey (A Cor Púrpura) e Danny Glover (franquia Máquina Mortífera), baseado no romance de mesmo nome da escritora vencedora do Prêmio Nobel Toni Morrison, que conta a história de um ex-escravo que é assombrado por um poltergeist ao mesmo tempo em que recebe a visita da reencarnação da sua filha, a quem tinha matado para quem não se tornasse uma escrava. Mais uma vez Demme mostrava a sua preferência pelos temas incomuns. O filme foi bem recebido pela crítica, mas foi mal de bilheteria.
Em 2002, foi a vez de O Segredo de Charlie, uma refilmagem do clássico Charada (1963), estrelado por Mark Whalberg (Boogie Nights) e com participação do grande cantor francês Charles Aznavour. Se Bem-Amada foi considerado um meio-fracasso, O Segredo de Charlie foi um fiasco completo: nem público nem crítica gostaram.
Sob o Domínio do Mal, em 2004, com Denzel Washington e Meryl Streep no elenco, foi uma refilmagem do suspense de mesmo nome, de 1962, com o cantor Frank Sinatra (A Um Passo da Eternidade) e a atriz Janet Leigh (Psicose) nos papéis principais. O filme foi muito bem recebido, deu novo fôlego a Demme e uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Meryl Streep.
Em 2008, veio O Casamento de Rachel, que conta a história de uma dependente química (Anne Hathaway, de Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge) que sai de sua clínica de reabilitação por alguns dias para ir ao casamento de sua irmã (Rosemarie DeWitt, de La La Land) e que carrega consigo muitos conflitos pessoais e familiares, que inclui, além do uso de drogas, o alcoolismo e assassinato. E nesse cenário bizarro, ainda aparece uma mulata brasileira sambando!
Novamente, Demme apelou para métodos nada comuns: ao invés das usuais câmeras de filmar, foram usadas aparelhos portáteis semelhantes às camcorders, câmeras de vídeo muito populares na década de 1980. Com isso, as filmagens duraram apenas 33 dias e resultou no que Jonathan definiu como "O mais belo filme caseiro já feito".
A crítica aclamou o filme, que foi considerado o melhor trabalho do diretor desde O Silêncio dos Inocentes e ainda valeu a Anne Hathaway sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
Em 2013, Demme voltou a surpreender com o filme The Master Buider. Nesta adaptação da peça Solness, o Contrutor; do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (Casa de Bonecas), foi escalado um elenco do chamado "baixo clero" de Hollywood - em fama, não em talento - em que destacam-se Wallace Shawn (de A Era do Rádio, também autor do roteiro e com uma excepcional atuação) e Julie Hagerty (franquia Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu). Outro trabalho fora do comum e bastante elogiado.
Jonathan Demme era muito envolvido em ativismo político. Entre os seus trabalhos de maior destaque estão o vídeo da canção Sun City, de 1985, dirigido em conjunto com os diretores Lol Creme e Kevin Godley, para o grupo Artists United Against Apartheid, que protestava contra o odioso regime racista que, na época, vigorava na África do Sul, e mais dois documentários: The Agronomist (2003), sobre o defensor dos direitos humanos do Haiti, Jean Dominique, e ManFrom Plains (2007), sobre o ex-presidente dos EUA e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, JimmyCarter, e que conquistou os Prêmios PRESCI, EIUC e Biografilm do Festival de Veneza.
Jonathan Demme também trabalhou bastante na televisão. Dentre os trabalhos realizados para a telinha, destacam-se um episódio do seriado de TV Columbo, em 1978;entre 1980 e 1986 dirigiu três episódios do prestigioso programa humorístico Saturday Night Live. Em 2017, dirigiu um episódio da série Shots Fired, estrelado por Richard Dreyfuss (Contatos Imediatos do Terceiro Grau) e Helen Hunt (Melhor Impossível). Foi o seu último trabalho que, em uma triste coincidência, foi transmitido no dia de sua morte.
Jonathan Demme sempre teve um profundo senso de concienciosidade e comunidade, sempre tendo um profundo cuidado com que colocava e mostrava em seus filmes. Em uma entrevista concedida em 2004, disse que "Esse é um dos melhores aspectos do trabalho e também sinto que é parte da minha responsabilidade como cineasta. Você deve lembrar que o comportamento que você visualiza na tela será testemunhado por milhares ou milhões de pessoas e, em última análise, dirá alguma coisa sobre nós como espécie".
Assim era Jonathan Demme, o cineasta para quem o incomum não era algo destinado aos párias ou os desprezados pela sociedade conservadora, capitalista e neoliberal na qual vivemos atualmente, mas uma característica que todos partilhamos e que faz parte de nossa humanidade. Que ele descanse em paz.
Veja aqui o trailer de Stop Making Sense (original em inglês):
Veja aqui o trailer de O Silêncio dos Inocentes (original em inglês - HD):
Veja aqui o trailer de O Casamento de Rachel (original em inglês -HD):
Panorama do Cinema vem com mais uma Dica de Cinema, que indica bons filmes a bons preços.
A nossa dica de hoje vai para o evento A Revolução em Imagens, que tem início em 3 de maio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema é a Revolução Russa que, neste ano, completa seu centenário. Além seminários e exposição, vai ocorrer as Quartas Vermelhas, sessões de filmes que ocorrem as quartas-feiras com temática Socialista. Dentre as películas há os clássicos Outubro e O Encouraçado Potemkin, do cineasta russo Serguei Eisenstein; Reds, do ator e diretor estadunidense Warren Beatty; e Eles Não Usam Black-Tie, do cineasta brasileiro Leon Hirzman, baseado na peça teatral escrita pelo ator Gianfrancesco Guarnieri.
As sessões tem lugar no Auditório da Decania no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFRJ, às 14 hrs. O endereço é Avenida Pasteur 250, fundos, Urca, Campus da Praia Vermelha, Rio de Janeiro - RJ. A entrada é franca.
Veja aqui o trailer de Encouraçado Potemkin (legendas em inglês - HD):
Veja aqui o trailer de Reds (original em inglês):
Veja aqui o trailer de Eles Não Usam Black-Tie (original em português):