Bem-Vindos a Panorama do Cinema"


Panorama do Cinema dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

Editorial


Estamos de Volta!

Olá a todos! Depois de um longo hiato, Panorama do Cinema está de volta! Esta ausência deveu-se a motivos pessoais que impediram a continuidade do trabalho. Mas, agora estamos de volta no melhor estilo "a volta dos que não foram", com mais de 10 anos anos nas costas e com novidades. Vocês já devem ter reparado que a página teve uma "turbinada" que inclui este editorial, o vídeo de boas vindas feito com a Inteligência Artificial (IA) e atualizações das redes sociais e, em breve, novas edições de podcasts. Como estamos em plena Copa do Mundo, iniciamos o nosso retorno com posts sobre futebol tais como a Série Especial "Filmes sobre futebol para assistir antes da Copa do Mundo acabar" e a matéria "Veja os criativos, divertidos e irados animes e vídeos de IA da Copa do Mundo". Mas, não nos limitaremos apenas à paixão nacional. Logo voltaremos com mais artigos, matérias e críticas de filmes, que são a razão de ser deste espaço. E, neste retorno, nos comprometemos a fazer, pelo menos, um texto por mês. Não deu para não notar que, apesar da longa ausência, vocês nunca deixaram de nos visitar e ver nossos textos publicados anteriormente. Panorama do Cinema se comove e agradece de todo o coração pela sua fidelidade e gentileza. Panorama do Cinema espera que vocês apreciem esta nova fase e que continuem a nos visitar sempre. Boas leituras e boa diversão!
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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Wim Wenders é homenageado em Sarajevo


O cineasta alemão Wim Wenders foi homenageado no Festival de Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, com o prêmio Coração de Honra por sua contribuição ao cinema.

Afastado das salas de exibição e do público há um ano e meio devido à pandemia do Covid-19, Wim Wenders disse que "Esta noite parece-me um sonho tornado realidade depois de um ano e meio sem sair de casa nem assistir um filme com outras pessoas. Custo a acreditar na sorte que finalmente tenho". 

Na cerimônia, Wim Wenders compareceu vestido de terno e uma camiseta com o desenho de um coração, que é o formato dos prêmios distribuídos no festival. Sobre esse mesmo formato, Wim Wenders comentou: "É assim que faço filmes, com o meu coração. Por isto que isto é especial para mim".

Wim Wenders ainda realizou uma masterclass no festival e houve exibição de vários de seus filmes tais como Paris, Texas (1984) e Buena Vista Social Club (1999).


Veja aqui o trailer oficial de Buena Vista Social Club dirigido por Wim Wenders (legendado - HD):



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#MarioFriasNaCadeia

sábado, 12 de junho de 2021

Homenagem | Faleceu o ator e cineasta Julio Calasso


É com grande tristeza que Panorama do Cinema anuncia a partida de um talentoso artista brasileiro no dia de hoje: o ator e cineasta Julio Calasso. Até o momento em que este texto foi escrito, a causa da morte não tinha sido divulgada.

Julio Calasso nasceu em 1941, em São Paulo, e iniciou sua carreira artística no clássico O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla (1946-2004), no qual trabalhou como ator e assistente de produção. Os créditos de Julio Calasso como ator ainda incluem filmes como O Vampiro da Cinemateca (1977), de Jairo Ferreira (1945-2003); Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach (1945-2012), A Dama do Cine Shangai (1987), de Guilherme de Almeida Prado; a minissérie Me Chama de Bruna (2016) e Fala Sério, Mãe! (2017), de Pedro Vasconcelos, no qual contracenou com Ingrid Guimarães (Minha Mãe é Uma Peça: o Filme) e Larissa Manoela (Diários de Intercâmbio).

Como diretor e roteirista, Julio Calasso tem dois trabalhos em seu currículo: o drama Longo Caminho da Morte, (1971) com os atores Othon Bastos e Dionísio Azevedo (1922-1994) no elenco e pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Roteiro Original da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA); e o documentário Plínio Marcos nas Quebradas do Mundaréu (2014), no qual conta a vida e obra do dramaturgo e escritor underground Plínio Marcos (1935-1999) e tem as participações da atriz Tônia Carrero (1922-2018) e dos atores Sérgio Mamberti (Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme) e Nelson Xavier (1941-2017).

Julio Calasso também foi músico e produziu álbuns de artistas da MPB como Os Novos Baianos e Moraes Moreira, de Itamar Assumpção, da Vanguarda Paulista; e da banda de Rock Joelho de Porco.  

Com a partida de Julio Calasso, a vida cultural brasileira fica mais pobre e, nesta era das trevas em que vivemos atualmente, artistas como ele fazem muita falta. Que descanse em paz.


Veja, a seguir, os trailers dos filmes Longo Caminho da Morte e Plínio Marcos nas Quebradas do Mundaréu, ambos dirigidos por Julio Calasso:

Longo Caminho da Morte (1971):


Plínio Marcos nas Quebradas do Mundaréu (2014):


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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Memória | O legado de Rubens Ewald Filho, o pai da crítica brasileira contemporânea


Faleceu em 21/06/2019, aos 74 anos, o mais famoso crítico de cinema brasileiro de sempre: Rubens Ewald Filho. Sua importância foi tão grande a ponto de ser impossível falar em cinema no Brasil, sem falar dele.

Rubens Ewald Filho nasceu no dia 7 de março de 1945, na cidade de Santos - SP. Quando criança, adquiriu o hábito de anotar em um caderno todos os dados a respeito de um filme (elenco, direção, etc), hábito que manteve até pouco antes de sua morte. Estima-se que ele tenha assistido mais de 37.500 filmes durante sua vida.

Começou sua carreira jornalística no jornal A Tribuna, em Santos. Logo foi para a televisão, começando na Rede Cultura, passando pela Redes Globo, SBT, Record e, em seus últimos anos, no canal pago TNT

Rubens Ewald Filho não foi o primeiro jornalista brasileiro a fazer a cobertura do Oscar, mas foi ele que ajudou a popularizar a transmissão do prêmio em nosso país. Além disso, ajudou a tornar de modo mais acessível ao grande público o significado de termos técnicos tais como cinematografia, montagem, entre outros.

Além da crítica, Rubens Ewald Filho também foi roteirista, adaptando obras literárias como Éramos Seis (de Maria José Dupré) e Iaiá Garcia (Machado de Assis) e, inspirado pelo romance Drácula (Bram Stoker), foi o autor da novela Drácula, Uma História de Amor, em 1980, primeiro na Rede Tupi (que, logo após o início da transmissão, seria extinta) e, depois no mesmo ano, para a Rede Bandeirantes com o nome de Um Homem Muito Especial.

Também trabalhou como ator em filmes, dentre estes Amor Estranho Amor (1982), de Walter Hugo Khouri (1929-2003), cineasta que muito admirava. Arriscou dirigir peças teatrais como Doce Veneno, baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, da escritora e ex-garota de programa Bruna Surfistinha.

Ainda foi curador de vários festivais tais como o Festival de Gramado (RS) e o Festival de Paulínia (SP) e ajudou na seleção e lançamento de filmes de grande repercussão. Não bastasse, ainda escreveu livros sobre a Sétima Arte tais como Dicionário de Cineastas, o Oscar e Eu e o popular guia de filmes da antiga revista Video News.

Rubens Ewald Filho esteve presente em minha vida desde a infância. Além das exibições das cerimônias do Oscar, lembro-me de suas críticas de filmes no Jornal Hoje, da Rede Globo, na década de 1970; e, na mesma época, como apresentador da série documental Isto é Hollywood (sobre filmes da 20th Century Fox), exibida pela Rede Cultura, onde depois apresentou outro programa - cujo nome não me recordo - onde fazia uma pequena análise do filme antes da sua exibição. Um desses filmes foi a comédia Queijo Suíço (1938) da dupla O Gordo & O Magro.

A primeira vez que o vi pessoalmente, foi em 2015, na "cabine" (sessão para críticos) do filme A Travessia (veja aqui). Fiquei surpreso em ver como ele era alto, quase tanto quanto um jogador de basquete ou volei. Tive vontade de falar com ele, mas, confesso, tive vergonha...

A segunda vez, foi no mesmo ano, na "cabine" de Hotel Transilvânia 2 (veja aqui). Novamente, a vergonha impediu-me de aproximar-me do crítico. A terceira vez foi em 2016, durante a cabine de Voando Alto (veja aqui). Ele estava sentado em uma mesa esperando como os outros críticos pelo início da "cabine". Desta vez, chutei a vergonha para escanteio e, como quem não quer nada, sentei-me próximo.

Começamos a conversar. Eu o via, ouvia e pensava: "Igualzinho como na TV". Pedi a opinião sobre o filme O Encontro, com Richard Gere (Gigolô Americano). Ele disse que não gostou e que esse tipo de filme estava manjado. Eu disse que tinha boas expectativas sobre Um Gato de Rua Chamado Bob (veja aqui), mas ele estava cético.

Também falei sobre o filme alemão Ele Está de Volta (veja aqui). Ele disse que ainda iria ver e ficou surpreso quando eu disse que o romance no qual o filme baseava-se foi publicado e era vendido no Brasil. Já quanto a Voando Alto, disse que havia sido bem recebido pela crítica do exterior (fiz uma pesquisa antes) e pareceu que o seu interesse foi desperto.

Bem, a "cabine" correu normalmente e, ao final dela, ele estava bem entusiasmado, elogiou a performance de Taron Egerton (franquia Kingsman) e disse que o fez lembrar dos seus velhos tempos - foi atleta em sua juventude. Eu também gostei muito do filme e fiquei feliz em saber que tínhamos a mesma opinião. 

Depois, só veria Rubens Ewald Filho rapidamente neste ano, na coletiva de imprensa do filme nacional Sai de Baixo. Eu ouvi falar mais uma vez dele quando do acidente que teve em uma escada rolante, quando teve um desmaio, caiu e foi internado em estado grave. Apesar disso, eu achava que ele sairia dessa, mas o destino tinha outros planos...

Como toda pessoa famosa também tinha suas polêmicas. Embora respeitado como crítico, não eram poucos os que achavam que seu estilo era ácido, embora eu pensasse que ele era irônico, mas, nos últimos anos, achei que suas críticas, com as exceções de praxe, estavam um tanto amargas.

Outra polêmica vieram de seus comentários da atriz estadunidense, Frances McDormand, e da atriz chilena trans Daniela Vega, que foram considerados grosseiros e preconceituosos e, como consequência, não participou da transmissão do Oscar deste ano. De minha parte, acho que esses erros ele os cometeu mais como homem do que como crítico. 

Influência para muitos críticos brasileiros, inclusive eu mesmo, Rubens Ewald Filho pode ser considerado, com justiça, o pai da crítica brasileira contemporânea. E nós, críticos de cinema "filhos do Rubens", temos como missão deixar o seu legado sempre vivo. Ele vai fazer falta. E como! Que descanse em paz.



Veja aqui uma entrevista com Rubens Ewald Filho, feita em 2018, para a agência Ethos Comunicação e Arte:



Publicado no LinkedIn em 28/06/2019.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Kirk Douglas emociona o mundo na premiação do Globo de Ouro 2018


O ator estadunidense Kirk Douglas é uma verdadeira lenda viva do cinema. Não só por ter completado, no último dia 9 de dezembro, 101 anos de idade (!), mas também por ter feito alguns dos maiores sucessos do cinema tais como 20.000 Léguas Submarinas (1954), A Vida Apaixonada de Van Gogh (1956, que lhe valeu o Globo de Ouro de Melhor Ator) e o clássico Spartacus (1960). Também trabalhou com grandes nomes da Sétima Arte como o diretor Stanley Kubrick (De Olhos Bem Fechados), atores como seu amigo Burt Lancaster (Atlantic City), com quem realizou sete filmes; e atrizes como Laureen Bacall (O Fã - Obsessão Cega), que o ajudou no início de sua carreira. 

Além disso, trouxe ao mundo um dos mais talentosos atores de sua geração, o filho Michael Douglas (franquia Wall Street), que não deixou de homenagear o pai em seu aniversário postando uma foto de ambos em sua página no Facebook.


Michael Douglas (esq.) e Kirk Douglas

Kirk foi a grande surpresa da cerimônia do Globo de Ouro 2018, ao aparecer, juntamente com sua nora, a atriz britânica Catherine Zeta-Jones (Chicago), para entregar o prêmio de Melhor Roteiro (vencido por Três Anúncios Para Um Crime). A platéia não se conteve e aplaudiu o veterano e grande astro em pé.

Kirk Douglas não só é um grande ator, mas também é um grande sobrevivente ao passar por tragédias como a morte de seu outro filho, o também ator e comediante Eric Douglas (O Rapto do Menino Dourado), por intoxicação de uma mistura de álcool, analgésicos e medicamentos com apenas 46 anos; o terrível acidente de helicóptero que queimou todo o seu corpo, além do derrame que sofreu em 1996 e que afetou sua capacidade de falar - mais tarde recuperada graças ao tratamento com uma fonoaudióloga. Tudo superado com muita garra e determinação.

Como não admirar esse homem e artista? Apesar das sequelas físicas, ele parece ser feito de ferro, sem nunca se dobrar perante os infortúnios da vida. E suas atuações ficarão para sempre na memória coletiva de todo o mundo, o que lhe garante a imortalidade, mesmo quando vier a morte física - que, esperemos, ainda demore.

Um viva ao grande e imortal Kirk Douglas!


Veja aqui momentos selecionados do Globo de Ouro 2018, que inclui a participação de Kirk Douglas (original em inglês):



Veja aqui o trailer restaurado de Spartacus (original em inglês - HD):


Publicado no LinkedIn em 09/01/2018.

sábado, 4 de novembro de 2017

Homenagem | Laika, a valente cadelinha cosmonauta


Neste último dia 3 de novembro, foi celebrado em todo o mundo os 60 anos da viagem do primeiro ser vivo do planeta Terra no espaço. E se por acaso pensou em um cosmonauta como o soviético Yuri Gagarin, você está meio certo. Essa pioneira tinha em comum com Gagarin a nacionalidade: também era da então União Soviética (URSS). Trata-se da cadela Laika, que fez o primeiro voo orbital tripulado a bordo do satélite Sputnik 2.

Em 1957, a URSS tinha lançado com sucesso o primeiro satélite artificial da história a orbitar nosso planeta, o Sputnik 1. Entusiasmado com esse sucesso, o líder soviético Nikita Khrushchev ordenou que se lançasse um novo satélite - o Sputnik 2 - mas, dessa vez levando um ser vivo a bordo. Esse voo deveria coincidir com o aniversário da Revolução Russa para comemorar de modo espetacular essa data. A Corrida Espacial entre URSS e EUA tinha acabado de começar.

Os cientistas do programa espacial soviético já há algum vinham fazendo testes com animais em voos sub-orbitais no qual eram utilizados, em sua maior parte, cachorros que andavam soltos e abandonados pelas ruas e que foram levados para o programa. Laika era um desses cachorros e tinha cerca de três anos de idade quando foi levada.

O lançamento deu-se no dia 3 de novembro. Os cientistas monitoravam os sinais vitais de Laika por telemetria. Ao alcançar a órbita, a ponta do foguete desprendeu-se com sucesso, mas outra seção da nave não e isso fez com que a temperatura interna do Sputnik 2 aumentasse muito. Esse aumento de temperatura somado ao estresse que Laika vinha sofrendo desde a o início da missão terminaram por serem fatais. Laika morreu entre cinco e sete horas após a decolagem.

A tragédia da cadelinha cosmonauta soviética comoveu o mundo inteiro, gerou protestos de associações de proteção aos animais, o que fez as agências espaciais soviética e estadunidense não enviassem mais animais ao espaço sem garantir que estes voltassem em segurança. Laika foi homenageada em toda a União Soviética e em outros países. Na atual Rússia, há vários monumentos em sua memória.

Panorama do Cinema não poderia deixar passar este momento em branco e faz uma singela homenagem a essa corajosa cachorrinha que, com seu sacrifício, auxiliou, e muito, as viagens e estudos pelo espaço. Abaixo vocês verão o vídeo de uma comovente animação japonesa de 2010 baseada na história de Laika.

Veja o vídeo da animação Laika (legendas em inglês - HD):


Publicado no LinkedIn em 04/11/2017.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Danny Glover é condecorado em Cuba


O ator estadunidense Danny Glover (de A Cor Púrpura), conhecido pelos filmes da franquia Máquina Mortífera que fez junto com o astro Mel Gibson (Coração Valente) e também pelo seu ativismo político a favor da justiça social e direitos humanos, foi condecorado hoje em Havana, no Instituto Cubano de Amizade com os Povos, com a Medalha da Amizade, concedida pelo Conselho de Estado de Cuba, pela sua luta em favor da libertação dos chamados “Cinco Cubanos”, que ficaram vários anos presos nos EUA devido a acusações falsas de espionagem e conspiração para assassinato, e também pela defesa da Revolução e do povo cubano.
                 Cartaz pedindo a libertação dos Cinco Cubanos
Além de Glover, também foram condecorados o casal de cineastas e documentaristas Estela Bravo (do documentário Fidel) e Ernesto Bravo (Mandela e Fidel) – ela, de nacionalidade estadunidense, e ele, argentino – que residem há mais de 50 anos na ilha comunista. Após a cerimônia, todos posaram para as câmeras segurando fotos do recém-falecido ex-presidente de Cuba e líder revolucionário Fidel Castro, com quem os homenageados tinham fortes vínculos de amizade.

Veja aqui o vídeo do telejornal venezuelano Telesur Noticias com a reportagem sobre a condecoração de Danny Glover em Cuba (original em espanhol):




Publicado no LinkedIn em 29/12/2016.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Homenagem à Chapecoense | Filmes de Futebol


O trágico acidente aéreo do voo 2933 da companhia aérea Lamia ocorrido em Medellin, Colômbia, que vitimou os jogadores e comissão técnica da Associação Chapecoense de Futebol chocou o mundo e, particularmente, o Brasil. Infelizmente, não foi a primeira vez que algo assim ocorreu: em 1949, a equipe italiana Torino faleceu em um acidente aéreo que matou todos os seus atletas. Em homenagem às vítimas, o clube mais popular de São Paulo, o Corinthians, disputou uma partida vestindo uma camisa da cor grená, a mesma do clube do norte da Itália. Em 1958, a equipe inglesa Manchester United também sofreu uma queda de avião na qual quase todos os seus atletas morreram (um dos sobreviventes foi o supercraque Bobby Charlton que se tornaria campeão mundial pela Inglaterra na Copa do Mundo de 1966). Há outros casos semelhantes que são igualmente tristes.
A Chapecoense – ou Chape, como é carinhosamente chamada por seus torcedores e adeptos – é uma equipe fundada em 10 de maio de 1973 na pequena cidade de Chapecó, localizada no estado de Santa Catarina, no Brasil. Seus principais títulos são cinco Campeonatos Catarinenses (em 1977, 1996, 2007, 2011, 2016) e um vice-campeonato no Campeonato Brasileiro da Série B (2013). Foi o primeiro time catarinense a se classificar para disputar uma final de uma competição internacional – a Copa Sul-Americana de 2016. Até ocorrer o acidente, era considerado um time “emergente”, com boas perspectivas de crescimento (se alguém pensou no filme Quero Ser Grande, tenha certeza que não é mera coincidência).
A tragédia provocou comoção planetária. No Brasil, foi decretado luto oficial de três dias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) paralisou e adiou a final da Copa do Brasil e a última rodada do Campeonato Brasileiro. Em um ato de solidariedade, equipes do Brasil, Argentina e Paraguai ofereceram-se para emprestar jogadores à Chapecoense sem nenhum custo. Os times brasileiros pediram à CBF que, devido ao ocorrido, que a equipe catarinense não seja rebaixada para divisões inferiores pelos próximos três anos. E, em um ato de grande generosidade, o adversário da Chapecoense na final da Copa Sul-Americana, o time colombiano Atlético Nacional, fez um pedido oficial à Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) para que o time de Chapecó seja declarado o campeão da competição deste ano.
Panorama do Cinema envia seus mais sinceros pêsames aos familiares de todas as vítimas e fez uma seleção de filmes de vários países sobre futebol a qual é dedicada, como uma singela homenagem, aos jogadores e comissão técnica da Chapecoense e demais passageiros que pereceram no acidente. Que descansem em Paz.
Antes de ver a seleção de filmes, assista aqui um vídeo com os gols de uma das últimas partidas da Chapecoense: o primeiro jogo da semifinal da Copa Sul-Americana de 2016 na qual enfrentou a equipe do San Lorenzo, da Argentina (resultado final em 1x1. Narrado em português - HD):

Fuga Para a Vitória (EUA - 1981)

Em um campo de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, o ex-futebolista e general das forças alemãs, Karl Von Steiner (o sueco Max Von Sidow, de Star Wars: O Despertar da Força), propõe a um prisioneiro, o capitão britânico John Colby (o inglês Michael Caine, de Kingsman – Serviço Secreto), também ele um ex-jogador, realizar uma partida de futebol entre seus soldados e os outros prisioneiros. De modo relutante, Colby aceita e começa a formar a sua equipe que conta, entre outros, com o cabo Luiz Hernandez (o ex-futebolista brasileiro Pelé). O alto comando nazista que usar a partida para fazer propaganda do regime. O capitão e agente secreto dos EUA, Robert Hatch (o estadunidense Sylvester Stallone, das franquias Rocky e Rambo) quer entrar no time e aproveitar a oportunidade para ajudar os prisioneiros a fugirem.
Fuga Para a Vitória foi inspirado em um fato real: o jogo de futebol que ficou conhecido como “A Partida da Morte”. No ano de 1942, em plena guerra, os nazistas organizaram um jogo de futebol entre a equipe da Luftwaffe (a aviação militar da época), um dos melhores times das forças armadas alemãs, e o Dínamo de Kiev, principal equipe da Ucrânia que, naquele tempo, fazia parte da União Soviética (URSS). O juiz da partida era um oficial da Gestapo, a temida polícia secreta nazista.
Os jogadores do Dínamo sabiam que, se vencessem, os nazistas não os perdoariam e ajustariam as contas. Mas, decidiram, assim mesmo, jogar para ganhar. No início, os alemães, com melhor preparação física e mais bem nutridos, levaram a melhor e abriram uma vantagem de 2x0. Porém, com muita garra, raça e técnica, os valentes futebolistas soviéticos conseguiram virar o placar e vencer a partida por 3x2! A reação nazista não se fez esperar: a equipe do Dínamo de Kiev foi executada. Esses valorosos jogadores perderam a vida (com exceção de uns poucos que se salvaram por milagre), mas entraram para a história.
Além do elenco de astros, o diretor John Houston (A Honra do Poderoso Prizzi) contou também com grandes craques para a realização do filme. Além de Pelé, estavam presentes o inglês Bobby Moore (campeão mundial em 1966), o polonês Kazimierz Deyna (campeão olímpico em 1972) e o argentino Osvaldo Ardiles (campeão mundial em 1978), que ajudaram nas filmagens das cenas da bola em jogo. Embora seja considerado um trabalho menor de Houston e tenha recebido críticas mornas, Fuga Para a Vitória teve uma boa recepção por parte do público e foi indicado ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Moscou daquele ano.
Para encerrar, uma historinha de bastidores: durante um intervalo das filmagens, o elenco decidiu disputar uma pelada. Sylvester Stallone jogava como goleiro (tal como seu personagem no filme). Pelé mandou uma “bomba” em direção ao gol. Sly defendeu, mas o chute foi tão forte que o ator teve um dos dedos deslocado!
Veja aqui o trailer de Fuga Para a Vitória (original em inglês):

Boleiros: Era Uma Vez o Futebol (Brasil - 1998)

Um grupo de amigos (composta por Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Rogério Cardoso, João Acaibe, Oswaldo Campozana, e César Negro) – quase todos ex-futebolistas – se reúne regularmente em um bar para beber umas cervejinhas e fazer aquilo que mais gostam: contarem, uns para os outros, histórias de futebol.
O diretor Ugo Giorgetti (de Sábado) se utilizou desse hábito muito comum em países – particularmente o Brasil - onde o futebol é um esporte popular para realizar esta produção e acertou na mosca, pois o filme é bastante divertido. Todo o mundo do futebol é mostrado: do juiz ladrão (Otávio Augusto, hilário), passando pelo pai-de-santo (André Abujamra, igualmente hilário) para curar lesões, a “Maria Chuteira” (Marisa Orth, sexy) sempre a correr atrás de jogadores, até os programas de mesa redonda nos quais os jornalistas (Claudio Curi e Serginho Leite) querem aparecer mais que os craques convidados.
Embora tenha sido considerado “paulista demais” (principalmente pelos cariocas) ao retratar equipes de São Paulo, Boleiros conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de D’Amiens (França) e o prêmio de Melhor Roteiro da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). O filme teve uma sequência em 2006 chamada Boleiros 2: Vencedores e Vencidos.
Veja aqui o trailer de Boleiros: Era Uma Vez o Futebol (original em português):

A Copa (Butão - 1999)

Em um mosteiro budista na Índia, onde vivem monges tibetanos refugiados, um pequeno noviço fanático por futebol convence seus colegas a alugarem uma televisão para assistirem a final da Copa do Mundo de 1998.
Por esta ninguém esperava: um filme vindo do Butão, pequeno país asiático que, até então, nunca havia produzido uma película sequer. E surpreendeu a todo o mundo do cinema com um filme original, de qualidade, muito bem dirigido por Khyentse Norbu (que também é um Lama, isto é, um guia espiritual do Budismo tibetano), com boas atuações de seu elenco e roteiro bem estruturado com humor, mas sem esquecer a crítica social e política (a invasão do Tibete pela China). A Copa foi, merecidamente, um grande sucesso e, como recompensa, foi indicado para o Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Filme Estrangeiro.
Veja aqui o trailer de A Copa (narrado e legendado em inglês):

O Milagre de Berna (Alemanha - 2003)

Alemanha, 1954. Nove anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o país está dividido e em reconstrução. Esse também é o ano da Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada na Suíça. O pequeno Matthias Lubanski (Louis Klamroth) vive com sua família na cidade industrial de Essen e, como todo menino de sua idade, ama o futebol. Ele é amigo do futebolista Helmut Rahn (Sacha Gopel, de Aceleração Máxima), que foi convocado pelo técnico da seleção alemã, Josef “Sepp” Herberger (Peter Franke, de Prisioneiro do Amor) para disputar o campeonato mundial. A grande favorita para conquistar o título é a seleção da Hungria. Nesse meio tempo, o pai de Matthias, Richard (Peter Lohmeyer, de A Jovem Rainha), um ex-soldado que ficou muitos anos como prisioneiro de guerra na URSS, retorna para casa, mas tem muitas dificuldades de readaptação à vida civil. Paralelamente, Paul Ackermann (Lucas Gregorowicz, da minissérie Os Filhos da Guerra), um jornalista esportivo recém-casado com Annete (Katharina Wackernagel, de O Grupo Baader Meinhoff), é forçado a adiar sua lua-de-mel para fazer a cobertura da Copa. Annete, que nunca foi entusiasta de futebol, decide ir com ele.
Após viver o pesadelo nazista, os alemães tinham que reconstruir mais do que uma nação arrasada pela guerra, tinham também que reconstruir seu orgulho e amor-próprio. Embora já estivessem em plena recuperação econômica, foi a épica vitória na Copa do Mundo sobre os Magiares Mágicos (alcunha da seleção húngara, uma equipe que, além de ter sido campeã olímpica em 1952, não perdia uma partida há quatro anos e meio e que, na primeira fase da Copa, havia vencido a mesma Alemanha por 8x3!) que trouxe de volta esses sentimentos ao país, mostrando que não havia nada de errado em ser alemão e amar a Alemanha - mesmo estando separada em um lado capitalista e outro comunista - e foi também o pontapé inicial ao período do país conhecido como “Milagre Econômico”.
O diretor Sönke Wortmann (de A Papisa Joana) reproduziu com precisão esse momento decisivo da história alemã mostrando tanto o reerguimento das cidades (que inclui o surgimento de usinas nucleares) quanto do povo com a aparição de líderes muito diferentes dos nazistas como o capitão da seleção, Fritz Walter (interpretado por Knut Hartwig, em sua estreia no cinema), que comandava pelo exemplo ao invés da força. As cenas de jogo são muito bem filmadas e bastante emocionantes, provavelmente, as melhores do tipo já feitas pelo cinema.
O Milagre de Berna conquistou o Deutscher Filmpreis (principal premiação de cinema da Alemanha) de Filme Alemão do Ano, entre outros prêmios, e mostrou que o milagre do futebol também pode ser o milagre da vida.
Veja aqui o trailer de O Milagre de Berna (original em alemão):

Um Time Show de Bola (Argentina - 2013)

Amadeo é um menino que mora em uma pequena cidade do interior e gosta de sua amiga Laura. Amadeo é “fera” no pebolim e vence, de virada, uma partida contra seu rival, Ezequiel, que é um bom futebolista. Furioso, Ezequiel deixa a cidade e retorna anos depois, já como um craque consagrado, para construir um mega-estádio de futebol no local e, para isso, terá que demolir todas as construções. Amadeo tenta impedir e é desafiado por Ezequiel para um jogo de futebol no qual o vencedor ganha tudo. Para vencer seu adversário, Amadeo terá ajuda dos bonequinhos de pebolim, que ganharam vida.
O diretor Juan José Campanella (de O Segredo de Seus Olhos) se inspirou no conto Memorias de Un Wing Derecho (Memórias de Um Ponta-Direita, em tradução livre), do escritor Roberto Fontanarrosa e se utilizou de duas paixões populares neste desenho animado argentino produzido junto com a Espanha: o futebol e sua versão de mesa, o pebolim (Metegol, em espanhol, que também é o nome original do filme). Os Hermanos fizeram uma animação competente e divertida com os bonecos de pebolim caracterizados como jogadores de verdade, cada um com sua respectiva personalidade (o capitão mandão, o vaidoso, etc.).
Um Time Show de Bola foi um grande sucesso de bilheteria na Argentina – também foi bem no Brasil – e conquistou o Prêmio Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Filme de Animação e o Prêmio Sur (o Oscar argentino) de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Canção e Melhor Som.
Veja aqui o trailer de Um Time Show de Bola (dublado):


ESTE TEXTO É DEDICADO AOS JOGADORES E COMISSÃO TÉCNICA DA ASSOCIAÇÃO CHAPECOENSE DE FUTEBOL E DEMAIS PASSAGEIROS DO VOO 2933 DA LAMIA PARA MEDELLIN, COLÔMBIA, FALECIDOS EM 29/11/2016.